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No início da década de 1960, o pequenino Toninho vivia ao lado do pai, o famoso palhaço “Moleza”, uma figura querida nos circos da periferia de Belo Horizonte e também na extinta TV Itacolomi.

Quando o palhaço “Moleza” saía de casa para gravar um programa na televisão, o menino Toninho imediatamente colocava uma roupinha de palhaço para entrar em cena.

Húngara de nascimento, a mãe Helena Robattini Cerezo também trabalhava no meio artístico; como atriz de televisão, cinema e circo. Mas, aos oito anos de idade, Toninho perdeu o pai e aprendeu que popularidade não garante sustento!

Como herança familiar, o palhaço “Moleza” deixou apenas um acanhado barraco no Jardim Esplanada e uma pensão de 40 cruzeiros. Determinada, dona Helena assumiu o desafio de cuidar da casa e criar os guris.

Antônio Carlos Cerezo nasceu na capital Belo Horizonte (MG), em 21 de abril de 1955. Com o falecimento do pai, o esforçado Toninho Cerezo decidiu continuar batalhando no mundo circense, como o palhaço “Dureza”.

Álbum de família: O batalhador palhaço “Moleza”. Crédito: revista Placar número 324 – 25 de junho de 1976.

O palhaço “Moleza” e dona Helena ao lado dos filhos. Toninho Cerezo aparece em pé. Crédito: revista Placar número 324 – 25 de junho de 1976.

Nos dias de folga, Toninho Cerezo jogava pelo time do Ferroviário do bairro da Esplanada, até ser descoberto pelo olheiro “Zé das Camisas”, que o encaminhou aos quadro amadores do Clube Atlético Mineiro (MG).

Assim, o destino foi trocando o pó da serragem dos picadeiros pelo gramado dos circos de concreto. Em 1973, Toninho Cerezo foi emprestado ao Nacional Futebol Clube (AM), que naquele tempo era orientado pelo técnico Barbatana.

Recebendo um salário muito melhor do que aquele que recebia como juvenil do Atlético Mineiro, o emocionado Toninho Cerezo conseguiu finalmente ajudar nas despesas da casa!

No time de Manaus, o jovem médio-volante foi ganhando experiência e disputou muito bem o campeonato brasileiro. Na temporada de 1974 conquistou o título amazonense, o primeiro como profissional.

Com o fim do empréstimo em 1974, Toninho Cerezo voltou para Belo Horizonte. Na época, Telê Santana era o treinador do Atlético Mineiro e Vanderlei Paiva o dono absoluto da posição.

Alegria, habilidade e um preparo físico exemplar! Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Fama injusta de “peladeiro”. Durante muito tempo, Toninho Cerezo foi o motor do futebol eficiente e vistoso do Atlético Mineiro! Crédito: revista Placar.

Todavia, não demorou muito para Toninho Cerezo conquistar a confiança de Telê Santana, principalmente depois da saída de Vanderlei Paiva para o América de São José do Rio Preto (SP).

Apresentando uma maneira particular e estranha de correr e conduzir a bola, Toninho Cerezo logo ficou conhecido pelos companheiros como “Coxa-Bamba”, um apelido que recebeu tão logo chegou ao clube pelo meio-campista Buglê.

Em 1976 faturou o primeiro título mineiro! Ganhador da Bola de Prata da revista Placar nas edições de 1976 e 1977, Toninho Cerezo iniciou com destaque a sua rica trajetória com a camisa do escrete canarinho.

Aos poucos, o volante do Atlético Mineiro foi ganhando importância no esquema do recém-empossado Cláudio Coutinho na Seleção Brasileira. Convocado para o mundial de 1978, o título simbólico de “Campeão Moral” na Argentina foi tão frustrante como o vice-campeonato brasileiro de 1977.

Vice-campeão brasileiro de 1980, Toninho Cerezo também disputou o Mundialito do Uruguai em 1980/1981. Em grande fase, seu nome foi mantido nos planos do técnico Telê Santana para o mundial da Espanha em 1982.

O curioso apelido de “Coxa-Bamba“, pelo jeito estranho e particular de correr! Crédito: revista Manchete Esportiva.

Um dos componentes do inesquecível “quadrado mágico” de Telê Santana – ao lado de Falcão, Sócrates e Zico – Toninho Cerezo foi uma das estrelas da equipe que encantou o mundo!

Contudo, o volante carregou por muito tempo os dividendos do passe infeliz no segundo gol dos italianos, um dos três do carrasco Paolo Rossi, o que custou a nossa eliminação na Copa do Mundo.

Toninho Cerezo permaneceu no elenco do Atlético Mineiro até 1983, mesmo ano da conquista do hexacampeonato estadual. Em seguida, seu passe foi negociado por 4 milhões de dólares com a Associazione Sportiva Roma.

Os títulos pelo “Galo”: Campeonato mineiro em 1976, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983, Taça Minas Gerais em 1975, 1976 e 1979, sem esquecer da Copa dos campeões brasileiros em 1978.

Campeão da Copa da Itália de 1984 pela Roma, seus direitos foram transferidos para a Unione Calcio Sampdoria em 1986, onde também conquistou a Copa da Itália nas edições de 1988 e 1989, bem como o título italiano de 1991.

A eliminação para a Itália no mundial de 1982. Uma tarde para esquecer! Crédito: revista Placar.

A badalada transferência para a Associazione Sportiva Roma. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar número 832 – 5 de maio de 1986.

Considerado um veterano em grande forma, Toninho Cerezo só voltou ao Brasil em 1992, quando firmou compromisso com o São Paulo Paulo Futebol Clube. Foram duas passagens no tricolor paulista: 1992 até 1993 e depois em 1995.

O volante participou com brilho da conquista do bicampeonato paulista de 1992 e do mundial de clubes em 1992 e 1993, um feito e tanto na história do clube!

Pelo tricolor paulista foram 72 compromissos; com 37 vitórias, 22 empates, 13 derrotas e 7 gols marcados. os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Ignorando o passar do tempo, o incansável Toninho Cerezo continuou ainda pelo América (MG), Cruzeiro (MG) e Paulista de Jundiaí (SP), para em 1997 encerrar a sua longa caminhada pelos gramados no mesmo Atlético Mineiro.

No papel de treinador, além do Clube Atlético Mineiro, Toninho Cerezo trabalhou no Vitória (BA), Sport Recife (PR) e Guarani (SP); além de boas passagens pelo futebol da Arábia Saudita, Emirados Árabes e Japão.

Pelo São Paulo, o experiente Toninho Cerezo foi determinante na conquista do mundial de clubes em 1993. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 1090 – Janeiro de 1994.

Toninho Cerezo também passou pelas fileiras do Cruzeiro! Crédito: revista Placar número 1099 – Dezembro de 1994.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Armenio Abascal, Auremar de Castro, Bruno Bittencourt, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Daniel Gomes, JB Scalco, Marcelo Rezende, Nico Esteves, Pisco Del Gaiso, Sérgio A. Carvalho e Sérgio Berezovsky) revista Manchete Esportiva, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, Jornal Estado de Minas, Jornal La Gazzetta dello Sport, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.