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Grande meia do Cruzeiro dos anos sessenta e setenta, foi recuado como volante em sua marcante passagem pelo Guarani Futebol Clube de Campinas em 1978.

E foi na posição de volante que Zé Carlos escreveu seu nome nos livros de história do campeonato brasileiro.

José Carlos Bernardo nasceu na cidade de Juiz de Fora (MG), no dia 28 de abril de 1945.

Filho do senhor Jorge Bernardo, um modesto empregado de estradas de ferro que dava um duro danado para sustentar os sete filhos, Zé Carlos cresceu sempre ao lado de uma bola.

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Crédito: ftt-futeboldetodosostempos.com.

Crédito: ftt-futeboldetodosostempos.com.

Ainda criança, fundou ao lado de seus amiguinhos o Esperança F.C. Além de jogar, Zé Carlos carregava o saco de camisas, marcava jogos e era o capitão do time.

Responsável, trabalhava até 10 da noite em uma fábrica de cobertores para ajudar nas despesas domésticas.

No começo dos anos sessenta foi aprovado nas categorias de base do Sport Club de Juíz de Fora, onde rapidamente ganhou destaque e fama junto ao presidente Francisco Caputo, que endureceu para vender seu passe ao Cruzeiro.

Chegou ao Cruzeiro no final de 1963 e profissionalizou-se no ano de 1964. Então, o técnico Aírton Moreira decidiu aproveitar seu grande talento e o escalou para jogar ao lado de Wilson Piazza.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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Em 1967, o técnico Gerson dos Santos adotou um quadrado na meia cancha. O esquema deu certo e transformou o time do Cruzeiro em uma temida constelação de jovens valores.

Dono de um futebol sério e solidário, alternava nas funções de armação e marcação ao lado de Wilson Piazza. Um autêntico “motorzinho incansável”, oferecendo liberdade de criação para Tostão e Dirceu Lopes.

Zé Carlos, que também era conhecido como “Zelão” entre os companheiros, teve seu nome cotado para o escrete nas eliminatórias do mundial de 1970, inclusive aparecendo nos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo do México.

Mas, Zé Carlos, assim como outros que ao longo dos tempos apareceram nos álbuns de figurinhas da Copa do Mundo, não embarcou para o México em 1970.

Crédito: revista Placar - Série Grandes Perfis.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Mais tarde, em 1975, integrou o grupo canarinho (combinado mineiro) durante os compromissos da Copa América.

Foram inúmeras conquistas jogando pelo Cruzeiro: Campeonato mineiro nas edições de 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977, Taça Brasil de 1966, Taça Libertadores da América de 1976, Vice-campeonato brasileiro em 1974 e 1975, além de vários torneios nacionais e internacionais.

Afastado do elenco principal durante seis meses em razão de uma grave contusão no tendão de Aquiles, Zé Carlos voltou aos gramados e estabeleceu um recorde em número de partidas disputadas pelo Cruzeiro. Foram 619 participações com 83 gols marcados.

Em 1977, aos 32 anos de idade, depois de quase treze temporadas de ótimos serviços prestados ao Cruzeiro, o experiente meio campista foi negociado com o Guarani de Campinas.

Zé Carlos ao lado de Palhinha com a jaqueta nove. Crédito: revista Placar.

Zé Carlos ao lado de Palhinha com a jaqueta nove. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar - 24 de outubro de 1975.

Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Mostrando que ainda tinha muita lenha para queimar, Zé Carlos foi recuado como volante e foi um dos principais responsáveis pela subida de produção do jovem time do técnico Carlos Alberto Silva.

Além de Zé Carlos, o quadro campineiro contava com Renato “Pé Murcho” e Zenon na formação de meia cancha.

Depois do sucesso no Guarani, Zé Carlos ainda desfilou seu talento nas equipes do Botafogo (R.J), Bahia, Grêmio Maringá, Uberaba, Villa Nova (MG) e Mogi Mirim. Posteriormente, ainda atuou como treinador em várias equipes do futebol brasileiro.

Longe do futebol, Zé Carlos acumulou alguns insucessos no mundo dos negócios. Tentou uma casa lotérica, depois uma granja e por fim uma loja especializada em materiais hospitalares.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net

Crédito: revista Placar - 23 de fevereiro de 1979.

Crédito: revista Placar – 23 de fevereiro de 1979.

A conquista do campeonato brasileiro de 1978 pelo time bugrino ainda hoje é uma boa reflexão sobre velhas e rasgadas teorias:

– Um time do interior com um técnico jovem e até então desconhecido no cenário nacional (Carlos Alberto Silva), consegue triunfar em um dos certames mais difíceis do mundo?

– Um jogador com mais de trinta anos e com dois vice-campeonatos brasileiros consegue finalmente ser campeão em uma equipe que não tinha nenhuma tradição na competição? 

A resposta para tantas perguntas é SIM.

Zé Carlos no Villa Nova (MG) em 1982. Crédito: revista Placar - 3 de setembro de 1982.

Zé Carlos no Villa Nova (MG) em 1982. Crédito: revista Placar – 3 de setembro de 1982.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio A. Carvalho e Arthur Ferreira), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, memoriafutebol.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), ftt-futeboldetodosostempos.com, guerreirodosgramados.com.br, cruzeiro.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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