Sicupira… o Heleno de Freitas é a sua cara

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Heleno de Freitas é a sua cara! Disse um amigo enquanto folheava uma surrada revista esportiva. Curioso com tamanha comparação, Sicupira foi até o primeiro espelho que encontrou pela frente.

O rótulo caiu como um presente! Afinal, Heleno de Freitas foi um craque, ainda que seu temperamento difícil não fosse considerado como um bom exemplo!

E realmente, a semelhança mexeu demais com a cabeça do rapazola, ao mesmo tempo em que também lembrava da promessa juramentada do amigo radialista Aírton Cordeiro: “Quem sabe um dia te levo para o Botafogo do Rio de Janeiro”.

Filho de Barcimio Sicupira e Anna Teles Sicupira, Barcimio Sicupira Júnior nasceu no município de Lapa (PR) em 10 de maio de 1944.

Com exceção dos livros de presença escolar, poucos o conheciam pelo nome de Barcimio. Com o sucesso no time do colégio, Sicupira foi parar por pouco tempo nos quadros amadores do Coritiba Foot Ball Club (PR).

Em 1965, o público carioca conheceu o perfil completo do craque paranaense Sicupira. Crédito: revista do Esporte número 344 – 9 de outubro de 1965.

Álbum de figurinhas Campeonato Paulista. Cromo de Sicupira na página do Botafogo de Ribeirão Preto. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Contudo, o pai logo o levou para jogar nas fileiras do Clube Atlético Ferroviário (PR). Conforme artigo publicado na revista do Esporte, o primeiro contrato com o Ferroviário foi assinado em 1962, com vencimentos de 12 mil cruzeiros.

Em grande fase durante a ótima campanha realizada no certame paranaense de 1963, o nome de Sicupira foi lembrado no selecionado de amadores do Paraná.

Ao voltar para o Ferroviário, Sicupira foi “barrado” pelo próprio concunhado, o senhor Hipólito Azul, que na época ocupava o papel de treinador.

Hipólito Azul surpreendeu muita gente ao considerar o futebol de Sicupira um tanto lento, o suficiente para relegar o rapaz para o quadro de Aspirantes.

Conforme divulgado na revista Futebol e Outros Esportes, o amigo e radialista Aírton Cordeiro logo tratou de cumprir sua promessa e encaminhou Sicupira para testes em General Severiano.

No duelo das maiores torcidas do Brasil, Flamengo e Corinthians não saíram do zero no Maracanã em 1972. No lance, Sicupira tenta desarmar o sempre habilidoso Paulo Cesar Lima. Crédito: revista Placar.

Costumeiras sondagens dos dirigentes do Coritiba! Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 1 de março de 1974.

Publicada em 30 de janeiro de 1976, a revista Placar número 303 ofereceu uma versão bem diferente para a transferência do atacante para o Botafogo.

Nas páginas assinadas pelo repórter Mílton Ivan, o treinador Zoulo Rabello foi o verdadeiro responsável pelo convite que conduziu o jovem paranaense para o Rio de Janeiro.

No mês de abril de 1964, o promissor Sicupira firmou seu compromisso com o Botafogo de Futebol e Regatas (RJ). O montante foi acertado em 5 milhões de “Luvas” e salário mensal de 100 mil cruzeiros.

Morando na movimentada Avenida Prado Júnior, em Copacabana, o reservado Sicupira foi aos poucos conquistando seu espaço. Participou da conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1966, um título dividido entre Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco da Gama.

Em 1967, Sicupira deixou o Rio de Janeiro e foi defender o Botafogo Futebol Clube da cidade de Ribeirão Preto (SP), um proveitoso período no disputado cenário paulista.

O cabeludo Sicupira em mais um disputado clássico “Atletiba”. Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 31 de maio de 1974.

Athletico Paranaense e São Paulo pelo campeonato nacional. O goleiro Waldir Peres chega antes de Sicupira. Crédito: revista Placar.

Com os salários em atraso na equipe de Ribeirão Preto, Sicupira recebeu uma sondagem do Coritiba em 1968, mas acabou acertando com o Club Athletico Paranaense (PR).

No Athletico Paranaense, entre 1968 e 1975, Sicupira viveu um período muito marcante em sua carreira. Foi campeão paranaense de 1970 e só deixou o clube por empréstimo em 1972 para defender o Sport Club Corinthians Paulista (SP).

Abaixo, uma das participações de Sicupira pelo Athletico Paranaense na disputa da Taça de Prata 1970:

7 de outubro de 1970 – Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata 1970) – Athletico Paranaense 1×0 Bahia – Estádio: Belfort Duarte (atual Couto Pereira) em Curitiba – Árbitro: Oscar Scolfaro – Gol: Sicupira.

Athletico (PR): Vanderlei; Hermes, Zico, Alfredo e Júlio; Hidalgo e Toninho; Dorval, Sicupira, Liminha (Luís Antônio) e Nílson. Bahia: Picasso; Aguiar, Zé Oto, Roberto e Souza; Baiaco e Amorim; Gijo, Jair Bala (Beijoca), Carlinhos (Sanfilippo) e Raul.

Desiludido com o futebol, Sicupira largou o palco da bola cansado da rotina de concentrações e longas viagens! Foto de Amilton Vieira. Crédito: revista Placar – 30 de janeiro de 1976.

Recém casado, Sicupira deixou os gramados para comandar o juvenil do Athletico Paranaense. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 30 de janeiro de 1976.

Mesmo com uma curta passagem pelo time do Parque São Jorge, Sicupira é até hoje lembrado pelos torcedores, principalmente pelo importante gol que marcou diante do Ceará no Pacaembu, em jogo válido pelo campeonato nacional.

De acordo com os registros do Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte, Sicupira disputou ao todo 22 compromissos com a camisa alvinegra. Foram 10 vitórias, 8 empates, 4 derrotas e 4 gols marcados.

Formado em Educação Física, ao deixar os gramados no início da temporada de 1976, Sicupira atuou como treinador nas equipes de base do mesmo Athletico Paranaense.

Posteriormente aceitou o cargo de “Diretor de Futebol Profissional” no extinto Colorado Esporte Clube (PR), uma experiência que significou conhecer melhor o outro lado da moeda!

Sicupira permanece trabalhando como um conceituado comentarista esportivo e atualmente continua morando na cidade de Curitiba (PR).

Como Diretor de Futebol do Colorado (PR). Fotos de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 20 de abril de 1979.

Grande nome da história do Athletico Paranaense, Sicupira foi lembrado na edição “Os Craques do Século”. Crédito: revista Placar – Setembro de 1999.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amâncio Chiodi, Amilton Vieira, Carlos Maranhão, Fernando Pimentel, Hélio Teixeira, José Eugênio, Lemyr Martins, Mílton Ivan, Roberto José da Silva e Sérgio Sade), revista do Esporte, revista Futebol e Outros Esportes, revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.