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Nos anos 70, os clássicos “San-São”, assim como a maioria dos outros clássicos paulistas, quase sempre eram disputados no Estádio do Morumbi.

Também era quase certo que Juary levaria o goleiro Waldir Peres ao desespero com seus dribles desconcertantes, antes de mansamente empurrar o couro para o fundo das malhas do tricolor.

Depois dos gols, Juary costumava comemorar na bandeirinha de escanteio, uma espécie de “dança indígena” em volta do pequeno mastro.

Juary Jorge dos Santos Filho nasceu no município de São João de Meriti (RJ), em 16 de junho de 1959. Criado na Baixada Fluminense, seu passatempo preferido era jogar futebol e depois tomar uma cervejinha com os amigos.

Vida difícil, Juary precisava de coragem e agilidade para viajar como “pingente de trem”, um risco necessário para chegar em tempo ao trabalho como auxiliar de despachante no escritório do cunhado.

Juary e os duelos com o goleiro Waldir Peres. Crédito: revista Placar.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 19 de agosto de 1977.

Foi jogando pela Pavunense que o franzino Juary ganhou tarimba para escapar dos pontapés dos marmanjos, que pouco conseguiam fazer diante de sua habilidade e velocidade.

Até que em 1976 recebeu do amigo Babá um convite para jogar no juvenil do Santos Futebol Clube. Vivendo na pensão do Marcelino ou nos alojamentos do Santos, Juary só fez amigos!

Inicialmente jogava como ponteiro direito. Mas com a chegada de Nilton Batata do Atlético Paranaense, Juary foi aproveitado como centroavante.

Conhecido por uma infinidade de apelidos; como cimentinho, filhote de sagui, pimentinha e pretinho, Juary só parava de brincar quando precisava falar nos planos para estudar Direito.

Ora ou outra depressivo, o rapazola de São João de Meriti nunca esqueceu do assassinato do tio, que foi executado por engano pela polícia que perseguia um bando de marginais.

Aílton Lira, Clodoaldo e Juary. Crédito: revista Manchete Esportiva número 52 – 10 de outubro de 1978.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar.

Mas alguns instantes de silêncio bastavam para que Juary voltasse ao normal com seu sorriso branco e angelical, como a camisa do Santos!

Nos gramados, o oportunismo e a calma para finalizar ao gol foram moldando o novo estilo do menino sofrido, que inclusive participou do jogo de despedida do Rei Pelé nos Estados Unidos em 1977.

Campeão paulista de 1978, aquela geração dos “Meninos da Vila” entraria definitivamente para os livros de história do futebol paulista.

Ágil e baixinho (1;66 de altura e 66 quilos), a estrela de Juary nas partidas contra o São Paulo era algo muito curioso. Até que um certo “dilema estatístico” foi colocado em seu caminho!

Se nas partidas contra o São Paulo suas atuações eram mais do que convincentes, contra o Corinthians o centroavante do Santos não levava muita sorte.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 2 de fevereiro de 1979.

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 22 de junho de 1979.

A fama cobrou seu preço e o sossego foi embora. Recém casado e vivendo uma fase muito ruim, Juary era chamado por alguns de “55”, uma referência ao alto salário que recebia, 55 mil cruzeiros mensais.

Brigas dentro e fora do gramado tornaram o ambiente insuportável e Juary pediu para ser negociado. Enquanto isso, continuavam os telefonemas anônimos e perseguição de alguns torcedores.

Conforme publicado pela revista Placar em 14 de dezembro de 1979, o empresário Nicola Gravina acenou com uma oferta de 13 milhões de cruzeiros do Universidad Guadalajara.

Se para o Santos o negócio era bom, para Juary era melhor ainda. Além da troca de ambiente, o atacante receberia 3 mil dólares mensais de salário (98 mil cruzeiros), além de luvas de 40 mil dólares (1,3 milhões de cruzeiros).

Assim, Juary limpou seu armário no vestiário da Vila Famosa e  foi negociado com o clube mexicano.

Juary ao lado de Pelé. Foto de Ronaldo Kotscho – Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1979.

A transferência para o México. Foto de Ronaldo Kotscho – Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1979.

Mas Juary não permaneceu por muito tempo no futebol mexicano. No findar da temporada de 1982 seu passe foi negociado com o Unione Sportiva Avellino 1912.

Na temporada seguinte, um grande contrato o levou ao Football Club Internazionale Milano. Ainda na Itália, Juary defendeu também o Áscoli e a Cremonese.

Mas foi no tradicional Futebol Clube Porto que Juary reencontrou alegria e títulos. Ídolo da torcida, o bom momento não durou muito. Desentendimentos com o treinador iugoslavo Tomislav Ivic contribuíram para o seu desgaste no cenário português.

Em abril de 1988 voltou ao Brasil para assinar compromisso com a Associação Portuguesa de Desportos. Na época, o contrato de empréstimo foi fixado em 500.000 dólares.

A passagem pelo time do Canindé foi apagada e no ano seguinte o centroavante retornou ao Santos. Antes de encerrar a carreira em 1990, Juary jogou ainda pelo Moto Clube (MA).

Crédito: revista Football Club Internazionale.

Foto de Sílvio Porto – Crédito: revista Placar – 1 de abril de 1988.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Danilo Scarrone, Édson Rossi, José Maria de Aquino, José Pinto, Lemyr Martins, Manoel Motta, Maurício Cardoso, Ronaldo Kotscho, Sérgio Martins e Sílvio Porto), revista Football Club Internazionale, revista Manchete Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, fcporto.pt, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, placar.abril.com.br, santosfc.com.br (por André Mendes), site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.