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Março de 1986 em Turim.

Os termômetros marcam 2 graus. Junior está treinando no campo do Torino, muito parecido com o nosso acanhado e sempre simpático estádio Conde Rodolfo Crespi, mais conhecido como Rua Javari.

O técnico Luige Radice, grande responsável pela contratação de Junior e por sua efetivação no meio campo do Torino, pergunta e ao mesmo tempo responde aos repórteres brasileiros presentes em Turim:

– Vocês no Brasil vão assassinar o talento de Junior o escalando como marcador de pontas na Copa do Mundo? Não façam isso, porque perderão um dos maiores organizadores de meia cancha do mundo.

Crédito: revista Placar - 31 de março de 1986.

Crédito: revista Placar – 31 de março de 1986.

O sucesso no Torino. Crédito: revista Placar.

O sucesso no Torino. Crédito: revista Placar.

O grande lateral e meio campista Leovegildo Lins da Gama Junior, mais conhecido apenas como Júnior, nasceu em João Pessoa (PB) no dia 29 de junho de 1954.

Suas raízes estão fixadas nos dias felizes e prósperos do convívio familiar nos anos sessenta.

Seu avô, Antônio Gama, era um empresário próspero e reconhecido na cidade de João Pessoa. Proprietário de uma fábrica de mosaicos e de um engenho de açúcar, o velho Gama proporcionava muita tranquilidade e conforto aos seus familiares.

Junior e os irmãos levavam uma vida de causar inveja aos amiguinhos. Roupas e brinquedos importados, os meninos estudavam nos melhores colégios da região e aos finais de semana passeavam ao lado da família em um reluzente Aero-Willys.

Sérginho Chulapa e Junior em partida disputada no Morumbi. Crédito: gazetaesportiva.net.

Sérginho Chulapa e Junior em partida disputada no Morumbi. Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: eusouflamengo.com.

Crédito: eusouflamengo.com.

Mas um dia o coração do velho Antônio Gama parou de bater. Os negócios da família foram passados ao filho Leovegildo Gama e dona Wilma (os pais de Junior).

Sem experiência como administrador, o pai de Junior não conseguiu evitar o naufrágio financeiro dos negócios.

A necessidade de começar tudo novamente, levou os membros da família Gama ao Rio de Janeiro no começo dos anos setenta.

Em pouco tempo, seu Leovegildo investiu o pouco dinheiro que restou em uma fábrica de camisas e prosperou novamente.

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Enquanto isso, dona Wilma cuidava da formação da garotada e permanecia sempre vigilante frente aos perigos dos encantos de Copacabana.

No entanto, bastava um descuido para que Junior pegasse o caminho mais próximo de uma bola de futebol, fosse no páteo do prédio, na rua ou na praia.

Torcedor fanático do Fluminense, Junior não perdia uma única partida, fosse no rádio ou no aparelho de televisão.

Levado pelas mãos do técnico Orozimbo, se encaixou no time de futebol de salão do Sírio Libanês.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Libertadores da América 1981. Partida contra o "violento" Cobreloa. Crédito: revista Placar.

Libertadores da América 1981. Partida contra o “violento” Cobreloa. Crédito: revista Placar.

Realizou testes no Fluminense, no América e por fim acabou no juvenil do Botafogo. Aos 19 anos, Junior queria jogar no meio campo, mas foi advertido pelo treinador:

– Olha garoto, o craque do time aqui é o Mendonça. Dificilmente você vai ter lugar no meio campo. Você quer atuar na lateral esquerda?

Decepcionado, voltou ao time da praia até ser descoberto por Modesto Bria, que levou Junior até o gramado da Gávea para fazer um teste.

Aprovado, permaneceu nos quadro amadores esperando por uma oportunidade no elenco principal.

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Junior fez sua estréia como profissional do Flamengo em 1974, inicialmente como lateral direito. No mesmo ano, foi campeão carioca pela primeira vez. Aos poucos, foi aproveitado também como lateral esquerdo e se deu muito bem.

Depois da chegada do técnico Cláudio Coutinho, Junior foi efetivado definitivamente na lateral esquerda. A partir dai, integrou uma das maiores gerações da história do Flamengo.

Entre os companheiros, Junior era conhecido como “Capacete” devido ao corte de cabelo no estilo “Black Power”. Ao longo de sua permanência no Rubro Negro (em duas passagens), Junior colecionou inúmeras conquistas:

– Campeonato carioca 1974, 1978, 1979 (especial), 1981, 1991; Taça Guanabara nos anos de 1978, 1979, 1980, 1981 e 1982; campeonato brasileiro de 1980, 1982, 1983 e 1992, além da inesquecível Taça Libertadores da América e o mundial interclubes, ambos em 1981.

Terceiro gol italiano em 1982. Junior pede impedimento e não percebe que ele mesmo oferecia condições ao atacante. Crédito: revista Placar.

Terceiro gol italiano em 1982. Junior pede impedimento e não percebe que ele mesmo oferecia condições ao atacante. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Em 1976, Júnior escreveu seus primeiros capítulos no escrete canarinho.

Inicialmente, disputou os jogos olímpicos de Montreal. Em grande fase, não foi convocado por Cláudio Coutinho, que anos mais tarde confessou seu arrependimento.

Junior integrou o memorável selecionado do técnico Telê Santana em 1982, fazendo sucesso também com a música “Voa Canarinho”. No entanto, essa “decolagem musical” foi ofuscada pela triste derrota contra os italianos.

Presente também no mundial de 1986 no México, Júnior realizou ao todo 81 partidas pela Seleção Brasileira e marcou 5 gols, um deles na Espanha em 1982, na vitória por 3×1 contra os argentinos.

Crédito: revista Placar - 31 de março de 1986.

Crédito: revista Placar – 31 de março de 1986.

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Depois de brilhar durante dez anos no Flamengo, Júnior foi jogar no futebol italiano. Defendeu o Torino entre 1984 e 1987.

Depois, jogou pelo Pescara de 1987 até 1989. Ainda em 1989, Junior retornou ao Brasil para defender novamente o Flamengo.

Mais experiente, comandou o jovem time da Gávea na conquista do campeonato brasileiro de 1992. Na época, Júnior era o braço direito da equipe comandada pelo técnico Carlinhos.

Junior encerrou sua carreira em 1993. Pelo Flamengo foram 857 jogos disputados, com 492 vitórias, 210 empates, 155 derrotas e 73 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, de autoria de Clóvis Martins e Roberto Assaf.

O experiente Junior no título brasileiro de 1992.

O experiente Junior no título brasileiro de 1992.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Mercelo Rezende, Maria Helena Araújo e Telmo Zanini), revista Manchete Esportiva, globoesporte.globo.com, gazetaesportiva.net, memoriafutebol.com.br, eusouflamengo.com, site do Milton Neves, calciototale.webnode.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf.

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