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Rui Rei, goleador imprevisível, oportunista e sobretudo catimbeiro.

Quando foi expulso de campo pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, todo e qualquer torcedor, independente do time, tinha uma opinião quase única e formada: Rui Rei estava vendido!

Para outros, o árbitro é que estava vendido e por isso expulsou Rui Rei. Mas Dulcídio era um sujeito ancorado em um verniz de integridade, um rótulo acima de qualquer suspeita.

Além de árbitro, Dulcídio foi Guarda Civil, Sargento da Polícia Militar, Escriturário do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações. Centro de Operações de Defesa Interna) e fez parte dos quadros da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).

Rui Rei de Araújo, ou ainda Ruy Rey de Araújo, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 17 de janeiro de 1953.

Rui Rei pela Portuguesa em partida contra o Santos. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 23 de janeiro de 1976.

Rui Rei esqueceu da fama rigorosa de Dulcídio. Pagou para ver e se deu muito mal. Crédito: topicos.estadao.com.br.

O futebol de Rui Rei foi descoberto no início dos anos 70, pelo olheiro Dominguinhos (ex-atacante do Flamengo) na comunidade da Cruzada de São Sebastião, entre os bairros de Ipanema e do Leblon.

Levado ao Clube de Regatas do Flamengo, Rui Rei começou nas categorias amadoras do próprio clube.

Ambiente muito competitivo e repleto de grandes talentos, o jovem centroavante atuou em apenas 20 compromissos e marcou 7 gols.

Integrante do elenco campeão carioca de 1974, Rui Rei não alimentava grandes esperanças de ser aproveitado na Gávea.

Passou rapidamente pela Associação Atlética Ponte Preta em 1975 até surgir o interesse da Associação Portuguesa de Desportos.

Dulcídio, bastante irritado, colocou Rui Rei para tomar banho mais cedo. Crédito: globoesporte.globo.com.

Rui Rei marcado para sempre desde 13 de outubro de 1977. Crédito: globoesporte.globo.com.

Na Lusa, uma passagem apenas razoável. Rui Rei não conseguiu manter uma regularidade suficiente para se firmar entre os titulares.

No início da temporada de 1977 retornou para o Moisés Lucarelli, onde viveu grande fase no melhor time da história da “Macaca”.

Rui Rei foi o autor do gol da virada campineira na segunda partida das finais do campeonato paulista de 1977. O centroavante pegou um rebote na grande área e com um toque de “biquinho” venceu o goleiro Jairo. 

Nos primeiros minutos da terceira, decisiva e polêmica partida, Rui Rei ofendeu moralmente o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que bastante irritado não perdeu tempo e colocou o atacante para tomar banho mais cedo.

Rui Rei e Wladimir durante o segundo jogo das finais do campeonato paulista de 1977. Crédito: gazetaesportiva.net.

Com um toque de “biquinho”, Rui Rei marca o gol da virada campineira na segunda partida das finais de 1977. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar.

Mas toda essa polêmica não terminou com o jogo. No vestiário, Rui Rei teve sua conduta repreendida pelos companheiros, enquanto que em Campinas seu carro e sua casa foram apedrejados.

Marginalizado pela torcida da Ponte Preta e temendo pela integridade da família, Rui Rei foi passar um tempo no Rio de Janeiro.

E a ligação de Rui Rei com o Corinthians foi além da noite de 13 de outubro de 1977. Meses depois, no findar de janeiro de 1978, o centroavante foi anunciado como o novo reforço do presidente Vicente Matheus. 

E Vanderlei Paiva, meio campista da Ponte Preta, colocou seu ponto de vista em uma reportagem publicada pela revista Placar em 3 de fevereiro de 1978:

– Pegou mal essa história… Eu sinceramente duvido de tudo o que estão dizendo sobre o Rui… Mas ser contratado pelo Corinthians… Justo pelo Corinthians?

A reportagem de Luíz Augusto Chabassus: Acusar o jogador sem provas? Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1978.

Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 12 de maio de 1978.

O que se sabe é que o presidente da Ponte Preta, Lauro Morais, aceitou vender o passe de Rui Rei, que apareceu no Moisés Lucarelli com um cheque gordo de 1 milhão de cruzeiros.

Teoricamente, Lauro vendeu os direitos federativos para o próprio jogador, sem saber ao certo qual o clube que estava na jogada. 

Durante muito tempo, Vicente Matheus tentou justificar os motivos da contratação de Rui Rei. Desnecessário dizer que o assunto envolvendo o suposto suborno do centroavante esquentou novamente.

E Matheus, sempre que entrevistado, respondia com o mesmo discurso lacônico e previamente preparado: Quem seria burro de gastar um dinheirão desses para comprar um jogador desonesto?

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Partindo da esquerda; Amaral, Wladimir, Rui Rei e Palhinha. Crédito: revista Manchete Esportiva – 1978.

Na mesma reportagem da revista Placar de 3 de fevereiro de 1978, Vicente Matheus afirmou ter sido procurado por Rui Rei, que na ocasião se sentia perseguido e queria uma oportunidade.

Abatido com os comentários da imprensa, Rui Rei temia pelo futuro, apesar de uma proposta concreta do Toluca do México, que topava desembolsar 700 mil cruzeiros de luvas e um salário mensal de 40 mil durante dois anos.

Vicente Matheus pensou e lembrou do caso de Roberto Rivellino, o craque que foi responsabilizado individualmente pela derrota para o Palmeiras em 1974, quando o próprio Matheus, pressionado, vendeu o “Reizinho do Parque” para o Fluminense.

Então, Matheus achou justo oferecer uma nova oportunidade ao atacante: O rapaz precisa continuar e desenvolver sua profissão. Afinal, onde estão as provas?

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Rui Rei, que entrou no lugar de Romeu, quase marca o seu na vitória do Corinthians por 2×1 sobre a Portuguesa Santista no Pacaembu. Crédito: revista Placar – 6 de abril de 1979.

No Corinthians, Rui Rei disputou o campeonato paulista de 1978.

Não se firmou como o grande titular da camisa 9 como era esperado. No ano seguinte foi campeão paulista justamente contra a mesma Ponte Preta.

Jogando no time do Parque São Jorge, Rui Rei realizou um total de 77 partidas com 30 vitórias, 28 empates, 19 derrotas e 21 gols marcados. Posteriormente ainda retornou ao Corinthians em 1981.

O centroavante defendeu ainda o América (RJ), Botafogo (RJ), Portuguesa (RJ), São Cristóvão (RJ), Taubaté (SP), Rio Negro (AM), Tolima da Colômbia, Bilbao da Espanha e o Nova Cidade (RJ) em 1989, quando encerrou sua carreira.

Algumas fontes registram ainda uma breve passagem pelo Fortaleza (CE).

Crédito: revista Placar

Foto Alexandre Battibugli. Crédito: revista Placar – Outubro de 2007.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alexandre Battibugli, André Rizek, Ignácio Ferreira, José Pinto, Luíz Augusto Chabassus, José Roberto Aquino, Roberto José da Silva e Sérgio Martins), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, topicos.estadao.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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