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Durante muito tempo, o técnico gaúcho Oswaldo Brandão foi referência de competência, lealdade e profissionalismo.

Respeitado pela imprensa e pelos torcedores de todos os clubes, Oswaldo Brandão foi um verdadeiro vencedor no “Trio de Ferro” paulistano; Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

Além do “Trio de Ferro” paulistano, Brandão trabalhou também no Cruzeiro (MG), Vila Nova (GO), Botafogo de Ribeirão Preto (SP), Linense (SP), Portuguesa de Desportos (SP), Portuguesa Santista (SP) e Santos (SP), além de importantes passagens pelo futebol argentino e uruguaio.

O “Velho Mestre” era um linha dura e ao mesmo tempo um grande pai. Nunca foi um teórico, mas conseguia tirar o melhor de cada jogador.

Era um positivista, um otimista que não aceitava palavras de autolimitação.

Um gaúcho amado pelos paulistas. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

No gramado do Pacaembu, Gylmar e o técnico Brandão, que também fazia o trabalho de preparação do goleiro. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 32.

Oswaldo Brandão, ou ainda Osvaldo Brandão, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em Taquara (RS), no dia 18 de setembro de 1916.

Como jogador, o regular zagueiro Brandão marcou época no Sport Club Internacional, na formação que antecedeu o famoso time que ficou conhecido como “Rolo Compressor”.

No início dos anos 40, Brandão chegou ao então Palestra Itália, onde participou do elenco que conquistou o título paulista de 1942. Permaneceu jogando até meados de 1944, quando uma séria contusão o afastou dos gramados.

Apoiado pela diretoria do Palmeiras e principalmente pelos companheiros, Brandão continuou no clube. Assumiu o alviverde pela primeira vez no mês de outubro de 1945, sucedendo ao ex-comandante Armando Del Debbio.

Nessa primeira passagem pelo Palmeiras, até março de 1946, os números revelam bons resultados. Foram 19 jogos com 13 vitórias, 5 empates e uma única derrota. Voltou ao comando em abril de 1947, para levar o time ao título paulista de 1947.

Roberto Belangero, Brandão e Didi. Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 – Abril de 1957.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 – Abril de 1957.

Ainda no Parque Antártica, Brandão montou a base da primeira “Academia” e conquistou títulos históricos, inclusive na considerada “Temporada Perfeita” em 1972:

– Campeonato brasileiro 1972 e 1973, campeonato paulista 1959, 1972 e 1974, Taça Brasil 1960, Troféu Ramón de Carranza 1974, Torneio de Mar Del Plata 1972, Torneio Governador Laudo Natel 1972 e a Taça dos Invictos, também em 1972.

Curiosamente, em um raro momento fora do mundo da bola, Brandão foi bilheteiro em um cinema da capital paulista. Retratos de uma época bem diferente, em que os salários do futebol não eram milionários.

Já pelo tricolor do Morumbi trabalhou nas décadas de 60 e 70. Em 1971 foi campeão paulista, justamente em um confronto contra o Palmeiras, que prontamente reassumiu na temporada seguinte.

Pelo Corinthians, Brandão orientou o time nas décadas de 50, 60, 70 e 80. Venceu o Torneio Rio-São Paulo em duas oportunidades, 1954 e 1966, além dos lendários títulos paulistas de 1954 e 1977.

Crédito: esportes.r7.com.

Brandão no São Paulo. Crédito: revista Placar – 25 de dezembro de 1970.

Fora do cenário brasileiro conquistou o título nacional argentino de 1967 pelo Independiente. Depois, pelo Penãrol, conquistou o título da “Super Copa” da Libertadores em 1969.

O “Velho Mestre” também comandou o escrete canarinho em duas oportunidades. A primeira nos anos 50 e a outra nos anos 70, quando antecedeu Cláudio Coutinho, nosso técnico na Copa do Mundo da Argentina em 1978.

Ainda pela Seleção Brasileira, Brandão conquistou o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos em 1976, quando aplicamos mais uma goleada por 4×1 nos italianos.

Quando recebeu o convite para voltar ao Corinthians, Brandão não se escondeu.

Assim, o gaúcho encontrou pela frente o maior dos desafios de sua impressionante carreira. Afinal, foi Brandão que comandou o Corinthians na última e distante conquista do campeonato paulista em 1954.

Brandão foi campeão de tudo que disputou na “Temporada Perfeita” do Palmeiras em 1972. Crédito: revista Veja.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 13 de junho de 1975.

Voz pesada e óculos em moldura conservadora, Brandão fazia questão de participar do íntimo dos jogadores. Paternalista, não pensava duas vezes para comprar uma boa briga pelos interesses de seus comandados.

Sempre atento aos mínimos detalhes, Brandão buscava proporcionar tudo que fosse possível aos jogadores, nem que para isso fosse dar palpites onde pouco conhecia.

Em determinada ocasião, Brandão visitou dona Susana na lavanderia do Parque São Jorge. Meio sem jeito, solicitou o pronto aumento na dosagem de amaciante nos pesados uniformes de algodão da época.

De convicção Kardecista, na manhã da partida decisiva do campeonato paulista de 1977, Brandão foi ao quarto do meio-campista Basílio e afirmou que ele faria o gol do título.

Brandão e Falcão. Linha dura na Seleção Brasileira. Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 21 de janeiro de 1977.

A mágica noite de 13 de outubro de 1977. Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar.

Brandão também teve uma conversa emocionante com Palhinha, que ainda mancava bastante sentindo o agravamento de uma contusão muscular.

“Vai dar para jogar Palha”, perguntou Brandão enquanto fazia suas anotações. Então Palhinha respondeu; “Acho que não, mal posso andar seu Brandão”.

“Você é feliz. Sua dor não te deixa andar. Minha dor não levanta da cama faz seis meses” (Brandão falava do filho Márcio que estava hospitalizado).

Em suas mãos, o Corinthians foi pura superação diante do forte quadro campineiro e ficou com o “caneco” do paulistão de 1977.

Mesmo com o filho Márcio apresentando um quadro de saúde bastante delicado, Brandão liderou pelo exemplo na eterna conquista da libertação alvinegra.

No Parque São Jorge, Brandão viveu dias de intensa emoção. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Foto de JB. Scalco. Crédito: revista Placar – 19 de setembro de 1980.

Em seus últimos anos na função de treinador, Brandão orientou o Cruzeiro de Belo Horizonte em 1984, ocasião em que prometeu aos familiares que deixaria o futebol.

Em entrevista publicada na revista Placar, Brandão revelou que estava cansado e não suportava mais o ritmo intenso das viagens e concentrações.

Mas não conseguiu ficar muito tempo longe da bola. Primeiro aceitou trabalhar como Gerente de Futebol do técnico Rubens Minelli no Corinthians. Depois ainda comandou o Vila Nova (GO) em 1986, seu último clube.

O lendário Brandão faleceu no dia 29 de julho de 1989, na cidade de São Paulo (SP).

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 20 de dezembro de 1985.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 20 de janeiro de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Carlos Maranhão, JB. Scalco, João Areosa, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Rodolpho Machado, Ronaldo Kotscho, Sérgio Berezovsky, Sérgio Martins e Sérgio Sade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal A Tribuna, Jornal O Estado de São Paulo, Jornal Popular da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, esporte.uol.com.br, esportes.r7.com, gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti).

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