Joubert… não pensem que existe um Zico em cada esquina

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Bons tempos aqueles. No findar da década de 1940, o futebol estava em franca ebulição; até mesmo na região mineira compreendida por Carangola, Cataguases, Muriaé e Tombos.

E assim, com pouca diferença de idade, os irmãos da família Meira jogaram juntos nas fileiras do simpático Tombense Futebol Clube (MG).

Joélcio era goleiro, Joanete jogava o fino da bola como médio-volante e Joubert atuava na lateral-direita e também como zagueiro. Joanete foi o único que não chegou ao futebol profissional; enquanto Joélcio e Joubert brilharam no cenário carioca.

Filho do comerciante Francisco Meira e de dona Maria da Conceição Rosa Meira, Joubert Luís Meira nasceu no município de Tombos (MG), em 14 de junho de 1935.

Conforme publicado pela revista do Esporte número 307, Joubert continuou jogando pelo seu querido Tombense até meados de 1953.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte número 83 – 8 de outubro de 1960.

Em seguida foi encaminhado ao Rio de Janeiro, momento em que foi aproveitado nos quadros amadores do Clube de Regatas do Flamengo.

Inicialmente, o jovem mineiro recebia uma modesta ajuda de custo de 1.000 cruzeiros, uma situação que só melhorou em 1955, quando assinou seu primeiro compromisso profissional para receber 5.000 cruzeiros mensais.

Morando em um pequeno apartamento no bairro da Tijuca, Joubert foi aos poucos conquistando seu espaço no elenco principal.

Pouco aproveitado na campanha do tricampeonato carioca de 1955, Joubert precisou substituir o titular Tomires em uma única oportunidade.

Foi na tarde de 11 de setembro, na vitória sobre o Fluminense por 2×1 no Maracanã, compromisso válido pelo primeiro turno do campeonato carioca.

Partindo da esquerda; Joubert, Ari e Bolero. Crédito: revista do Esporte número 152.

O Flamengo no gramado do Maracanã. Em pé: Joubert, Ari, Bolero, Jadir, Carlinhos e Jordan. Agachados: Othon, Moacir, Henrique, Gerson e Babá. Crédito: revista Placar – 50 times do Flamengo.

Com a saída definitiva do alagoano Tomires, Joubert assumiu definitivamente a condição de titular da lateral-direita; embora tenha colaborado também como zagueiro em várias oportunidades.

Pelo Flamengo, Joubert disputou 358 partidas com 210 vitórias, 75 empates, 73 derrotas e nenhum gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Campeão carioca de 1963, Joubert também faturou o Torneio Início de 1959 e o Torneio Rio-São Paulo de 1961; além de torneios nacionais e internacionais, como o Torneio Naranja de 1964, na Espanha. Abaixo, uma participação na campanha de 1963:

15 de setembro de 1963 – campeonato carioca – Flamengo 2×0 Olaria – Estádio General Severiano – Árbitro: Amílcar Ferreira – Gols: Nélson aos 25’ e Aírton aos 45’ do primeiro tempo.

Flamengo: Marcial; Murilo, Joubert e Paulinho; Nélson e Ananias; Espanhol, Nelsinho, Aírton, Dida e Paulo. Olaria: Ari, Átila, Mafra e Casemiro; Marcos e Nézio; Valter, Luiz Carlos, Jaburu, Waltinho e Othon.

Crédito: revista do Esporte número 183 – 8 de setembro de 1962.

Novas camisas de lã e mangas compridas para os compromissos na Europa. Partindo da esquerda; Joubert, Paulo Henrique, Vanderlei e Nélson. Crédito: revista do Esporte número 264 – 28 de março de 1964.

Joubert deixou os gramados na temporada de 1964, quando inclusive já colaborava como auxiliar técnico nas categorias de base do Flamengo.

Observador, Joubert aproveitou ao máximo sua convivência ao lado de grandes estrategistas; como Armando Renganeschi, Aymoré Moreira, Flávio Costa, Gradim, Modesto Bria, Tim e Zagallo.

Sua primeira oportunidade como técnico efetivo do Flamengo aconteceu na temporada de 1969. Deixou o cargo em 1970 e só voltou ao comando do time em 1972 e depois em 1974.

Sempre atento ao aparecimento de jovens valores, Joubert foi o responsável pela revelação e o aproveitamento de grandes talentos que marcaram época na história do clube; principalmente Zico.

Em suas várias passagens como treinador do Flamengo, Joubert foi campeão carioca de 1974 e comandou o “Rubro-Negro” em 194 partidas oficiais entre 1969 e 1985.

Joubert abre os braços para colocar ordem na casa. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 2 de novembro de 1973.

Foto de Arlindo Marinho. Crédito: revista Placar – 28 de janeiro de 1977.

Conforme publicado pela revista Placar em 28 de janeiro de 1977, ao deixar o Flamengo em 1975, Joubert decidiu investir em cursos de especialização na Alemanha.

Trabalhou também no Clube do Remo (PA), Santa Cruz (PE), Pinheiros (PR), América (RJ) e por muito tempo no Oriente Médio.

Seu último trabalho no comando do Flamengo aconteceu na temporada de 1985, oportunidade em que substituiu Edu Coimbra.

Enquanto viveu do futebol, o bom mineiro também ficou conhecido por falar o que pensava, mesmo que para isso fosse necessário frear o ímpeto sonhador de alguns dirigentes:

– “Não pensem que existe um Zico em cada esquina”.

Joubert quando assumiu o comando técnico do Santa Cruz. Foto de Arlindo Marinho. Crédito: revista Placar – 28 de janeiro de 1977.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 14 de abril de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arlindo Marinho, Fausto Neto, Getúlio Oliva, Lenivaldo Aragão e Rodolpho Machado), revista do Esporte (por Milton Salles), revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, agenciaoglobo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com (por Bruno Ribeiro), site do Milton Neves, tombense.com.br, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Livro: Zico, uma lição de vida – Marcus Vinícius Bucar Nunes – Thesaurus Editora.

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