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O menino Toninho largava os livros e praticamente desaparecia de casa para jogar futebol.

Mesmo entre os mais velhos, o garoto mostrava uma categoria acima da média jogando em um dos mais tradicionais times da várzea paulistana, o Clube Atlético Parque da Mooca.

Mas, nos planos do pai, um bem sucedido empresário do ramo Gráfico, Toninho tinha que seguir firme nos estudos para um dia assumir os negócios da família.

Antônio Monfrini Neto, mais conhecido como Manfrini, nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 23 de junho de 1950.

O DKW Vemag, sempre aparecia de surpresa para acabar com a festa do menino Manfrini. Crédito: Acervo digital da revista Quatro Rodas – Editora Abril.

Dicá, Manfrini e Roberto Pinto. Em 1970 sobravam talentos na Ponte Preta. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

E quando o automóvel DKW Vemag do pai aparecia no campo do Parque da Mooca, o negócio engrossava! As caçadas do patriarca praticamente arrancavam o jovem Toninho do prazer de jogar futebol.

E assim continuava o duelo quase interminável entre o futebol, os estudos e o assustador DKW Vemag.

Mesmo depois de ser convidado para treinar no Clube Atlético Juventus, a família Monfrini ainda encarava o futebol como um simples passatempo, coisas de um garoto iludido pelos encantos da bola.

Porém, não houve como evitar que Toninho ficasse nas categorias amadoras do time da Rua Javari. Permaneceu nas fileiras do Juventus até meados de 1967, quando foi descoberto por representantes da Associação Atlética Ponte Preta.

Manfrini em partida contra a Ferroviária no Moisés Lucarelli. Crédito: site do Milton Neves.

Manfrini em partida contra o Corinthians no Parque Antártica. Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1970.

A família, de origem italiana, logo percebeu que o melhor seria aceitar os passos do destino. Quem sabe, o encanto com o futebol fosse algo realmente passageiro.

Na Ponte Preta, Manfrini deixou rapidamente os quadros amadores. Chute forte, toque refinado e velocidade, o promissor meia direita gostava de avançar com tabelinhas curtas, que o deixavam na cara do gol.

O sobrenome “Monfrini”, aos poucos foi vencido pelos insistentes enganos dos novos companheiros, que repetiam sem parar “Manfrini” pra lá e “Manfrini” pra cá!

Manfrini participou da campanha que levou o quadro campineiro de volta ao grupo de elite do futebol paulista em 1969. O time do técnico Zé Duarte conquistou o título da então chamada “Divisão de Acesso” do campeonato paulista.

Naquela épica jornada, a Ponte perdeu apenas o compromisso final diante da Associação Atlética Francana no Parque Antártica, no sensacional triunfo do alviverde de Franca por 3×1.

Crédito: revista do Fluminense número 161 – Março/Abril de 1973.

Depois de boas temporadas em Campinas, os rumores sobre o interesse da Sociedade Esportiva Palmeiras invadiram a vida de Manfrini.

Finalmente, depois de uma longa negociação, os diretores da Ponte aceitaram os termos para um empréstimo. Manfrini foi para o Palestra Itália e ainda integrou o elenco que faturou o título brasileiro de 1972.

Entretanto, não demorou muito tempo para Manfrini perceber que conquistar uma posição de titular no esquadrão alviverde não seria uma tarefa fácil.

Manfrini entrou em campo com a camisa do Palmeiras em apenas em 4 compromissos. Foram 4 vitórias com 4 gols marcados, uma média de 1 gol por partida.

Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Crédito: revista Placar número 159 – 30 de março de 1973.

Manfrini e Gerson em foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 30 de novembro de 1973.

Descontente com sua condição no banco de reservas, Manfrini conversou com os diretores do Palmeiras e retornou para a Ponte Preta em 1973. Logo em seguida, seu passe foi negociado de forma definitiva com o Fluminense Football Club.

Nas Laranjeiras, Manfrini viveu sua melhor fase. Era admirado inclusive pelo botafoguense João Saldanha, que o considerava o sucessor de Tostão e o substituto natural de Samarone.

Em grande fase, seu nome foi lembrado entre o grupo de selecionáveis para disputar o mundial da Alemanha, em 1974. No entanto, Manfrini foi praticamente esquecido pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.

Em 1975, com a contratação de Roberto Rivellino e Paulo Cesar “Cajú”, Manfrini fez parte do famoso time montado pelo presidente Francisco Horta, que ficou nacionalmente conhecido como “A Máquina”.

Manfrini e Zé Mário. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Com 16 gols marcados, Manfrini foi o artilheiro do time e disputou 29 dos 30 jogos na campanha do título carioca de 1975. Inclusive, na vitória por 4×1 sobre o Vasco em 10 de agosto de 1975, Manfrini abriu o marcador aos 10 minutos do primeiro tempo.

O jogador permaneceu no Fluminense até sua negociação com o Botafogo de Futebol e Regatas. Ao todo, foram 157 jogos e 61 gols marcados pelo time das Laranjeiras.

Torcedor assumido do tricolor carioca, Manfrini chegou ao Botafogo em 1976, onde realizou boas partidas, mas não conquistou nenhum título.

Em 1980 deixou o Rio de Janeiro e voltou para o time avinhado da da Rua Javari. Permaneceu no Juventus até 1981, quando encerrou definitivamente sua carreira profissional.

Com saudades da bola, Manfrini continuou no Parque da Mooca para rever os amigos e bater uma bolinha, sem o antigo temor do automóvel DKW, que sempre chegava repentinamente para estragar tudo!

Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1977.

Manfrini ainda voltou ao Parque da Mooca. Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Raul Quadros e José Maria de Aquino), revista Manchete, revista do Fluminense, Acervo digital da revista Quatro Rodas – Editora Abril, Jornal dos Sports, gazetaesportiva.net, campeoesdofutebol.com.br, esportes.r7.com, blog.maismemoria.net, claudioaldecir@fasternet, site do Milton Neves, cidadaofluminense.blogspot.com, fluminense.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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