Tovar… acertou o gogó para curar o calcanhar

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Depois de dez meses parado, o meio campista Tovar estava de volta. O rompimento do tendão de Aquiles esquerdo aconteceu em um clássico contra o Santa Cruz na Ilha do Retiro.

Tentando proteger a bola em uma investida do volante Givanildo, levou uma pancada forte por trás. Ficou com a bola mas sentiu uma dormência na perna atingida e em seguida desabou no gramado.

No dia seguinte, examinado por uma junta médica, o diagnóstico terrível: O tendão estava rompido e ele teria que ser submetido a uma intervenção cirúrgica.

Operado, Tovar iniciou uma batalha para se recuperar. Aos cuidados do preparador físico do Sport, Édson Nogueira, o jogador precisou ir ao Rio de Janeiro, na Escola de Educação Física do Exército e no departamento de Remo do Flamengo.

Crédito: Livro O Gigante da Beira Rio – Abril de 1969

Crédito: Livro O Gigante da Beira Rio – Abril de 1969

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foi quando Tovar descobriu que estava com um foco infeccioso, que atrapalhava bastante em sua recuperação. Voltou imediatamente para Recife e operou as amígdalas.

– Foi duro tchê. Sempre tive força de vontade e acreditei que voltaria. Mas em certos momentos fiquei derrubado mesmo!

Tovar Romariz Machado nasceu na cidade de Bagé (RS), em 27 de julho de 1948.

Iniciou sua trajetória no juvenil do Grêmio Esportivo Bagé, na primeira metade dos anos sessenta. Em 1965, foi encaminhado para o infanto juvenil do Sport Club Internacional, sendo integrado ao elenco de profissionais em 1968.

Crédito: revista Placar

Crédito: revista Placar

O aperto de mãos entre Tovar e João Havelange pela comemoração da conquista do campeonato estadual de 1971. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

O aperto de mãos entre Tovar e João Havelange pela comemoração da conquista do campeonato estadual de 1971. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

E Tovar fez parte da geração muito especial na história do clube. Além da retomada do domínio estadual com o título de 1969, participou das festividades de inauguração do estádio Beira Rio.

Abaixo, os dados da partida que marcou o nascimento do “Gigante do Guaíba”:

6 de abril de 1969 – Amistoso: Internacional 2×1 Benfica – Inauguração do estádio Beira Rio – Gols: Claudiomiro 22’ do primeiro tempo, Eusébio (Benfica) 23’ do segundo tempo e Gílson Porto aos 27’ do segundo tempo. 

Internacional: Gainete, Laurício, Scala, Pontes e Sadi; Tovar e Dorinho; Valdomiro (Urrzmendi), Claudiomiro, Gílson Porto e Bráulio (Sérgio Galocha). Técnico: Daltro Menezes. Benfica: José Henrique, Adolfo Calisto, Fernando Cruz, Humberto Coelho e Zeca; Simões e Toni; José Augusto (Vitor Martins), Eusébio, Torres e Praia (Nenê). Técnico: Otto Glória.

O internacional em 1972. Em pé: Pontes, Schneider, Cláudio, Figueroa, Jorge Andrade e Tovar. Agachados: Valdomiro, Bráulio, Claudiomiro, Carpegiani e Escurinho.

O internacional em 1972. Em pé: Pontes, Schneider, Cláudio, Figueroa, Jorge Andrade e Tovar. Agachados: Valdomiro, Bráulio, Claudiomiro, Carpegiani e Escurinho.

Em 1972 Tovar esteve entre os nomes lembrados para disputar os compromissos da Taça Independência. No entanto, o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo optou pelo sergipano Clodoaldo e pelo mineiro Vantuir.

Ainda em 1972, Tovar participou do jogo de preparação final da Seleção Brasileira para disputar o torneio da Taça Independência de 1972. Os “Tricampeões do Mundo” enfrentaram um combinado Gaúcho no estádio Beira Rio.

Naquela oportunidade, o público local estava indignado pela ausência de jogadores do futebol gaúcho no grupo convocado por Zagallo, especialmente do lateral esquerdo Everaldo.

Os torcedores presentes ao Beira Rio torceram em peso contra o onze amarelinho. A partida, muito disputada, terminou com o placar de 3×3, com os “canarinhos” totalmente incrédulos diante das vaias que brotavam das arquibancadas.

Tovar na seleção gaúcha. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

Tovar na seleção gaúcha. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

Seleção Gaúcha no empate em 3x3 diante da Seleção Brasileira em 1972. Em pé: Espinosa, Schneider, Ancheta, Figueroa, Everaldo e Carbone. Agachados: Valdomiro, Tovar, Claudiomiro, Oberti e Torino. Crédito: futebolgaucho.tumblr.com.

Seleção Gaúcha no empate em 3×3 diante da Seleção Brasileira em 1972. Em pé: Espinosa, Schneider, Ancheta, Figueroa, Everaldo e Carbone. Agachados: Valdomiro, Tovar, Claudiomiro, Oberti e Torino. Crédito: futebolgaucho.tumblr.com.

Abaixo, os dados do jogo em que o escrete canarinho foi vaiado por mais de 100.000 torcedores no Beira Rio:

17 de junho de 1972 – Estádio Beira Rio – Amistoso – Brasil 3×3 Seleção Gaúcha –  Público: 106.554 – Árbitro: Robert Heliés (França) – Gols: Brasil: Jairzinho, Paulo César Caju e Rivellino. Seleção Gaúcha: Tovar, Carbone e Claudiomiro

Brasil: Leão (Sérgio); Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio; Clodoaldo, Wilson Piazza e Rivellino; Jairzinho, Leivinha e Paulo Cesar Lima. Técnico: Zagallo. Seleção Gaúcha: Schneider; Espinosa, Ancheta, Figueroa e Everaldo; Carbone, Tovar e Torino; Valdomiro, Claudiomiro e Oberti (Mazinho). Técnico: Aparício Vianna e Silva.

Crédito: revista Placar - 26 de março de 1976.

Crédito: revista Placar – 26 de março de 1976.

Crédito: revista Placar - 26 de março de 1976.

Crédito: revista Placar – 26 de março de 1976.

Tovar não permaneceu no Beira Rio para conquistar o título brasileiro de 1975.

Depois de 351 jogos disputados e os títulos estaduais de 1969 até 1974, seu passe foi negociado por 500.000 cruzeiros junto ao Sport Clube do Recife, acerto formalizado em 8 de junho de 1975.

Jogando pelo “Leão da Ilha”, Tovar viveu grandes momentos e conquistou os títulos pernambucanos de 1975 e 1977.

Além da séria contusão no tendão de Aquiles, precisou operar as amígdalas e lutar muito para recuperar seu lugar no time.

Crédito: revista Placar - 26 de março de 1976.

Crédito: revista Placar – 26 de março de 1976.

Pretendido pelo Corinthians, o negócio não deu certo. Emprestado ao Coritiba Foot Ball Club, conquistou também o título paranaense naquela temporada.

Tovar ainda jogou pelo Esportivo de Bento Gonçalves (RS), Chapecoense (SC), Nacional de Manaus e São Paulo de Rio Grande (RS), onde encerrou sua carreira como jogador profissional em 1981 para trabalhar no serviço público.

Formado em Educação Física, trabalhou também como coordenador dos Master’s do Internacional, além de prestar serviço como assessor da presidência do clube. Atualmente Tovar está aposentado.

Crédito: revista Placar - 10 de setembro de 1976.

Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1976.

Tovar, em destaque, nessa formação do Sport. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

Tovar, em destaque, nessa formação do Sport. Crédito: página pessoal de Tovar no Facebook.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Lenivaldo Aragão e Divino Fonseca), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, Livro Seleção Brasileira – 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Livro O Gigante da Beira Rio, futebolgaucho.tumblr.com, campeoesdofutebol.com.br, página pessoal de Tovar no Facebook, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves.