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Apesar do apelido de “Xerife”, Fontana nunca foi um jogador tipicamente desleal. Entretanto, no calor da partida, o zagueiro nunca gostou de perder viagem!

Bisneto de italianos, José Anchieta Fontana nasceu na cidade de Santa Tereza (ES), em 31 de dezembro de 1940.

Iniciou sua trajetória no alvirrubro Santo Antônio Futebol Clube, antes de ser encaminhado em 1958 aos quadros amadores do Vitória Futebol Clube (ES).

Fontana ficou pouco tempo no Vitória, onde ficou conhecido pelos companheiros como Anchieta. Profissionalmente, seu primeiro time foi o Rio Branco Atlético Clube (ES) em 1959.

Campeão estadual nas edições de 1959 e 1962, Fontana permaneceu no Rio Branco até setembro de 1962, quando foi transferido para o Club de Regatas Vasco da Gama.

Fontana e Brito no gramado do Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 312.

Os inseparáveis Brito e Fontana. Crédito: revista do Esporte.

Naqueles tempos, o time da “Colina” contava com Russo no time de Aspirantes e com Barbosinha no time principal.

Sem perspectivas em médio prazo, Fontana decidiu aguardar por uma oportunidade. Recusou um convite para treinar no Fluminense, além de descartar uma possibilidade concreta de firmar compromisso com o São Cristóvão.

No Vasco, Fontana formou ao lado de Brito uma das duplas mais famosas e temidas pelos atacantes do futebol brasileiro. Publicações da época afirmam que Brito e Fontana sempre foram bons amigos, embora Fontana não aceitasse o fato de Brito jogar calado.

Entre 1965 e 1966, Fontana foi convocado pelo técnico Vicente Feola na preparação para o mundial da Inglaterra em 1966.

Mas o sonho da primeira Copa do Mundo terminou com a demora na recuperação de uma contusão. Poucos dias antes do prazo final das inscrições, Fontana foi cortado do elenco canarinho.

Crédito: revista do Esporte número 372.

Marcador implacável com excelente noção de cobertura, Fontana nunca entrou em campo apenas para cumprir tabela.

O zagueiro também é lembrado pelos duelos particulares com Pelé. Entre tudo o que já foi publicado, uma passagem em especial permanece viva e ainda causando muita polêmica.

Conforme artigo publicado pela revista Placar em março de 1999, o Vasco vencia o Santos por 2×0 no Maracanã, confronto válido pelo Torneio Rio São Paulo de 1963.

Naquele dia, Pelé não fazia uma boa partida. Então, seguro da vitória, Fontana resolveu provocar o camisa 10 do Santos com um comentário em voz alta para o companheiro Brito:

– Não falaram que nesse time de branco jogava um Rei? Parece que ele não compareceu ao Maracanã hoje. Respondeu Brito!

Uma das formações do Vasco em 1966. Em pé: Amauri, Joel, Brito, Maranhão, Fontana e Oldair. Agachados: Luizinho, Lorico, Célio, Danilo e Tião. Crédito: revista Futebol e Outros Esportes.

Uma das formações da Seleção Brasileira em 1966. Em pé: Fidélis, Zito, Brito, Gylmar, Fontana e Paulo Henrique. Agachados: Jairzinho, Lima, Alcindo, Pelé e Amarildo. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

E assim os dois caiam na gargalhada, enquanto Pelé ouvia calado. Faltando pouco para o encerramento do jogo, Pelé marcou 2 gols e entregou a bola para Fontana.

– “Tá vendo essa bola? Entrega para sua mãe e diz que foi um presente do Rei”.

Nas entrevistas sobre o assunto, Pelé sempre negou tal frase, principalmente por envolver a mãe de um companheiro de profissão; mas confirmou que deu o troco pelas gozações. Abaixo, os registros do jogo em que cutucaram Pelé antes da hora:

16 de fevereiro de 1963 – Torneio Rio-São Paulo – Vasco da Gama 2×2 Santos – Estádio do Maracanã – Árbitro: Stefan Walter Glanz – Gols: Ronaldo aos 32′ do primeiro tempo; Sabará aos 12′, Pelé aos 42′ e Pelé aos 43′ do segundo tempo.

Vasco da Gama: Ita, Joel, Brito, Dario, Maranhão, Barbosinha (Fontana), Sabará, Villadoniga, Saulzinho, Lorico (Fagundes) e Ronaldo. Santos: Gylmar, Mauro, Zé Carlos (Tite), Dalmo, Calvet, Lima, Dorval, Mengálvio, Pagão (Toninho), Pelé e Pepe.

Crédito: revista Placar.

Preparação para o mundial de 1970. Partindo da esquerda; Carlos Alberto Torres, Fontana, Leão, Pelé e Brito. Crédito: revista Placar.

Pelo Vasco da Gama, Fontana foi campeão da primeira edição da Taça Guanabara em 1965 e do Torneio Rio-São Paulo de 1966, um título dividido entre Vasco, Botafogo, Corinthians e o Santos.

Mas, os anos 60 ficaram marcados pela ausência títulos estaduais lá pelos lados de São Januário. Dessa forma, a dupla Brito e Fontana foi momentaneamente separada, até se encontrarem novamente no Cruzeiro e na Seleção Brasileira.

Em 1969, como parte de um processo de renovação no elenco, os dirigentes do Vasco negociaram o passe de Fontana por 200 mil cruzeiros com o Cruzeiro Esporte Clube.

A contratação de Fontana agitou o futebol mineiro, principalmente para os torcedores do Atlético, que prepararam faixas com os seguintes dizeres:

– Fontana é muito pouco para Dario. Pode chegar que o “Peito de Aço” te aguarda!

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 11 de setembro de 1970.

Nesse período, Fontana foi novamente lembrado na Seleção Brasileira. Com Saldanha afastado do comando, Mário Jorge Lobo Zagallo manteve o zagueiro mineiro no grupo que embarcou para o mundial de 1970.

Fontana chegou ao México contundido. No primeiro treino em Guadalajara levou um pisão de Pelé e sua situação ficou ainda mais complicada.

Sem poder participar do amistoso contra o time da cidade de Guadalajara, Fontana corria o risco de ser dispensado pelo Dr. Lídio Toledo.

Mantido no elenco por uma decisão bancada pela Comissão Técnica, Fontana se recuperou e voltou do México consagrado. Na campanha do “Tri” Fontana esteve em campo apenas na vitória por 3×2 sobre a Romênia.

O compasso perfeito entre Fontana e Pedro Rocha. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Pelo Cruzeiro, Fontana faturou o campeonato mineiro nas edições de 1969 e 1972. Jogou profissionalmente até o mês de dezembro de 1972, quando decidiu encerrar a carreira.

No Espírito Santo foi fazendeiro, comerciante e investidor do mercado imobiliário.

Fontana faleceu tragicamente em 9 de setembro de 1980, quando contava com apenas 39 anos de idade. Foi vítimado por um infarto enquanto jogava futebol entre os amigos.

Apesar de ter nascido em Santa Teresa, Fontana está sepultado no Cemitério Municipal de Santa Leopoldina (ES), cidade onde foi homenageado com o nome de uma rua que anteriormente se chamava 15 de novembro.

Fontana faz parte do livro de ouro das Copas do Mundo. Seu nome está escrito no rol dos campeões mundiais da FIFA.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – Novembro de 2010.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Álvaro José, Arthur Ferreira, Dagomir Marquezi, Fausto Neto, Fernando Pimentel, Manoel Motta, Marco Aurélio Guimarães, Sandro Moreyra e Sebastião Marinho), revista do Esporte, revista Futebol e Outros Esportes, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, almanaquedocruzeiro.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves, veja.abril.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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