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A conquista do campeonato brasileiro de 1978 pelo Guarani ainda é uma boa reflexão sobre velhas teorias, principalmente quando falamos de experiência.

Com um treinador jovem e pouco conhecido (Carlos Alberto Silva), o quadro campineiro eliminou equipes tradicionais e chegou ao título nacional com um futebol de primeira grandeza.

No meio campo do “Bugre”, um jogador veterano ditou o rítmo e ofereceu a confiança necessária aos jovens Renato e Zenon.

Falamos de José Carlos Bernardo, o Zé Carlos, nascido na cidade de Juiz de Fora (MG), no dia 28 de abril de 1945.

Filho de um modesto ferroviário, o menino Zé Carlos cresceu jogando futebol. Ao lado dos amiguinhos fundou o Esperança Futebol Clube. Carregava o saco de camisas, agendava jogos e era o capitão do time.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: ftt-futeboldetodosostempos.com.

Responsável, Zé Carlos arrumou trabalho em uma fábrica de cobertores para ajudar nas despesas domésticas.

No início da década de sessenta foi aprovado nas categorias amadoras do Sport Club de Juiz de Fora, onde rapidamente ganhou destaque, o que fez o presidente Francisco Caputo dificultar sua saída quando recebeu uma proposta do Cruzeiro.

Zé Carlos chegou ao Cruzeiro em 1965. Em pouco tempo, o técnico Ayrton Moreira percebeu que era um desperdício não aproveitar o futebol caprichoso e versátil do humilde rapaz de Juiz de Fora.

Em suas primeiras temporadas, Zé Carlos revezou com Piazza, Tostão e Dirceu Lopes. Mais tarde, em 1969, o técnico Gerson dos Santos também não abriu mão de Zé Carlos.

O sonho da Copa do Mundo ficou apenas no álbum de figurinhas. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Zé Carlos, em destaque, ao lado de Palhinha com a camisa 9. Crédito: revista Placar.

O esquema com quatro jogadores na meia cancha deu certo, apesar do domínio regional perdido com os títulos do Atlético Mineiro em 1970 e do América em 1971.

Dono de um futebol solidário, Zé Carlos era um autêntico “motorzinho incansável”, oferecendo liberdade de criação para Tostão e Dirceu Lopes.

Também conhecido como “Zelão” entre os companheiros, Zé Carlos esteve bem cotado para servir o escrete no mundial de 1970, inclusive aparecendo nos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo. Mas, Zé Carlos não embarcou para o México em 1970.

Em 1975 fez parte do combinado mineiro que representou o Brasil na Copa América, mesmo ano em que ficou afastado seis meses em razão de uma grave contusão no tendão de Aquiles.

Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Zé Carlos em foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Com 619 participações e 83 gols marcados, Zé Carlos é o segundo jogador com mais participações com a camisa do Cruzeiro, um recorde superado apenas pelo goleiro Fábio. * Algumas fontes registram 633 participações.

Os títulos também refletem sua importância na história do clube:

– Campeonato mineiro nas edições de 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977, Taça Brasil de 1966, Taça Libertadores da América de 1976, além do vice-campeonato brasileiro em 1974 e 1975.

A fase do “quadrado mágico” do técnico Gerson dos Santos passou. A idade chegou e cobrou seu preço para Piazza, Zé Carlos, Tostão e Dirceu Lopes.

Em 1977, aos 32 anos de idade e ótimos serviços prestados ao Cruzeiro, o experiente meio campista foi negociado com o Guarani de Campinas (SP).

Crédito: revista Placar – 23 de fevereiro de 1979.

Sem o mesmo fôlego de outros tempos, Zé Carlos foi recuado definitivamente para a posição de volante. Foi um dos principais responsáveis pela subida de produção do time do técnico Carlos Alberto Silva.

Depois do sucesso no Guarani, Zé Carlos jogou pelo Botafogo (RJ), Bahia (BA), Grêmio Maringá (PR), Uberaba (MG), Villa Nova (MG) e Mogi Mirim (SP).

Longe do futebol, Zé Carlos passou por alguns dissabores no mundo dos negócios. Tentou uma Casa Lotérica, depois uma Granja e por fim uma loja especializada em materiais hospitalares.

Ao lado da esposa Eunice Braga, Zé Carlos reside atualmente na cidade de Contagem (MG). Conforme divulgado pelo site mg.superesportes.com.br, a saúde do ex-jogador do Cruzeiro foi abalada por um acidente vascular cerebral (AVC).

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net

Zé Carlos quando começou no Cruzeiro e no final da carreira pelo Villa Nova (MG) em 1982. Crédito: revista Placar – 3 de setembro de 1982.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira e Sérgio A. Carvalho), revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, mg.superesportes.com.br, campeoesdofutebol.com.br, memoriafutebol.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), ftt-futeboldetodosostempos.com, guerreirodosgramados.com.br, cruzeiro.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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