Clóvis Queiróz… enfrentar Pelé não é para qualquer um

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Clóvis Guimarães Queiroz nasceu em 26 de dezembro de 1940, na cidade de São Vicente (SP). *A revista Grandes Clubes Brasileiros publicou a data de nascimento como 6 de dezembro de 1940.

Alto, elegante e com bons atributos técnicos, Clóvis iniciou sua trajetória nos quadros amadores da Associação Atlética Portuguesa da cidade de Santos, em meados de 1955.

Em 1958, por ocasião de seu aproveitamento no elenco principal da Briosa, os dirigentes ofereceram um salário bem abaixo do que era pretendido pelo jogador.

Diante do impasse, o zagueiro foi sondado pelo Corinthians, que inclusive caminhou bem nas negociações, mas Clóvis permaneceu mesmo na Portuguesa Santista.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 206.

Clóvis e Silva. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 206.

Em 1959 participou do selecionado do Exército ao lado de Pelé e conquistou o campeonato Sul-Americano da categoria.

Clóvis também disputou o primeiro Campeonato Sul Americano de “Novos”, ou também chamado de Sul Americano de “Acesso” em 1962, na cidade de Lima, no Peru.

Com o comando do técnico Sylvio Pirillo, o selecionado do Brasil, ou “Seleacesso”, como ficou conhecido, faturou o título com um time formado por jogadores do interior paulista.

Mesmo com o rebaixamento da Portuguesa Santista na temporada de 1961, Clóvis continuou pretendido pelo Corinthians, que finalmente fechou o negócio nos primeiros meses de 1962.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 264 – 1964.

Clóvis chegou ao Parque São Jorge ao lado do atacante Silva, contratado junto ao Botafogo de Ribeirão Preto. Os cartolas esperavam assim uma campanha melhor daquela que foi considerada um desastre nos tempos do “Faz me Rir”.

Em sua primeira temporada no alvinegro, Clóvis foi vice-campeão paulista de 1962, uma colocação dividida com o São Paulo. O título ficou com o Santos.

Mas o bom momento foi interrompido e quase foi transformado em uma tragédia pessoal. O acontecimento foi amplamente divulgado pelos jornais da época e causaram muita preocupação para a Fiel Torcida.

Conforme publicado pela revista do Esporte, em uma partida do campeonato paulista contra a Ferroviária, Clóvis foi matar uma bola no peito e girou o corpo em falso.

Sentiu fortes dores na coluna e não levantou mais. Ainda no vestiário, Clóvis ouviu que aquilo não era nada e que algumas massagens o deixariam novo em folha.

O goleiro Heitor segura a bola acompanhado da vigilância do companheiro Clóvis. Crédito: revista do Esporte número 318 – 10 de abril de 1965.

No Departamento Médico, a suspeita assustadora de que Clóvis estava inutilizado para o futebol foi afastada pouco depois, quando o diagnóstico confirmou uma Hérnia de Disco.

Entregue aos procedimentos cirúrgicos com a equipe do Doutor João de Vicenzo, a recuperação foi lenta e amparada com exercícios de ginástica aquática e fisioterapia com o Doutor Gilberto Machado de Almeida.

Meses depois, quando voltou ao time, Clóvis sofreu uma distensão muscular na coxa direita, o que o afastou novamente dos gramados.

Para completar o momento infeliz, Clóvis entrou em desespero com o falecimento de sua mãe, dona Laura. O zagueiro só voltou aos melhores dias na temporada de 1963.

Crédito: revista do Esporte número 365 – 6 de março de 1966.

O Corinthians no gramado do Maracanã. Em pé: Jair Marinho, Clóvis, Marcial, Dino Sani, Ditão e Maciel. Agachados: Bataglia, Tales, Sílvio, Rivellino e Gilson Porto. Crédito: revista Futebol.

Em 16 de novembro de 1965, Clóvis vestiu a camisa canarinho. Na oportunidade, o Corinthians representou a Seleção Brasileira e foi derrotado pelo Arsenal da Inglaterra por 2×0, amistoso realizado em Londres.

Clóvis, que ao longo de sua permanência no Parque São Jorge sofreu muito nos duelos com Pelé, finalmente teve seu dia de triunfo em 6 de março de 1968, no Pacaembu.

O zagueiro entrou na segunda etapa e participou da vitória sobre o Santos por 2×0, resultado que colocou um fim no tabu de onze anos sem vitórias sobre o time praiano em partidas do campeonato paulista.

Pelo Corinthians foram 212 partidas com 114 vitórias, 49 empates, 49 derrotas e não marcou nenhum gol. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Clóvis, Babá e Ditão, em mais um clássico entre São Paulo e Corinthians no Pacaembu. Crédito: site do Milton Neves.

O Corinthians no Parque São Jorge. Em pé: Clóvis, Marcial, Édson Cegonha, Galhardo, Eduardo e Maciel. Agachados: Marcos, Rivellino, Ayrton Beleza, Flávio Minuano e Gilson Porto. Crédito: site do Milton Neves.

Sua única conquista pelo Corinthians foi o Torneio Rio-São Paulo de 1966, um título dividido com o Santos, Botafogo e o Vasco.

Emprestado ao Club de Regatas Vasco da Gama no segundo semestre de 1969, Clóvis participou do elenco que conquistou o campeonato carioca de 1970.

Continuou no cenário carioca até 1971, quando foi transferido em definitivo para o Club Deportivo Jalisco do México, onde encerrou a carreira como jogador em 1972.

Voltou ao Brasil e ainda trabalhou como treinador na Portuguesa Santista em 1972. Conforme publicado no site do Milton Neves, Clóvis é formado em Direito e atualmente reside na cidade de Ribeirão Preto (SP).

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Clóvis, o primeiro partindo da esquerda, no banco da Portuguesa Santista. Crédito: revista Placar – 15 de dezembro de 1972.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Maria de Aquino e Maurício Cardoso), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Armando de Castro), revista do Esporte, revista Futebol, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.com, globoesporte.globo.com, memoriasdoesporte.com.br, netvasco.com.br, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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