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As pernas arqueadas, que repentinamente embalavam um pique rápido ao campo de ataque justificavam o apelido “Chevrolet”.

Simpático e sempre sorridente, o bom baiano sempre foi um cara “boa-praça” que só fez amigos no futebol. Bom marcador, eficiente na antecipação e notável apoiador, Luís Pereira foi um dos grandes zagueiros da história do Palmeiras!

Luís Edmundo Pereira nasceu mo município de Juazeiro (BA), em 21 de junho de 1949, mesmo ano em que a família Pereira chegou em São Caetano (SP) para morar em uma casinha simples na Vila Barcelos.

Antes de fazer sucesso no mundo da bola, o jovem Luís Pereira trabalhou como ensacador de farinha e torneiro mecânico.

A trajetória nos gramados foi iniciada nas equipes amadoras do Cerâmica e da General Motors. Posteriormente defendeu também o Barcelona de São Caetano do Sul, onde jogava como centroavante.

Crédito: revista Veja.

Em 1971 no Pacaembu, um gol memorável contra o Grêmio. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 3 de dezembro de 1971.

No início de 1966 foi encaminhado ao Esporte Clube São Bento da cidade de Sorocaba. Magro e desdentado, poucos acreditavam que o rapazola de Juazeiro ficaria no São Bento. Todavia, Luís Pereira perseverou e logo encontrou espaço no time principal.

Entrava no decorrer de algumas partidas na posição de quarto-zagueiro, ou ainda como médio-volante, já que o titular da zaga central era Marinho Peres.

Quando Marinho Peres foi negociado com a Portuguesa de Desportos, o técnico Wilson Francisco Alves não teve medo de apostar suas fichas em Luís Pereira.

Naquele tempo, Luís Pereira já arriscava suas primeiras subidas ao ataque. Com boas atuações pelo quadro sorocabano, em junho de 1968 o jovem zagueiro foi comunicado pelo presidente Alaor Rodrigues de seu empréstimo ao Palmeiras.

Luís Pereira foi apresentado no alviverde para um curto período de avaliação. Assinou a papelada e em seguida atendeu os poucos repórteres que lá estavam!

Crédito: revista Placar.

Crédito: palmeiras.com.br.

Sem ter uma dimensão exata da oportunidade, Luís Pereira não escondia de ninguém a saudade da noiva e o desejo de voltar rapidamente para Sorocaba.

Humilde e ganhando pouco, o bom baiano comeu muito sanduíche. Mesmo na suplência em quase todo o período de seu empréstimo, Luís Pereira continuou em definitivo no Parque Antártica.

Com 6.000 cruzeiros em mãos, Luís Pereira deu entrada em seu primeiro imóvel e marcou o tão esperado casamento. Mas nem tudo corria bem! O técnico Rubens Minelli deixava claro sua preferência por Baldochi e Nélson Coruja.

Quando Baldochi estava machucado, Luís Pereira colaborava até como quarto-zagueiro. E bastava Baldochi deixar o departamento médico para que Luís Pereira voltasse ao banco de reservas.

Não tardou para o estabelecimento de um certo mal-estar com Rubens Minelli. Com o futuro ainda incerto, Luís Pereira solicitou ao corpo diretivo para ser negociado.

Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar 8 de fevereiro de 1974.

Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 8 de fevereiro de 1974.

Serenados os ânimos, Luís Pereira faturou seus primeiros títulos pelo Palmeiras: Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Troféu Ramón de Carranza, ambos em 1969.

Vice-campeão paulista de 1971, o campeonato brasileiro reservou uma surpresa e tanto. Luís Pereira foi o autor de um gol memorável em 28 de novembro de 1971, no Pacaembu.

Depois de uma dividida próxima do círculo central, a bola ganhou altura e encobriu o goleiro Jair. O Palmeiras venceu o Grêmio por 3×1. Pelo alviverde também marcaram Héctor Silva e Fedato; enquanto o ponteiro-direito Flecha descontou para os gaúchos.

Luís Pereira viveu seu momento mais produtivo em 1972, período até hoje lembrado como a “Temporada Perfeita”.

Naquele ano, o Palmeiras ganhou tudo que disputou: Campeonato paulista invicto, campeonato brasileiro, Torneio Mar Del Plata, Torneio Governador Laudo Natel, além da posse da Taça dos Invictos.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar 8 de fevereiro de 1974.

Na correria da Holanda, o cartão vermelho e o fim do sonho do tetra. Crédito: revista Veja.

Em grande fase, seu nome foi lembrado na Seleção Brasileira em 1973. Contudo, o momento especial logo foi dissipado quando sua esposa Marilu perdeu o filho no parto.

Abatido, o zagueiro pensou em recusar sua convocação para o escrete. Todavia, Marilu insistiu: “Você deve ir. Vá e jogue por mim… Jogue muito”.

Na apresentação da Seleção Brasileira, Luís Pereira estava com um estiramento na coxa esquerda. Preocupado, o zagueiro pensou que conseguiria esconder o fato da comissão técnica.

Ficou de fora das partidas diante da Bolívia em 27 de maio de 1973 e contra a Argélia, no dia 3 de junho.

Acompanhando o processo de recuperação, Zagallo achou injusto promover sua estreia justamente no difícil compromisso contra a Itália, em 9 de junho.

Crédito: colchonero.com.

Crédito: colchonero.com.

Assim, Luís Pereira antecipou sua primeira participação contra a Tunísia, no dia 6 de junho. No dia 9, Zagallo mostrou que seus temores estavam certos. Perdemos da Itália por 2×0!

A primeira grande apresentação aconteceu na vitória contra a Alemanha por 1×0, em 16 de junho de 1973, quando anulou completamente o sempre perigoso atacante Müller.

Bicampeão brasileiro em 1973, Luís Pereira foi para o mundial da Alemanha em 1974 como titular absoluto.

Depois de uma campanha marcada por resultados pouco convincentes, o Brasil foi derrotado pelos fantasmas holandeses; com Luís Pereira expulso de campo após uma entrada violenta em Neeskens. Era o fim do sonho do tetra!

Campeão paulista de 1974, Luís Pereira conquistou novamente o Troféu Ramón de Carranza nas edições de 1974 e 1975, ocasião em que foi negociado com o companheiro Leivinha para o Club Atlético de Madrid.

Fotos de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 18 de março de 1977.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 18 de março de 1977.

Pelo Palmeiras foram 568 jogos com 283 vitórias, 193 empates, 92 derrotas e 35 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Na Espanha, o zagueiro brasileiro fez muito sucesso e era reconhecido pelos torcedores como “El Defensa Espectáculo”Depois de várias temporadas na Europa, Luís Pereira entrou em rota de colisão com os diretores do Atlético de Madrid.

Sem propostas concretas, o Atlético de Madrid ofereceu “passe livre” mediante total isenção da multa contratual. No entanto, Luís Pereira não abriu mão das verbas rescisórias e o impasse continuou até aparecer o interesse do Clube de Regatas do Flamengo.

Depois da rápida passagem pelo cenário carioca, Luís Pereira voltou ao mesmo Palmeiras em 1981, onde permaneceu até 1984.

Luís Pereira jogou ainda na Portuguesa de Desportos e foi vice-campeão paulista de 1985. Em seguida defendeu o Corinthians (SP), Central Brasileira de Cotia (SP), Santo André (SP), São Bernardo (SP), São Bento (SP) e São Caetano (SP).

“Não tenho medo se o futebol acabar. Pego minhas ferramentas e vou trabalhar na GM”. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 1 de fevereiro de 1985.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 22 de janeiro de 1988.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Emanuel Mattos, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Michel Laurence, Rodolpho Machado, Sérgio Berezovsky, Sérgio Kraselis e Zeka Araújo), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, colchonero.com, estadao.com.br, flamengo.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com,  oglobo.globo.com, palmeiras.com.br, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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