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O texto de Mílton Costa Carvalho, publicado pela revista Placar em 9 de maio de 1980, capturou em detalhes o ambiente festivo pelo retorno de Roberto Dinamite ao Vasco da Gama, após uma curta passagem pelo Barcelona da Espanha:

– Os gols foram surgindo naturalmente, um atrás do outro e sempre dos mesmos pés. Havia mesmo uma atmosfera mística no Maracanã naquele domingo de maio de 1980.

Como sempre fazia, Roberto Dinamite acordou cedo. No trajeto entre São Januário e o Maracanã, o jogador fez questão de viajar na mesma poltrona número 17 de sempre.

No vestiário, enquanto o roupeiro entregava o material de jogo, Roberto sabia que teria que fazer uma grande partida. Era preciso retribuir o carinho da enorme massa humana que gritava seu nome nas arquibancadas.

Também era necessário provar aos homens do Barcelona o quanto estavam enganados quando fizeram sérios reparos ao seu futebol…

Fotos de Fernando Pimentel. Crédito: revista Manchete Esportiva.

Crédito: revista Placar – 9 de maio de 1980.

Abaixo, os registros do jogo que o próprio Roberto considera como um dos mais emocionantes de sua carreira:

4 de maio de 1980 – Campeonato brasileiro – Vasco da Gama 5×2 Corinthians – Estádio do Maracanã – Arbitro: Carlos Sérgio Rosa Martins – Gols: Caçapava aos 11’, Roberto Dinamite aos 13’, Roberto Dinamite aos  27’, Roberto Dinamite aos 37’, Roberto Dinamite aos 39’ e Sócrates aos 43’ do primeiro tempo; e Roberto Dinamite aos 27’ do segundo tempo.

Vasco da Gama: Mazzaropi; Orlando, Juan, Léo e Paulo César; Dudu, Guina e Jorge Mendonça; Catinha (Paulo Roberto), Roberto Dinamite e Paulinho (Aílton). Técnico: Orlando FantoniCorinthians: Jairo; Zé Maria, Mauro, Amaral e Wladimir; Caçapava (Djalma), Basílio e Sócrates; Piter, Geraldão (Toninho) e Wilsinho. Técnico: Jorge Vieira.

Carlos Roberto de Oliveira nasceu em Caxias (RJ), no dia 13 de abril de 1954. 

Crédito: revista Placar – 9 de maio de 1980.

Crédito: revista Placar.

Aos 15 anos de idade, o jovem alto e magro conhecido pelos amigos como “Calu”, era um fã incondicional de Jairzinho, o “furacão” da Copa do Mundo de 1970.

Calu acordava quando o relógio marcava 5 e meia da manhã. Engolia um café ralo e com um pedaço de pão amanhecido nas mãos, o rapazinho iniciava uma jornada de uma hora a pé, de Caxias até a Rodovia Rio-Petrópolis.

A caminhada por uma estrada poeirenta, com um calor insuportável, era algo até melhor do que nos dias de chuva, quando a estrada de terra virava um verdadeiro lamaçal.

Na Rodovia Rio-Petrópolis, Roberto tomava um ônibus até a Avenida Brasil e depois outro até São Januário.

Sapatos furados e uma calça surrada com apenas 5 cruzeiros no bolso. Os ingredientes que desenhavam o retrato bem acabado do garoto que sempre sonhou vencer no futebol.

Crédito: revista Placar – 14 de agosto de 1981.

Crédito: esporteclubegramacho.blogspot.com

A chegada ao Vasco aconteceu em uma manhã de 1969. Seu futebol foi descoberto pelo olhar clínico do treinador Francisco de Souza Ferreira, o popular Gradim

Em pouco mais de um ano de clube, o jovem humilde de Caxias já somava 46 gols marcados. Em 1971 o Vasco foi campeão carioca juvenil e Roberto foi o artilheiro da competição com 13 gols.

Graças aos trabalhos específicos de preparação física, Roberto ganhou peso e já não era mais um magrelão! 

No mesmo ano de 1971, o técnico Mário Travaglini relacionou Roberto no elenco principal durante a disputa do campeonato brasileiro. A primeira participação foi contra o Bahia, em 14 de novembro de 1971. O Vasco perdeu o jogo por 1×0.

Mesmo com a derrota, o time estava classificado para os compromissos seguintes do campeonato, onde teria pela frente o Atlético Mineiro (que seria o campeão da competição), o Santos e o Internacional.

Roberto camisa 10. Uma rotina de gols. Crédito: revista Placar.

Procópio e Roberto Dinamite no Maracanã. Crédito: revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Na semana que antecedeu o primeiro jogo contra o Atlético Mineiro, Roberto se destacou nos treinos e foi escalado como titular pela primeira vez. No dia anterior, o Jornal dos Sports destacava em sua manchete: “VASCO ESCALA GAROTO-DINAMITE“.

Diferente do que normalmente é divulgado, o apelido “Dinamite” não surgiu depois do jogo contra o Internacional.

O apelido foi uma criação de dois jornalistas do Jornal dos Sports, Eliomário Valente e Aparício Pires, ambos vascaínos, sendo divulgado quando Roberto já se destacava jogando pelo juvenil.

No dia seguinte da vitória contra o Internacional por 2×0, o mesmo Jornal dos Sports estampava como manchete: “GAROTO-DINAMITE EXPLODIU”.

Era o fim definitivo do “Calu” e o surgimento de “Roberto Dinamite”, que seria considerado mais tarde um dos maiores ídolos e artilheiros da história do Vasco da Gama.

O gol de Roberto Dinamite diante da Áustria pela Copa do Mundo de 1978. Crédito: revista Manchete Esportiva número 35 – 13 de junho de 1978.

Em 1974 participou da conquista do título nacional com uma vitória sobre o Cruzeiro na partida final por 2×1. Apesar de não ter marcado na decisão, Roberto foi o artilheiro da competição com 16 gols e um dos maiores responsáveis pelo título inédito.

Suas principais características eram o oportunismo, a boa colocação na grande área e sua grande facilidade para finalizar. Sabia cobrar faltas como poucos, além de desenvolver uma rara capacidade de chutar muito bem com os dois pés.

Foi o autor de um dos gols mais bonitos da história do Maracanã, em uma partida contra o Botafogo, pela Taça Guanabara de 1976.

Em setembro de 1979, Roberto entrou em entendimentos finais com os dirigentes do Barcelona.

Reclamando da dificuldade em negociar um salário melhor no Vasco, o atacante foi parar na Espanha, onde teve uma passagem curta e até certo ponto decepcionante para os torcedores do Barcelona.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar.

Alto e forte, Roberto usava muito bem sua estrutura física e dificilmente perdia o controle de bola. Em seus 22 anos de carreira disputou ao todo 1.108 partidas com 784 gols marcados. Uma média de 36 gols por temporada.

Pelo Vasco, Roberto participou da conquista de cinco títulos estaduais em 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992.

Na campanha do vice-campeonato brasileiro em 1984 (o Vasco foi derrotado nas finais pelo Fluminense), Roberto foi novamente o artilheiro do campeonato brasileiro com os mesmos 16 gols de 1974.

Além do Barcelona em 1980, Roberto também jogou pela Portuguesa de Desportos no campeonato brasileiro de 1989 e depois pelo Campo Grande (RJ) em 1991.

Disputou os mundiais de 1978 e 1982, quando foi convocado para substituir o centroavante Careca.

Roberto, Jurema e Mãe Menininha. Foto de Hipólito Pereira. Crédito: revista Placar – 16 de maio de 1980.

Em 1984 Roberto emocionou o Brasil com o drama da morte de Jurema, sua esposa, amiga, incentivadora e empresária.

Quando atendeu o telefone em seu apartamento em Ipanema, Roberto não desconfiou de nada mais grave quando o chamaram na Clinica Bambina, em Botafogo.

Afinal, Jurema estava lá para mais uma sessão de hemodiálise. Quando chegou na Clinica, o médico Frederico Ruzzani comunicou o falecimento de Jurema durante introdução de um cateter para facilitar o procedimento.

Essa história de amor começou no carnaval de 1973 e ficou marcada por momentos complicados, já que os familiares de Roberto não aceitavam o relacionamento.

Roberto Dinamite encerrou sua carreira no futebol em 1993. Depois, iniciou na esfera política e posteriormente foi eleito presidente do Vasco da Gama.

Roberto e Jurema. Crédito: revista Placar – 21 de setembro de 1984.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Hipólito Pereira, Marcelo Rezende, Maria Helena Araújo, Mílton Costa Carvalho, Roberto Benevides e Tim Lopes), revista Manchete Esportiva (por Fernando Pimentel), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Roberto Dinamite – Rio Gráfica Editora, Jornal dos Sports, gazetaesportiva.net, wanderleynogueira.com.br, esporteclubegramacho.blogspot.com, site do Milton Neves, netvasco.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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