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Funcionário da Companhia Nacional de Estamparias em Sorocaba (SP), o jovem José Carlos Piccini (15 de maio de 1949) era o goleiro do time do time de funcionários da fábrica, o Fortaleza.

Jogava apenas por diversão e só aceitou defender o time da fábrica após muita insistência dos companheiros de trabalho.

Não tinha maiores aspirações com o futebol e o mundo da bola não o fascinava. Seu objetivo mesmo era o pequeno e seguro salário mensal de 300 cruzeiros.

E o grandalhão Zecão, como era chamado entre os amigos, foi tomando gosto da ocupação de goleiro que preenchia seus domingos.

Crédito: revista Placar.

Até que um dia Zecão foi surpreendido com um convite que mudaria completamente sua vida. Um diretor do Esporte Clube São Bento o convidou para jogar pelo quadro juvenil.

Zecão relutou dizendo que precisava do salário da estamparia e dessa forma não poderia aceitar aquela proposta. Mas o diretor do clube sorocabano insistiu e se comprometeu em pagar o mesmo valor que Zecão ganhava na fábrica.

Como não precisava mudar de cidade e continuaria ganhando dinheiro, o jovem goleiro aceitou assinar um “Contrato de Gaveta”.

Em 1972 Zecão já era o titular da meta do São Bento e fazia muito sucesso pelos gramados do interior paulista.

A tradicional e costumeira camisa amarela de Zecão na Lusa. Crédito: revista Placar.

Em pé: Pescuma, Badeco, Zecão, Isidoro, Calegari e Cardoso. Agachados: Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho.

Abaixo, uma das grandes participações de Zecão jogando pelo São Bento de Sorocaba. O Corinthians tentou de tudo; a torcida inflamou o Pacaembu, mas Zecão pegou tudo:

2 de setembro de 1972 – Campeonato paulista segundo turno – Corinthians  1×1 São Bento – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Vilmar Serra – Gols: Vanderlei aos 18’ e Paulo Borges aos 44’ do primeiro tempo.

Corinthians: Sidnei; Zé Maria, Baldochi, Luis Carlos e Pedrinho; Dirceu Alves e Rivellino; Vaguinho, Paulo Borges (Carlos Alberto), Lance e Aladim. São Bento: Zecão; Aranha, Mendes, Clodoaldo e Maciel; Gonçalves e Hertz; Copeu, Tuca, Vanderlei e Bozó.

No final do mês de fevereiro de 1973, o técnico Cilinho, então na Portuguesa de Desportos, solicitou um esforço especial na contratação de Zecão.

Crédito: revista Placar – 5 de outubro de 1973.

A Portuguesa topou pagar 30.000 cruzeiros por um empréstimo fixado em seis meses. Dessa forma, Zecão chegou ao Canindé encontrando um ambiente bem diferente do que esperava.

Cilinho não estava mais no clube e para piorar, Julinho Botelho, que assumiu logo em seguida, também deixou o cargo depois de apenas duas partidas.

Foi então que os dirigentes da Portuguesa decidiram investir alto na contratação do experiente técnico Otto Glória.

Reservado e aplicado nos treinamentos, Zecão foi conquistando o seu lugar como titular. Campeão da Taça Cidade de São Paulo em 1973, seu futebol cresceu mais do que era esperado.

Crédito: revista Placar.

O goleiro Zecão e seus companheiros pouco antes do início das cobranças de penalidades contra o Santos em 1973. Crédito: revista Placar.

No mês de setembro de 1973, com o término do período de empréstimo, o São Bento recebeu mais 120.000 cruzeiros e negociou o goleiro de forma definitiva.

Campeão paulista de 1973 na famosa final que ficou marcada pelo erro do árbitro Armando Marques, Zecão cumpriu uma missão que parecia escrita pelo destino.

Diferente do festivo 1973, o ano de 1974 trouxe muita instabilidade.

Apesar de ter o nome cogitado na Seleção Brasileira e conseguir comprar seu tão sonhado automóvel Opala, Zecão caiu de produção e Waldir Peres foi o escolhido para substituir Wendell na Seleção Brasileira.

A má fase da equipe somada ao grave problema de saúde que vitimou seu pai, iniciaram o progressivo processo que mais tarde abreviou sua permanência no clube do Canindé.

Crédito: revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Em 1975 Zecão viveu novamente o pesadelo de disputar um título estadual nos pênaltis. Dessa vez, o adversário foi o São Paulo.

Com uma vitória pela contagem mínima para cada lado em duas partidas, a prorrogação de 30 minutos também terminou empatada sem abertura de contagem.

Então, o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia tomou os cuidados necessários para não cometer o mesmo erro de Armando Marques na final de 1973.

Nos pênaltis o São Paulo venceu por 3×0 e ficou com o título. Os gols do tricolor foram anotados por Pedro Rocha, Serginho e Chicão. Pela Portuguesa os cobradores foram Tatá, Dicá e Wilsinho, que desperdiçaram suas cobranças na catimba do goleiro Waldir Peres.

O centroavante Cláudio Adão frente ao goleiro Zecão em partida pelo campeonato paulista de 1975. Crédito: veja.abril.com.br.

Clássico contra o São Paulo. Partindo da esquerda vemos Pedro Rocha, Cardoso e o goleiro Zecão. Crédito: espn.com.br.

Zecão permaneceu jogando pela Lusa até o início da temporada de 1976.

Problemas com alguns membros da comissão técnica e da diretoria fizeram com que Zecão, sem ambiente no clube, fosse negociado com o América do Rio de Janeiro.

A transação com o América rendeu aos cofres da Portuguesa 400.000 cruzeiros. Especialmente para Zecão, aquela transferência para o futebol carioca significou muita coisa.

Com um contrato fixado em 18 meses e um salário mensal de 12.000 cruzeiros, além dos 60.000 cruzeiros referentes aos 15% que tinha direito, Zecão estava feliz por deixar o Canindé.

Além do time carioca, Zecão também jogou pelo Marília (SP) e pelo Operário (MS), antes de encerrar sua carreira em 1980. Longe dos gramados, o ex-goleiro montou uma agência de automóveis nos anos oitenta.

Em partida contra o Corinthians no Morumbi, Zecão divide com Vaguinho (camisa 7) e Neca. Crédito: acervo do fotógrafo Domício Pinheiro.

Zecão com a camisa do América. Crédito: revista Placar – 5 de março de 1976.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Raul Quadros e Carlos Maranhão), Jornal A Gazeta Esportiva, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, veja.abril.com.br, espn.com.br, panoramio.com, apaixonafutebol.blogspot.com.br, site do Milton Neves, acervo do fotógrafo Domício Pinheiro.

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