Ita… o vilão da festa de Didi

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O espigado menino José Augusto bem que tentava, mas sua modesta habilidade com a bola nos pés não impressionava ninguém. Mesmo assim, bem ou mal, o que importava era jogar.

Sem alternativas foi parar debaixo das balizas, talvez a única forma de participar das movimentadas peladas nos campinhos de Alfenas. Fã do goleiro Castilho do Fluminense, José Augusto foi tomando gosto pela coisa!

A providência do destino foi sábia. Logo, José Augusto conquistou fama e muito respeito como um guardião confiável e pegador de pênaltis, o suficiente para depois edificar uma carreira marcante no cenário carioca da década de 1960.

Marcou época no Vasco da Gama, ainda que sua passagem por São Januário não tenha representado títulos importantes para o onze do “Cruzmaltino”.

Filho de Francisco Augusto da Silva e de dona Sebastiana Maria da Silva, José Augusto da Silva nasceu no município de Regente Feijó (SP), em 17 de julho de 1938, embora algumas fontes apontem o seu nascimento no dia 28 de junho do mesmo ano.

Paulista que despontou no futebol mineiro, Ita chegou ao Vasco da Gama com muita vontade de vencer! Crédito: revista Álbum do Esporte número 1.

Nos primeiros anos da década de 1940, a família Silva decidiu morar em Alfenas (MG), cidade onde mais tarde o rapazola José Augusto começou a sua trajetória esportiva nos quadros da Associação Atlética Cruz Preta.

Contando com 1;83 de estatura, o aplicado e promissor José Augusto foi muito bem avaliado na Associação Atlética Cruz Preta, inclusive despertando o pronto interesse do Atlético Mineiro em 1958, onde não permaneceu por muito tempo!

(*) A origem do curioso apelido “Ita” não foi encontrada nos jornais e revistas da época. O certo é que o referido cognome sempre o acompanhou, dentro e fora dos gramados.

Transferido para o Club de Regatas Vasco da Gama (RJ) em março de 1960, Ita firmou compromisso para receber 4 mil cruzeiros mensais, um bom montante, levando em conta o benefício do aprendizado com o afamado goleiro Barbosa, que já estava em fase final de carreira.

Campeão da categoria de Aspirantes em 1960, Ita estabeleceu moradia na Rua Marquês de Abrantes. Estava contente em São Januário e ciente do desafio de recolocar o Vasco no caminho das grandes conquistas.

Encontro de gerações em São Januário! Partindo da esquerda; Ita, o veterano Barbosa e Miguel. Crédito: revista do Esporte.

Marcado por Lorico, Garrincha dispara um petardo contra a trave esquerda do goleiro Ita. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Contudo, o Vasco daqueles tempos pouco lembrava o esquadrão do “Expresso da Vitória”. Inicialmente disputando a posição com Barbosa e Miguel, Ita foi aos poucos conquistando o seu espaço.

Abaixo, uma grande participação de Ita como titular do Vasco, justamente no jogo em que todos esperavam por um grande resultado do time da “Estrela Solitária”, principalmente para comemorar o retorno do astro Didi:

27 de agosto de 1960 – Campeonato carioca – Primeiro turno –  Vasco da Gama 2×0 Botafogo – Estádio do Maracanã – Árbitro: Amílcar Ferreira – Gols: Delém aos 57′ e Pinga aos 82‘ do segundo tempo.

Vasco da Gama: Ita; Paulinho, Bellini e Coronel; Écio e Orlando; Sabará, Delém, Wilson Moreira, Valdemar e Pinga. Botafogo: Manga; Cacá, Zé Maria e Chicão; Pampolini e Nilton Santos; Garrincha, Didi, Rossi, Quarentinha e Zagallo. 

A boa fase passou e Ita foi parar na suplência do goleiro Humberto Torgado em 1962. Com muito trabalho voltou ao time e prontamente marcou a data de seu casamento com a nadadora Walda, também atleta do Vasco.

Ita e Miguel. Amizade e principalmente lealdade na disputa pela camisa de titular do Vasco! Crédito: revista do Esporte número 162.

O namoro começou no ambiente do clube. Assim, a jovem nadadora Walda fisgou em definitivo o coração do goleiro do Vasco da Gama. O casamento está com data marcada! Crédito: revista do Esporte número 194 – 24 de novembro de 1962.

Campeão do Torneio Pentagonal do México em 1963, Ita falou um pouco sobre bastidores, comportamento, opiniões e referências da nobre arte de jogar como goleiro. A reportagem foi publicada na coluna “Bate Bola” da revista do Esporte:

– “Armando Marques é o melhor; Paulo Amaral não deu sorte no Vasco; Pelé é incomparável; críticas são incentivo; não tenho queixas do futebol; não tenho medo de viajar de avião; não tenho nada contra o regime de concentração; sou calmo em campo e leal aos companheiros”.

Na última renovação de contrato com o Vasco da Gama, a diretoria reconheceu sua dedicação e empenho. Ita assinou por 400 mil cruzeiros de salário e ainda recebeu um Volkswagen novinho em folha.

Todavia a falta de títulos em São Januário pesava cada vez mais. Dessa forma, Ita foi emprestado ao Clube do Remo (PA) em 1965, um período de especial satisfação e reconhecimento da imprensa e dos torcedores locais.

Ita ainda retornou ao elenco do Vasco da Gama. Em seguida foi negociado em definitivo com o América (RJ), equipe onde permaneceu por um bom tempo.

Os goleiros Ita e Humberto: 1964 será o ano do Vasco! Crédito: revista do Esporte número 260.

O Vasco da Gama, que terminou o ano de 1964 com números bem abaixo do esperado no certame carioca! Em pé: Ita, Joel, Caxias, Maranhão, Fontana e Barbosinha. Agachados: Mário, Célio, Saulzinho, Lorico e Zezinho. Crédito: revista do Esporte número 306 – 16 de janeiro de 1965.

Na continuidade de sua carreira, Ita defendeu o Olaria Atlético Clube (RJ) e depois o Ceará Sporting Club (CE) em 1970, sua última equipe como jogador profissional. Abaixo uma de suas participações pelo Olaria:

9 de março de 1968 – Campeonato carioca – Primeiro turno – Olaria 3×1 Bangu – Estádio da Rua Bariri – Árbitro: Amílcar Ferreira – Gols: Antunes (3) para o Olaria; Aladim para o Bangu.

Olaria: Ita; Mura, Esteves, Altivo e Alfinete; Mafra e Valter; Joãozinho, Bá, Antunes (Lenine) e Lino. Bangu: Devito; Fidélis, Mário Tito, Luís Alberto e Pedrinho; Jaime e Ocimar; Mário, Bolacha (Dé), Sanfilipo (Fernando) e Aladim.

Conforme publicado no site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, Ita atualmente está aposentado e mora na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Sempre que pode viaja com a família para o município carioca de Guapimirim, onde tem uma confortável casa de campo, inclusive com espaço reservado para os tesouros de sua rica caminhada pelo futebol.

Calmo e seguro, Ita intercepta mais uma tentativa do Fluminense pelo alto! Crédito: revista do Esporte número 326.

“Não pretendo voltar para São Januário. Estou muito feliz aqui no Remo”. Crédito: revista do Esporte número 347 – 30 de outubro de 1965.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Álbum do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.com, kikedabola.blogspot.com, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg e Marcos Júnior Micheletti), vasco.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.