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Nos anos 60, a cor predominante nas camisas dos goleiros ainda era basicamente o preto e o cinza. Entre aqueles que preferiam variar um pouco, os tons mais escolhidos ficavam entre o azul e o bordô.

Quando o goleiro Raul entrou no Mineirão com uma camisa amarela de “gola role” foi um espanto geral. É bem verdade que tal façanha não foi uma estratégia de marketing pessoal previamente elaborada.

Entre tantas versões sobre aquele dia, uma delas descreve o que aconteceu no vestiário, quando a camisa oficial do Cruzeiro não se ajustou bem ao corpo do goleiro.

Então, Raul notou um blusão amarelo, de tecido grosso, pendurado no cabide do lateral Neco. Não teve dúvidas!

Com uma cor totalmente incomum ao conservador “mundo da bola”, Raul parou o Atlético Mineiro com defesas espetaculares.

Crédito: revista Placar.

Crédito: Livro Raul Plassmann – Histórias de um Goleiro – Renato Nogueira – Editora DBA.

Rapidamente, os torcedores do “Galo” colocaram no jovem goleiro do Cruzeiro o apelido de Wanderléa, cantora que nos anos 60 fez grande sucesso na época da jovem guarda.

Raul Guilherme Plassmann nasceu na cidade de Antonina (PR), em 27 de setembro de 1944. Seu Guilherme, o pai, era doceiro e dividia o tempo entre o trabalho no pequeno Hotel da família e em uma Confeitaria.

Naqueles tempos, o pequenino Raul vivia ao lado do avô, um alemão alto que gostava de contar histórias sobre o tempo da guerra.

Raul cresceu um tanto longe bola. Na escola, quando topava jogar, era porque não tinha pretexto melhor para cabular o temido conteúdo das aulas de matemática.

Crédito: revista do Esporte número 456 – 2 de dezembro de 1967.

Perfumo, Raul e Fontana. Crédito: Livro Raul Plassmann – Histórias de um Goleiro – Renato Nogueira – Editora DBA.

Nas peladas de rua, Raul era ponta esquerda e, como uma grande parte dos goleiros, descobriu o número 1 quando teve que substituir um amigo machucado.

Mesmo contra o gosto da mãe, dona Lavínia, sua primeira ocupação foi como engraxate, ocupação que fazia em busca de alguns trocados para o picolé e o cinema.

O futebol só ganhou espaço pela insistência do tio Tavico, um torcedor fanático do Atlético Paranaense.

Sua trajetória começou nos campos de futebol de várzea de Curitiba, no time do Real da Lapa. Disputou o torneio bancário da cidade e continuou como goleiro nos tempos do serviço militar.

Em 1962 foi encaminhado ao juvenil do Clube Atlético Paranaense, onde permaneceu até 1964. Em seguida passou rapidamente pelo Coritiba Foot Ball Club, equipe onde assinou seu primeiro compromisso.

Crédito: revista Placar.

Foram 17 partidas pela Seleção Brasileira. Crédito: campeõesdofutebol.com.br.

A passagem pelo Coritiba foi o impulso que faltava para firmar seu nome no cenário profissional, quando também chegou ao selecionado paranaense.

Em 1965 foi transferido para o São Paulo Futebol Clube. Com os ares de uma nova cidade, Raul estava confiante no futuro.

Mas, pelo tricolor paulista foram apenas 9 partidas disputadas com 5 vitórias, 1 empate e 3 derrotas. Duas dessas derrotas aconteceram no Torneio Rio-São Paulo e coincidentemente, com impiedosas goleadas por 5×0.

A primeira foi contra o Botafogo no dia 15 de maio. A segunda contra o Palmeiras em 19 de maio de 1965. Os números de Raul pelo São Paulo foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Com poucas oportunidades no Morumbi, o banco de reservas era uma dura rotina. Emprestado ao Club Nacional de Football de Montevidéu, Raul voltou para o São Paulo seis meses depois.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Raul continua firme no Cruzeiro, mesmo com o prêmio de 944 mil cruzeiros que sua esposa Maria Cármem faturou na Loteria Esportiva. Foto Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 2 de novembro de 1973.

Quando o presidente do Cruzeiro Felício Brandi procurava por um goleiro para compor o elenco, o colega são-paulino Vicente Feola afirmou possuir em suas fileiras um jovem goleiro que poderia seguir imediatamente para Minas Gerais.

Assim, em 1965, o goleiro Raul desembarcou em Belo Horizonte para receber 500 cruzeiros de salário e 10.000 cruzeiros de luvas.

Com muita segurança e ótima colocação, Raul foi ganhando espaço e não saiu mais do time. Ao todo, foram 557 partidas e muitos títulos conquistados:

– Taça Minas Gerais 1973, Taça Libertadores da América 1976, Taça Brasil 1966, Campeonato mineiro 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977, além do vice-campeonato brasileiro nas edições de 1974 e 1975.

Apesar do indiscutível triunfo na Taça Brasil de 1966, sua principal conquista pelo Cruzeiro foi a Taça Libertadores da América de 1976, que até então só o Santos de Pelé tinha conquistado.

Crédito: revista Placar – 4 de outubro de 1974.

Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 8 de outubro de 1976.

Em 1978, quando pensou em voltar para o Paraná para se aposentar, uma boa proposta do Clube de Regatas do Flamengo o pegou de surpresa.

No Flamengo Raul ficou conhecido pelo apelido de “Velho”. Era a voz de experiência no grande time que contava com Zico, Júnior, Adílio, Leandro & Cia.

Foram 228 partidas disputadas com 131 vitórias, 58 empates e 39 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Os títulos pelo time da Gávea também foram significativos: Copa Intercontinental 1981, Taça Libertadores da América 1981, Campeonato brasileiro 1980, 1982 e 1983, Campeonato carioca 1978, 1979, 1979 (Especial) e 1981.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 30 de dezembro de 1977.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1978.

Mesmo com o sucesso no futebol mineiro e carioca, Raul disputou apenas 17 partidas pela Seleção Brasileira entre os anos de 1969 e 1980.

Raul esteve perto de fazer parte do grupo canarinho na Copa do Mundo de 1982. No entanto, o treinador Telê Santana optou pela convocação de Carlos, Paulo Sérgio e Waldir Peres.

A despedida dos gramados aconteceu em 20 de dezembro de 1983, um amistoso entre o Flamengo e uma seleção dos Amigos do Raul, com vários craques da época.

Emocionado, o goleiro vestiu a tradicional camisa amarela pela última vez. Ao sair de campo tirou do corpo o amuleto e devolveu ao mesmo Neco em atitude simbólica.

Raul Guilherme Plassmann também trabalhou como comentarista esportivo, principalmente na Rede Globo de Televisão.

Cantarelli e Raul. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 3 de outubro de 1980.

Do cabelo curto ao comprido, na mesma velocidade da fama. Crédito: revista Placar – 22 de maio de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberico Souza Cruz, Bruno Bittencourt, Divino Fonseca, Emanuel Mattos, Henrique Rosa, Lemyr Martins, Manoel Motta, Mílton Costa Carvalho, Raul Quadros, Rodolpho Machado e Telmo Zanini), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Estado de Minas, campeõesdofutebol.com.br, cruzeiro.com.br, flamengo.com.br, gazetaesportiva.net, guarda-metas.com, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Livro Raul Plassmann – Histórias de um Goleiro – Renato Nogueira – Editora DBA, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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