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Tinha medo de Rui Rei em 1977. Um centroavante perigoso, imprevisível, oportunista e sobretudo catimbeiro.

Mas, como veremos, sua ligação com o Corinthians foi além da discutida final do campeonato paulista em 13 de outubro de 1977.

Quando foi expulso de campo pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, todo e qualquer torcedor, fosse do Corinthians ou de qualquer outra agremiação, tinha uma opinião quase única e formada: Rui Rei estava vendido!

Rui Rei de Araújo, ou ainda Ruy Rey de Araújo conforme algumas publicações, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 17 de janeiro de 1953.

Rui Rei esqueceu da fama rigorosa de Dulcídio. Pagou para ver e se deu muito mal. Crédito: topicos.estadao.com.br.

Rui Rei esqueceu da fama rigorosa de Dulcídio. Pagou para ver e se deu muito mal. Crédito: topicos.estadao.com.br.

Crédito: revista Placar - 12 de maio de 1978.

Crédito: revista Placar – 12 de maio de 1978.

Rui Rei foi descoberto pelo olheiro Dominguinhos, ex atacante do Flamengo, na comunidade da Cruzada de São Sebastião, entre os bairros de Ipanema e do Leblon no início dos anos setenta.

Levado ao Flamengo, Rui Rei começou nas categorias amadoras do próprio clube. Ambiente competitivo e repleto de grandes talentos, Rui Rei atuou em apenas 20 compromissos e marcou 7 gols.

Integrante do elenco campeão carioca de 1974, Rui Rei não alimentava grandes esperanças em ser aproveitado na Gávea. Passou rapidamente pela A. A. Ponte Preta em 1975 até surgir o interesse da Portuguesa de Desportos.

Dessa forma, o jovem centroavante arrumou suas malas e embarcou rumo ao Canindé.

Rui Rei e Wladimir, durante o segundo jogo das finais do campeonato paulista de 1977, no Morumbi.

Rui Rei e Wladimir, durante o segundo jogo das finais do campeonato paulista de 1977, no Morumbi.

Rui Rei, com um toque de “biquinho”, marca o gol da virada campineira na segunda partida das finais de 1977. Crédito: revista Placar.

Rui Rei, com um toque de “biquinho”, marca o gol da virada campineira na segunda partida das finais de 1977. Crédito: revista Placar.

Na Lusa, sua passagem foi apenas razoável, não conseguindo manter uma regularidade suficiente para se firmar entre os titulares.

No início da temporada de 1977 retornou para o Moisés Lucarelli, onde viveu sua melhor fase no melhor time da história da “Macaca”.

Nas finais do campeonato paulista de 1977 contra o Corinthians, foi o autor do gol da virada campineira na segunda partida disputada no Morumbi. Rui Rei apanhou um rebote dentro da grande área e com um toque de “biquinho” venceu o goleiro Jairo. 

Nos primeiros minutos da terceira, decisiva e polêmica partida, Rui Rei ofendeu moralmente o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, que bastante irritado não perdeu tempo e colocou o atacante para tomar banho mais cedo.

Dulcídio, bastante irritado, colocou Rui Rei para tomar banho mais cedo.

Dulcídio, bastante irritado, colocou Rui Rei para tomar banho mais cedo.

A reportagem de Luíz Augusto Chabassus: Acusar sem provas? Crédito: revista Placar - 3 de fevereiro de 1978.

A reportagem de Luíz Augusto Chabassus: Acusar sem provas? Crédito: revista Placar – 3 de fevereiro de 1978.

Mas toda essa polêmica não terminou com o fim do jogo. No vestiário, Rui Rei teve sua conduta repreendida pelos companheiros, enquanto que em Campinas, seu carro e sua casa foram apedrejados.

Marginalizado pela torcida da Ponte Preta, Rui Rei, temendo pela integridade da família, foi passar um tempo no Rio de Janeiro. Meses depois, no findar de janeiro de 1978, o centroavante foi anunciado como o novo reforço do presidente Vicente Matheus.

E Vanderlei, meio campista da Ponte, afirmou em reportagem da revista Placar do dia 3 de fevereiro de 1978:

– Pegou mal essa história… Eu sinceramente duvido de tudo o que estão dizendo sobre o Rui… Mas ser contratado pelo Corinthians… Justo pelo Corinthians?

Rui Rei marcado para sempre desde 13 de outubro de 1977.

Rui Rei marcado para sempre desde 13 de outubro de 1977.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O que se sabe é que o presidente da Ponte, Lauro Morais, aceitou vender Rui Rei, que apareceu no Moisés Lucarelli com um cheque de 1 milhão de cruzeiros.

Teoricamente, Lauro vendeu os direitos federativos para o próprio jogador, sem saber ao certo qual o clube que estava na jogada. 

Durante muito tempo, Vicente Matheus tentou justificar os motivos da contratação de Rui Rei. Desnecessário dizer que o assunto envolvendo o suposto suborno do centroavante esquentou novamente.

E Matheus, sempre que entrevistado, respondia com o mesmo discurso lacônico e previamente preparado: Quem seria burro de gastar 1 milhão de cruzeiros para comprar um jogador desonesto?

Partindo da esquerda: Amaral, Wladimir, Rui Rei e Palhinha. Crédito: revista Manchete Esportiva 1978.

Partindo da esquerda: Amaral, Wladimir, Rui Rei e Palhinha. Crédito: revista Manchete Esportiva 1978.

Na mesma reportagem da revista Placar de 3 de fevereiro de 1978, Vicente Matheus afirmou ter sido procurado por Rui Rei, que na ocasião se sentia perseguido e pedia por uma oportunidade.

Abatido com os comentários da imprensa, Rui Rei temia pelo seu futuro, apesar de uma proposta concreta do Toluca do México, que topava desembolsar 700 mil cruzeiros de luvas e um salário mensal de 40 mil durante dois anos.

Matheus pensou e lembrou de Roberto Rivellino, responsabilizado individualmente pela derrota contra o Palmeiras em 1974, quando o próprio Matheus, pressionado, vendeu o “Reizinho do Parque” para o Fluminense.

Então, Matheus achou justo oferecer uma nova oportunidade ao atacante. O rapaz precisava continuar a vida; desenvolver sua profissão, afinal, onde estavam as provas?

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Rui Rei, que entrou no lugar de Romeu, quase marca o seu na vitória do Corinthians por 2x1 sobre a Portuguesa Santista no Pacaembu. Crédito: revista Placar - 6 de abril de 1979.

Rui Rei, que entrou no lugar de Romeu, quase marca o seu na vitória do Corinthians por 2×1 sobre a Portuguesa Santista no Pacaembu. Crédito: revista Placar – 6 de abril de 1979.

No Corinthians, Rui Rei disputou o campeonato paulista de 1978. Não se firmou como o grande titular da camisa 9 como era esperado. No ano seguinte foi campeão paulista justamente contra a Ponte Preta.

Jogando no Parque São Jorge, Rui Rei realizou um total de 77 partidas, obtendo 30 vitórias, 28 empates, 19 derrotas e 21 gols marcados. Depois, ainda retornou ao Corinthians em 1981.

O centroavante defendeu ainda o América (RJ), Botafogo (RJ), Tolima da Colômbia, Taubaté (SP), São Cristóvão (RJ), Portuguesa (RJ), Rio Negro (AM), Bilbao da Espanha e o Nova Cidade (RJ) em 1989, quando encerrou sua carreira.

Algumas fontes registram ainda uma breve passagem pelo Fortaleza (CE).

Crédito: revista Placar

Crédito: revista Placar

Rui Rei na edição especial de 30 anos da conquista de 1977. Crédito: revista Placar - Outubro de 2007.

Rui Rei na edição especial de 30 anos da conquista de 1977. Crédito: revista Placar – Outubro de 2007.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Roberto Aquino, Luíz Augusto Chabassus e Sérgio Martins), revista Manchete Esportiva, topicos.estadao.com.br, globoesporte.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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