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O centroavante da libertação corintiana em 1977 não poderia ser outro. Homem calejado e sofrido ao longo da vida, Geraldão entendia perfeitamente o que os torcedores sentiam pela falta de um título.

Geraldo da Silva, o “Geraldão”, nasceu na cidade de Alvarez Machado, próximo de Presidente Prudente (SP), em 25 de julho de 1949.

De procedência humilde, o fortão “Manteiga”, como era conhecido na cidade, trabalhava como lavrador em sítios da região plantando amendoim e milho.

Aos finais de semana, o “Manteiga” jogava em equipes amadoras até ser incentivado pelos mais velhos para tentar a sorte pelo interior.

Crédito: revista Placar – 18 de outubro de 1974.

Geraldo iniciou sua carreira em 1968 na simpática agremiação da Prudentina. Em 1969 foi para o extinto São Bento da cidade de Marília. Em seguida, acabou na modesto Epitaciano em 1970.

Só que o período nessas três equipes não foram fáceis. Geraldo passou fome e pensou em abandonar tudo.

Morando em “repúblicas”, Geraldo dormia na cozinha enquanto aguardava por uma vaga em um colchão qualquer nas poucas beliches que os clubes ofereciam.

Salário baixo, Geraldo precisava fazer bicos para arrumar um dinheirinho extra. De tanto sofrer e não acreditar mais em milagres, Geraldo foi parar no Botafogo de Ribeirão Preto em novembro de 1970.

Geraldão fez muito sucesso ao lado de Sócrates no Botafogo. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 5 de novembro de 1976.

Mesmo no Botafogo, sua provação continuava. Os salários atrasavam e, indiferente aos problemas dos bastidores, os torcedores exigentes de Ribeirão Preto queriam gols.

Tudo melhorou em 1973, quando Geraldo disputou um ótimo Torneio Paulistinha, uma espécie de seletiva para o campeonato paulista.

Servido pelos passes e enfiadas de bola de Sócrates, Geraldo foi o artilheiro do campeonato paulista de 1974 com 23 gols. Finalmente reconhecido pela imprensa paulista, o Geraldo foi transformado no temido “Geraldão”.

Em 11 de junho de 1975, o centroavante foi apresentado no Corinthians pelo diretor de futebol Orlando Monteiro Alves.

Crédito: revista do Corinthians – Edição comemorativa do título de 1977.

O presidente Vicente Matheus desembolsou 550 mil cruzeiros para ter o futebol de Geraldão no Parque São Jorge. Ao mesmo tempo, também investiu alto para trazer o renomado técnico Dino Sani.

Nos primeiros meses de Geraldão no Corinthians, os comentários dos rivais eram mais ou menos assim: O que adianta, o Corinthians trouxe a flecha e esqueceu o arco (uma referência aos passes do Dr. Sócrates).

O ano de 1975 não foi bom e sua adaptação foi lenta.

Acostumado com os “contra-ataques” proporcionados pelo esquema de jogo do Botafogo, Geraldão não teve muitas oportunidades com Dino Sani.

Crédito: revista Placar.

Geraldão, sorte contra o São Paulo de Waldir Peres. Crédito: revista Placar - 3 de agosto de 1979.

Geraldão, sorte contra o São Paulo de Waldir Peres. Crédito: revista Placar – 3 de agosto de 1979.

Geraldão só pegou embalo depois da chegada do técnico Duque, um admirador de seu futebol desde 1973.

Em 1976 Geraldo foi decisivo na grande campanha realizada pelo Corinthians no campeonato brasileiro. Com 1;80 de estatura e 85 quilos, Geraldo era brigador, chutava forte e fazia gols de qualquer maneira.

Na campanha de 1977, Geraldão foi um dos guerreiros da conquista do título. O centroavante tinha muita sorte nos clássicos, principalmente contra o São Paulo, quando marcava seus golzinhos em Waldir Peres.

Conforme registros do Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte, Geraldão disputou 280 partidas pelo alvinegro, obtendo 136 vitórias, 77 empates, 67 derrotas e 91 gols marcados.

Geraldão em partida contra a Ferroviária no Pacaembu. Crédito: revista Placar.

Geraldão no Juventus. Crédito: revista Placar.

Depois da chegada de Rui Rei, Geraldão defendeu o Clube Atlético Juventus por empréstimo. Voltou depois ao Parque São Jorge para fazer parte do elenco campeão paulista de 1979.

Em seguida, o centroavante iniciou sua fase gaúcha. Passou primeiramente pelo Grêmio e depois pelo Internacional, onde foi bicampeão gaúcho em 1982 e 1983.

Quando saiu do Inter, Geraldão ainda jogou pelo Colorado (PR), Mixto (MT), Corinthians de Presidente Prudente (SP), Associação Atlética Itararé (SP), Associação Atlética União de Valinhos (SP) e finalmente o Garça (SP), quando encerrou sua carreira.

Até hoje Geraldo recebe homenagens pela conquista do título paulista de 1977, com participação especial no filme  “23 Anos em 7 Segundos – O Fim do Jejum Corinthiano”.

Geraldão no Grêmio. Crédito: revista Placar – 27 de novembro de 1981.

Geraldão troca de lado e vai para o Internacional. Crédito: futebolgaucho.tumblr.com.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maurício Cardoso, Divino Fonseca, Emanuel Mattos e José Maria de Aquino), revista Manchete Esportiva, revista do Corinthians, Jornal Folha de São Paulo, Jornal A Gazeta Esportiva, futebolgaucho.tumblr.com, site do Milton Neves, campeoesdofutebol.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, ftt-futeboldetodosostempos.com.

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