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Levar vantagem na meia-cancha era o principal objetivo do “English Team” para o decisivo confronto diante do Brasil, compromisso válido pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1970.

Com a ausência confirmada do experiente Gerson de Oliveira Nunes, o técnico Alf Ramsey respirou aliviado.

Depois da apertada vitória por 1×0 sobre a Romênia, os ingleses pretendiam obter outro triunfo para garantir o primeiro lugar no grupo, que ainda contava com a Tchecoslováquia, goleada pelos brasileiros por 4×1.

No entanto, o que o estudioso Ramsey não esperava era o aparecimento de outro problema. Paulo Cesar Lima jogou muita bola naquele verdadeiro “jogo de xadrez” que Brasil e Inglaterra disputaram no dia 7 de junho de 1970.

E pensar que seu nome foi vaiado pela torcida paulista em 26 de abril de 1970, no amistoso contra a Bulgária no Morumbi, pouco antes do embarque do escrete para o México.

Copa do Mundo de 1970. Zagallo e Paulo Cesar. Crédito: veja.abril.com.br.

Os primeiros passos no Flamengo. Crédito: revista do Esporte número 224 – 22 de junho de 1963.

Paulo Cesar Lima, ou ainda Paulo Cézar Lima, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em 16 de junho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro.

Criado na favela da Cocheira, próximo ao bairro do Botafogo, Paulo Cesar foi adotado pela família do ex-zagueiro Marinho Rodrigues, bicampeão carioca pelo Botafogo em 1961 e 1962. 

Estudante no Colégio Maria José Imperial, o menino Paulo Cesar alimentava o sonho de ficar famoso no futebol. Encaminhado ao Departamento de Futebol de Salão do Clube de Regatas do Flamengo, Paulo Cesar jogava ao lado do irmão de criação Frederico Rodrigues.

Das quadras ao gramados foi um pulo. Em pouco tempo já estava nas fileiras amadoras do Botafogo de Futebol e Regatas.

Paulo Cesar na brilhante partida contra o América em 1967. Crédito: oglobo.globo.com.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Sua primeira grande jornada pelo Botafogo aconteceu em 20 de agosto de 1967, na épica vitória contra o América por 3×2, partida decisiva da Taça Guanabara. 

Escalado na ponta esquerda, Paulo Cesar fez o primeiro gol botafoguense logo no primeiro minuto da partida. O América empatou em seguida, com um gol de Edu Coimbra.

Com Jairzinho expulso no final da primeira etapa, o quadro americano aproveitou e virou o placar para 2×1.

Restou ao novato Paulo Cesar fazer o gol de empate aos 25 minutos da segunda etapa. Na prorrogação, o mesmo Paulo Cesar liquidou o jogo ao marcar seu terceiro gol na partida.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

O sonho do Corinthians. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 5 de novembro de 1971.

E naquele ano de 1967, o Botafogo foi o campeão carioca ao vencer o Bangu por 2×1, uma partida marcada inclusive pelo grave desentendimento entre João Saldanha e o goleiro Manga, acusado de receber dinheiro do dirigente Castor de Andrade.

Em 1968, com o bicampeonato carioca e da Taça Guanabara, além do importante título da Taça Brasil, Paulo Cesar era uma das estrelas no time da “Estrela Solitária”. 

Conhecido pelos companheiros como “nariz de ferro”, seu futebol encantava pela elegância e técnica apurada.

Em 1971, antes da partida decisiva do campeonato carioca contra o Fluminense, Paulo Cesar exagerou nas provocações e foi fotografado com uma faixa de campeão no peito.

Mas o gol polêmico do ponteiro esquerdo Lula deu o título ao Fluminense. Com o ambiente pesado no Botafogo, Paulo Cesar foi vendido para o Flamengo, apesar do esforço do Corinthians e de sua torcida para contar com seu futebol.

Colocado à venda no Botafogo, Paulo César esteve perto do Parque São Jorge. Mas permaneceu no Rio e acertou com o Flamengo. Crédito: revista Placar.

No gramado do Maracanã, Rivellino e Paulo Cesar no clássico das maiores torcidas do Brasil. Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1972.

Campeão da Taça Independência pela Seleção Brasileira em 1972, Paulo Cesar fez parte do grupo que embarcou para disputar o mundial da Alemanha em 1974.

Mesmo com o esquema cauteloso de Zagallo, Paulo Cesar fez uma boa Copa do Mundo. Suas atuações, principalmente diante da Alemanha Oriental e da Argentina, despertaram o interesse do Olympique de Marseille.

Sua transferência para o futebol francês aconteceu logo depois do mundial de 1974. Nos gramados da França, Paulo Cesar jogou ao lado do velho companheiro Jairzinho.

Saudoso das praias cariocas, o jogador voltou ao Rio em 1975, quando acertou suas bases financeiras com a “Máquina” do Fluminense, um time de grandes craques montado pelo presidente Horta.

Campeão da Taça Guanabara de 1975 e bicampeão carioca pelo Fluminense em 1975 e 1976, Paulo Cesar retornou ao mesmo Botafogo na temporada de 1977. 

O famoso conversível que inspirou a tintura caju no cabelo. Crédito: revista Placar.

Jairzinho, Trésor e Paulo Cesar no Olympique de Marseille. Crédito: revista Football Magazine.

Ganhador da Bola de Prata da revista Placar nas edições de 1970, 1972, 1976 e 1977, Paulo Cesar passou ainda pelo Grêmio, Vasco da Gama e Corinthians.

A permanência no Parque São Jorge foi discreta por inteiro. Contratado em setembro de 1981, o jogador fez sua primeira partida na derrota de 2×0 para o São Paulo, no mês de outubro.

Depois, conforme publicado pela revista Placar, Paulo Cesar jogou apenas mais duas partidas e não reapareceu na reapresentação das férias, em janeiro de 1982, o que ocasionou a pronta suspensão de seu contrato.

Paulo Cesar só reencontraria novamente o bom futebol na meia cancha do Grêmio em 1983, quando foi campeão da Copa Intercontinental.

Mas a maior vitória de Paulo Cesar Caju não foi conquistada nos gramados. O craque venceu a dependência nas drogas e oferece importante testemunho nas palestras em que participa sobre o assunto.

Paulo Cesar, futebol refinado no Fluminense e no Grêmio. Fotos de J.B Scalco. Crédito: revista Placar.

Fotos de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 26 de agosto de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade, Divino Fonseca, Eduardo Bueno, Fausto Neto, Ignácio Ferreira, J.B Scalco, Marcelo Rezende, Martha Esteves, Maurício Azêdo, Raul Quadros, Sebastião Marinho e Zeka Araújo), revista do Esporte, revista Fatos e Fotos, revista Football Magazine, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, oglobo.globo.com, topicos.estadao.com.br, veja.abril.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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