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O “Canhotinha de Ouro” era dono de singularidades marcantes: O medo de viajar de avião, a facilidade em colocar a bola onde queria e finalmente o costumeiro vigor nas divididas.

Não que Gerson fosse um jogador desleal ou coisa parecida, pelo contrário! Contudo, seu envolvimento em jogadas que ocasionaram fraturas nos adversários apontam um histórico infeliz; como foi o caso de Vaguinho do Corinthians e do peruano De La Torre.

Gerson de Oliveira Nunes nasceu no dia 11 de janeiro de 1941 em Niterói (RJ). O “gosto pela bola” foi revelado nas peladas da praia Santa Rosa, em Niterói. Posteriormente trocou a areia pelas quadras de Futebol de Salão.

Em meados de 1955 foi aprovado nas seletivas amadoras do Canto do Rio Foot-Ball Club (RJ), equipe onde permaneceu até 1958, quando foi encaminhado ao juvenil do Clube de Regatas do Flamengo (RJ).

Promovido ao time principal do Flamengo em 1959, Gerson foi campeão do Torneio Rio São Paulo de 1961, sem esquecer de sua curta participação na campanha da conquista do campeonato carioca de 1963.

Os primeiros tempos no Flamengo. Crédito: revista do Esporte.

Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Crédito: revista do Esporte número 121 – 1 de julho de 1961.

Na Gávea, Gerson permaneceu até 1963, quando desentendimentos acalorados com o técnico Flávio Costa causaram sua saída do clube.

Conforme reportagem da revista Placar em maio de 1992, o mal-estar entre ambos teve origem na partida decisiva do certame carioca de 1962, diante do Botafogo.

Apesar dos protestos, Gerson foi escalado como ponteiro-esquerdo para ajudar o companheiro Jordan na marcação de Garrincha. A manobra não deu certo e o Botafogo faturou o bicampeonato.

O clima beligerante continuou no campeonato carioca de 1963. Conforme publicado pela revista do Esporte número 237, Gerson foi afastado do time antes do clássico contra o Botafogo, pela terceira rodada do campeonato carioca.

Além disso, os dirigentes o acusaram de um “garoto mimado” pelo pai, o que foi prontamente rebatido pelo jogador na revista do Esporte: “Nada disso! Meu pai é meu amigo e meu conselheiro. Além disso, o Flamengo não pode me privar do convívio familiar”.

Gerson ainda teve tempo de jogar ao lado de Garrincha no Botafogo. Crédito: revista do Esporte número 349 – 13 de novembro de 1965.

Gerson e Silva no Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 366 – 12 de março de 1966.

Dessa forma, o ambiente na Gávea chegou ao limite. Foi então que os cartolas do Botafogo tiraram proveito e levaram Gerson para General Severiano.

Na época, os principais jornais esportivos estamparam em letras garrafais: “Botafogo deposita 150 milhões de cruzeiros e tira Gerson do Flamengo”.

No Botafogo, Gerson conquistou títulos e sua definitiva projeção. Atuou ao lado de uma nova geração de jogadores de muita qualidade; como Afonsinho, Paulo Cesar, Roberto Miranda, Rogério e Sicupira.

Enquanto isso, outros grandes valores entravam em estágio final de carreira; como Garrincha, Leônidas, Nilton Santos e Zagallo. Pelo time da “Estrela Solitária”, Gerson conquistou vários títulos:

– Torneio Rio-São Paulo 1964 (Título dividido com o Santos) e Torneio Rio-São Paulo 1966 (Título dividido entre Corinthians, Botafogo, Santos e Vasco da Gama), Taça Guanabara 1967 e 1968, campeonato carioca 1967 e 1968 e Taça Brasil de 1968.

Gerson e Jairzinho. Crédito: revista do Esporte número 382 – 2 de julho de 1966.

Em 17 de julho de 1969, Gerson deixou o Rio de janeiro quando foi negociado junto ao São Paulo Futebol Clube.

Para assinar com o tricolor paulista, Gerson finalmente tomou coragem e foi ao Aeroporto Santos Dumont. Para variar, não fez nenhuma questão de usar terno e gravata quando foi apresentado no tricolor.

Símbolo de uma época de franco renascimento no Morumbi, Gerson manteve a tradição de jogadores consagrados e veteranos, como Sastre e Zizinho.

Pernas finas e calção escorregando até os joelhos, o “Canhotinha de Ouro” ofereceu ao tricolor a estabilidade necessária para quebrar o jejum de títulos.

Próximo de completar os 30 anos de idade, seu futebol foi determinante na conquista do bicampeonato paulista de 1970/1971.

Momentos de família em Niterói. Crédito: revista Placar.

No México em 1970, Gerson foi fundamental na campanha do tricampeonato. Crédito: revista Placar – 1 de junho de 1973.

Em seu período no cenário paulista, Gerson travou uma batalha pessoal contra a imprensa. Os jornais afirmavam que o “Canhotinha” queria mesmo era voltar para o Rio de Janeiro.

Incomodado, Gerson revelou mais tarde que seu desejo era encerrar a carreira no São Paulo. Todavia, o clima instável da “Terra da Garoa” prejudicava muito a saúde da filha, o que ocasionou uma mudança de planos.

Em 1972, o craque carioca precisou esperar o desenrolar do impasse entre São Paulo, Botafogo e Fluminense. Com tudo acertado, o Fluminense levou vantagem e Gerson realizou o sonho de jogar no seu time de coração.

No tricolor das Laranjeiras, Gerson foi campeão carioca de 1973 e encerrou a carreira em 1974.

A caminhada de Gerson na Seleção Brasileira foi iniciada em 1959, no time amador que disputou os Jogos Pan-Americanos de Chicago e ficou com a medalha de prata.

O tricolor apostou na categoria do “Canhotinha de Ouro” para voltar ao topo do cenário paulista. Crédito: reprodução revista do Esporte número 543 – 19 de agosto de 1969.

“O clima inconstante da cidade de São Paulo maltratava minha filha. Precisei rever o desejo de encerrar a carreira no Morumbi”. Crédito: revista Placar.

No ano seguinte participou das Olimpíadas de Roma. Campeão da Copa Roca nas edições de 1963 e 1971, Gerson foi o capitão canarinho que ergueu a Taça Independência em 1972.

Em Copas do Mundo, Gerson fez parte do fracassado grupo de 1966. Mais tarde, esteve presente na memorável campanha do tricampeonato em 1970.

No México, Gerson foi peça fundamental no esquema de Mário Jorge Lobo Zagallo, não só por suas atuações, mas também por sua liderança dentro e fora dos gramados.

Liderança que também o fazia passar por constrangimentos em campo. Na partida contra os Tchecos, Gerson estava próximo de Pelé quando o “Rei” arriscou o famoso chute do meio de campo que levou o goleiro Victor ao desespero.

Imediatamente, Gerson deu uma bronca danada em Pelé, até perceber o rumo da bola e a beleza do lance!

O capitão da conquista da Taça Independência em 1972. Crédito: revista O Cruzeiro – 19 de julho de 1972.

O último capítulo no Fluminense. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 30 de novembro de 1973.

Autor de um “golaço” contra os italianos na final, Gerson também foi estratégico ao mudar de posição com o médio-volante Clodoaldo na semifinal contra o Uruguai. Dessa troca de posição nasceu o providencial gol de empate marcado por Clodoaldo.

A denominação “Canhotinha de Ouro” reflete com exatidão sua classe e habilidade. Um autêntico craque, que fazia o couro decolar de seus pés em lançamentos que sempre chegavam com “açúcar” aos companheiros.

Fumante inveterado, Gerson também ficou marcado pela campanha publicitária dos cigarros Vila Rica na década de 1970, quando protagonizou o “jeitinho brasileiro” de levar vantagem em tudo.

– “Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”

Também conhecido como “Papagaio”, o falador Gerson trabalhou como supervisor de futebol, colunista e comentarista esportivo de rádio e televisão, sempre completando seus apontamentos e opiniões com um habitual “Tá certo”.

Paixão de infância realizada. Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

A campanha publicitária dos cigarros Vila Rica: “Gosto de levar vantagem em tudo”. Crédito: revista Placar – 23 de junho de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fausto Neto, Fernando Pimentel, Hideki Takizawa, Hamílton Carvalho, Ignácio Ferreira, José Maria de Aquino, Max Gehringer, Michel Laurence, Patrício Renato, Paulino Senra, Raul Quadros, Sebastião Marinho e Teixeira Heizer), revista do Esporte, revista do Fluminense, revista Fatos e Fotos, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista Realidade, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, fluminense.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, placar.abril.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves, veja.abril.com.br, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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