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O menino Toninho largava os livros e praticamente fugia de casa para jogar futebol.

Mesmo entre os mais velhos, o garoto de treze anos mostrava uma categoria acima da média jogando em um dos mais tradicionais times da várzea paulistana, o C.A. Parque da Mooca.

Mas, nos planos do pai, um bem sucedido empresário do ramo Gráfico, Toninho tinha que seguir firme nos estudos para um dia assumir os negócios da família.

E quando o automóvel DKW de seu pai aparecia no campo do Parque da Mooca, o negócio engrossava! As caçadas do pai praticamente arrancacam o jovem Toninho do prazer de jogar futebol.

E assim continuava aquele duelo, quase interminável, entre o futebol, os estudos e o assustador DKW.

O DKW Vemag, sempre aparecia de surpresa para acabar com a festa do menino Manfrini. Crédito: revista Quatro Rodas.

O DKW Vemag, sempre aparecia de surpresa para acabar com a festa do menino Manfrini. Crédito: revista Quatro Rodas.

Crédito: site do Milton Neves.

Crédito: site do Milton Neves.

Mesmo depois de ser convidado para ir jogar no vizinho, o C.A. Juventus, seus familiares ainda encaravam o futebol como um puro “hobby”, coisas de um garoto iludido pelos encantos da bola.

Porém, não houve como evitar que Antônio Monfrini Neto, nascido em São Paulo (SP), no dia 23 de junho de 1950, ficasse na Rua Javari jogando nas categorias amadoras do “Moleque Travesso”.

Até que fosse descoberto pela A.A. Ponte Preta em 1966. E Toninho foi para Campinas.

A família, de origem italiana, percebeu que o melhor seria aceitar os passos do destino. O sobrenome “Monfrini” aos poucos foi vencido pelos insistentes erros dos novos companheiros, que repetiam “Manfrini” pra lá e pra cá!

Manfrini em partida contra a Ferroviária no Moisés Lucarelli. Crédito: site do Milton Neves.

Manfrini em partida contra a Ferroviária no Moisés Lucarelli. Crédito: site do Milton Neves.

Manfrini em partida contra o Corinthians no Parque Antártica. Crédito: revista Placar - 23 de outubro de 1970.

Manfrini em partida contra o Corinthians no Parque Antártica. Crédito: revista Placar – 23 de outubro de 1970.

Na Ponte, Manfrini deixou rapidamente os quadros amadores. Chute forte, toque refinado e velocidade, o jovem meia direita gostava de avançar com tabelinhas curtas que o deixavam na cara do gol.

Manfrini participou da campanha que levou o quadro campineiro de volta ao grupo de elite do futebol paulista em 1969.

Naquela épica jornada, a Ponte perdeu apenas o compromisso final diante da A.A Francana no Parque Antártica, na sensacional virada do alviverde de Franca por 3×1.

Mesmo com essa amarga derrota, os rapazes da Ponte Preta conquistaram o título da então chamada “Divisão de Acesso” do campeonato paulista.

Crédito: revista do Fluminense número 161 – Março / Abril de 1973.

Crédito: revista do Fluminense número 161 – Março / Abril de 1973.

Depois de ótimas temporadas em 1970 e 1971, em 1972 começaram os rumores sobre o interesse dos cartolas do Palmeiras.

Finalmente, depois de uma longa negociação, os diretores da Ponte aceitaram os termos de um empréstimo. Manfrini foi para o Palestra Itália e ainda integrou o elenco campeão brasileiro no mesmo ano.

Todavia, não demorou muito tempo para perceber que conquistar uma posição de titular naquele grande esquadrão do alviverde não seria uma tarefa fácil.

Descontente com sua condição no banco de reservas, Manfrini atuou apenas em 4 oportunidades, obtendo 4 vitórias com 4 gols marcados, uma média de 1 gol por partida.

Os números foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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Depois de uma conversa com os diretores do Palmeiras, Manfrini retornou para a Ponte Preta em 1973. Logo em seguida, seu passe foi negociado de forma definitiva com o Fluminense.

Nas Laranjeiras, viveu sua melhor fase. O futebol de Manfrini era admirado pelo botafoguense João Saldanha, que o considerava o sucessor de Tostão e o substituto natural de Samarone.

Em 1974, Manfrini atravessava uma grande fase e seu nome foi cogitado para o grupo que se preparava para o mundial da Alemanha em 1974.

No entanto, foi praticamente esquecido pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo na convocação oficial. Decepcionado, Manfrini seguiu em frente.

Crédito: revista Placar número 159 - 30 de março de 1973.

Crédito: revista Placar número 159 – 30 de março de 1973.

Em 1975 com a contratação de Roberto Rivellino e Paulo Cesar “Cajú”, Manfrini integrou o famoso time montado pelo presidente Francisco Horta, que ficou nacionalmente conhecido como “A Máquina”.

Com 16 gols marcados, Manfrini foi o artilheiro do time e disputou 29 dos 30 jogos na campanha do título carioca de 1975.

Na memorável partida decisiva contra o Vasco da Gama, vencida pelo Fluminense por 4×1 em 10 de agosto de 1975, Manfrini marcou o primeiro tento aos 10 minutos do primeiro tempo.

Permaneceu no Fluminense até sua negociação com o Botafogo de Futebol e Regatas. Ao todo, foram 157 jogos e 61 gols marcados pelo time das Laranjeiras.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

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Torcedor assumido do tricolor carioca, Manfrini chegou ao Botafogo em 1976, onde realizou boas partidas, mas não conquistou nenhum título.

No início de 1980 deixou o Rio de Janeiro e voltou para o time avinhado da da Rua Javari. Permaneceu no Juventus até 1981, quando encerrou definitivamente sua carreira profissional.

Com saudades da bola, apareceu no C.A. Parque da Mooca para rever os amigos e bater uma bolinha, dessa vez, sem o temor do automóvel DKW, que sempre chegava repentinamente para estragar tudo!

Crédito: revista Placar - 15 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1977.

Manfrini ainda voltou ao Parque da Mooca. Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1983.

Manfrini ainda voltou ao Parque da Mooca. Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Raul Quadros e José Maria de Aquino), revista Manchete, revista do Fluminense, revista Quatro Rodas, fluminense.com.br, Gazeta Press, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, esportes.r7.com, cidadaofluminense.blogspot.com, blog.maismemoria.net, claudioaldecir@fasternet, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, futeboldebotaoantigo.blogspot.com.

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