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Mais um produto confiável da tradicional escola de goleiros argentinos, Cejas fez muito sucesso jogando pelo Santos e pelo Grêmio, ainda que inicialmente tenha encontrado relativas dificuldades em sua adaptação no Brasil.

Agustín Mario Cejas nasceu em 22 de março de 1945, no bairro Parque Patrícios, em Buenos Aires (ARG). Ainda criança foi morar no bairro de Villa Soldati, onde mais tarde iniciou sua caminhada pelo modesto Club Cachafaz.

Chegou ao quadros amadores do Racing Club de Avellaneda no findar de 1960. Suas primeiras aparições no time principal aconteceram em 1962.

Cejas ganhou destaque no selecionado nacional juvenil, campeão Sul-Americano no Peru em 1963. No ano seguinte fez parte do selecionado olímpico que foi aos jogos de Tóquio.

Campeão argentino de 1966, campeão da Taça Libertadores da América em 1967 e campeão Intercontinental, também em 1967, Cejas disputou mais de 300 partidas pelo Racing Club.

Mais um produto confiável da tradicional escola de goleiros argentinos, Cejas fez muito sucesso jogando pelo Santos e pelo Grêmio. Crédito: revista El Gráfico.

Campeão argentino de 1966, campeão da Taça Libertadores da América em 1967 e campeão Intercontinental, também em 1967, Cejas disputou mais de 300 partidas pelo Racing. Crédito: revista Sport número 66 – Suplemento Mensal de El Gráfico – Fevereiro de 1970.

No selecionado argentino, Cejas disputou o torneio eliminatório para o mundial de 1970 no México. Foi um dos poucos jogadores poupados depois do desastre da eliminação para o Peru.

A Argentina, que começou mal ao perder da Bolívia na primeira partida por 3×1, terminou sua participação de forma melancólica, ao ser eliminada pelo Peru em pleno Estádio da Bombonera:

31 de agosto de 1969 – Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970 Argentina 2×2 Peru – Estadio La Bombonera – Árbitro: Ricardo Hormazabal (Chile) – Gols: Ramírez aos 63’ e 82’ para o Peru; Albrecht aos 77’ e Alberto Rendo aos 90’ para a Argentina.

Argentina: Cejas; Gallo, Perfumo, Albrecht, Marzolini; Rulli (Rendo), Brindisi, Pachamé, Marcos; Yazalde e Tarabini. Técnico: Adolfo Pedernera. Peru: Rubiños; Campos, La Torre, Chumpitaz, Risco; Challe, Cruzado, Baylón (Fernandez), León; Cubillas e Ramírez. Técnico: Didí.

O interesse do futebol brasileiro em Cejas foi manifestado inicialmente pelo São Paulo Futebol Clube, já que o Santos tinha planos para contratar o também famoso uruguaio Ladislau Mazurkiewicz.

Dificuldades em sua adaptação na Vila Belmiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Dono de um estilo conservador, Cejas normalmente se apresentava todo de preto. Também gostava de jogar com uma camisa azul clara! Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1971.

Como o São Paulo fracassou com Cejas e o Santos com Mazurkiewicz, Cejas acabou acertando suas bases financeiras com o Santos em 1970, o que representou aos cofres do clube praiano o montante de 600.000 cruzeiros.

Dono de um estilo conservador, Cejas normalmente se apresentava todo de preto, embora também gostasse de jogar com uma camisa azul clara!

Premiado com a “Bola de Prata” e a “Bola de Ouro” da revista Placar em 1973, Cejas conhecia os segredos de sua posição como poucos, mas também apresentava algumas deficiências.

Uma de suas dificuldades iniciais no cenário paulista foi manter o hábito de jogar muito adiantado, o que lhe custou críticas e um doloroso aprendizado!

Outra dificuldade eram os chutes de longa distância. Na época, o goleiro afirmou que no futebol argentino os jogadores não arriscavam tanto de fora da grande área.

Premiado com a “Bola de Prata” e a “Bola de Ouro” da revista Placar em 1973, Cejas conhecia os segredos de sua posição como poucos. Crédito: revista Veja.

Nos primeiros tempos no cenário paulista, Cejas jogava muito adiantado, o que lhe custou críticas e um doloroso aprendizado. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 1 de dezembro de 1972.

Porém, nas penalidades, Cejas era um homem “gelado”. Tinha sua própria maneira de desestabilizar os cobradores ao permanecer inerte debaixo das balizas, com os braços cruzados até ouvir o apito do árbitro.

Foi assim que Cejas brilhou na polêmica decisão do campeonato paulista de 1973, quando contou com a ajuda do companheiro Marinho Peres, que atrás do gol indicou a preferência de bater de cada ex-companheiro de Portuguesa.

Com um empate sem abertura de contagem, no tempo normal e também na prorrogação, Santos e Portuguesa de Desportos precisaram decidir o título nas penalidades. Foi então que aconteceu o desastroso erro do árbitro Armando Marques.

O Santos vencia por 2×0 e ainda faltavam duas cobranças para cada time. Foi então que Armando Marques declarou o Santos campeão, sem perceber que a Portuguesa ainda contava com chances matemáticas de empatar.

Percebendo o erro, o treinador Otto Glória recomendou aos jogadores da Portuguesa para deixar o gramado e rapidamente sair do Morumbi.

Cejas defende o pênalti de Isidoro na final do campeonato paulista de 1973. Crédito: revista Placar – 28 de dezembro de 1973.

Cejas e Marinho Peres comemoram o título paulista “dividido” de 1973. Crédito: revista Placar.

A manobra rápida de Otto Glória evitou o prosseguimento nas cobranças de penalidades, fato que colocou os mandatários da Federação Paulista em uma autêntica “saia justa”.

Como os clubes se sentiram prejudicados e não existiam datas disponíveis para um novo confronto, uma divisão inédita do título foi o caminho encontrado para solucionar o incômodo impasse. 

E por falar em sua eficiência nas penalidades, Cejas também defendeu uma cobrança de Adãozinho do Corinthians, na festa de despedida de Pelé do Estádio do Pacaembu em 1974.

Em uma época onde jogar no exterior mais afastava do que ajudava para se manter na seleção, Cejas não teve seu nome lembrado para disputar o mundial de 1974, na Alemanha.

O goleiro argentino permaneceu nas fileiras da Vila Belmiro até 1975, quando decidiu firmar compromisso com o Club Atlético Huracán (ARG).

César e Cejas em clássico entre Palmeiras e Santos no Pacaembu. Crédito: gazetaesportiva.net.

Sacrifício e infiltrações para continuar no time. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 15 de fevereiro de 1974.

Em 1976 Cejas deixou o Huracán ao receber uma proposta irrecusável do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (RS), que desesperadamente buscava o título gaúcho, algo distante do Olímpico desde 1968.

Contudo, em 1976, o Internacional de Falcão e Figueroa ficou novamente o caneco. No Grêmio, Cejas foi de encontro aos costumes conservadores de Telê Santana, que não aprovava sua mania de jogar de boné e suas saídas um tanto estabanadas do gol.

Mesmo deixando o Grêmio antes da conquista do título de gaúcho de 1977, Cejas ofereceu um importante legado aos companheiros “Jogadores ganham partidas e homens conquistam títulos”.

Em 1977 Cejas jogou novamente pelo Racing Club e em seguida pelo Club Atlético River Plate, antes de encerrar definitivamente sua trajetória pelos gramados em 1981.

Por complicações do Mal de Alzheimer, Agustín Mario Cejas faleceu em Buenos Aires, no dia 14 de agosto de 2015.

“Jogadores ganham partidas e homens conquistam títulos”. Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1976.

No Grêmio, Cejas foi de encontro aos costumes conservadores do técnico Telê Santana, que não aprovava sua mania de jogar de boné e suas saídas um tanto estabanadas do gol. Crédito: revista Placar – 16 de julho de 1976.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Genevaldo Matos, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Michel Laurence, Narciso James e Roberto Appel), revista El Gráfico, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista Veja, revista Goles, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), atribuna.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, gremio.net, placar.abril.com.br, racingclub.com.ar, santosfc.com.br (por André Mendes), site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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