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Bola levantada na grande área era motivo de muita preocupação para os rivais. Se o couro chegasse ao alcance de sua cabeça o destino era quase certo!

Leivinha não tinha uma grande estatura (1;73), porém sua impulsão e seu posicionamento para uma testada fatal eram acima da média.

Quando não era possível finalizar diretamente para o gol usava o cabeceio para encontrar um companheiro melhor posicionado.

João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte no dia 11 de setembro de 1949. Depois de praticar basquete e futebol de salão, sua trajetória foi iniciada nas categorias amadoras do Clube Atlético Linense.

Crédito: acervo.estadao.com.br.

Crédito: revista Placar – 5 de junho de 1970.

O rosto de menino com futebol de adulto, sempre causou admiração e um certo espanto naqueles que acompanharam o início de sua carreira. Difícil de ser marcado, Leivinha era dotado de boa visão e jogo e muita facilidade para cabecear.

Não demorou para receber oportunidades na equipe principal do Linense. Aos 16 anos de idade já era profissional e suas boas atuações despertaram o interesse da Associação Portuguesa de Desportos.

Conforme registros publicados pela revista Placar, Leivinha chegou ao Canindé em 16 de setembro de 1966, com apenas 17 anos.

Em seu primeiro treino entre os titulares marcou dois gols. Quatro dias depois foi contratado em definitivo junto ao Linense por 30 milhões de cruzeiros, com “Luvas” de 5 milhões.

Ivair e Leivinha. Crédito: revista do Esporte.

Leivinha fez sua primeira participação pela Portuguesa em 12 de outubro de 1966, na vitória de 2×0 sobre o São Paulo pelo campeonato paulista. Ao lado de Ivair “O Príncipe”, Leivinha formou uma dupla de ataque muito respeitada.

Em 1968 recebeu sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira na vitória por 2×1 sobre o Coritiba, quando entrou em campo apenas na segunda etapa.

E João Leiva foi transformado em um sonho de consumo para várias equipes do futebol brasileiro. Primeiro foi São Paulo do presidente Henri Aidar, que ofereceu 1 milhão de cruzeiros para ter o atacante no Morumbi.

Depois, outras especulações junto ao Grêmio e ao Fluminense, que em sua proposta ofereceu 550 mil cruzeiros mais o passe definitivo de Samarone.

Até que finalmente a queda de braço ficou entre os diretores do Palmeiras e o presidente da Portuguesa, Oswaldo Teixeira Duarte.

Em Foto de Lemyr Martins, “PONHA LEIVINHA NO SEU ATAQUE”. Até os clubes do Rio de Janeiro estavam na parada. Crédito: revista Placar – 16 de outubro de 1970.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Com sua carreira bastante valorizada e uma oportunidade de transferência vantajosa, o atacante manifestava seu interesse público em deixar definitivamente o Canindé.

Sua última partida pela Portuguesa de Desportos aconteceu em 6 de setembro de 1970, na derrota por 1×0 para o São Bento de Sorocaba pelo campeonato paulista.

Enquanto um verdadeiro balcão de negócios tentava definir seu próximo clube, Leivinha ficou sem jogar pela Portuguesa durante seis meses.

Em 25 de fevereiro de 1971 a Sociedade Esportiva Palmeiras anunciou oficialmente o acerto para contar com o jogador.

Crédito: revista Placar.

Na época, o Palmeiras investiu Cr$ 800 mil cruzeiros pelo passe do atacante em um contrato fixado por dois anos. Assim, no primeiro dia de março de 1971, Leivinha foi apresentado no Parque Antárctica.

Conforme informações publicadas no site “palmeiras.com.br”, a primeira partida e o primeiro gol de Leivinha no alviverde aconteceram na vitória do Palmeiras por 4×0 diante do Guarani de Campinas, em 14 de março de 1971.

O primeiro clássico ficou marcado por uma derrota no histórico “Derby dos 4×3” contra o Corinthians, quando marcou um dos gols do Palmeiras.

Ainda naquela partida, Leivinha foi expulso de campo junto com Roberto Rivellino pelo árbitro Armando Marques.

Leivinha e Eurico argumentam com o árbitro Armando Marques. Leivinha foi expulso no histórico “Derby” dos 4×3 para o Corinthians. Crédito: revista Placar.

No momento do gol anulado, Édson Cegonha comete pênalti segurando
a camisa do atacante Leivinha. Crédito: revista Placar.

Leivinha foi o pivô da famosa confusão na final do campeonato paulista de 1971. O camisa 8 esmeraldino marcou de cabeça o gol de empate que colocaria “fogo no jogo”, mantendo o Palmeiras com chances de chegar ao título.

O resultado de igualdade ainda era favorável ao São Paulo, que vencia o jogo por 1×0 com um gol marcado por Toninho Guerreiro aos 5 minutos da primeira etapa.

Armando Marques anulou o gol do Palmeiras alegando que Leivinha usou a mão para finalizar. No mesmo momento, o bandeira Dulcídio Wanderley Boschilia correu para o centro do gramado para validar o tento.

Com o término do jogo, em meio ao enorme tumulto nos vestiários, Armando acusou Dulcídio de ser desleal em suas entrevistas. Anos depois, o árbitro reconheceu o erro, mas já era tarde!

Depois do vice-campeonato paulista de 1971, o ano de 1972 ficou marcado na história do clube. Considerada até hoje como a “Temporada Perfeita”, Leivinha viveu seu período mais produtivo no Palmeiras.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Leivinha, Ademir da Guia e Dudu. Crédito: revista Placar.

Naquele ano de 1972 o alviverde conquistou tudo que disputou: Campeão paulista (invicto), campeão brasileiro, campeão do Torneio de Mar Del Plata, campeão do Torneio Governador Laudo Natel e finalmente, a posse da Taça dos Invictos.

Campeão brasileiro em 1973, Leivinha faturou ainda o título paulista de 1974 e mais duas edições do Troféu Ramón de Carranza, em 1974 e 1975.

Em agosto de 1975, Leivinha e Luís Pereira foram negociados com o Club Atlético de Madrid. Em gramados espanhóis, o atacante foi campeão da Copa do Rei em 1976 e campeão espanhol de 1977.

Leivinha voltou para o futebol brasileiro somente no ano de 1979 para defender o tricolor do Morumbi, sua última equipe.

Luís Pereira e Leivinha no Atlético de Madrid. Crédito: colchonero.com.

Leivinha e Mirandinha. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1979.

Pelo escrete canarinho Leivinha também viveu momentos marcantes. Foi campeão da Taça independência em 1972 e no ano de 1973 foi o autor do milésimo gol da história da Seleção Brasileira, em uma partida contra a Bolívia.

Até hoje Leivinha se arrepende por ter assinado o “Manifesto de Glasgow” em 1973, durante uma excursão da Seleção Brasileira na Europa. O manifesto foi adotado depois das críticas da imprensa em razão dos resultados negativos do time da Zagallo.

Antes do compromisso contra a Escócia. os jogadores redigiram um termo que rompia relações com os órgãos de imprensa.

Leivinha disputou o mundial da Alemanha em 1974. Prejudicado pelo esquema defensivo de Zagallo, o meia palmeirense foi substituído em algumas partidas.

Na jogo decisivo contra o Zaire, ainda pela fase de grupos, Leivinha sofreu uma contusão que prejudicou sua participação no restante da Copa.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Mílton Temer, Narciso James e Paulo Mattiussi,), revista do Esporte, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal da Tarde, Jornal A Gazeta Esportiva, gazetaesportiva.net, acervo.estadao.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves, colchonero.com, palmeiras.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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