Gijo… forte emoção na inauguração do Pacaembu

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A década de 1940 foi determinante na afirmação do São Paulo Futebol Clube entre os grandes do concorrido cenário paulista.

Mas especialmente para Gijo, os românticos anos 40 ficaram marcados como um período de grandes conquistas e reconhecimento, ainda que sua passagem pelo Fluminense tenha esbarrado na incontestável hegemonia do Flamengo.

Conhecido no mundo da bola como “Gijo”, Romualdo Sperto nasceu no município de Ipaussu (SP), em 1 de agosto de 1919.

Sua caminhada pelos gramados foi iniciada em equipes amadoras da região de Ipaussu (SP), até ser encaminhado aos quadros da Associação Atlética São Bento da cidade de Marília (SP).

Goleiro seguro e de boa colocação, o promissor Gijo conquistou fama e respeito rapidamente, embora ainda não imaginasse o enorme sucesso que o esperava!

Palestra Itália campeão paulista de 1940. Partindo da esquerda; Luizinho, Lima, Pipi, Carlos, Canhoto, Del Nero, Oliveira, Junqueira, Echevarrieta, Carnera e o goleiro Gijo. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado.

Em clássico contra o Flamengo disputado nas Laranjeiras, o goleiro Gijo afasta o perigo da área tricolor. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Descendente de italianos, o rapazola de Ipaussu vibrou quando os dirigentes do Palestra Itália (atual Palmeiras) manifestaram forte interesse por seu futebol em 1939.

No Palestra Itália, Gijo teve uma rápida ascensão e conquistou o posto de titular na temporada de 1940, inclusive participando do prélio inaugural do Estádio Municipal do Pacaembu.

Abaixo, os registros do histórico confronto, quando Gijo sofreu o primeiro gol da nova e elegante praça esportiva:

28 de abril de 1940 – Amistoso de inauguração do Estádio do Pacaembu – Palestra Itália 6×2 Coritiba – Árbitro: Heitor Marcelino Domingues -Gols: Echevarrieta (3), Luizinho, Elyseo e Sandro para o Palestra Itália; Zequinha e Branco para o Coritiba.

Palestra Itália: Gijo; Carnera e Junqueira; Carlos, Sidney e Del Nero; Luizinho, Sandro, Elyseo, Carioca e Echevarrieta. Coritiba: Ary; Borges e Alpheu; Tonico, Areão e Warde; Zequinha, Pio, Rubens, Pivo e Branco. 

Gijo pratica uma bela “ponte” para o delírio dos torcedores do tricolor no Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1119 – 16 de abril de 1945.

Forte formação do tricolor no Pacaembu. Em pé: Piolim, Virgílio, Bauer, Rui, Noronha e Gijo. Agachados: Barrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 390.

Conforme publicado no site “palmeiras.com.br”, a filha do goleiro Gijo, Marta Regina Sperto, lembrou que o pai sempre falou da forte emoção que viveu ao entrar em campo na inauguração do Pacaembu.

Na semana seguinte, uma vitória do Palestra Itália por 2×1 sobre o Corinthians garantiu o primeiro troféu do novo estádio, a Taça Cidade de São Paulo!

Campeão paulista de 1940, Gijo continuou nas fileiras do Palestra Itália até o início de 1942, quando foi transferido para o Fluminense Football Club (RJ). Ao todo, Gijo disputou 80 partidas com a camisa do Palestra Itália.

Contudo, em sua boa passagem pelo time das Laranjeiras, Gijo não levou muita sorte, ainda que tenha proporcionado soberbas apresentações.

Além da forte concorrência do fenomenal goleiro Batatais, o Flamengo daquele período dominou com sobras o futebol carioca e chegou ao tricampeonato nas edições de 1942, 1943 e 1944.

Em pose elegante, Gijo disputa mais um compromisso no gramado do Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1120 – 21 de abril de 1945.

Gijo e Oberdan Cattani em treinamento do selecionado paulista no Pacaembu. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 14 – Sexta Feira, 22 de novembro de 1946.

Abaixo, uma das participações de Gijo no Fluminense, na partida de abertura da temporada carioca de 1943:

13 de junho de 1943 – Campeonato carioca primeiro turno – Fluminense 3×0 Vasco da Gama – Estádio das Laranjeiras – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Carreiro, Russo e Maracaí.

Fluminense: Gijo, Bilulu e Renganeschi; Bioró, Spinelli e Afonsinho; Pedro Amorim, Russo, Maracaí, Pedro Nunes e Carreiro. Vasco da Gama: Roberto, Figliola e Sampaio; Alfredo II, Rodrigo e Argemiro; Djalma, Ademir Menezes, Isaías, Nino e Chico. Técnico: Ondino Viera.

Em 1944 voltou ao cenário bandeirante e assinou com o São Paulo, período em que também defendeu o selecionado paulista. Bicampeão paulista em 1945 e 1946, Gijo perdeu espaço como titular em 1947, mas fez parte do elenco tricolor que faturou o título de 1948.

Ao deixar os gramados, Gijo trabalhou como funcionário público na Secretaria de Educação em sua cidade natal.

Partindo da esquerda; Gijo, Renganeschi, Rui e Bauer. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1362 – 16 de agosto de 1947.

Sempre bem colocado, Gijo não era adepto de acrobacias. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1370 – 13 de setembro de 1947.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, José Maria de Aquino e Marcelo Vaz), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, palmeiras.com.br (por Bruno Alexandre Elias), saopaulofc.net, Livro: A História do Campeonato Paulista – André Fontenelle e Valmir Storti – Publifolha, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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