Tags

, , , ,

Terça feira de 3 de março de 1953. No subúrbio carioca de Quintino Bocaiuva, o imigrante português José Antunes Coimbra estava nervoso e contava os minutos nos dedos.

Alfaiate e torcedor fanático do Flamengo, seu José queria saber notícias da esposa, dona Mathilde da Silva Coimbra, já que o sexto filho do casal estava batendo na porta.

Exatamente na sétima badalada matinal, mais um menino chegou ao mundo. Agora, a menina Maria José teria outro irmãozinho para se juntar aos outros: José Antunes (Zeca), Eduardo (Edu), Fernando (Nando) e Antônio (Tonico).

Registrado com o nome de Arthur Antunes Coimbra, o menino era chamado inicialmente de Arthurzinho. Com o passar do tempo, Arthurzinho ficou Arthurzico, até que uma prima chamada Ermelinda o chamou de Zico.

O outro apelido, “Galinho de Quintino”, foi colocado anos depois pelo radialista Waldyr Amaral, que se inspirou no jeito de andar do rapazinho.

Sr. José Antunes Coimbra e Sra. Mathilde da Silva Coimbra. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 22 de outubro de 1971.

Crédito: abril.com.br.

Família de craques, Antunes (Zeca) jogava pelo Fluminense, enquanto o habilidoso Edu dava os primeiros passos no América.

Mas, o grande prazer de todos era o Juventude de Quintino, time que movimentava os finais de semana da Rua Lucinda Barbosa.

E nesse time do Juventude, o pequeno Zico já era uma grande atração, o suficiente para ser encaminhado ao River, uma tradicional agremiação de Futebol de Salão.

Em 1967 o radialista Celso Garcia decidiu levar o “mirradinho” Zico para a escolinha do Clube de Regatas do Flamengo.

O começo foi difícil. Zico era chamado de raquítico e magricela. Mas quando a bola rolava, os incrédulos colavam o rosto no alambrado para ver o menino jogar. E Como jogava!

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Diante de tanto talento, não restou outra opção ao Departamento de Futebol do Flamengo.

Era preciso acreditar que um trabalho específico de fortalecimento físico pudesse oferecer o único atributo que faltava para Zico chegar ao profissionalismo.

Os anos foram passando e a legião de admiradores não parava de crescer. Até o lendário meio campista Carlinhos entregou sua chuteira em ato simbólico para o “menino-promessa” Zico.

Até que em 1971, quando ainda jogava pelo quadro juvenil, Zico foi lançado no elenco principal. Melhor aproveitado em 1972, Zico conquistou seu primeiro campeonato carioca.

Dono de um futebol empolgante, seus dribles, arrancadas e lançamentos eram completados com uma habilidade única nas cobranças de falta.

Crédito: revista Mengão número 2 – 1976.

Crédito: revista Placar – 10 de junho de 1977.

No campeonato brasileiro de 1974, Zico recebeu sua primeira Bola de Ouro da revista Placar, o primeiro prêmio de uma série de Bolas de “Prata” e “Ouro” ao longo da carreira.

Em 1976 conquistou seus primeiros títulos pelo escrete canarinho nos torneios Bicentenário dos Estados Unidos, Copa Roca e Taça do Atlântico.

Nos anos seguintes, Zico assistiu o domínio dos rivais. O Fluminense foi bicampeão em 1975 e 1976 e, mais dolorosamente, o Vasco levantou o caneco em 1977.

Em 1978 uma nova geração foi amadurecida na Gávea. Conhecida posteriormente como “Era Zico”, o Flamengo dominou o cenário carioca até o início da década de 80.

Convocado para sua primeira Copa do Mundo em 1978, Zico sofreu com uma contusão e não foi aproveitado em sua plenitude nos gramados da Argentina.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Em sua primeira participação em uma Copa do Mundo, Zico marcou de cabeça no último minuto diante da Suécia. Mas o gol foi anulado pelo árbitro Clive Thomas (País de Gales). A Partida, válida pela primeira rodada da fase de grupos, terminou empatada em 1×1. Crédito: revista Placar.

Na copa do “Título Moral” pregado pelo treinador Cláudio Coutinho, Zico sofreu até com um gol anulado de forma incomum na primeira partida contra a Suécia.

O árbitro Clive Thomas (País de Gales) justificou ao dizer que já tinha apitado o final do jogo quando a bola partiu do escanteio que originou o gol. O placar final ficou em 1×1.

Tricampeão carioca em 1978, 1979 e 1979 especial, o Flamengo conquistou seu primeiro campeonato brasileiro em 1980. No ano seguinte, o clube viveu seu período de ouro com os títulos da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes.

A conquista da Copa da Espanha em 1982 parecia algo evidente depois do grande futebol apresentado nos jogos na primeira fase. Toda uma geração de grandes valores estava reunida com o comando de Telê Santana.

Como o futebol não é um exercício de justiça, o destino tratou de iluminar Paolo Rossi na triste tarde de 5 de julho, no hoje demolido Estádio Sarriá.

Zico na partida do mundial interclubes de 1981. Crédito: revista Placar.

Estádio Sarriá 1982. O “carrapato” Cláudio Gentile e Paolo Rossi acabaram com o sonho do tetra. Crédito: revista Placar.

Bicampeão brasileiro em 1982 e 1983, seu passe foi negociado com a Udinese da Itália por 4 milhões de dólares, lá permanecendo até julho de 1985, quando retornou em grande estilo ao Flamengo.

A transação com os italianos rendeu investigações, tanto na Itália como no Brasil. A Udinese quase não conseguiu efetivar o negócio e teve que provar a origem do capital investido, considerado alto demais para o poder de compra do clube.

Algum tempo depois da volta triunfal ao Flamengo, o pior dos cenários aconteceu em uma partida contra o Bangu. Zico sofreu uma entrada desleal de Márcio Nunes. Submetido aos procedimentos médicos de praxe, o “Galinho” nunca mais foi o mesmo!

Em 1986 Zico foi convocado para disputar sua terceira Copa do Mundo. No entanto, o reflexo das contusões o limitaram demais.

Poupado em boa parte da competição, Zico ficou marcado na partida que representou nossa eliminação na Copa do México.

Zico na Udinese. Crédito: calciopedia.com.br.

Uma entrada violenta de  Marcio Nunes do Bangu. Crédito: revista Placar.

No jogo contra os franceses, Zico entrou no segundo tempo e ofereceu um passe primoroso para Branco sofrer o pênalti que poderia decidir o confronto.

O próprio Zico bateu e o goleiro Joel Bats defendeu. Com o empate no tempo regulamentar (1×1) e o empate sem gols na prorrogação, o jogo foi decidido na cobrança de penalidades, com vitória francesa por 4×3.

Campeão da Copa União de 1987, Zico deixou os gramados em 1989.

Pelo Flamengo foram 727 jogos disputados com 428 vitórias, 180 empates, 119 derrotas e 502 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Sua despedida oficial aconteceu em 6 de fevereiro de 1990, quando enfrentou um Combinado de Estrelas. Depois, o “Galinho” ajudou o futebol japonês em seu processo de profissionalização, quando defendeu o Kashima Antlers.

Sócrates e Zico. Atores de uma geração sem sorte em copas do mundo. Crédito: revista Placar – 31 de maio de 1985.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hideki Takizawa, Marcelo Rezende, Marco Aurélio Guimarães, Mário Serapicos, Maurício Azêdo, Mílton Costa Carvalho e Sebastião Marinho), revista Fatos e Fotos, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mengão, revista Zico, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, abril.com.br, calciopedia.com.br, estadao.com.br, esporte.uol.com.br, esportes.r7.com, flamengo.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, lancenet.com.br, literaturanaarquibancada.com, oglobo.globo.com, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Publicidade