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Nas décadas de 1970 e 1980, o grande prazer dos artilheiros era comemorar o gol no alambrado; ou ainda tirar a camisa para o delírio da massa enlouquecida.

Com o passar do tempo outras comemorações apareceram, como era o caso de Juary, centroavante do Santos, que dava suas “voltinhas” na bandeirinha de escanteio.

Diferente mesmo era o folclórico ponta-esquerda Romeu, que lançava o corpo em cambalhotas quase suicidas!

Depois, os mandatários da FIFA acabaram com algumas alegrias do futebol, como por exemplo impor restrições nas comemorações.

O ponteiro-esquerdo Romeu Evangelista nasceu em 27 de março de 1950, na cidade de Esmeraldas (MG).

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 19 de outubro de 1973.

Quando era perguntado sobre o que queria fazer da vida, o pequeno Romeu respondia confiante: Vou ser jogador de futebol!

Em Esmeraldas morou por pouco tempo com a mudança de endereço para a Vila Eldorado, na Cidade Industrial de Belo Horizonte. Criação rígida, Romeu sempre ficou longe dos vícios e com uma bola debaixo dos braços.

Era sucesso no time amador do Magnesita, em Belo Horizonte. Com um fôlego admirável, o jovem Romeu fazia o papel de lateral e de ponteiro-esquerdo ao mesmo tempo.

Foi o pai, José Evangelista, que levou Romeu aos quadros amadores do Clube Atlético Mineiro em 1968.

Depois de muita insistência junto ao técnico Barbatana, o rapazola conseguiu autorização para treinar e agradou bastante.

Crédito: revista Placar – 15 de fevereiro de 1974.

Foto de Alberto Carlos. Crédito: revista Placar – 15 de fevereiro de 1974.

Com o sucesso do filho, seu José não conseguia esconder tanta alegria e orgulho. Trabalhando duro como mestre de obras, o patriarca da família Evangelista sabia que não poderia oferecer muita coisa aos filhos.

Mesmo quando já era um homem formado, Romeu lembrava dos conselhos do pai e nem uma simples partida de baralho conseguia jogar na concentração.

Habilidoso e dono de fintas desconcertantes, Romeu conquistou o bicampeonato mineiro da categoria juvenil nas edições de 1969 e 1970.

Quando subiu para o elenco de profissionais e assinou seu primeiro contrato, Romeu logo ganhou um admirador muito especial. O técnico Telê Santana foi seu grande incentivador e o responsável por seu desenvolvimento.

Romeu fez parte da grande equipe do Atlético Mineiro que conquistou a Taça Belo Horizonte nas edições de 1970, 1971 e 1972, o campeonato mineiro de 1970 e o campeonato nacional de 1971.

No Parque São Jorge, Romeu comemora o gol e depois prepara sua famosa cambalhota. Fotos de José Pinto. Crédito: revista Placar – 2 de abril de 1976.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 2 de abril de 1976.

Naqueles tempos, Romeu disputou um lugar no time com o experiente ponteiro-esquerdo Sebastião Rocha, mais conhecido como Tião.

E foi nesse período que Romeu decidiu pintar os cabelos pela primeira vez. A cor amarelada marcou também uma fase difícil em sua vida profissional.

Em 1973 Romeu ficou amarelo por inteiro em razão de uma Hepatite; o que provocou seu afastamento dos gramados por um tempo considerável.

Preocupado, o técnico Telê Santana telefonava constantemente para dar uma força e dizer que esperava por ele!

Romeu fez parte do selecionado mineiro que representou o Brasil na Copa América de 1975. No ano seguinte, o forte interesse do Sport Club Corinthians Paulista falou mais alto. Pelo Atlético Mineiro, Romeu disputou um total de 267 partidas.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 2 de abril de 1976.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

No alvinegro do Parque São Jorge, Romeu rapidamente caiu nas graças da Fiel Torcida com seus gols e cambalhotas, um tipo de comemoração que já fazia sucesso no futebol carioca.

Mais conhecido como “Caio Cambalhota”, José Carlos da Silva Lemos também era adepto da perigosa comemoração, que também foi adotada por Romeu.

Romeu formou ao lado de Vaguinho, ex-companheiro de Atlético Mineiro, uma dupla de ponteiros que marcou época naquele esforçado Corinthians dos anos 1970.

Uma de suas fintas preferidas era passar o pé direito em cima da bola, para em seguida arrancar em velocidade pelo corredor esquerdo.

Presente em momentos importantes da história do clube, Romeu participou da boa campanha do campeonato brasileiro de 1976 e nos títulos paulistas de 1977 e 1979.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 25 de novembro de 1977.

Zé Maria e Romeu. Crédito: revista Manchete Esportiva número 54 – 24 de outubro de 1978.

Pelo Corinthians, Romeu disputou 220 partidas no período compreendido entre 1976 e 1980. Foram 116 vitórias, 57 empates, 47 derrotas e 34 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Em 1980 Romeu trocou de parque e foi para o Palmeiras, onde teve uma passagem rápida e discreta entre 1980 e 1981.

No alviverde foram 39 compromissos disputados com 15 vitórias, 14 empates, 10 derrotas e 2 gols marcados. Os registros fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Ainda em 1981, Romeu firmou compromisso com o Milionários Fútbol Club de Bogotá, equipe que defendeu até 1982. Na volta ao Brasil jogou pelo Nacional Atlético Clube (SP) em 1983, sua última camisa como profissional.

Romeu ainda brilhou pela Seleção Brasileira de Masters, uma feliz iniciativa do saudoso jornalista Luciano do Valle.

Romeu também jogou pelo Palmeiras. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 13 de março de 1981.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – Outubro de 1997.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Carlos, Arthur Ferreira, Célio Apolinário, JB Scalco, João Carlos Rodriguez, José Maria de Aquino, Manoel Motta, Maurício Cardoso e Ronaldo Kotscho), revista do Corinthians, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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