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Falta próxima da grande área era o mesmo que desgraça anunciada para seus adversários. Dicá era capaz de decidir o jogo em um único lance com sua cirúrgica perna direita.

Era um verdadeiro especialista quando o assunto era bola parada!

Mas essa quase perfeição nas bolas paradas não era seu único diferencial. Jogador de rara habilidade e lançamentos perfeitos, Dicá era um autêntico articulador nas manobras de meia-cancha.

Filho do seu Oscar e de dona Elvira, Oscar Sales Bueno Filho nasceu na cidade de Campinas (SP), em 13 de julho de 1947. *Alguns registros apontam a data de seu nascimento em 18 de julho de 1947.

Crédito: revista Placar – 1 de janeiro de 1970.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 24 de julho de 1970.

O pai era um conhecido empreiteiro na região de Campinas, enquanto dona Elvira tocava os afazeres domésticos na casa de seis cômodos localizada no bairro de Vila Santa Odila.

Menino levado e sempre presente nas peladas da região, o pequeno Dicá preferia jogar no time “dicá” e não no time “dilá”. Foi assim que recebeu o apelido que marcou sua trajetória nos gramados.

Dicá começou no infantil do Esporte Clube Santa Odila, uma agremiação de camisa azul e branca, que sempre levava muitos torcedores ao seu acanhado campinho de terra batida.

O técnico do time era justamente seu Oscar, que demonstrava certa inquietação com a fama crescente do filho. Ora ou outra, quando Dicá exagerava nas jogadas de efeito, seu Oscar o tirava do jogo como uma espécie de corretivo.

Dicá (camisa 8) em duelo contra a Portuguesa de Desportos. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1970.

Crédito: placar.abril.com.br.

Aos 14 anos de idade, o refinado futebol de Dicá despertou o interesse quase simultâneo do Guarani e da Ponte Preta. *Conforme encontrado em algumas publicações, Dicá chegou a jogar pelos quadros amadores do Guarani por um breve período.

Torcedor fanático da Ponte Preta, seu Oscar ficou radiante pelo convite do seu Nico, um conhecido observador da “Macaca”. Na época, o jovem Dicá dividia o tempo entre os estudos e o trabalho na Tapeçaria R. Gomes.

Dicá jogou apenas algumas partidas no juvenil da Ponte Preta, o suficiente para o técnico Cilinho aproveitar o rapazinho no time principal.

E Cilinho não se arrependeu! O futebol de Dicá foi determinante na campanha que representou o título da Segunda Divisão do campeonato paulista de 1969.

Em 1970, o quadro campineiro fazia uma excelente campanha no campeonato paulista e brigava diretamente com o São Paulo pelo título.

Santos e Portuguesa de Desportos no Pacaembu. Dicá recebe marcação do ponteiro esquerdo Edu. Crédito: placar.abril.com.br.

Santos e Portuguesa de Desportos no Morumbi. Dicá e Brecha em duelo na meia-cancha. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 17 de setembro de 1976.

Até acontecer o choque decisivo em 5 de setembro de 1970, no Morumbi. O São Paulo venceu por 2×0 com dois gols de Toninho Guerreiro, um deles em um pênalti duvidoso do zagueiro Henrique no atacante Terto. Era o fim do sonho do título paulista!

Considerado uma grande revelação, Dicá recebeu uma boa proposta do Corinthians. No entanto, os dirigentes não chegaram ao acordo necessário.

Em 1971 Dicá finalmente deixou a cidade de Campinas. Emprestado ao Santos, o jovem meio campista não conseguiu se firmar entre os titulares.

Terminado o empréstimo, o clube praiano julgou caro demais o investimento de R$ 500 mil cruzeiros. Assim, Dicá voltou para Campinas.

Novamente em 1972, Dicá mudou de camisa e pela quantia de 370 mil cruzeiros foi apresentado na Associação Portuguesa de Desportos.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 17 de setembro de 1976.

Na Lusa, o meia não conseguiu jogar de imediato o suficiente para convencer o técnico Otto Glória. Na suplência em boa parte da competição, Dica fez parte do elenco que faturou o título paulista de 1973.

Mas o bom campineiro foi subindo de produção e foi peça importante na campanha do vice-campeonato paulista de 1975. Naquela final contra o São Paulo do catimbeiro goleiro Waldir Peres, Dicá perdeu um dos únicos pênaltis de sua carreira.

Dicá permaneceu na Portuguesa de Desportos até os primeiros meses de 1977, quando acertou seu pronto retorno para o Moisés Lucarelli.

Mais experiente, Dicá foi o grande comandante do time em 1977, período em que formou o tripé de meia-cancha ao lado de Vanderlei e Marco Aurélio.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 30 de setembro de 1977.

Em uma cobrança perfeita de falta, Dicá acerta o ângulo do goleiro Jairo e dá início a virada campineira sobre o Corinthians em 1977. Crédito: revista Placar.

No segundo jogo das finais contra o Corinthians, Dicá colocou uma bola no ângulo do goleiro Jairo. Foi o início da virada que colocou muita pressão no time do Parque São Jorge.

Abaixo, os registros do jogo em que Dicá iniciou a incrível virada campineira no Morumbi:

9 de outubro de 1977 – Segunda partida das finais do campeonato paulista – Corinthians 1×2 Ponte Preta – Estádio do Morumbi – Árbitro: Romualdo Arppi Filho – Público: 146.082 (recorde de público no Morumbi) – Gols: Vaguinho aos 42′ do primeiro tempo; Dicá aos 22′ e Rui Rei aos 38′ do segundo tempo.

Corinthians: Jairo, Zé Maria, Moises, Zé Eduardo e Wladimir; Ruço e Luciano (Adãozinho); Romeu, Basílio, Palhinha (Vaguinho) e Geraldo. Técnico: Brandão. Ponte Preta: Carlos, Jair, Oscar, Polozzi e Odirlei; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei (Helinho) e Tuta (Parraga). Técnico: Zé Duarte.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 20 de abril de 1979.

Vice-campeão paulista de 1977, Dicá amargou mais dois vice-campeonatos nas edições de 1979 e 1981.

Dicá jogou nas fileiras da Ponte Preta até 1986. Em seguida passou pelo Araçatuba, seu último clube. É considerado o maior jogador da história da “Macaca”, com 154 gols marcados em 581 partidas.

Em dezembro de 2008 foi convidado para assumir o cargo de Diretor de Futebol na Ponte Preta, ocupação que exerceu até o mês de maio de 2009.

Recentemente, o ex-jogador foi homenageado com um busto no “Majestoso”, além da confecção de camisas comemorativas na loja do clube.

Apesar de nunca ser lembrado na Seleção Brasileira, Dicá é reconhecidamente um dos “Fora de Série” da história do futebol brasileiro.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 10 de outubro de 1980.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Célio Apolinário, Divino Fonseca, Fábio Sormani, Hedyl Valle Júnior, João Areosa, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Marco Aurélio Borba, Paulo Mattiussi, Ronaldo Kotscho, Sebastião Marinho e Sérgio Martins), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, placar.abril.com.br, pontepreta.com.br, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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