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Durante muito tempo, o gaúcho Brandão foi referência de competência, profissionalismo e lealdade.

Respeitado pela imprensa e pelos torcedores de todos os clubes, Brandão foi um verdadeiro mago no “Trio de Ferro” paulistano; Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

O “Velho Mestre” era um “linha dura” e ao mesmo tempo um grande “pai”. Nunca foi um teórico, mas conseguia tirar o melhor de cada jogador de seu elenco.

Era um positivista, um otimista que não aceitava palavras de autolimitação.

Oswaldo Brandão, ou ainda Osvaldo Brandão, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em Taquara (RS), no dia 18 de setembro de 1916.

Um gaúcho amado pelos paulistas. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O goleiro Gylmar e Brandão em treinamento no Estádio do Pacaembu. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 32 – 1955.

Como jogador, o regular zagueiro Brandão marcou época no Sport Club Internacional, na formação que antecedeu o famoso time que ficou conhecido como “Rolo Compressor”.

No início dos anos quarenta Brandão chegou ao então Palestra Itália, onde permaneceu jogando por pouco tempo em razão de uma séria contusão que o afastou dos gramados.

Apoiado pela diretoria e principalmente pelos companheiros, Brandão decidiu continuar no futebol como treinador.

Como treinador do Palmeiras assumiu pela primeira vez no mês de outubro de 1945, sucedendo ao ex-comandante Armando Del Debbio.

Nessa primeira passagem pelo alviverde, até março de 1946, os números revelam bons resultados. Foram 19 jogos com 13 vitórias, 5 empates e uma única derrota.

Roberto Belangero, Brandão e Didi. Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 – Abril de 1957.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 – Abril de 1957.

Nas passagens seguintes pelo Parque Antártica, Brandão montou a base da primeira Academia e conquistou títulos históricos, inclusive na considerada “Temporada Perfeita”, em 1972.

– Campeonato brasileiro de 1972 e 1973, campeonato paulista de 1947, 1959, 1972 e 1974, Taça Brasil de 1960, Troféu Ramón de Carranza 1974, Torneio de Mar Del Plata 1972, Torneio Governador Laudo Natel 1972 e a Taça dos Invictos, também em 1972.

Além dos grandes times do “Trio de Ferro” paulistano, Brandão também trabalhou na Associação Portuguesa de Desportos, Linense e Portuguesa Santista, além de importantes passagens pelo futebol argentino e uruguaio.

Curiosamente, em um raro momento fora do mundo da bola, Brandão foi bilheteiro em um cinema da capital paulista. Retratos de uma época bem diferente, em que os salários do futebol não eram milionários como atualmente.

Já pelo tricolor do Morumbi trabalhou nas décadas de sessenta e setenta. Em 1971 foi campeão paulista, justamente em um confronto contra o Palmeiras, que prontamente reassumiu na temporada seguinte.

Crédito: esportes.r7.com.

Brandão no São Paulo. Crédito: revista Placar – 25 de dezembro de 1970.

Pelo Corinthians, Brandão orientou o time nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta. Venceu o Torneio Rio São Paulo em duas oportunidades, 1954 e 1966, além dos lendários títulos paulistas de 1954 e 1977.

Fora do cenário brasileiro conquistou o título nacional argentino de 1967 pelo Independiente. Depois, pelo Penãrol, conquistou o título da “Super Copa” da Libertadores em 1969.

O “Velho Mestre” também comandou o selecionado nacional, em duas oportunidades.

A primeira nos anos cinquenta e a outra nos anos setenta, quando antecedeu Cláudio Coutinho, nosso técnico na Copa do Mundo da Argentina em 1978.

Ainda pela Seleção Brasileira, Brandão conquistou o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos em 1976, quando aplicamos mais uma goleada pelo mesmo placar de 1970: 4×1 nos italianos.

Brandão foi campeão de tudo que disputou na “Temporada Perfeita” do Palmeiras em 1972. Crédito: revista Veja.

Crédito: revista Placar – 13 de junho de 1975.

Quando recebeu o convite do presidente Vicente Matheus para voltar ao Corinthians, Brandão não se fez de rogado.

Assim, mais de vinte anos depois, Brandão encontrou pela frente o maior dos desafios de sua impressionante carreira. Afinal, foi Brandão que comandou o Corinthians na última e distante conquista estadual do clube em 1954.

Voz pesada e óculos em moldura conservadora, Brandão fazia questão de participar do íntimo emocional dos jogadores. Paternalista, não pensava duas vezes para comprar uma boa briga pelos interesses de seus comandados.

Sempre atento aos mínimos detalhes, Brandão buscava proporcionar tudo que fosse possível aos jogadores, nem que para isso fosse dar palpites onde pouco conhecia.

Em determinada ocasião, Brandão visitou dona Susana na lavanderia do Parque São Jorge. Meio sem jeito, solicitou o pronto aumento na dosagem de amaciante nos pesados uniformes de algodão utilizados na época.

Matheus e Brandão em 1977. Crédito: site do Milton Neves.

A mágica noite de 13 de outubro de 1977. Crédito: site do Milton Neves.

De convicção Kardecista, na manhã da partida final do campeonato paulista de 1977, Brandão foi ao quarto do meia Basílio e afirmou que ele faria o gol do título.

Brandão também teve uma conversa emocionante com o meio campista Palhinha, que ainda mancava bastante sentindo o agravamento de uma contusão muscular:

– Vai dar para jogar “Palha”?

– Acho que não, mal posso andar seu Brandão!

– Você é feliz. Sua dor não te deixa andar. A minha dor não se levanta da cama faz seis meses! (Brandão falava do filho Márcio que estava hospitalizado).

No Parque São Jorge Brandão viveu dias de intensa emoção. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Placar – 19 de setembro de 1980.

Em suas mãos, o Corinthians foi pura superação diante do forte quadro campineiro e ficou com o “caneco” do paulistão de 1977.

Mesmo com o filho Márcio apresentando um quadro de saúde bastante delicado, Brandão liderou pelo exemplo na eterna conquista da libertação alvinegra.

Seus últimos clubes foram o Cruzeiro de Belo Horizonte em 1984, ocasião em que prometeu aos familiares que deixaria o futebol.

Mas não conseguiu ficar muito tempo longe da bola e aceitou trabalhar no Vila Nova de Goiás em 1986. Brandão faleceu no dia 29 de julho de 1989, na cidade de São Paulo (SP).

Crédito: revista Placar – 20 de dezembro de 1985.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Lemyr Martins, Sérgio Martins, João Areosa, José Maria de Aquino e Rodolpho Machado), revista O Cruzeiro, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Veja, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal O Estado de São Paulo, Jornal Popular da Tarde, Jornal A Tribuna (Santos/SP), gazetaesportiva.net, esporte.uol.com.br, esportes.r7.com, campeoesdofutebol.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves.

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