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Muitos jogadores são lembrados por serem grandes goleadores, pela participação em títulos importantes ou pela identificação com o clube e com os torcedores.

Também podem ser lembrados pelo placar de uma determinada partida, principalmente quando esse score foi construído em uma vitória inesquecível contra o maior rival.

É dessa forma que muitos torcedores da velha guarda lembram de Adãozinho, o autor do gol que colocou “fogo no jogo” na épica virada contra o Palmeiras em 1971.

Adão Ambrósio, o Adãozinho, nasceu em 17 de Outubro de 1951, em Mariana (MG).

Em matéria da revista Placar, Adãozinho aparece como uma das grandes revelações do futebol brasileiro ao lado de outros jovens valores, como Peri, também do Corinthians, Tinteiro do Flamengo, Roberto Batata do Cruzeiro e Mosca da Ponte Preta. Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1971.

Em matéria da revista Placar, Adãozinho aparece como uma das grandes revelações do futebol brasileiro ao lado de outros jovens valores, como Peri, também do Corinthians, Tinteiro do Flamengo, Roberto Batata do Cruzeiro e Mosca da Ponte Preta. Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1971.

Como tantos outros garotos, Adão jogava em equipes amadoras do bairro de Vila Mariana em São Paulo. Um dia tomou coragem e pediu uma chuteira emprestada.

Bateu nas portas do Corinthians e foi aprovado por Luizinho, “O Pequeno Polegar”, na época um dos responsáveis pelas categorias de base do clube.

Em pouco tempo, o habilidoso Adãozinho já era uma estrela emergente. Mais tarde, fez grande sucesso durante o tradicional torneio da Taça São Paulo.

Em 1971, quando o técnico Aymoré Moreira o mandou aquecer para entrar no lugar de Roberto Rivellino, Adãozinho sentiu um frio na barriga. A partida era contra o Esporte Clube São Bento, válida pelo primeiro turno do campeonato paulista.

Um chute de fora da área, aos 24 minutos do segundo tempo, colocou fogo no clássico dos 4x3. Crédito: revista Placar - 7 de maio de 1971.

Um chute de fora da área, aos 24 minutos do segundo tempo, colocou fogo no clássico dos 4×3. Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1971.

No entanto, o sucesso o encontrou na tarde fria de 25 de abril de 1971, um clássico contra o Palmeiras no Morumbi.

Sentado no banco de reservas ao lado do técnico Francisco Sarno, Adãozinho assistia o triunfo parcial e relativamente fácil do Palmeiras por 2×0, placar construído logo nos primeiros instantes daquela partida.

No final do primeiro tempo, ainda nos vestiários, Adãozinho foi comunicado que entraria no lugar de Samarone.

E foi em um chute de fora da área, aos 24 minutos, que Adãozinho empatou o jogo e colocou “fogo” no clássico.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Mesmo com os dois gols do centroavante Mirandinha e o gol do volante Tião, quem realmente ficou marcado naquela histórica jornada dos 4×3 foi o jovem Adãozinho, que naquele dia usou o número 14 em suas costas.

A popularidade de Adão explodiu!

Seu nome era repetido pela grande massa na esperança de dias melhores. Cartas e mais cartas chegavam na administração do clube e os autógrafos faziam sua mão doer pela caneta nos dedos.

Apontado como uma das grandes revelações do futebol brasileiro, Adãozinho foi transformado em uma espécie de amuleto, um “curinga” da ponta esquerda e do meio de campo. E assim os anos foram passando!

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Depois da saída de Rivellino para o Fluminense, Adãozinho assumiu a camisa 10. Crédito: revista Placar.

Depois da saída de Rivellino para o Fluminense, Adãozinho assumiu a camisa 10. Crédito: revista Placar.

Em 1974 Adãozinho disputou um bom campeonato paulista.

No dia da grande final contra o Palmeiras no Morumbi, o técnico Sylvio Pirillo escalou Adãozinho na ponta esquerda para reforçar o meio campo. E naquele gramado fofo, recém reformado, o Palmeiras foi mais leve e ficou com o caneco.

Depois do amargo vice campeonato, Rivellino acabou responsabilizado pela derrota e foi negociado com o Fluminense. Finalmente, depois de tantos anos no Parque São Jorge, Adãozinho poderia ser o personagem principal de um novo Corinthians.

Mas, os constantes problemas físicos e a evidente tendência para engordar foram mais fortes que seu talento. Como uma pálida sombra de Roberto Rivellino, foi ignorado por Dino Sani e Filpo Nuñez.

Adãozinho em partida contra o Santos de Carlos Alberto Torres.

Adãozinho em partida contra o Santos de Carlos Alberto Torres.

Pouco utilizado por Milton Buzetto, o fundo do poço chegou com o técnico Duque. Quando Adãozinho tomou coragem e foi perguntar os motivos de seu afastamento, o técnico respondeu que apenas cumpria ordens da diretoria.

Indignado, foi ao gabinete do presidente Vicente Matheus. Pouco adiantou!

Em setembro de 1977, visivelmente mais gordo, (80 quilos), renovou seu contrato até o dia 31 de dezembro. Com essa nova oportunidade, Adãozinho foi entregue ao professor José Teixeira, que o colocou em um programa específico para entrar em forma.

O conhecido “punho de ferro” de Matheus não queria investir em jogador que vivia no departamento médico. Então, ofereceu os mesmos 10 mil cruzeiros por quatro meses, mas Brandão bateu o pé e conseguiu 11 mil mensais e 6 mil de luvas.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Brandão acreditou em Adãozinho. Aproveitado nas finais do campeonato contra a Ponte Preta, o esquema do “Velho Mestre” precisava anular os laterais da Ponte Preta. Dessa forma, os flancos foram fechados com Basílio e Adãozinho.

Além do importante papel tático, Adãozinho ainda encontrou espaços para esticar uma bola em profundidade para Palhinha marcar o famoso “gol de nariz”, o que fez o Corinthians vencer o primeiro jogo das finais.

Campeão paulista de 1977, Adãozinho iniciou seu inferno astral na Fazendinha. Em 1978, depois de uma discussão acalorada com o presidente Vicente Matheus, o meia ficou na “Geladeira” sem atuar por mais de um ano. 

Esquecido, tratado como uma grande revelação que não deu certo, Adãozinho teve seu passe negociado com o Coritiba Foot Ball Club.

Crédito: revista Placar - 16 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar - 16 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1977.

Jogou ainda pelo Rio Negro do Amazonas e encerrou sua carreira profissional atuando pela Portuguesa Santista em 1983.

Adão entrou em campo pelo Corinthians em 253 oportunidades, obtendo 110 vitórias, 80 empates e 55 derrotas. Os números foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Enquanto esteve no Parque São Jorge, Adãozinho participou das seguintes conquistas: Torneio “Laudo Natel” 1972, vice campeão estadual 1974, Copa São Paulo 1975, vice campeão brasileiro 1976 e campeão paulista de 1977.

Adãozinho faleceu na cidade de São Paulo aos 59 anos de idade, no dia 12 de junho de 2011. O Corinthians decretou luto oficial.

Crédito: kigol.com.br - reprodução Gazeta Press.

Crédito: kigol.com.br – reprodução Gazeta Press.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Maria de Aquino, Ronaldo Kotscho e Vera Barrero), revista Manchete Esportiva, esportes.terra.com.br, kigol.com.br, folha.uol.com.br, gazetaesportiva.net, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Livro: Timão 100 anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, site do Milton Neves.

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