Bibe… um craque de fina estampa

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Meu filho nunca deveria ter seguido pelos caminhos do futebol. Em meio aos afazeres domésticos, dona Maria lembrava do trabalho que teve correndo atrás do menino Olímpio:

– E a você cabe toda culpa, dirigindo-se ao marido João. Lembra quando você lhe passava o par de chuteiras pela janela para que ele fosse jogar escondido de mim e longe das tarefas escolares?

Diante de críticas, comuns no mundo da bola, dona Maria não se conformava. Antes o Bibe tivesse continuado com o desenho de estampas, emprego que deixou pelo futebol.

Olímpio Gabriel, filho de João e Maria Gabriel, nasceu em 7 de novembro de 1925 na cidade de São Paulo.

Desde cedo, o pequeno Olímpio, chamado carinhosamente em casa como Bibe, já demonstrava sua natural habilidade com o couro nos pés.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 84 – Quinta Feira, 1 de abril de 1948.

Cresceu fugindo da mãe e dos livros para jogar pelos inúmeros times que existiam lá pela região do Ipiranga e do Glicério.

Arrumou emprego e aprendeu profissão. Desenhista de estampas, Bibe esperava impaciente pela chegada do final de semana. Ganhou o merecido destaque quando defendeu o juvenil do Fluminense do bairro do Ipiranga.

Do Fluminense para os quadros amadores do Clube Atlético Ypiranga foi um pulo. Em 1942 faturou o título no certame juvenil e no ano de 1947 assinou seu primeiro compromisso profissional.

Campeão do Torneio Início do campeonato paulista nas edições de 1948 e 1950, Bibe ganhou destaque rapidamente ao substituir com tranquilidade o importante meia Nenê, negociado com o Corinthians.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 84 – Quinta Feira, 1 de abril de 1948.

Rubens, Alceu e Bibe, o grande trio do Ypiranga. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 215 – Sexta Feira, 6 de outubro de 1950.

Simples e discreto, Bibe era um meia esquerda que sabia conduzir uma bola. Sua cadência de movimentos elegantes oferecia o tom de confiança tão necessário aos companheiros.

A linha de ataque do “Vovô da Colina”, como também ficou conhecido o Ypiranga, tirou o sono dos “grandes” do futebol paulista: Liminha, Rubens, Silas, Bibe e Walter.

Apesar de ser um especialista em petardos de fora da área, Bibe era o homem pensante do Ypiranga ao lado de Rubens, o “Doutor Rubis”, que depois fez grande sucesso jogando pelo Flamengo.

Quando Bibe firmou contrato com o São Paulo em 1951 existia uma grande expectativa. O pai, o velho João Gabriel, tinha lá suas reservas e sabia que jogar em time grande era algo muito diferente.

Bibe não se mostrou preocupado quando trocou o sossego do Ypiranga pelo São Paulo. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 332 – 21 de março de 1952.

Bibe não se mostrou preocupado quando trocou o sossego do Ypiranga pelo São Paulo. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 332 – 21 de março de 1952.

O combinado São Paulo/Bangu correu pelos gramados da Europa. Em pé: Leonidas da Silva (treinador), Alfredo, Mirim, Mendonça, Poy, Mauro Ramos de Oliveira e Bauer. Agachados: Alcindo, Bibe, Durval, Teixeirinha e Nívio. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Vice-campeão paulista de 1952, Bibe foi muito cobrado pela torcida do São Paulo. Enaltecido nas grandes jornadas, o jogador era duramente castigado quando não se apresentava bem.

O fato foi descrito nas páginas do saudoso Jornal Mundo Esportivo, em matéria assinada pelo jornalista Solange Nunes Bibas, que exclusivamente entrevistou o pai de Bibe:

– Como pai eu estou preocupado. Meu filho João voltou do Pacaembu ferido e com a camisa rasgada depois de uma briga. Falaram mal do Bibe e o João, como irmão mais velho, não ficou quieto.

Em sua primeira passagem pelo São Paulo, Bibe permaneceu até o ano de 1953, quando foi transferido para a Associação Atlética Ponte Preta.

De acordo com os registros publicados pelo Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa, Bibe esteve em campo pelo tricolor em 152 compromissos, obtendo 79 vitórias, 33 empates, 40 derrotas e 38 gols marcados.

Crédito: revista Tricolor número 26 – Novembro de 1952.

No Moisés Lucarelli, Bibe jogava mais solto. O bom futebol voltou e durante muito tempo envergou com brilhantismo a camisa da “Macaca”.

Curiosamente, apesar de toda assistência oferecida pelos dirigentes do clube campineiro, Bibe não fixou residência na cidade de Campinas. Continuou no seu querido bairro do Ipiranga e sempre fazia de ônibus o percurso entre São Paulo e Campinas.

Em razão dos constantes e cansativos deslocamentos rodoviários, Bibe era liberado do regime de concentrações na Ponte Preta.

Pela Ponte Preta, onde também ficou conhecido como “Maestro”, Bibe jogou até o ano de 1963, com exceção de um breve retorno ao mesmo São Paulo no período compreendido entre 1959 e 1960.

Com a camisa da Ponte, Bibe é o quinto maior artilheiro da história do clube com 348 jogos e 88 gols marcados.

Figurinha de Bibe no São Paulo. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Equipe da Ponte Preta em 1957. Em pé: Bruninho, Andu, Carlito Roberto, Pirani, Vilela e Esnel. Agachados: Noca, Airton, Paulinho, Bibe e Adamastor. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 95.

Bibe sempre afirmou com orgulho que ao longo de sua carreira nunca foi advertido pela arbitragem, um feito comprovado por meio de um documento adquirido pelo próprio Bibe na FPF (Federação Paulista de Futebol).

Algumas fontes apontam também uma passagem pelo Independiente da Argentina. Depois de deixar os gramados Bibe trabalhou como inspetor de cobrança do grupo Matarazzo até o final dos anos noventa.

Conforme publicado no site do Milton Neves, Bibe viveu seus últimos residindo no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Olímpio Gabriel, o craque Bibe, faleceu no dia 17 de fevereiro de 2012 na capital paulista. O ex-jogador sofria do Mal de Alzheimer.

Crédito: esporte.ig.com.br.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Tricolor, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, Jornal Mundo Esportivo (por Solange Bibas), Jornal Folha de São Paulo, museudosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, saopaulofc.net, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa albumefigurinhas.no.comunidades.net, esporte.ig.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves.