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Quem não tem saudades do grande meio campista Aílton Lira em sua passagem pelo Santos? Ele cobrava faltas como poucos. Era um verdadeiro especialista!

Aílton Lira da Silva nasceu no dia 19 de fevereiro de 1951 na cidade de Araras (SP).

Descoberto em Araras pelo técnico Zé Duarte, Aílton Lira foi aprovado nas categorias amadoras da Associação Atlética Ponte Preta, clube onde também assinou seu primeiro compromisso profissional.

Lira fez parte do elenco que conquistou o título da então chamada “Divisão de Acesso” do campeonato paulista em 1969.

Naquela campanha do “Acesso”, a Ponte do técnico Zé Duarte perdeu apenas o compromisso final diante da Francana, o que representou o direito de voltar para o grupo de elite do futebol paulista.

Equipe juvenil da Ponte Preta que participou do campeonato da categoria promovido pela Liga Campineira de Futebol em 1968. Em destaque Aílton Lira. Crédito: ligacampineira.com.br.

Sem perspectivas concretas para o seu aproveitamento na Ponte Preta, em 1972 Lira continuou sua carreira na Associação Atlética Caldense (MG).

Mesmo com a costumeira sondagem de outros clubes, Lira continuou escondido no futebol mineiro por quatro longas temporadas.

Em 1976 Zé Duarte era o técnico do Santos e solicitou o futebol de Aílton Lira aos dirigentes do alvinegro praiano, que na oportunidade tinham interesse por outro jogador da Caldense, o zagueiro Neto.

Mesmo diante de uma situação financeira difícil nos cofres do clube, os cartolas santistas aceitaram investir um pouco mais e trazer Lira para um curto período de experiência.

Pita e Aílton Lira. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Sua primeira grande participação pelo Santos aconteceu na conquista do Torneio Hexagonal do Chile, em fevereiro de 1977.

No torneio o Santos venceu o Colo-Colo por 3×1, o Everton de Viña del Mar por 4×0, o River Plate da Argentina por 2×0 e foi derrotado pela Seleção de Salzburg da Áustria por 1×0. No encontro final venceu o Universidad Del Chile por 2×0 e ficou com o caneco.

Abaixo, o grande jogo de Aílton Lira no Torneio Hexagonal do Chile, quando marcou os 2 gols do “Peixe” diante do forte quadro do River Plate:

28 de janeiro de 1977 – Torneio Hexagonal do Chile – Santos 2×0 River Plate (Argentina) – Estádio Nacional em Santiago, Chile – Árbitro: Juan Silvano – Gols: Aílton Lira aos 17’ e aos 30’ do segundo tempo – Expulsão: Ailton Lira (Santos).

Santos: Ricardo; Léo Paraibano, Ailton Silva, Neto e Fernando; Clodoaldo e Ailton Lira; Nilton Batata, Toinzinho (Zé Mário), Totonho e Reinaldo (Marçal). Técnico: Urubatão. River Plate: Landaburu; Saporitti, Perfumo (Pena), Artico e Hector Lopez; Merlo (Cocco), JJ Lopes e Sabela; Pedro Gonzaçez, Bianco e Ortiz (Commisso).

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar.

Em seus primeiros tempos no Santos, Aílton Lira usava o lendário número 10, que mais tarde foi entregue ao jovem Pita (Edivaldo de Oliveira Chaves).

Aílton Lira lançava com perfeição e seus arremates eram fortes e precisos. Era clássico e refinado em seu toque de bola. Enfim, suas qualidades eram grandes, assim como suas deficiências, que logo foram aparecendo.

Mesmo com lampejos de gênio, seu futebol oscilava em algumas partidas. Considerado lento e avesso ao esquema que exigia seu envolvimento na marcação, Aílton Lira recebia críticas dos torcedores e da imprensa.

Afastado do elenco por Zito (José Ely de Miranda), na época vice presidente de futebol do Santos, Aílton Lira só retornou ao time três meses depois, no segundo semestre de 1978, antes do início do campeonato paulista.

A facilidade para bater na bola. Uma habilidade desenvolvida com muito treinamento. Crédito: revista Placar.

Conforme publicado pela revista Placar, em sua edição de 30 de março de 1979, o perdão para Lira começou no momento em que não apareceu nenhum clube interessado em comprar o seu passe.

Com um salário alto, os diretores não tiveram outra alternativa que não fosse reintegrar o jogador ao elenco.

Depois de várias conversas envolvendo Zito e o técnico Formiga, Lira se reergueu e foi de grande importância na conquista do campeonato paulista de 1978.

Aílton Lira continuou jogando pelo Santos até 1979. Seu passe foi negociado com o São Paulo Futebol Clube, que na verdade tinha como alvo principal o promissor meio campista Pita.

Crédito: revista Placar – 30 de março de 1979.

Crédito: revista Placar.

Como o Santos não caiu na armadilha de negociar Pita, os cartolas do tricolor fecharam o negócio com Aílton Lira por 6,9 milhões de cruzeiros.

Com o diagnóstico de problemas nasais, o que o impedia de respirar corretamente, Aílton Lira foi submetido aos procedimentos cirúrgicos tão logo chegou ao Morumbi.

Em sua passagem pelo São Paulo em 1980, Aílton atuou em apenas 29 compromissos, obtendo 12 vitórias, 13 empates, 4 derrotas e 9 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Integrante do elenco campeão paulista de 1980, o técnico Carlos Alberto Silva também cobrava muito empenho na marcação. Lira não se deu bem!

Depois do período no tricolor, Lira foi contratado pelo Al Nasser (Arábia Saudita) por 400.000 dólares. Foram duas temporadas fora do Brasil.

Com o passe livre nas mãos, Aílton Lira voltou ao futebol brasileiro. Reencontrou o técnico Zé Duarte no Guarani de Campinas, ao lado de Jorge Mendonça, Careca e do ex-ponte pretano Lúcio.

Posteriormente, ainda jogou pelo União São João de Araras (SP), Comercial (SP), Portuguesa Santista (SP), Itumbiara (GO) e Guará (DF).

Longe dos gramados Aílton Lira tocou seu negócio ao lado dos irmãos, uma loja de peças para caminhões na cidade de Araras (SP).

Dicá e Aílton Lira quando passou pelo Guarani. Crédito: revista Placar – 13 de agosto de 1982.

Crédito: revista Placar – 22 de janeiro de 1988.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Mário Sérgio Venditti, Sérgio Martins e Marco Aurélio Borba) revista Manchete Esportiva, placar.abril.com.br, lancenet.com.br, globoesporte.globo.com, gazetaesportiva.net, esporte.uol.com.br, topicos.estadao.com.br – Arquivo/AE, acervosantosfc.com, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), ligacampineira.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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