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Um dos caras mais gente boa da história do futebol brasileiro, o “Peito de Aço” Dario marcou época como grande artilheiro e autor de frases bem humoradas.

Dono de uma sofrida trajetória na infância e adolescência, o gosto pela bola foi determinante para deixar de lado os perigos do mundo da marginalidade.

Dario José dos Santos nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 4 de março de 1946. Criado no bairro de Marechal Hermes, o menino Dario logo conheceu o lado trágico da vida ao ver a mãe atear fogo no corpo para depois morrer no hospital.

Sem condições financeiras para criar sozinho Dario e seus irmãos, o pai deixou os guris aos cuidados da então Funabem (Fundação Nacional do Bem Estar do Menor).

Conforme publicado pela revista Placar na edição de 31 de dezembro de 1981, na Funabem o calado e espigado Dario era motivo de chacotas e provocações. Embrutecido pela rotina de castigos e pela solidão tentou até o suicídio!

Formação do Campo Grande (RJ) no Maracanã em 1967. Em pé: Helinho, Paulo, Guilherme, Geneci, Zé Oto e Romeu. Agachados: Norival, Dario, Biriguda, Nadir e Adílson. Crédito: Livro Dadá Maravilha – Lúcio Flávio Machado – Editora Del Rey.

O Atlético Mineiro precisava de gols e Dario marcava muitos pelo Campo Grande (RJ). Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Conhecido pelos outros internos como “Cachorrão”, Dario foi transformado em um sujeito violento. Revoltado escapou da Funabem e sobrevivia de pequenos furtos. Perambulava pelas ruas até ser recapturado pelos agentes da instituição.

Portando o diploma do curso ginasial e uma habilitação para trabalhar no ofício de sapateiro, Dario deixou o internato direto para o serviço militar obrigatório.

Como recruta conquistou algum respeito no futebol. Tinha pouca intimidade com a bola e era considerado um verdadeiro “perna de pau”, mas marcava gols como poucos.

Foi mais do que suficiente para cair nas graças do exigente sargento Valdo, o grande responsável por seu primeiro encaminhamento ao Campo Grande Atlético Clube (RJ).

Repetidamente dispensado dos quadros amadores do Campo Grande, Dario sempre voltava para tentar de novo. Não desanimava nunca!

Dario não tinha três pernas, mas contava com uma especial preferência do presidente Médici! Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 17 de abril de 1970.

Dario marcou o gol do Atlético Mineiro na vitória por 1×0 sobre o Botafogo no Maracanã, resultado que valeu o título do campeonato nacional de 1971. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar.

Enquanto isso arrumou uma vaga na Light como escavador de buracos para postes de energia. Mais tarde foi trabalhar na empresa Dubar carregando caixas de bebida em troca do salário mínimo.

De tanto insistir para vencer no Campo Grande, o técnico Gradim observou em Dario algumas qualidades. O rapaz era dotado de uma grande impulsão para cabecear e era dono de uma velocidade fora do comum!

Depois de algumas temporadas no Campo Grande, Dario firmou compromisso com o Clube Atlético Mineiro em maio de 1968. Contudo, essa transferência quase esbarrou no interesse do clube por um atacante do São Cristóvão.

Apresentado ao treinador Ayrton Moreira – o irmão de Aymoré Moreira e Zezé Moreira – Dario ficou apenas treinando durante um bom tempo. Com poucas oportunidades, por muito pouco quase foi dispensado.

Com a chegada de Yustrick, Dario foi conquistando espaço com muitos gols, como aquele marcado em 3 de setembro de 1969, quando o Atlético com a camisa do selecionado mineiro venceu o escrete das “Feras de Saldanha” por 2×1.

Uma estranha flexibilidade. Dario parecia não ter ossos nas pernas! Crédito: revista Placar – 20 de outubro de 1972.

Pelo Flamengo, Dario foi o artilheiro do campeonato carioca de 1973 com 15 gols marcados. Crédito: Livro Rei Dadá Maravilha – D.P. Cameron – Editora Edilap.

O presidente Médici não poupou elogios ao futebol de Dario. A imprensa tomou conhecimento e o fato chegou aos ouvidos de João Saldanha, que incomodado trocou algumas farpas com o general.

O certo é que Saldanha foi afastado da CBD e Dario foi convocado pelo técnico Zagallo para ser tricampeão mundial no México em 1970. Também pela Seleção Brasileira foi campeão da Taça Independência em 1972.

Campeão brasileiro de 1971, campeão mineiro de 1970 e tricampeão da Taça Belo Horizonte em 1970, 1971 e 1972, Dario continuou no Atlético Mineiro até ser negociado em 1973 com o Clube de Regatas do Flamengo (RJ).

No time da Gávea, Dario foi artilheiro do campeonato carioca de 1973 com 15 gols marcados. Em seguida, iniciou sua trajetória de andarilho, artilheiro e conquistador de títulos pelos gramados do Brasil.

Dario não tinha cerimônias para empurrar a bola para o fundo das redes. Foi o artilheiro do campeonato brasileiro de 1971 e 1972 pelo Atlético Mineiro e em 1976 pelo Internacional, ano em que também faturou o campeonato brasileiro.

“O grande azar do Santo Amaro foi que eu precisava perder peso para o clássico contra o Náutico”. No dia 7 de abril de 1976 pelo campeonato pernambucano, Dario marcou 10 gols na vitória sobre o Santo Amaro por 14×0. Fotos de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1976.

“Agora que o Corinthians foi campeão paulista não precisa mais pensar em contratar o Rei Dadá”. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1977.

Entre tantas equipes, Dario passou ainda pelo Nacional (AM), Bahia (BA), Goiás (GO), América (MG), Douradense (MS), Paysandu (PA), Náutico (PE), Santa Cruz (PE), Sport Recife (PE), Coritiba (PR), Ponte Preta (SP) e XV de Piracicaba (SP).

Em reportagem publicada na revista Placar de 15 de novembro de 1985, Dario revelou aos leitores sua especial admiração por Telê Santana: “Foi o melhor técnico com quem trabalhei”.

Ao deixar o futebol profissional em 1986, Dario atravessou uma fase muito difícil. Com dívidas acumuladas precisou vender o patrimônio e só voltou ao equilíbrio financeiro quando foi convidado para ser comentarista esportivo.

Como treinador Dario não teve uma caminhada longa. Foram trabalhos apenas modestos, principalmente no comando do Brasília (DF) e da Ponte Preta. É lembrado não só pelos gols, mas também por frases carregadas de bom humor:

– “Só existem três coisas param no ar: Helicóptero, Beija-Flor e o Rei Dadá”; “Podem colocar a problemática que eu tenho a solucionática”; “Não existe gol feio. Feio é não marcar gol”.

Dario no XV de Novembro da cidade de Piracicaba (SP): “Só não pesquei no Rio Piracicaba porque não levo jeito”. Foto de Nélson Coelho. Crédito: revista Placar – 2 de agosto de 1985.

As frases bem-humoradas continuaram, mas Dario não alcançou o mesmo sucesso no papel de treinador. Crédito: revista Placar – 22 de janeiro de 1988.

Créditos de imagens e informações para criação do texto: revista Placar (por Armando Filho, Arthur Ferreira, Bruno Bittencourt, Flávio Falcão, JB Scalco, João Carlos Rodriguez, Lemyr Martins, Lenivaldo Aragão, Manoel Motta, Mário Sérgio Venditti, Maurício Cardoso, Nélson Coelho, Roque Mendes, Sílvio Oliveira, Sebastião Marinho e Teixeira Heizer), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, revista Veja, Jornal dos Sports, Jornal Estado de Minas, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, Livro: Dadá Maravilha – Lúcio Flávio Machado – Editora Del Rey, Livro: Rei Dadá Maravilha – D.P. Cameron – Editora Edilap, albumefigurinhas.no.comunidades.net.