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Adílson, Flávio, Gilberto e Geraldo; entre os irmãos da família Freitas Nascimento, apenas Adílson jogou basquete.

Os irmãos do futebol jogaram como zagueiro, talvez motivados pelo exemplo do pai. Além dos irmãos, a irmã mais jovem Maria Elisa também viveu no mundo dos esportes e foi jogadora de vôlei.

Gilberto também carregou o apelido de Ditão e jogou pelo XV de Piracicaba, Flamengo e Cruzeiro; enquanto Flávio obteve relativo destaque pelo Saad no campeonato paulista de 1974.

Geraldo Freitas Nascimento, o popular Ditão do Juventus, Portuguesa de Desportos e Corinthians, nasceu na cidade de São Paulo em 10 de março de 1938.

Criado no bairro do Belém, Geraldo recebeu o apelido “Ditão” de seu pai, Benedito Freitas Nascimento, que na juventude foi zagueiro do Juventus, o mesmo time em que o jovem Ditão iniciou sua trajetória.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 179.

Antes de defender o time da Rua Javari, Ditão jogava na várzea como médio-volante e depois como atacante, até ser aproveitado como zagueiro nas categorias amadoras do Clube Atlético Juventus.

Profissionalizado no mesmo Juventus em 1955, Ditão foi transferido em 1960 para a Associação Portuguesa de Desportos.

Na Lusa, Ditão ficou conhecido como “Limpa Área” e fazia muitos gols. Jogou ao lado de grandes nomes no tempo em que a Portuguesa era uma real ameaça ao “Trio de Ferro”.

Apesar da composição física avantajada, o sempre leal e vigoroso Ditão nunca foi um jogador violento e também nunca foi expulso de campo.

Era um beque lento, embora essa deficiência fosse compensada com uma boa colocação e uma eficiente antecipação.

Crédito: revista do Esporte número 66 – 11 de junho de 1960.

Em 1960 Cláudio Christóvam de Pinho jogava pelo São Paulo. No lance, uma disputa de bola com Ditão da Portuguesa de Desportos. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Como muitos zagueiros de sua época, Ditão também passou por apuros para marcar Pelé. Em matéria publicada no site wanderleynogueira.com.br, Ditão falou de Pelé e também sobre o final de sua carreira:

– Meu futebol não era vistoso, mas eu sabia tirar proveito da minha altura e impulsão… Na época do Pelé não era fácil para nenhum zagueiro e comigo não foi diferente.

– Nunca me preocupei com o futuro e não fiz grandes contratos. Me faltou orientação para aplicar o dinheiro corretamente.   

A maior chance de conquistar o campeonato paulista aconteceu em 1964, na discutida partida da última rodada contra o Santos na Vila Belmiro.

O Santos venceu por 3×2, sendo que uma penalidade do lateral direito Ismael sobre Ivair foi ignorada pelo árbitro Armando Marques, quando o placar ainda apontava 0x0.

Crédito: revista do Esporte número 132.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 271 – Fevereiro de 1965.

No findar de 1965, o futebol de Ditão entrou na mira do Sport Club Corinthians Paulista, que naquele momento também tinha interesse no meio-campista Nair.

Mas o presidente da Portuguesa, José Bizarro da Nave, endureceu o negócio. A pendenga se arrastou por vários meses até que o Corinthians levou os dois de uma só vez em 1966.

Indignado, José Bizarro da Nave acusou o Corinthians de aliciamento e ainda ameaçou elaborar uma denúncia formal na Federação Paulista de Futebol e na CBD (entidade antecessora da atual CBF).

Pouco tempo depois, os desentendimentos foram vencidos por uma mala recheada de dinheiro. De certa forma foi uma maneira oportuna do cartola lusitano recuperar o dinheiro, antes emprestado ao clube.

Além de Ditão e Nair, a contratação de Garrincha também movimentou o Parque São Jorge. Em 2 de março de 1966, o jornal A Gazeta Esportiva estampou em sua primeira página: “Vocês verão como é: Ditão, Nair e Mané”.

Santos e Portuguesa no Pacaembu. Partindo da esquerda; Coutinho, o goleiro Felix, Ditão e Pelé. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1970.

Os irmãos Ditão do Flamengo e Ditão do Corinthians. Crédito: revista do Esporte número 440 – 12 de agosto de 1967.

Convocado para o escrete canarinho em 1966, Ditão foi vítima de um erro desastroso. Nos escritórios da CBD, na intenção de convocar o Ditão do Corinthians, o nome datilografado na lista foi o de Gilberto, o Ditão do Flamengo.

Mesmo assim, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) não concertou o vergonhoso mal-entendido: Erro cometido, erro mantido!

Ditão lamentou o fato, mas continuou em sua luta para ajudar o Corinthians. Bom cabeceador, Ditão costumava fazer suas aventuras ao campo de ataque nas cobranças de escanteios.

Pelo Corinthians Ditão fez gols importantes; como aquele no clássico contra o Palmeiras pelo campeonato paulista de 1968.

Naquele dia, Ditão empatou o jogo aos 41 minutos do segundo tempo, quando o Corinthians perdia por 1×0. Depois, o atacante Benê ainda teve tempo para fazer o gol da virada alvinegra.

O goleiro Marcial segura firme entre o atacante Servílio e Ditão. O Palmeiras venceu o Corinthians por 2×1 no Pacaembu, compromisso disputado em março de 1967 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Crédito: revista Futebol número 27 – 1967.

Em 1969 Ditão participou diretamente do lance que acidentou o atacante Tostão do Cruzeiro, em uma bola que o próprio Ditão rebateu com força. O lance provocou o descolamento da retina do craque celeste, que quase não disputou o mundial de 1970.

Foi uma cena dramática. Tostão saiu de campo com sua camisa branca lavada de sangue, enquanto uma toalha era colocada em seu rosto pelos homens do Departamento Médico do Cruzeiro.

Depois da chegada do tricampeão mundial Baldochi, Ditão amargou o banco de reservas e deixou o Parque São Jorge.

Pelo Corinthians, Ditão participou da conquista do Torneio Rio-São Paulo de 1966 e também levantou o caneco do Torneio do Povo em 1971.

Ao todo, foram 281 partidas e 4 gols marcados no período entre 1966 e 1971. Foi um dos grandes símbolos da raça alvinegra no período de jejum de títulos paulistas.

Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1970.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1970.

Em seguida jogou ainda uma temporada pelo Paulista Futebol Clube de Jundiaí, onde também encerrou a carreira em 1972. Fora do futebol profissional, Ditão jogava sua bolinha pelo time do Milionários e pelos veteranos do Flamengo do bairro de Vila Maria.

Fora do campo, Ditão era apenas o marido de dona Zélia, um pai dedicado e dono de algumas manias. Uma era ser goleiro e a outra era ouvir Jazz, principalmente os discos de Sarah Vaughan.

Foi proprietário de um posto de gasolina e posteriormente foi representante comercial no segmento de auto-peças. Trabalhou também na prefeitura de Guarulhos até se aposentar.

Dos amigos, Ditão não deixava de lembrar de Wadih Helu, ex-presidente do Corinthians, que nunca o negou apoio nos momentos difíceis.

Ditão faleceu em 1994. Divorciado e vivendo sozinho, o ex-zagueiro foi vítima de ataque cardíaco quando estava no banheiro da casa onde morava em Guarulhos (SP).

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Em foto no bosque da Vila Augusta em Guarulhos, Ditão aparece de cabelos grisalhos e forte, como nos tempos do Corinthians. Fotos de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fátima Cardoso, Lemyr Martins, Mário Serapicos, Nico Esteves, Pio Pinheiro e Sebastião Marinho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Belmiro Fanelli e Orlando Duarte), revista do Esporte, revista Fatos e Fotos, revista Futebol, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, topicos.estadao.com.br, wanderleynogueira.com.br, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

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