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Depois da saída de Leivinha para o Atlético de Madrid e da anunciada aposentadoria de Ademir da Guia, os dirigentes do Palmeiras decidiram apostar em jovens valores que ganharam destaque no Náutico Capibaribe: Vasconcelos e Jorge Mendonça.

Mas enquanto Jorge Mendonça ganhou espaço ao lado de Ademir da Guia na meia-cancha do alviverde, Vasconcelos não se firmou e foi para o Internacional em 1977.

Jorge Pinto Mendonça nasceu na cidade de Silva Jardim (RJ), em 6 de junho de 1954. Filho mais velho do ferroviário Niltro Mendonça, o menino cresceu envolvido pelos encantos da bola.

Embebido pelo futebol, Jorge Mendonça não dava muita importância aos estudos!

O futebol, antes apenas um passatempo, ganhou significativa relevância em sua rotina, o que causava grande preocupação nos familiares.

Jorge Mendonça chegou ao Palmeiras como uma grande esperança. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

No começo da carreira uma semelhança nas cores com as camisas do Bangu e do Náutico. Crédito: revista Placar.

Então, seu Niltro Mendonça resolveu interferir diretamente. Separou uma parte do salário e colocou o filho para estudar Contabilidade.

Levando o curso de Contabilidade aos trancos e barrancos, o jovem Jorge Mendonça continuou jogando seu futebol pelo União, o único time de Silva Jardim.

Até ser descoberto em 1971 por Eusébio de Andrade, presidente do Bangu Atlético Clube e pai do lendário dirigente Castor de Andrade, que coincidentemente era dono de um sítio naquela região.

Interessado no futebol de Jorge Mendonça, Eusébio de Andrade ofereceu moradia, comida e 100 cruzeiros por mês. Foi o suficiente para o curso de contabilidade ser colocado de lado. 

Em 1972 a conta bancária melhorou. Jorge Mendonça assinou seu primeiro contrato profissional e foi reajustado para 800 cruzeiros mensais.

Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1976.

22 de agosto de 1976 no Morumbi. Jorge Mendonça fez os 2 gols da vitória sobre o Corinthians por 2×1. Nas fotos, o drible no goleiro Sérgio Valentim antes de empurrar a bola para o fundo das redes. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1976.

No ano seguinte, o Clube Náutico Capibaribe conseguiu seu empréstimo para disputar o campeonato pernambucano. No time treinado por Orlando Fantoni, o futebol de Jorge Mendonça decolou ao lado de outra grande promessa, o pernambucano Vasconcelos.

Campeão pernambucano de 1974, Jorge Mendonça permaneceu no Náutico até o findar de 1975, ocasião em que a Sociedade Esportiva Palmeiras apareceu em sua vida.

Os diretores do alviverde desembolsaram 700.000 cruzeiros pelos direitos de Jorge Mendonça e outros 800.000 cruzeiros por Vasconcelos.

Ainda como parte da negociação, Fedato, Mário e Toninho Vanusa trocaram o Parque Antártica pelo Estádio dos Aflitos.

Feliz da vida, Jorge Mendonça não titubeou quando tomou conhecimento do salário: 11 mil cruzeiros mensais! Assim, em 26 de janeiro de 1976, Jorge Mendonça e Vasconcelos foram apresentados nas dependências da Academia.

Jorge Mendonça e Falcão. Crédito: revista Placar.

A primeira participação pelo Palmeiras aconteceu na vitória por 1×0 diante da Francana, em 22 de fevereiro de 1976.

É bem verdade que sua adaptação na cidade de São Paulo foi um tanto difícil. Pouco aproveitado pelo técnico Dino Sani, seu futebol foi devidamente valorizado quando Dudu assumiu o comando da equipe.

Cabelo black power, jeito manhoso e fala escorregadia, Jorge Mendonça batia faltas com rara eficiência e era dono de uma calma incomum na grande área.

Em seu primeiro ano no Palestra Itália, Jorge Mendonça faturou o título paulista. O confronto que valeu o “caneco” foi realizado no Parque Antártica em 18 de agosto de 1976.

Naquela quarta feira de festa verde, o valente XV de Novembro de Piracicaba foi derrotado por 1×0. O gol foi marcado por Jorge Mendonça, de cabeça, aos 39 minutos da primeira etapa.

Mendonça durante o mundial da Argentina em 1978. Crédito: revista Placar.

Com seu futebol em grande evidência, Jorge Mendonça foi convocado para o mundial de 1978 na Argentina.

Na Copa do Mundo, em razão da contusão de Zico, o craque palmeirense desempenhou funções táticas importantes no esquema do treinador Cláudio Coutinho.

Jorge Mendonça voltou da Copa do Mundo bastante valorizado e, ao contrário das expectativas, seu futebol foi caindo de produção.

Rotulado como indisciplinado, chamado de pipoqueiro e com uma vida um tanto tumultuada fora dos gramados, Jorge Mendonça entrou em rota de colisão com o disciplinador Telê Santana.

Desentendimentos que custaram muito caro ao jogador quando Telê assumiu o comando do escrete.

Crédito: revista Placar.

Em destaque, Jorge Mendonça reina absoluto no Maracanã em 1979. O Palmeiras venceu e convenceu na grande vitória sobre o Flamengo por 4×1. Crédito: revista Placar.

Indiferente aos pitacos dos “corneteiros” ou aos comentários incessantes por parte da imprensa, Jorge Mendonça continuou em seu próprio mundo, oscilando entre apresentações apagadas e lampejos de gênio.

Em janeiro de 1980, seu passe foi negociado com o Club de Regatas Vasco da Gama.

Começava assim seu ciclo de “andarilho”, já que no Vasco da Gama Jorge Mendonça não permaneceu por muito tempo.

Pelo Palmeiras, Jorge Mendonça disputou 217 partidas entre 1976 e 1980. Foram 113 vitórias, 62 empates, 42 derrotas e 102 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Encerrada a “fumaça” no Vasco, o meia desembarcou em Campinas para defender o Guarani Futebol Clube por 2 temporadas.

Crédito: revista Placar.

Uma grande passagem pelo Guarani. Crédito: revista Placar – 11 de setembro de 1981.

Depois de Pelé, Jorge Mendonça foi o maior artilheiro em uma única edição do campeonato paulista, ao marcar 38 gols no certame de 1981.

Mas os gols marcados por Jorge Mendonça no Guarani não seduziram o técnico da Seleção Brasileira, Telê Santana.

Na época, Telê Santana dizia que o grupo da seleção estava muito bem servido naquela posição:

– O Zico é o titular e o Renato é uma ótima opção; além de outros bons jogadores que também atuam no meio-campo.

Entretanto, era de conhecimento público que Telê Santana fazia enormes restrições ao comportamento de Jorge Mendonça fora dos gramados. Na verdade, Telê nunca esqueceu dos desatinos cometidos pelo jogador em sua época de Palmeiras.

Jorge Mendonça no Guarani. Crédito: revista Placar: 24 de julho de 1981.

Sem chances na seleção, Jorge Mendonça continuou em frente, embora o fantasma de ser um “ex-craque” o atormentasse.

Em 1983 fez uma boa dupla com Mário Sérgio na Ponte Preta, mas também não ficou por muito tempo no Moisés Lucarelli. 

Esgotado seu histórico na cidade de Campinas, Jorge Mendonça ainda jogou pelo Cruzeiro (MG), Rio Branco (ES), Colorado (PR) e no Paulista de Jundiaí (SP), onde encerrou a carreira em 1991. 

Em seus últimos anos de vida, Jorge Mendonça conviveu com o vício do alcoolismo. Depressivo, preferiu o isolamento dos amigos e da família!

O jogador faleceu vítima de problemas cardíacos em 17 de fevereiro de 2006, no Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP).

Jorge Mendonça e Telê Santana. Crédito: revista Placar – 19 de março de 1982.

Crédito: revista Placar – 21 de maio de 1982.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Maria de Aquino, Dagomir Marquezi, João Carlos Rodriguez e Mílton Costa Carvalho), revista Manchete Esportiva, wanderleynogueira.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti, Gustavo Grohmann e Raphael Cavaco), gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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