Bianchini… dois gols nas redes do Barcelona

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Adhemar Bianchini de Carvalho nasceu no dia 28 de setembro de 1940, em Cordeiro (RJ).

A carreira profissional foi iniciada no Bangu Atlético Clube, onde recebeu suas primeiras oportunidades no campeonato carioca de 1960, enquanto o elenco considerado titular participava do Torneio de Nova York.

Em 1961 participou de uma longa excursão internacional, quando inclusive marcou 2 gols na derrota do Bangu para o Barcelona por 4×3.

De acordo com os registros publicados pelo site bangu.net, a cansativa excursão aos gramados da Europa e da América do Norte durou 111 dias e rendeu aos cofres do clube 13 milhões de cruzeiros.

Célio e Bianchini. Crédito: revista do Esporte número 273 – 30 de maio de 1964.

Lapidado por treinadores renomados como Zizinho, Yustrich e Gradim, Bianchini esperou por outra chance até 1963, quando foi aproveitado por Elba de Pádua Lima (Tim).

E naquela temporada de 1963 o Bangu esbanjou categoria em boa parte do campeonato carioca. Os rapazes de Moça Bonita jogavam um futebol de encher os olhos e eram candidatos ao título.

Inexplicavelmente, o time caiu de produção nas últimas rodadas do segundo turno e o título foi perdido. A derrocada começou no inesperado empate com o América, em 1 de dezembro no Maracanã.

O Bangu vencia por 2×0 com dois gols de Bianchini, mas Fernando Cônsul marcou duas vezes no segundo tempo e o jogo terminou empatado.

Depois, pressionado na tabela, o time do técnico Tim enfrentou o Fluminense no dia 8 de dezembro.

Jairzinho e Bianchini. Crédito: revista do Esporte número 306.

Em prélio muito disputado, o quadro das Laranjeiras vencia por 2×1 e o Bangu pressionava em busca do gol de empate. Até o lance em que Zózimo cometeu pênalti ao cortar um cruzamento com a mão.

Com 3×1 no marcador e faltando pouco para terminar o jogo, os rapazes do Bangu perderam o fôlego e o Fluminense tocou a bola para o relógio andar:

8 de dezembro de 1963 – Campeonato carioca – Bangu 1×3 Fluminense – Estádio do Maracanã – Árbitro: Armando Marques – Gols: Bianchini aos 21’, Evaldo aos 30’ e Oldair aos 40’ e 81’.

Bangu: Ubirajara, Élcio, Mário Tito, Zózimo e Newton; Romeu e Roberto Pinto; Paulo Borges, Bianchini, Parada e Alencar. Fluminense: Castilho, Carlos Alberto Torres, Procópio, Dari e Altair; Oldair e Joaquinzinho; Edinho, Evaldo, Manuel e Escurinho.

O Bangu chegou ao vice-campeonato carioca de 1964. Em pé: Fidélis, Aldo, Mário Tito, Paulo, Nilton dos Santos e Ocimar. Agachados: Paulo Borges, Bianchini, Parada, Roberto Pinto e Cabralzinho. Crédito: bangu.net.

Linha de ataque do Bangu em 1965. Partindo da esquerda; Paulo Borges, Bianchini, Parada, Roberto Pinto e Cabralzinho. Crédito: revista do Esporte número 305 – 1965.

Terminado o campeonato, o Flamengo ficou com o título de 1963 e Bianchini foi o artilheiro da competição com 18 gols marcados.

Em 1964 o triunfo no Torneio Início manteve o quadro de Moça Bonita em evidência.

A busca pelo sonhado campeonato carioca esbarrou novamente no Fluminense, que no dia 20 de dezembro venceu o confronto decisivo pelo mesmo placar de 3×1 e ficou com o caneco.

Foi a última participação de Bianchini com a camisa do Bangu. Ao todo foram 153 jogos disputados com 77 vitórias, 38 empates, 37 derrotas e 81 gols marcados. Os dados foram divulgados pelo site bangu.net.

Em pé: Bianchini e Roberto Pinto. Agachados: Paulo Borges, Parada e Cabralzinho. Crédito: reprodução revista do Esporte número 313 – 5 de março de 1965.

Depois da desilusão por mais um título perdido, o presidente Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva entrou no ano de 1965 rebatendo mais uma das investidas do Botafogo sobre Bianchini.

Para Euzébio, vender Bianchini ao Botafogo era algo impensável. Na mesma época apareceu o interesse do América do México, que topou pagar 55 mil dólares pelos direitos do atacante alvirrubro.

O negócio com o América caminhava muito bem, mas o empresário Cacildo Oses trabalhou pelos interesses do Botafogo quando colocou o promissor Arlindo dos Santos Cruz na mira dos mexicanos.

Dessa forma, o astuto Cacildo Oses “mexeu os pauzinhos” nos bastidores e Bianchini finalmente foi apresentado aos torcedores em General Severiano.

Crédito: revista do Esporte número 311 – 20 de fevereiro de 1965.

Aírton e Bianchini (direita) levam perigo ao goleiro santista Laércio. O Botafogo venceu o Santos por 3×2 no Maracanã, compromisso válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 1965. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Conforme publicado pela revista do Esporte número 311, Bianchini acertou um contrato de dois anos com o Botafogo para receber 10 milhões de luvas e 200 mil cruzeiros por mês, além de uma gratificação de 3 milhões oferecidas pelo mesmo empresário.

Pelo time da “Estrela Solitária” foram duas temporadas de sucesso. Além do título no Torneio Rio-São Paulo de 1966, Bianchini também foi convocado para a Seleção Brasileira em 1965.

Com a camisa amarelinha do escrete foram apenas três partidas com 2 vitórias e 1 empate. Os registros fazem parte do Livro “Seleção Brasileira 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Transferido para o Club de Regatas Vasco da Gama no findar de 1966, Bianchini continuou em São Januário até ser emprestado ao Clube Atlético Mineiro.

Roberto Miranda e Bianchini. Crédito: revista do Esporte número 338 – 28 de agosto de 1965.

Pelé e Bianchini no Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 346.

Seu último time no cenário carioca foi o Clube de Regatas do Flamengo, uma passagem muito curta pela Gávea.

Foram apenas 16 apresentações com 5 vitórias, 5 empates, 6 derrotas e 5 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Flamengo, dos autores Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Bianchini também jogou pelo Sport Club do Recife, Red Star (França) e Puebla (México), até encerrar a carreira no interior paulista em 1971, pelo São José Esporte Clube.

A fama nos gramados o ajudou posteriormente na carreira política, ao exercer o mandato de vereador em sua cidade natal. Adhemar Bianchini de Carvalho faleceu no dia 27 de outubro de 2005.

Gerson e Bianchini. Crédito: revista do Esporte número 456 – 2 de dezembro de 1967.

Uma das formações do Vasco da Gama no gramado do Maracanã em 1968. Em pé: Pedro Paulo, Brito, Buglê, Fontana, Lourival e Ferreira. Agachados: Nado, Danilo Menezes, Nei Oliveira, Bianchini e Silvinho. Crédito: revista O Cruzeiro.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista O Cruzeiro, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.com, globoesporte.globo.com, netvasco.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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