Ivan… o futebol merece um sorriso bem cuidado

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Quando a vitalidade é suprimida pelo toque do tempo, largar o prazer do futebol não é apenas uma simples questão de escolha. Para muitos, o palco da vida sem o complemento do tapete verde é um pesadelo difícil de superar!

Mas para o estudioso e sempre precavido moço de Cachoeiro do Itapemirim, o final da carreira esportiva foi apenas o início de uma nova etapa profissional.

Diplomado pela Faculdade de Odontologia do Estado do Rio de Janeiro, Ivan já era um doutor formado quando ainda batalhava envergando a camisa rubra do América. Afinal, o futebol merece um sorriso bem cuidado!

Tão logo deixou o mundo da bola, Ivan prontamente dividiu seu tempo entre o trabalho na Secretaria de Finanças do Estado e o exercício da odontologia em um consultório no bairro de Madureira, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

Ivan Monteiro Bahiense nasceu no município de Cachoeiro do Itapemirim (ES), em 23 de junho de 1926, embora algumas fontes encontradas apontem o ano de seu nascimento como 1927.

Estabilidade, a palavra chave para o América no certame de 1951. Partindo da esquerda; Rubens, Osvaldinho e Ivan. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 698 – 23 de agosto de 1951.

O trio médio do América. Partindo da esquerda; Hilton Viana, Osvaldinho e Ivan. Crédito: revista O Globo Sportivo número 675.

Conforme publicado na revista Esporte Ilustrado número 895 de 2 de junho de 1955, Ivan começou sua trajetória nos quadros amadores do América (RJ) em 1944.

Inicialmente, Ivan jogava como atacante, até encontrar seu lugar como médio nos corredores defensivos direito e esquerdo, sempre oferecendo bastante estabilidade e segurança aos companheiros.

Com boas apresentações no quadro de Aspirantes, Ivan foi lançado no elenco principal do América em algumas partidas no ano de 1946. Seu primeiro título foi o Torneio Início do campeonato carioca de 1949.

No América, Ivan trabalhou com treinadores bem conceituados; como Délio Neves, Martim Francisco, Plácido Monsores e Otto Glória. Dono de um futebol cadenciado e sobretudo colaborativo, Ivan foi determinante nas campanhas do vice-campeonato carioca de 1950, 1954 e 1955.

Outro feito significativo na trajetória de Ivan aconteceu em 18 de julho de 1951, quando o América venceu o Penãrol do Uruguai em pleno Estádio Centenário.

Dequinha e Ivan, dois batalhadores incansáveis da meia-cancha. Crédito: revista Manchete Esportiva.

O América pronto para mais uma jornada no Maracanã. Em pé: Cacá, Osni, Édson, Ivan, Osvaldinho e Hélio. Agachados: Paraguaio, Alarcon, Leônidas da Selva, João Carlos e Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O amistoso fazia parte das comemorações do aniversário da conquista uruguaia na Copa do Mundo de 1950. Todavia, o quadro carioca não tomou conhecimento e venceu pela contagem de 3×1, um resultado que representou uma espécie de “acerto de contas”.

18 de junho de 1951 – Amistoso Internacional – Penãrol (Uruguai) 1×3 América (RJ) – Estádio Centenário em Montevidéu – Árbitro: Mr. Devine (Inglaterra) – Gols: Miguez para o Penãrol; Ivan, Maneco e Nivaldino para o América.

Penãrol: Pereira Natero (Maspoli), Davione e Romero; Gonzalez, Obdulio Varella e Etchegoyen; Alcides Ghiggia, Hoberg, Miguez, Schiaffino e Villamide (Vidal). América: Osni do Amparo, Joel e Osmar; Rubens, Osvaldinho e Ivan; Valter, Maneco, Dimas, Ranulfo e Nivaldino.

Pelo escrete canarinho, Ivan foi convocado para participar da Taça Bernardo O’Higgins em 1955. O médio do América participou apenas do empate em 1×1 diante do Chile, partida disputada em 18 de setembro de 1955, no Maracanã.

Os registros foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 1914–2006”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Ivan, o “craque dentista”. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 895 – 2 de junho de 1955.

Sempre muito requisitado, Ivan concede entrevista antes de compromisso do América pelo campeonato carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 895 – 2 de junho de 1955.

Ivan permaneceu nas fileiras do América (RJ) até o início da temporada de 1957, quando seus direitos federativos foram transferidos ao Fluminense Football Club (RJ), equipe que defendeu até o findar da temporada de 1959.

Com a camisa do time das Laranjeiras, Ivan faturou o Torneio Rio-São Paulo de 1957. Abaixo os registros de sua primeira participação na referida competição:

4 de maio de 1957 – Torneio Rio-São Paulo – Fluminense 5×1 Palmeiras – Estádio do Maracanã – Árbitro: Telêmaco Pompeu – Gols: Waldo (2), Escurinho, Jair Francisco e Telê Santana para o Fluminense; Mazzola para o Palmeiras.

Fluminense: Vitor Gonzalez, Cacá e Roberto; Ivan, Clóvis e Altair; Telê Santana, Robson, Waldo, Jair Francisco e Escurinho. Palmeiras: Nivaldo (Laércio), Múcio e Martin; Maurinho (Fernando), Valdemar e Gérsio; Paulinho, Nardo, Mazzola, Ivan e Tati (Renatinho).

(*) Algumas fontes apontam também uma passagem pela Sociedade Esportiva Palmeiras. No entanto, os registros encontrados são no mínimo conflitantes. Ivan Monteiro Bahiense faleceu em 1998, sem maiores detalhes de data e local.

Ivan marca para o América em cobrança de penalidade contra o Bangu. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 895 – 2 de junho de 1955.

O técnico Plácido Monsores conversa com Ivan na concentração do América. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 947 – 31 de maio de 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por José Santos, Leunam Leite, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Correio da Manhã, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, Livro: Seleção Brasileira 1914–2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora.

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