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Bola levantada na grande área era motivo de muita preocupação para os rivais. Se o couro chegasse ao alcance de sua cabeça o destino era quase certo!

Leivinha não tinha uma grande estatura (1;73 m), porém sua impulsão e seu posicionamento para uma testada fatal eram acima da média.

Quando não era possível finalizar diretamente para o gol, usava o cabeceio para encontrar um companheiro melhor posicionado.

Os palmeirenses daquela época também lembram muito bem quem ajeitou a bola para Ronaldo fazer o gol do título paulista em 1974.

Leivinha, em destaque, no time do Linense.

Leivinha, em destaque, no time do Linense.

Crédito: revista do Esporte número 450 – Outubro de 1967. 

Crédito: revista do Esporte número 450 – Outubro de 1967.

João Leiva Campos Filho nasceu em Novo Horizonte no dia 11 de setembro de 1949. Depois de praticar basquete e futebol de salão, iniciou sua carreira no juvenil do C. A Linense em meados de 1965.

O rosto de menino com um futebol de adulto sempre causou admiração e um certo espanto naqueles que acompanharam o início de sua trajetória.

Não demorou para receber oportunidades na equipe principal do Linense. Aos 15 anos já era profissional e suas boas atuações despertaram o interesse da Portuguesa de Desportos, que em 1966, levou o craque para um período de testes.

Conforme registros da revista Placar, Leivinha chegou ao Canindé em 16 de setembro de 1966, com apenas 17 anos.

Crédito: acervo.estadao.com.br.

Crédito: acervo.estadao.com.br.

Crédito: revista Placar - 5 de junho de 1970.

Crédito: revista Placar – 5 de junho de 1970.

Em seu primeiro treino entre os titulares, marcou dois gols e quatro dias depois foi contratado em definitivo junto ao Linense por Cr$ 30 milhões, recebendo luvas de Cr$ 5 milhões.

Com uma semana de clube, Leivinha fez sua estréia em 12 de outubro de 1966, na vitória de 2×0 sobre o São Paulo pelo Campeonato Paulista. Ao lado de “Ivair o Príncipe”, formou uma dupla de ataque temida e respeitada.

Em 1968, recebeu sua primeira oportunidade na Seleção Brasileira em uma partida contra o Coritiba.

Ao lado de craques como Tostão, Zé Carlos e Dirceu Lopes, participou da construção daquela vitória pelo placar de 2×1, quando entrou em campo apenas na segunda etapa.

Ivair e Leivinha. Crédito: revista do Esporte.

Ivair e Leivinha. Crédito: revista do Esporte.

E João Leiva virou sonho de consumo de várias equipes do futebol brasileiro. Primeiro foi São Paulo, do presidente Henri Aidar, que ofereceu 1 milhão de cruzeiros para ter o atacante no Morumbi.

Depois, outras especulações junto ao Fluminense e Grêmio, até que finalmente a queda de braço ficou entre os diretores do Palmeiras e o presidente da Portuguesa, Oswaldo Teixeira Duarte.

Com sua carreira bastante valorizada e uma oportunidade de transferência vantajosa, o atacante manifestava seu interesse público em deixar definitivamente o Canindé.

Formação da Lusa em 1968. Partindo da esquerda, o goleiro Orlando, Ulisses, Marinho, Guaraci, Zé Maria e Augusto. Agachados vemos o massagista Mário Américo, Leivinha, Paes, Ivair, Lorico e Rodrigues.

Formação da Lusa em 1968. Partindo da esquerda, o goleiro Orlando, Ulisses, Marinho, Guaraci, Zé Maria e Augusto. Agachados vemos o massagista Mário Américo, Leivinha, Paes, Ivair, Lorico e Rodrigues.

"PONHA LEIVINHA NO SEU ATAQUE" era a matéria especial da revista Placar de 16 de outubro de 1970. Até os clubes do Rio de Janeiro estavam na parada. Foto de Lemyr Martins.

“PONHA LEIVINHA NO SEU ATAQUE” era a matéria especial da revista Placar de 16 de outubro de 1970. Até os clubes do Rio de Janeiro estavam na parada. Foto de Lemyr Martins.

Sua última partida pela Portuguesa de Desportos aconteceu na derrota de 1×0 para o São Bento de Sorocaba pelo Campeonato Paulista, realizada em 6 de setembro de 1970.

Enquanto isso, Leivinha ficou sem jogar pela Portuguesa durante seis meses até o negócio ser oficialmente anunciado em 25 de fevereiro de 1971.

Na época, o Palmeiras investiu Cr$ 800 mil cruzeiros pelo passe do atacante com um contrato fixado em dois anos.

Assim, no primeiro dia de março de 1971, Leivinha foi apresentado no Parque Antárctica como uma grande contratação.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1971.

Conforme informações publicadas no site “palmeiras.com.br”, a primeira partida de Leivinha no alviverde aconteceu na vitória do Palmeiras por 4×0 diante do Guarani em 14 de março de 1971.

O primeiro clássico ficou marcado por uma derrota no histórico “Derby dos 4×3” contra o Corinthians, quando anotou um dos tentos do Palmeiras.

Ainda naquela partida, Leivinha foi expulso de campo junto com Roberto Rivellino pelo árbitro Armando Marques.

Ostentando sua cabeleira loura, Leivinha era um jogador “liso”, difícil de ser marcado, principalmente quando partia elegantemente com a bola dominada. Além da facilidade para cabecear, Leiva batia muito bem na bola com as duas pernas.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Leivinha e Eurico argumentam contra Armando Castanheira Marques. Não deu! Leivinha foi expulso no histórico derby dos 4x3 para o Corinthians. Crédito: revista Placar.

Leivinha e Eurico argumentam contra Armando Castanheira Marques. Não deu! Leivinha foi expulso no histórico derby dos 4×3 para o Corinthians. Crédito: revista Placar.

Leivinha foi o pivô daquela polêmica final do campeonato paulista de 1971, quando marcou de cabeça o gol que daria o empate do Palmeiras, sendo que o resultado de igualdade ainda era favorável ao São Paulo.

Armando Marques anulou o gol esmeraldino alegando que Leivinha usou a mão para finalizar. No mesmo momento, o bandeira Dulcídio Wanderley Boschilia correu para o centro do gramado para validar o tento.

Depois da partida, em meio ao enorme tumulto na área dos vestiários, Armando acusou Dulcídio de ser desleal em suas entrevistas. Anos depois, o árbitro reconheceu o erro, mas já era muito tarde!

Além do gol anulado, Édson Cegonha comete pênalti segurando a camisa do atacante Leivinha. Crédito: revista Placar.

Além do gol anulado, Édson Cegonha comete pênalti segurando
a camisa do atacante Leivinha. Crédito: revista Placar.

Esta foto, em outro ângulo, mostra claramente que Leivinha usou apenas a cabeça para marcar contra o arco defendido por Sérgio Valentim.

Esta foto, em outro ângulo, mostra claramente que Leivinha usou apenas a cabeça para marcar contra o arco defendido por Sérgio Valentim.

No Palmeiras Leivinha ganhou vários títulos. Foi bi-campeão brasileiro em 1972/73, ganhou dois campeonatos paulistas em 1972 e 1974, além do bi-campeonato do troféu Ramón de Carranza em 1974 e 1975.

O atacante não usava sua cabeça só para fazer gols. Fora da grande área, projetava espaços e jogadas para distribuição de bola, ou ainda, procurava brechas para seus fortes arremates de fora da área.

Outra de suas jogadas características era a “pedalada”, antes de definir para que lado sair. (A pedalada não é uma criação do craque Robinho quando jogava pelo Santos).

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Leivinha, Ademir da Guia e Dudu. Crédito: revista Placar - 27 de abril de 1979.

Leivinha, Ademir da Guia e Dudu. Crédito: revista Placar – 27 de abril de 1979.

Depois da conquista do paulistão de 1974, Leivinha foi negociado junto com Luís Pereira para o Atlético de Madrid, onde foi bicampeão espanhol nas temporadas de 1976 e 1977, além de conquistar por duas vezes a Copa do Rei em 1975 e 1976.

Leivinha voltou para o futebol brasileiro somente no ano de 1979 para defender o tricolor do Morumbi, sua última equipe.

Mesmo sem contar com o mesmo futebol dos tempos de Palmeiras, realizou boas partidas ao lado do ex-palmeirense Edu Bala.

Pela Seleção Brasileira Leivinha também viveu momentos marcantes. Foi campeão da Taça independência em 1972 e no ano de 1973 foi o autor do 1000º gol canarinho contra o selecionado da Bolívia.

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Até hoje, Leivinha lembra do arrependimento por ter assinado o “Manifesto de Glasgow” em 1973, durante excursão da Seleção Brasileira na Europa.

O manifesto foi decidido depois de uma série de atuações pífias do nosso escrete, que culminou com uma derrota para o selecionado da Suécia. Antes do compromisso contra a Escócia. os jogadores do time de Zagallo redigiram um termo que rompia relações com os órgãos de imprensa.

Leiva disputou o mundial da Alemanha em 1974. Prejudicado pelo esquema defensivo de Zagallo, foi substituído em algumas partidas.

Na jogo decisivo contra o Zaire, ainda pela fase de grupos, quando o escrete precisava vencer por três gols de diferença para se classificar, sofreu uma contusão que prejudicou sua participação no restante do torneio.

Luís Pereira e Leivinha no Atlético de Madrid. Crédito: colchonero.com.

Luís Pereira e Leivinha no Atlético de Madrid. Crédito: colchonero.com.

Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1979.

Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Paulo Mattiussi, Mílton Temer, Carlos Maranhão e Narciso James), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, albumefigurinhas.no.comunidades.net, acervo.estadao.com.br, colchonero.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net.

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