Ferreira… o baixinho que atormentou Fleitas Solich

Tags

, , ,

Conhecido pelos companheiros como “Açucareiro”, Ferreira jogava bonito e com os braços abertos. Fez parte do grande time do América vice-campeão carioca nas edições de 1954 e 1955.

Ponteiro-esquerdo de origem, o baixinho Ferreira era veloz e bom finalizador; qualidades que colocaram seu futebol em evidência na Seleção Brasileira em 1956.

Antenor Ferreira de Carvalho Filho nasceu no município de Três Rios (RJ), em 1 de novembro de 1933.

Conforme publicado na revista Esporte Ilustrado, Ferreira iniciou sua caminhada nos gramados em 1949, nos quadros amadores do Colônia de Três Rios.

(*) Algumas fontes apontam que Ferreira começou no América de Três Rios.

Uma das formações de ataque do América em 1954: Partindo da esquerda; Ramos, Vassil, Simões, Valeriano e Ferreira. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 842 – 27 de maio de 1954.

O América no gramado do Maracanã. Em pé: Cacá, Osni, Édson, Ivan, Osvaldinho e Hélio. Agachados: Paraguaio, Alarcon, Leônidas da Selva, João Carlos e Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Com o prestígio em alta, Ferreira foi pretendido pelo Madureira e pelo São Cristóvão, mas o acordo financeiro entre os dirigentes não chegou ao bom termo.

Foi então que em 1951 apareceu a boa proposta do América (RJ). Inicialmente, Ferreira foi utilizado no time de Aspirantes, até ser aproveitado no elenco principal em 1952.

Só deixou sua condição de amador em 1953, quando assinou seu primeiro contrato profissional; mesmo ano em que foi o artilheiro da equipe com 15 gols marcados.

Importante no esquema de Otto Glória, Ferreira cresceu muito de produção com a chegada do treinador Martim Francisco, o estrategista mineiro que quase desbancou o Flamengo de Fleitas Solich.

O América de Martim Francisco vendeu muito caro ao Flamengo os títulos cariocas de 1954 e 1955. Preocupado em vigiar Alarcon e Canário, o feiticeiro Fleitas Solich logo percebeu que não poderia esquecer de Ferreira pela esquerda.

Essa linha de ataque deu o que falar. Partindo da esquerda. Canário. Romeiro, Leônidas da Selva, Alarcon e Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 933 – 23 de fevereiro de 1956.

O técnico Flavio Costa abraçado aos jogadores Ferreira e Canário da Seleção Brasileira. Crédito: agenciaoglobo.com.br.

Se 1954 foi um ano com resultados excelentes, em 1955 Ferreira foi um dos artilheiros do campeonato carioca com 14 gols marcados.

Naquele certame de 1955, o América realizou uma campanha espetacular e encontrou com o time da Gávea nas finais, que só aconteceram nos primeiros meses de 1956.

No primeiro confronto, o Flamengo venceu por 1×0 com um gol de Evaristo. Na partida seguinte, Ferreira e seus companheiros esmagaram o “Rubro-Negro” com uma surpreendente goleada por 5×1:

1 de abril de 1956 – Campeonato carioca – América 5×1 Flamengo – Estádio do Maracanã – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Ferreira, Alarcon, Canário, Leônidas e Romeiro para o América; Joel para o Flamengo. 

América: Pompéia, Rubens e Édson; Ivan, Osvaldinho e Hélio; Canário, Romeiro, Leônidas, Alarcon e Ferreira. Flamengo: Chamorro, Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Duca, Paulinho, Evaristo e Zagallo.

Ataque do Brasil na Taça Oswaldo Cruz em 1956. Partindo da esquerda vemos Canário, Zizinho, Romeiro, Ferreira e Leônidas da Selva agachado. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.

A Seleção Brasileira no gramado do Maracanã em 1956. Em pé: Djalma Santos, Zózimo, Nilton Santos, Édson, Gylmar e Formiga. Agachados: O massagista Mário Américo, Canário, Zizinho, Leônidas da Selva, Didi e Ferreira. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Na terceira e decisiva partida, todos esperavam por uma consagração definitiva de Ferreira e seus companheiros. No entanto, Dida foi o nome do jogo ao marcar os 4 gols da vitória do Flamengo pela contagem de 4×1:

4 de abril de 1956 – Campeonato carioca – Flamengo 4×1 América – Estádio do Maracanã – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Dida (4) para o Flamengo e Romeiro para o América.

Flamengo: Chamorro; Tomires e Pavão; Servílio, Dequinha e Jordan; Joel, Duca, Evaristo, Dida e Zagallo. América: Pompéia; Rubens e Édson; Ivan, Osvaldinho e Hélio; Canário, Romeiro, Leônidas, Alarcon e Ferreira.

O jogo também é lembrado pela entrada violenta do zagueiro Tomires em Alarcon; uma dividida que tirou o atacante argentino de campo.

Em grande fase, o nome de Ferreira foi lembrado na Seleção Brasileira em 1956. Campeão da Taça do Atlântico e da Taça Oswaldo Cruz, Ferreira disputou ao todo 5 partidas com a camisa canarinho. Foram 4 vitórias, 1 empate e 4 gols marcados.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 949 – 14 de junho de 1956.

Os números de Ferreira no escrete canarinho foram publicados pelo livro Seleção Brasileira 1914 – 2006, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Ferreira permaneceu nas fileiras do América até 1958, quando seu passe foi negociado com o futebol espanhol. Jogou primeiro pelo Múrcia entre 1959 e 1960 e depois pelo Castellón em 1961.

De volta ao Brasil, Ferreira defendeu o Sport Club Corinthians Paulista nas temporadas de 1961 e 1962.

Contudo, o ponteiro-esquerdo não foi muito feliz em sua passagem pelo Parque São Jorge. Foram apenas 13 jogos disputados e nenhum gol marcado.

Em seguida, Ferreira defendeu o Cruzeiro Esporte Clube (MG) em 1962 e 1963, sua última equipe. Conforme registros encontrados, Antenor Ferreira de Carvalho Filho faleceu em 2004.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 46 – 6 de outubro de 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, agenciaoglobo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves, Livro: Seleção Brasileira 1914–2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios