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Moisés Matias de Andrade nasceu em Resende (RJ), no dia 30 de novembro de 1948. Filho de um sargento, o pequeno Moisés cresceu ao lado da bola e dos prazeres da pesca.

Começou sua trajetória profissional em 1966, no Bonsucesso Futebol Clube (RJ). Em seguida passou rapidamente por empréstimo no Flamengo, até seu passe ser vendido em definitivo ao Botafogo.

Em 1971 foi transferido para o Vasco da Gama e viveu sua fase mais produtiva no cenário carioca, conquistando inclusive o campeonato brasileiro de 1974.

Jogando pelo Vasco da Gama, Moisés ganhou destaque suficiente para ser lembrado na Seleção Brasileira em 1973.

O zagueiro participou do compromisso amistoso diante da União Soviética em 21 de junho, em Moscou, quando o Brasil venceu por 1×0 com um gol marcado por Jairzinho.

Crédito: revista Placar.

Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Autor da frase “Zagueiro que se preza de verdade não ganha o prêmio Belfort Duarte”, Moisés alegava uma certa coerência numérica na quantidade de vezes em que foi expulso de campo:

– “Em 16 anos de carreira fui expulso de campo apenas 16 vezes”.

Da fama de violento, Moisés dizia que sempre entrava na bola primeiro. Sobre o lance que ocasionou uma fratura no pé de Jairzinho do Botafogo, o zagueiro assim justificou:

– Ele já tinha saído carregado de maca na primeira dividida. Logo depois voltou ao gramado e na segunda disputa de bola fraturou o pé. Ele é que foi valente demais!

Moisés foi apresentado no Corinthians sem muito alarde em 1976. Participou da ótima campanha do campeonato brasileiro de 1976 e na épica conquista do título paulista de 1977.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Nas finais do campeonato paulista contra a Ponte Preta, Moisés usou de sua experiência para contagiar os companheiros, ao mesmo tempo em que procurava desestabilizar os atacantes do quadro campineiro.

Jogando pelo Corinthians, Moisés disputou m total de 122 partidas com 62 vitórias, 28 empates e 32 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Em 1978 Moisés queria voltar para o Rio de Janeiro. A praia e os amigos esperavam ansiosos por sua volta. Para isso, o zagueiro precisava convencer o presidente Vicente Matheus com os termos da proposta de 500.000 cruzeiros oferecidos pelo Flamengo.

De preferência, como reconhecimento por sua “dedicação” e pela conquista do campeonato de 1977, Moisés queria o “Passe Livre”.

Moisés, em destaque, antes da partida decisiva contra a Ponte Preta em 1977. Crédito: globoesporte.globo.com.

Crédito: revista do Corinthians – Edição comemorativa do título de 1977.

No começo, Matheus endureceu e queria os mesmos 1,2 milhão de cruzeiros pagos ao Vasco da Gama para trazer o zagueiro para São Paulo.

Sem muitas alternativas concretas para negociar, Moisés ia todos os dias até o gabinete de Vicente Matheus.

Se apresentava com roupas surradas e barba por fazer. Engessou a perna e carregava nas mãos uma papelada fajuta e mal feita do INSS.

Matheus se escondia atrás de um jornal e de vez em quando olhava com o canto dos olhos. Até que um dia o mandatário alvinegro cansou do “joguinho” e mandou o zagueiro passar no Departamento Financeiro e pegar os documentos de sua liberação.

Crédito: revista Placar – 29 maio 1981.

Crédito: revista Placar – 29 maio 1981.

Mas antes de retornar ao time da Gávea em 1978, Moisés passou rapidamente pelo Paris Saint-Germain, da França. Depois do Flamengo, defendeu o Fluminense em 1979, mesmo ano em que teve uma curta passagem pela Portuguesa de Desportos.

Fora dos gramados, além da enorme paixão pela Pesca Submarina, Moisés gostava muito de carnaval.

Foi um dos fundadores do “Bloco das Piranhas”, famoso por reunir jogadores de futebol que desfilavam vestidos de mulher pelas ruas da Zona Norte do Rio.

Em 1980 acertou com o Bangu. Ganhador do prêmio “Bola de Prata” da revista Placar em 1981, Moisés permaneceu no time de Moça Bonita até 1983, quando pendurou as chuteiras.

E foi no próprio Bangu que Moisés iniciou sua carreira como treinador, graças ao ótimo relacionamento com o dirigente Castor de Andrade.

De coitado o Moisés não tinha nada. Será que Vicente Matheus caiu mesmo no golpe do Passe Livre? Foto de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar.

Técnico de muita ação e também de muitas palavras, Moisés caprichava no discurso: “Jogador do meu time namora, bebe, fuma e é gente”. Quando era perguntado se já tinha lido algum livro sobre evoluções táticas, sua resposta era prática: 

– Veja essas marcas de chuteira na minha perna. Esse é o meu livro, o que vale muito mais do que essas baboseiras.

Em 1985, Moisés levou o Bangu ao vice campeonato brasileiro em uma final decidida nos pênaltis contra o Coritiba.

Comandou também o Santa Cruz (PE) e o Ceará (CE), sempre conquistando títulos estaduais. Foi treinador do Atlético Mineiro e do América do Rio, além de passagens pelo futebol português e pelos Emirados Árabes.

Seu último trabalho foi como Coordenador Técnico da Cabofriense em 2006. Moisés faleceu no dia 26 de agosto de 2008, no Rio de Janeiro (RJ).

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Armando Calvano, Dagomir Marquezi, José Trajano, Mário Serapicos, Regina Echeverria, Ricardo Beliel e Zeka Araújo), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista do Corinthians, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), netvasco.com.br, bangu.net, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.