Ney… escondido em Sorocaba

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É uma situação que acontece muito no futebol. Em face de uma necessidade, os dirigentes buscam por opções consagradas e caras em outros clubes, enquanto a solução pode estar bem próxima de casa e por um preço muito melhor.

O Palmeiras, há tempos, vinha lutando para cobrir uma lacuna na linha de ataque, porém, não conseguia encontrar uma formação adequada.

Liminha e Richard até que se esforçaram, no entanto, parecia existir na face dos homens da diretoria alviverde um anúncio mais ou menos assim: “Procuramos um homem gol”.

Falaram até no goleador Ademir Menezes, o que não seria uma tarefa simples junto ao Vasco da Gama. Enquanto isso, escondido em Sorocaba, um rapazola sem muito cartaz, esperava por uma oportunidade jogando pelo meio campo e pela ponta direita.

Ney arruma o meião no vestiário do Palmeiras durante campanha no campeonato paulista do Quarto Centenário. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 710 – Terça Feira, 4 de janeiro de 1955.

Ney arruma o meião no vestiário do Palmeiras durante campanha no campeonato paulista do Quarto Centenário. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 710 – Terça Feira, 4 de janeiro de 1955.

Filho de Naylor de Oliveira e Afonsina Blanco de Oliveira, Ney Blanco de Oliveira nasceu na cidade de Santos (SP), em 5 de junho de 1935.

Iniciou sua trajetória no infantil da Portuguesa Santista em 1947. Em 1951 foi promovido de categoria e aproveitado no elenco profissional em uma partida contra o Corinthians, no Pacaembu.

Depois, passou rapidamente pelo Jabaquara até que olheiros do Fluminense fossem mais rápidos que os colegas da capital paulista.

E Ney, mergulhado em lembranças, continuou sua entrevista para o Jornal Mundo Esportivo, edição do dia 17 de setembro de 1954, quando recordou como foi transformado em um homem de área.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 747 – Terça Feira, 24 de maio de 1955.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 747 – Terça Feira, 24 de maio de 1955.

Na época, Ney já jogava na meia cancha e o adiamento do sonhado curso de contabilidade não impediu que o apoio familiar fosse determinante em sua nova jornada no Rio de Janeiro.

No juvenil do time das Laranjeiras, Ney não ficou muito tempo como meio campista. Ayrton Moreira, irmão de Aymoré Moreira, percebeu qualidades diferenciadas para escalar o garoto no comando de ataque.

Entre ponta direita, meio campista e centroavante, Ney ficou esperando por uma chance concreta de ser efetivado no time de Aspirantes.

Enquanto assistia os triunfos tricolores no campeonato carioca de 1951 e na segunda edição da Copa Rio em 1952, Ney sonhava com dias melhores.

O gol de Ney contra o Corinthians em 1955. Homero aterrou Liminha na entrada da grande área. Jair Rosa Pinto cobrou a falta e a bola bateu nas costas de Ney para morrer nas redes. Ney (em destaque), sai da baliza para comemorar, enquanto Gylmar e Alan permanecem no chão. Liminha, eufórico, ergue os braços na pequena área e o árbitro aponta para o centro do campo. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 719 – Terça Feira, 8 de fevereiro de 1955.

O gol de Ney contra o Corinthians em 1955. Homero aterrou Liminha na entrada da grande área. Jair Rosa Pinto cobrou a falta e a bola bateu nas costas de Ney para morrer nas redes. Ney (em destaque), sai da baliza para comemorar, enquanto Gylmar e Alan permanecem no chão. Liminha, eufórico, ergue os braços na pequena área e o árbitro aponta para o centro do campo. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 719 – Terça Feira, 8 de fevereiro de 1955.

Emprestado ao Santos em 1953, não permaneceu muito tempo nessa primeira passagem pelo time da Vila.

No mesmo ano, continuou buscando seu sonho no Esporte Clube São Bento. Já como profissional, percebeu uma porta de esperança no próprio futebol paulista, depois das boas exibições no time de Sorocaba.

Contratado pelo Palmeiras em 1954, Ney encontrou o técnico Aymoré Moreira, que lembrando dos comentários do irmão Ayrton Moreira, o efetivou como centroavante depois de algum tempo.

Ney foi vice-campeão paulista do Quarto Centenário de São Paulo, marcando inclusive o gol esmeraldino no empate diante do Corinthians por 1×1 em fevereiro de 1955, na partida que decidiu o certame.

Ney e Ivan. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 796 – Sexta Feira, 7 de setembro de 1956.

Ney e Ivan. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 796 – Sexta Feira, 7 de setembro de 1956.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 786 – Sexta Feira, 14 de setembro de 1956.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 786 – Sexta Feira, 14 de setembro de 1956.

Nos anos seguintes, Ney não conseguiu manter sua boa regularidade e foi alvo de muitas críticas por parte de torcedores e dirigentes.

O Palmeiras, longe de um título estadual desde 1950, chegou perto em 1953 e 1954. Todavia, uma pressão disseminada já tomava conta do ambiente na busca por resultados. E Ney, não suportando o clima de cobranças, decidiu sair.

Ney permaneceu no Palestra Itália até 1957, quando foi transferido para o São Paulo. Pelo alviverde foram 137 participações com 75 vitórias, 28 empates, 34 derrotas e 53 gols marcados.

Integrante do elenco campeão paulista de 1957, Ney defendeu o tricolor em 30 partidas, obtendo 14 vitórias, 8 empates, 8 derrotas e 17 gols marcados.

Formação do Palmeiras no estádio do Pacaembu. Em pé: Manoelito, Cação, Laércio, Carabina, Gérsio e Fiume. Agachados: Liminha, Humberto, Ney, Jair Rosa Pinto e Rodrigues.

Formação do Palmeiras no estádio do Pacaembu. Em pé: Manoelito, Cação, Laércio, Carabina, Gérsio e Fiume. Agachados: Liminha, Humberto, Ney, Jair Rosa Pinto e Rodrigues.

Ney quando foi o comandante de ataque da Ferroviária. Crédito: revista do Esporte.

Ney quando foi o comandante de ataque da Ferroviária. Crédito: revista do Esporte.

A revista do Esporte registra também que Ney passou pelo Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba e pela Ferroviária de Araraquara em 1959, antes de assinar com o time da Vila Belmiro.

No Santos, Ney participou da conquista dos títulos paulistas de 1960 e 1961. Permaneceu no “Peixe” até o ano de 1962, quando foi fazer seus gols jogando no futebol mexicano.

No México, Ney defendeu o América, Atlas, Toluca e o Santos Laguna até 1969, quando decidiu pendurar suas chuteiras e iniciar seu período como treinador.

Continuou morando no México e também trabalhou como comentarista esportivo. Ney Blanco de Oliveira faleceu em Guadalajara, no México, no dia 13 de março de 2005.

Em pé: Formiga, Dalmo, Zito, Mauro, Getúlio e Laércio. Agachados: Sormani, Mengálvio, Ney Blanco, Pelé e Pepe. Crédito: site do Milton Neves.

Em pé: Formiga, Dalmo, Zito, Mauro, Getúlio e Laércio. Agachados: Sormani, Mengálvio, Ney Blanco, Pelé e Pepe. Crédito: site do Milton Neves.

Ney (em pé) e o goleiro Lalá (agachado), quando defenderam o Atlas, de Guadalajara. Crédito: site do Milton Neves.

Ney (em pé) e o goleiro Lalá (agachado), quando defenderam o Atlas, de Guadalajara. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, revista Campeoníssimo (Palmeiras), Jornal Mundo Esportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, cacellain.com.br, site do Milton Neves.