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A paciência é quase sempre uma virtude dolorosa!

Entre 1967 e 1972, Alfredo foi um verdadeiro andarilho em várias equipes do futebol brasileiro. Naqueles tempos, o Palmeiras vivia o processo de formação do que mais tarde ficou conhecido como Segunda Academia.

Com tantos valores disponíveis no plantel alviverde, o jovem zagueiro parecia mesmo destinado ao esquecimento; sem chances concretas para vestir uma camisa na condição de titular.

Filho de Alfredo Mostarda e Maria da Graça Mostarda, Alfredo Mostarda Filho nasceu em São Paulo (SP), no dia 18 de outubro de 1946.

Morador do bairro da Penha, o jovem Alfredo preparava seu futuro trabalhando nas indústrias Matarazzo, enquanto fazia um curso de Torneiro Mecânico no Senai.

Alfredo “campeão de tudo” na temporada perfeita de 1972. Crédito: revista Veja.

Figura bastante conhecida nos times amadores da região, Alfredo aproveitou a proximidade da Penha com o Tatuapé e tentou ser aprovado no Sport Club Corinthians Paulista.

Mas o esforçado Alfredo não deu andamento em sua caminhada no Parque São Jorge. As obrigações do emprego falaram mais alto!

Fora do Corinthians, o rapaz continuou jogando como zagueiro no time mantido pelo craque Julinho Botelho, também um ilustre morador do bairro da Penha.

Foi quando o juvenil do Palmeiras de Mário Travaglini enfrentou o time de Julinho Botelho em um amistoso.

No final da partida, Mário Travaglini gostou muito do futebol de Alfredo e do lateral direito Jorge. Foi o suficiente para abrir caminho no Parque Antártica.

Palmeiras e Botafogo. Alfredo disputa pelo alto com Jairzinho, enquanto Dudu e Ademir da Guia acompanham o lance. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 21 de setembro de 1973.

Aprovado no Palmeiras, Alfredo foi campeão juvenil em 1966. Com o avanço da idade, o jovem zagueiro iniciou uma espécie de romaria em várias agremiações por esse Brasil afora.

Em 1967 o Cruzeiro de Porto Alegre; em 1968 o Marcílio Dias de Santa Catarina; em 1970 o Nacional de Manaus e por fim o América de São José do Rio Preto em 1971.

De volta ao Palmeiras no início de 1972, Alfredo foi surpreendido com o interesse da Portuguesa de Desportos. Quando a transferência parecia certa, Mário Travaglini vetou sua saída do clube.

Foi então que a semente de Mostarda começou a brotar. A oportunidade apareceu em razão de uma contusão de Polaco, contratado junto ao Corinthians na negociação com o zagueiro Baldochi.

Graças ao azar de Polaco, Alfredo fez sua primeira participação na vitória do Palmeiras por 7×0 frente ao Steaua Bucareste, amistoso realizado em 22 de janeiro.

Foto de Lemyr Martins. Crédito revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Depois disso, o pai de Alfredo até mudou de time. De origem italiana, o velho “Alfredão” era um torcedor fanático do Corinthians.

E naquele iluminado ano de 1972, considerado até hoje pelos críticos como a “Temporada Perfeita”, Alfredo faturou seu primeiro título; o Torneio Laudo Natel.

Ainda em 1972 conquistou também o campeonato paulista, de forma invicta, o campeonato brasileiro, o Torneio de Mar Del Plata e a Taça dos Invictos.

Apesar de doloroso, tanta espera trouxe lá suas compensações!

Alfredo era agora presença garantida nas diversas fotografias de campeão disso ou daquilo. E não parecia existir limites para aquele time que jogava afinado como uma orquestra!

Treino da Seleção Brasileira. Partindo da esquerda; Marinho Peres, Alfredo Mostarda, Carlos Alberto Torres, Wendell e Luís Pereira. Crédito: revista Placar – 15 de março de 1974.

Crédito: palmeiras.com.br.

Usando sempre a camisa 6, Alfredo foi bicampeão brasileiro em 1973. A regularidade de seu futebol foi reconhecida pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, com sua convocação para o mundial da Alemanha em 1974.

Na Alemanha, Alfredo ganhou experiência e participou da última partida contra os poloneses. O Brasil foi derrotado por 1×0 e ficou na quarta colocação da competição.

Ao todo, Alfredo vestiu a camisa canarinho em 4 jogos com 1 vitória, 2 empates e 1 derrota. Os números fazem parte do livro “Seleção Brasileira 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Ainda em 1974 Alfredo conquistou o campeonato paulista na épica final diante do Corinthians no Morumbi. Faturou também duas edições do Troféu Ramón de Carranza, em 1974 e 1975.

Quando Dino Sani chegou ao Palmeiras muita coisa mudou. Começou assim o inferno astral de Alfredo, que insatisfeito foi emprestado ao Coritiba Foot Ball Club.

No Palmeiras estava tudo acabado. Então apareceu o Coritiba. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 23 de abril de 1976.

Crédito: revista Placar – 29 de dezembro de 1978.

Conforme entrevista publicada pela revista Placar em 29 de dezembro de 1978, Alfredo contou um pouco dessa experiência que viveu com o treinador Dino Sani:

– Ele (Dino Sani) chegou criando caso comigo, com o Leão e com o Eurico. Só que não tinha coragem para dizer que não nos queria mais no time. Quando eu abria meu armário só encontrava o tênis e uma toalha. Um claro recado de que eu só servia mesmo para treinar…

Curiosamente no Coritiba, Alfredo pediu para ser negociado quando reencontrou o desafeto Dino Sani. Sem acordo com os diretores paranaenses, o zagueiro ficou por muito tempo na “geladeira”.

O interesse providencial do Santos Futebol Clube foi confirmado em 1977. Experiente e capitão do time, Alfredo ajudou bastante na formação que antecedeu os “Meninos da Vila”.

Depois de tanto tempo longe da capital paulista, Alfredo voltou ao mesmo Palmeiras em 1978.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 29 de dezembro de 1978.

Mesmo na condição de suplente durante boa parte da competição, Alfredo participou da partida que decidiu o campeonato brasileiro em favor do Guarani em Campinas.

Em 1980 ganhou o “Passe Livre” e deixou definitivamente o Palmeiras. Encontrou lugar no Esporte Clube Taubaté, equipe onde permaneceu até 1983.

Em suas 2 passagens pelo alviverde, Alfredo Mostarda disputou um total de 303 partidas; com 167 vitórias, 98 empates, 38 derrotas e 6 gols marcados.

Os números de Alfredo Mostarda no Parque Antártica foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Em 1984 defendeu o Jorge Wilstermann da Bolívia, onde pouco ficou para em seguida deixar os gramados.

Alfredo em lance da final do campeonato brasileiro de 1978 contra o Guarani. Crédito: revista Placar.

Em partida entre São Paulo e Taubaté, o veterano Alfredo tenta conter o avanço de Renato. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 18 de setembro de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Fernando Pimentel, JB Scalco, José Eugênio, José Maria de Aquino, José Pinto, Lemyr Martins, Manoel Motta e Ronaldo Kotscho), revista do Palmeiras, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.