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No final dos anos setenta, Coutinho vivia um momento bem diferente de quando assumiu o comando da Seleção Brasileira.

De fato, o mundial da Argentina foi um divisor de águas em sua carreira.

Na copa, Coutinho foi acusado de covarde, medroso, retranqueiro, inventor e uma infinidade de outras coisas. Finalmente reconhecido como um profissional competente, o relacionamento com os homens de imprensa melhorou.

Quando os compromissos permitiam, fazia seu retiro particular na casa de Angra dos Reis para praticar a pesca submarina. Sempre reservado, trocou quatro vezes o número de seu telefone em busca de um pouco mais de sossego.

Crédito: revista Placar - 11 de maio de 1979.

Crédito: revista Placar – 11 de maio de 1979.

Crédito: revista Placar - 11 de maio de 1979.

Crédito: revista Placar – 11 de maio de 1979.

Cláudio Pecego de Moraes Coutinho era gaúcho, nascido em Dom Pedrito, na fronteira com o Uruguai, no dia 5 de janeiro de 1939.

Desde criança, Coutinho sempre teve duas facilidades: Aprender línguas e praticar esportes, embora nunca tenha demonstrado habilidades suficientes para seguir no futebol como jogador.

Filho de um general de exército, Coutinho recebeu uma formação severa. Aos dois anos de idade mudou-se para o Rio de Janeiro, em Copacabana, na esquina da Avenida Atlântica com Joaquim Nabuco.

Garoto tranquilo, Coutinho era o superprotegido da casa. Na hora das broncas, tudo sobrava para o irmão Ronaldo.

Parreira, Zagallo e Coutinho. Crédito: revista Placar.

Parreira, Zagallo e Coutinho. Crédito: revista Placar.

Com apenas oito anos de idade já aprendia o inglês e o francês, sempre acompanhado de perto pela mãe, dona Ilca.

Desde os tempos do Mello e Souza, tradicional escola da Zona Sul, era um aluno brilhante, um autodidata, como nos cinco anos que passou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).

Na brigada de paraquedistas, unidade de elite altamente politizada, chegou ao posto de capitão. Vivenciou o clima obscuro da ditadura militar e no ano de 1965 ingressou na Escola de Educação Física do Exército.

Cláudio Coutinho falava francês com uma fluência invejável. Aprimorou esse idioma em 1968, quando participava de um congresso escolar nos Estados Unidos.

Lá, conheceu o professor Kenneth Cooper, que o convidou para freqüentar o laboratório de estresse humano na NASA.

Coutinho, Tostão e Admildo Chirol.

Coutinho, Tostão e Admildo Chirol.

Crédito: revista Placar - 23 de junho de 1972.

Crédito: revista Placar – 23 de junho de 1972.

Em 1969 foi convidado para integrar a comissão técnica da seleção Brasileira.

Introduziu, já naquela oportunidade, conceitos do professor Cooper na preparação e prevenção dos efeitos da altitude em relação ao futebol, o que foi significativo durante o mundial do México em 1970.

O confiante, competente e calado Coutinho era, segundo Zagallo, um gaúcho com alma de carioca. Um dia, depois de correr 2.800 metros no teste de Cooper, Pelé apresentou um comportamento meio descrente nos métodos de Coutinho.

Pouco tempo depois, já em Guadalajara, pouco antes do mundial de 1970, Pelé estava correndo 3.100 metros sem sentir mais nada. Coutinho sentiu uma vitória particular!

– Hoje, quando vejo esse pessoal correndo pela praia, sinto que fiz algo importante! (Cláudio Coutinho).

Crédito: revista Manchete Esportiva.

Crédito: revista Manchete Esportiva.

Crédito: flamengo.com.br.

Crédito: flamengo.com.br.

Na Copa do Mundo de 1974, já como coordenador técnico de Zagallo, aumentou seu leque de conhecimentos táticos e técnicos, influenciado pelo “Futebol Total” praticado pela seleção holandesa.

Em 1976 comandou o selecionado olímpico nos jogos de Montreal obtendo um quarto lugar. Nesse mesmo ano, iniciou sua trajetória como treinador do Clube de Regatas do Flamengo.

A “europeização” do nosso futebol começou depois que Coutinho assumiu o escrete em 1977, quando fomos invadidos com termos até então estranhos como “overlapping”, “ponto futuro” e  “polivalência”.

Naquela oportunidade, depois da queda de Brandão no comando da Seleção Brasileira, surgiram como sempre, inúmeros nomes para assumir o time canarinho.

Crédito: revista Placar - 9 de dezembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 9 de dezembro de 1977.

Até “Duque” técnico do Corinthians naquele período, teve seu nome lembrado para o escrete depois do grande feito de levar o time até o compromisso final do campeonato nacional de 1976.

Com a confirmação da escolha de Cláudio Coutinho, grande parte da imprensa e dos torcedores foram pegos de surpresa:

– Quem é esse homem? Ué, preparador físico? Capitão do exército? Teste de Cooper? O que esse cara entende de bola?

– Deveriam ter colocado o Rubens Minelli, que é o atual bicampeão brasileiro. Agora aparecem com esse desconhecido. Isso é mais uma “cariocada”, e das boas…

Esse era o assunto do momento para milhões de brasileiros em 1977, que em sua maioria, mal lembravam de Coutinho na comissão técnica da seleção nas copas de 1970 e 1974.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 26 – 11 de abril de 1978.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 26 – 11 de abril de 1978.

Vidrado no mar de Copacabana e no Flamengo, para muitos Coutinho era considerado um revolucionário que, até o batismo dos títulos como técnico do “Rubro-Negro”, foi apenas um teórico visto com total desconfiança.

Cláudio Coutinho estava indo bem na seleção, até que novas polêmicas apareceram:

– O zagueiro Edinho na lateral esquerda… O Falcão do Internacional de fora?

Quando finalmente o mundial de 1978 começou, assistimos um time “preso”, uma seleção que sabia direitinho como se defender. Porém, na hora de fazer gols era um verdadeiro tormento!

Crédito: revista Placar – 31 de março de 1978.

Crédito: revista Placar – 31 de março de 1978.

Crédito: revista Placar - 12 de maio de 1978.

Crédito: revista Placar – 12 de maio de 1978.

Em matéria especial da revista Placar, em sua edição de 11 de maio de 1979, o treinador admitiu seu erros na Copa do Mundo ao armar um time defensivo demais.

Somente depois da entrada de Roberto Dinamite (na partida contra o selecionado da Áustria) é que o time foi se arrumando aos poucos. Dessa forma, acabamos chegando nas fases finais da competição.

Só não contávamos com a “marmelada” da seleção peruana contra os argentinos. E assim, entre invenções e inovações, fomos os invictos “Campeões Morais de 1978”.

Em novembro de 1979, porém, quando nossa seleção foi eliminada pelo Paraguai na disputa da Copa América, surgiram os primeiros rumores sobre sua queda na CBD.

Crédito: revista Placar – 7 de dezembro de 1979.

Crédito: revista Placar – 7 de dezembro de 1979.

Campeão brasileiro de 1980, Coutinho montou a base do grande time que foi campeão carioca em 1979, campeão da Libertadores da América e campeão mundial interclubes em 1981.

Católico e devoto de Santa Terezinha, o reservado Coutinho nunca entrou em detalhes sobre o que conquistou com o dinheiro que ganhou no futebol.

Cláudio Coutinho faleceu em 27 de novembro de 1981, próximo das ilhas Cagarras (cinco quilômetros ao sul da praia de Ipanema), quando praticava pesca submarina aos 42 anos. Era o seu passatempo favorito e tinha experiência nesse tipo de esporte.

Coutinho saiu de manhã junto com o amigo Bruno Caritato. Carregava apenas Snorkel e máscara. Depois, os dois se separaram até que Caritato notou que Coutinho tinha sumido. Era tarde demais!

Crédito: revista Placar - 4 de dezembro de 1981.

Crédito: revista Placar – 4 de dezembro de 1981.

Crédito: revista Manchete número 1547 - 12 de dezembro de 1981.

Crédito: revista Manchete número 1547 – 12 de dezembro de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maria Helena Araújo, Aristélio Andrade, José Maria de Aquino, Jairo Régis e Marcelo Rezende), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Veja, revista O Cruzeiro, revista O Curingão, site do Milton Neves, flamengo.com.br, esportes.r7.com, fernandomachado.blog.br, extra.globo.com, Jornal dos Sports.

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