Roberto Matosas… bola, discos, guitarra e títulos

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Um homem com dotes artísticos. Um apaixonado pela bola, pela leitura e pela música!

Nos momentos de lazer, Roberto Matosas passava horas ao lado dos livros, da coleção de discos e especialmente da guitarra, uma nova chama que procurava alimentar amparado em anotações e partituras.

Nos gramados, como meio-campista ou zagueiro, Roberto Matosas também dava vazão aos apelos da arte com seu futebol elegante e prático.

O uruguaio Roberto Matosas Postiglione nasceu na cidade de Mercedes, em 11 de maio de 1940.

Iniciou a carreira profissional no início de 1960, no Club Atlético Peñarol. Tímido e com uma calvície prematura, Roberto Matosas conquistou espaço rapidamente no time principal.

Crédito: revista Sport número 41 – Suplemento Mensal de El Gráfico – Janeiro de 1968.

Sempre tranquilo em sua careca reluzente, o jovem Roberto Matosas já esbanjava categoria, como se fosse um verdadeiro veterano!

Com uma ascensão surpreendente, os títulos refletem com exatidão sua importância no sucesso do Penãrol nos primeiros anos da década de 60.

Roberto Matosas foi tricampeão uruguaio nas edições de 1960, 1961 e 1962; bicampeão da Taça Libertadores da América de 1960 e 1961 e campeão Intercontinental de clubes em 1961.

Em grande fase, sua grande decepção ficou por conta da ausência no selecionado uruguaio na Copa do Chile em 1962.

Em fevereiro de 1964, por uma quantia recorde de 33 milhões de pesos, Roberto Matosas foi negociado com o Club Atlético River Plate da Argentina.

Crédito: reprodução revista El Gráfico.

O River Plate daqueles tempos buscava desesperadamente reencontrar seu lugar no cenário de conquistas nacionais.

Para tanto, além de Roberto Matosas, os dirigentes do River Plate acertaram também com o atacante uruguaio Luis Cubilla, contratado junto ao Barcelona da Espanha.

Pouco depois, uma notícia bombástica tomou conta dos periódicos locais.

Exames médicos apontaram que Roberto Matosas apresentava uma insuficiência cardíaca, um diagnóstico não confirmado e que causou vários contratempos ao jogador.

O fato é que Roberto Matosas foi ao Uruguai confirmar os exames com um renomado cardiologista. Com o diagnóstico refeito e livre da hipótese de qualquer problema cardíaco, o jogador foi reintegrado ao elenco do River Plate.

Crédito: revista Sport número 37 – Suplemento Mensal de El Gráfico – Setembro de 1967.

Crédito: revista Sport número 37 – Suplemento Mensal de El Gráfico – Setembro de 1967.

Com o vice-campeonato argentino de 1965, Roberto Matosas ainda depositava esperanças em ser lembrado para disputar a Copa do Mundo de 1966.

Contudo, seu nome não foi relacionado no grupo que embarcou para os gramados da Inglaterra em 1966.

Roberto Matosas não conquistou títulos pelo River Plate, lá permanecendo até agosto de 1968, quando acertou seu retorno ao Penãrol.

Nessa segunda passagem pelo Penãrol, o domínio regional pertencia ao Nacional. Mesmo assim, Roberto Matosas realizou o sonho de ser convocado para o mundial de 1970.

A campanha do Uruguai no México apresentou altos e baixos, principalmente na concorrida fase de grupos.

Uma das formações do Uruguai antes do início da Copa do Mundo de 1970. Crédito: revista Placar – 22 de maio de 1970.

Crédito: revista De Los Deportes número 92 – 27 de maio de 1970.

Com uma vitória por 2×0 sobre Israel; um empate sem abertura de contagem com os italianos e uma derrota para os suecos por 1×0; o Uruguai conseguiu uma sofrida classificação para o compromisso de Quartas de Final.

Com o triunfo apertado por 1×0 sobre a União Soviética, na cidade do México, o Uruguai encontrou pelo caminho o temido Brasil de Pelé na semifinal.

Abaixo, os registros do jogo que movimentou o noticiário esportivo de Guadalajara:

17 de junho de 1970 – Semifinal da Copa do Mundo – Brasil 3×1 Uruguai – Estádio Jalisco – Guadalajara – Árbitro: José Ortiz de Mendizabal (Espanha) – Gols: Cubilla aos 18′ e Clodoaldo aos 45’ do primeiro tempo; Jairzinho aos 75’ e Rivellino aos 89’ do segundo tempo. 

Brasil: Felix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. Técnico: Zagallo. Uruguai:  Mazurkiewicz; Ubiñas, Ancheta, Matosas e Mujica; Fontes, Montero Castillo e Cortés; Luis Cubilla, Maneiro (Espárrago) e Morales. Técnico: Juan Eduardo Hohberg. 

Semifinal da Copa do Mundo de 1970. Atílio Ancheta e Roberto Matosas sempre na cola de Tostão. Crédito: revista Fatos e Fotos.

Pressionado entre Matosas (camisa 3), Montero Castillo (camisa 5) e Ancheta, Clodoaldo empata para o Brasil. Crédito: revista Fatos e Fotos.

Até hoje, torcedores e críticos uruguaios lamentam o fato de Matosas não ter derrubado Jairzinho no segundo gol do Brasil.

Com a quarta colocação no mundial do México, Roberto Matosas encerrou assim sua participação no selecionado Celeste.

Em 1972 foi transferido para o futebol mexicano. Jogou pelo Atlético San Luís até 1974 e depois pelo Deportivo Toluca Fútbol Club até 1976, sua última equipe como jogador profissional.

Em seguida iniciou sua jornada como treinador no mesmo cenário mexicano. Entre tantas equipes, Roberto Matosas orientou o Deportivo Toluca, Monterrey, Santos Laguna, Tampico Madero e Veracruz.

Trabalhou depois como Coaching Comportamental, com especial dedicação ao desenvolvimento da inteligência emocional dos atletas.

Álbum de Figurinhas Campeonato Mundial México 1970 – Editora Sadira – Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

A volta ao Penãrol. Crédito: revista Estrellas Deportivas.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Maria de Aquino, Manoel Motta, Michel Laurence e Sebastião Marinho), revista Deportes, revista De Los Deportes, revista El Gráfico, revista Estrellas Deportivas, revista Fatos e Fotos, revista Manchete, revista O Cruzeiro, Jornal do Brasil, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, lanacion.com.ar, oglobo.globo.com, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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