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Durante muito tempo, ele foi referência de competência, profissionalismo e lealdade.

Respeitado pela imprensa e pelos torcedores de todos os clubes, Brandão foi um verdadeiro mago do “Trio de Ferro” paulista, oferecendo momentos inesquecíveis com seu exemplo e sabedoria.

O “Velho Mestre” era um “linha dura” e ao mesmo tempo um grande “pai”. Nunca foi um teórico, mas conseguia tirar o melhor de cada jogador de seu elenco. Era um positivista, um otimista que não aceitava palavras de autolimitação.

Oswaldo Brandão, ou ainda Osvaldo Brandão conforme algumas publicações, nasceu em Taquara (RS), no dia 18 de setembro de 1916.

Crédito: revista Placar - 19 de setembro de 1980.

Crédito: revista Placar – 19 de setembro de 1980.

Como jogador, o regular zagueiro Brandão marcou época no Sport Club Internacional, na equipe que antecedeu o famoso time do “Rolo Compressor”.

No início dos anos quarenta Brandão chegou ao então Palestra Itália, onde permaneceu jogando por pouco tempo em razão de uma séria contusão que o afastou dos gramados.

Apoiado pela diretoria e principalmente pelos companheiros, Brandão decidiu continuar no futebol como treinador.

Como treinador do Palmeiras, Brandão assumiu primeira vez no mês de outubro de 1945, sucedendo seu ex-treinador, Armando Del Debbio.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Um gaúcho amado pelos paulistas. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Um gaúcho amado pelos paulistas. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Nessa primeira passagem pelo alviverde Brandão permaneceu por pouco tempo, até março de 1946, mas com bons resultados: Foram 19 jogos com 13 vitórias, 5 empates e uma única derrota.

Nas passagens seguintes pelo Parque Antártica, montou a base da primeira Academia e conquistou títulos históricos, inclusive na considerada “Temporada Perfeita”, em 1972.

– Campeonato brasileiro de 1972 e 1973, campeonato paulista de 1947, 1959, 1972 e 1974, Taça Brasil de 1960, Troféu Ramón de Carranza 1974, Torneio de Mar Del Plata 1972, Torneio Governador Laudo Natel 1972 e a Taça dos Invictos, também em 1972.

Crédito: revista Placar - 13 de junho de 1975.

Crédito: revista Placar – 13 de junho de 1975.

Brandão, campeão de tudo na "Temporada Perfeita" do Palmeiras em 1972. Crédito: revista Veja - 1972.

Brandão, campeão de tudo na “Temporada Perfeita” do Palmeiras em 1972. Crédito: revista Veja – 1972.

Além dos grandes times do “Trio de Ferro” paulistano, Brandão também trabalhou nas equipes da Portuguesa de Desportos, Linense e Portuguesa Santista, além de importantes passagens no futebol argentino e uruguaio.

Curiosamente, em um raro momento fora do mundo do futebol, trabalhou como bilheteiro em um cinema da capital paulista.

Retratos de uma época em que os salários do mundo da bola não eram milionários como são atualmente.

Já pelo tricolor do Morumbi, Brandão trabalhou nos anos sessenta e setenta. Em 1971, foi campeão paulista justamente em um encontro contra o Palmeiras, que prontamente reassumiu no ano seguinte.

Crédito: esportes.r7.com.

Crédito: esportes.r7.com.

Brandão no São Paulo. Crédito: revista Placar - 25 de dezembro de 1970.

Brandão no São Paulo. Crédito: revista Placar – 25 de dezembro de 1970.

Pelo Corinthians trabalhou nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta. Venceu o Torneio Rio São Paulo em duas oportunidades, 1954 e 1966, além dos lendários títulos paulistas de 1954 e 1977.

Trabalhando fora do Brasil, Brandão conquistou o título nacional argentino de 1967 pelo Independiente. Depois, pelo Penãrol, conquistou o título da “Super Copa” da Libertadores em 1969.

O “Velho Mestre” também comandou o selecionado nacional, em duas oportunidades.

A primeira nos anos cinquenta e a outra nos anos setenta, quando antecedeu Cláudio Coutinho, nosso técnico na Copa do Mundo da Argentina em 1978.

Roberto Belangero, Brandão e Didi. Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 - Abril de 1957.

Roberto Belangero, Brandão e Didi. Crédito: revista Manchete Esportiva número 74 – Abril de 1957.

Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva.

Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva.

Ainda pela Seleção Brasileira, Brandão conquistou o Torneio Bicentenário dos Estados Unidos em 1976, quando aplicamos mais uma goleada pelo mesmo placar de 1970: 4×1 nos italianos.

Quando recebeu o convite de Vicente Matheus, Brandão não se fez de rogado e trabalhou duro para conquistar seu título mais enigmático e representativo: O campeonato paulista de 1977!

Afinal, Brandão era o comandante do Corinthians na última e já muito distante conquista estadual do clube em 1954. Assim, 23 anos depois, encontrava pela frente o maior de todos os desafios de sua impressionante carreira.

Voz pesada, óculos de moldura conservadora, Brandão fazia questão de participar do íntimo emocional de seus jogadores. Paternalista, não pensava duas vezes para comprar uma briga por seus jogadores.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O goleiro Gylmar e Brandão em treinamento no estádio do Pacaembu. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 32 - 1955.

O goleiro Gylmar e Brandão em treinamento no estádio do Pacaembu. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 32 – 1955.

Sempre atento aos mínimos detalhes, buscava proporcionar bem estar aos seus comandados, nem que para isso fosse dar palpites onde pouco conhecia.

Em determinada ocasião, Brandão visitou dona Susana na lavanderia do Parque São Jorge. Meio sem jeito, solicitou o pronto aumento na dosagem de amaciante nos pesados uniformes de algodão utilizados na época.

De convicção Kardecista, na manhã da partida final do campeonato paulista de 1977, Brandão foi ao quarto do meia Basílio e disse que ele faria o gol do título. E em suas mãos o time do Corinthians foi pura superação diante do forte quadro campineiro.

Mesmo com o filho Márcio apresentando um quadro de saúde bastante delicado, manteve sua postura profissional e liderou pelo exemplo na eterna conquista da libertação alvinegra.

A mágica noite de 13 de outubro de 1977.

A mágica noite de 13 de outubro de 1977.

Matheus e Brandão em 1977.

Matheus e Brandão em 1977.

Antes da derradeira decisão de 1977, Brandão teve um diálogo emocionante com o meio campista Palhinha, que ainda mancava sentindo a contusão:

– Vai dar para jogar “Palha”?

– Acho que não, mal posso andar seu Brandão!

– Você é feliz. Sua dor não te deixa andar. A minha dor não se levanta da cama faz seis meses! (Brandão falava do filho Márcio que estava hospitalizado).

Seus últimos clubes foram o Cruzeiro E.C em 1984, onde prometeu aos familiares que pararia, mas ainda aceitou trabalhar no Vila Nova de Goiás em 1986. Brandão faleceu no dia 29 de julho de 1989, na cidade de São Paulo (SP).

Crédito: revista Placar - 20 de dezembro de 1985.

Crédito: revista Placar – 20 de dezembro de 1985.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Lemyr Martins, Sérgio Martins, João Areosa, José Maria de Aquino e Rodolpho Machado), revista O Cruzeiro, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Veja, gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, esporte.uol.com.br, esportes.r7.com, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Jornal O Estado de São Paulo, Jornal Popular da Tarde, Jornal A Tribuna (Santos/SP).

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