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Palhinha é um dos homenageados no Hall da Fama do Cruzeiro. O projeto “Ídolos Eternos” tem como critério selecionar os jogadores que disputaram no mínimo 400 jogos pelo clube, ou que marcaram pelo menos 100 gols com a camisa estrelada.

Produto de uma época onde pouco se ouvia falar em “passe fatiado” por investidores e outras partes interessadas, Palhinha foi uma das maiores contratações do Corinthians no período do jejum de títulos paulistas.

Vanderlei Eustáquio de Oliveira é o nome completo de Palhinha, que nasceu em 11 de junho de 1950 na cidade de Belo Horizonte (MG).

Seu futebol foi lapidado na “forja de talentos” do Departamento de Futebol de Salão do Cruzeiro Esporte Clube.

Jogou nas quadras de 1964 até 1967, embora também tenha passado pelos gramados nas categorias amadoras antes de ser aproveitado no elenco profissional.

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 21 de março de 1975.

Na época, o Cruzeiro já era o campeão da Taça Brasil e contava com um elenco jovem e talentoso. Assim, o novato Palhinha sabia que seria apenas uma opção no banco de reservas.

Ágil e inteligente, Palhinha ainda não carregava a fama de “catimbeiro”. Continuou como uma espécie de “reserva de luxo” até Tostão ser contratado pelo Vasco da Gama em 1972.

Nesse primeiro momento, os empecilhos naturais para conseguir um lugar no time foram minando sua paciência. Pensou em largar tudo para voltar aos estudos e procurar outra ocupação para ganhar a vida.

Mas Palhinha conseguiu encontrar seu espaço e quando percebeu já estava na Seleção Brasileira de novos em 1973. Em 1975 participou da Copa América na equipe que contava em sua maioria com jogadores do futebol mineiro.

Palhinha na Seleção Brasileira “azul”, que jogou contra os titulares vestidos com a tradicional amarelinha. Crédito: revista Veja.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 11 de março de 1977.

Vice campeão brasileiro nas edições de 1974 e 1975, Palhinha viveu seu melhor momento na conquista da Taça Libertadores da América em 1976, quando marcou 13 gols na competição.

Ao todo disputou 434 partidas pela “Raposa” e marcou 145 gols. É o sétimo maior artilheiro da história do clube. Conquistou os campeonatos mineiros de 1968, 1969, 1972, 1973, 1974 e 1975, além da Bola de Prata da revista Placar em 1975.

Palhinha continuou no Cruzeiro até o momento de enfrentar o maior desafio de sua carreira: Conquistar um campeonato paulista pelo Corinthians!

No primeiro dia de março de 1977, Palhinha causou grande entusiasmo em sua chegada ao Parque São Jorge. Experiente, o mineiro trazia em sua bagagem muita tarimba e uma vasta coleção de títulos.

Sua primeira partida pelo Corinthians aconteceu no dia 27 de março, um domingo pela manhã. O Morumbi recebeu um bom público para assistir o duelo contra o Guarani. A festa foi um fiasco e o placar final apontou 3×0 para o quadro campineiro.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: Livro Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

Visivelmente fora de forma, Palhinha ainda teria que se esforçar muito para justificar os 7 milhões de Cruzeiros que foram para os cofres do Cruzeiro em Belo Horizonte.

Depois da instabilidade das primeiras apresentações, Palhinha foi determinante na filosofia de jogo adotada pelo técnico Brandão.

Nas últimas rodadas do Paulistão de 1977, o Corinthians dependia exclusivamente de vitórias, inclusive fora de casa para conseguir disputar o título.

Mas o time de Brandão superou tudo e chegou motivado para decidir o caneco!

No entanto, Palhinha não se apresentou 100% fisicamente para disputar os compromissos decisivos contra a Ponte Preta no Morumbi.

Palhinha vibra contra o São Paulo no Morumbi. Crédito: revista Placar.

Palhinha e o famoso “gol de nariz”, que abriu o caminho para o título de 1977. Crédito: gazetaesportiva.net.

Mesmo assim, Palhinha jogou o tempo inteiro na primeira partida da decisão, quando inclusive marcou o famoso “gol de nariz” que decidiu o jogo.

O gol nasceu de um lançamento em profundidade de Adãozinho. Palhinha venceu na corrida e chutou forte na saída do goleiro Carlos. No rebote, a bola bateu o nariz de Palhinha e foi morrer nas redes da Ponte Preta.

Abaixo, os registros da primeira partida das finais do campeonato paulista de 1977:

Quarta Feira, 5 de outubro de 1977 – Primeira partida das finais do campeonato paulista – Corinthians 1×0 Ponte Preta – Estádio do Morumbi – Gol: Palhinha aos 14′ do primeiro tempo.

Corinthians: Tobias, Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Palhinha, Geraldão e Adãozinho (Lance). Técnico: Brandão. Ponte Preta: Carlos, Jair, Oscar, Polozzi e Odirlei; Vanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta. Técnico: Zé Duarte. 

A foto que entrou para os livros de história (sem Palhinha). Em pé: Zé Maria, Tobias, Moisés, Ruço, Ademir e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão, Luciano e Romeu. Crédito: gazetaesportiva.net.

O Timão vale por dois. Matéria especial sobre Palhinha e Sócrates. Fotos de José Pinto. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

Na segunda partida, quando o Corinthians foi derrotado de virada por 2×1, Palhinha sentiu o agravamento de um problema muscular e foi substituído por Vaguinho no final da primeira etapa.

No Departamento Médico, o mineiro lutou muito para se recuperar em tempo de participar do terceiro jogo decisivo. O técnico Brandão, que ainda mantinha esperanças de contar com o jogador, acompanhou o tratamento de perto:

– Vai dar para jogar “Palha”?

– Acho que não, mal posso andar seu Brandão!

– Você é feliz. Sua dor não te deixa andar. A minha dor não se levanta da cama faz seis meses! (Brandão falava do filho Márcio que estava hospitalizado).

Fora do confronto derradeiro, Palhinha não aparece na famosa foto do time campeão em 13 de outubro. Com a chegada de Sócrates em 1978, Palhinha formou uma grande dupla e foi campeão paulista de 1979.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 18 de setembro de 1981.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 5 de março de 1982.

Palhinha deixou o Corinthians em 1980. Ao todo, foram 148 partidas disputadas com 79 vitórias, 42 empates, 27 derrotas e 44 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Novamente em Belo Horizonte jogou pelo Atlético Mineiro, onde também conquistou os campeonatos estaduais de 1980 e 1981.

No segundo semestre de 1981 Palhinha voltou ao futebol paulista e assinou com o Santos Futebol Clube. No findar de 1982 firmou compromisso com o Club de Regatas Vasco da Gama e faturou o título carioca da temporada.

Palhinha jogou ainda pelo Cruzeiro nas temporadas de 1983 e 1984, sendo novamente campeão mineiro em 1984. Em 1985 defendeu o América Futebol Clube (MG), sua última camisa.

Como treinador trabalhou América (MG) Atlético (MG), Cruzeiro (MG), Rio Branco (MG), Villa Nova (MG), Corinthians (SP), Internacional de Limeira (SP) e União São João (SP).

Foto de Amâncio Chiodi – Crédito: revista Placar – 1 de junho de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amâncio Chiodi, Arthur Ferreira, Célio Apolinário, Fábio Sormani, João Areosa, José Maria de Aquino, José Pinto, Manoel Motta, Maurício Cardoso, Ronaldo Kotscho e Sérgio Martins), revista do Corinthians, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal O Estado de São Paulo (por Marco Antonio Rodrigues), almanaquedocruzeiro.blogspot.com, campeoesdofutebol.com.br, cruzeiro.com.br, gazetaesportiva.net, kigol.com.br, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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