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Em agosto de 1979, o repórter Sérgio Martins da revista Placar entrevistou o ponteiro esquerdo do São Paulo.

Com pouco tempo desde o seu surgimento, Zé Sérgio estava cansado da rotina dos treinamentos, da falta de liberdade e, principalmente, do azar nas contusões e fraturas que tanto o prejudicaram.

Na oportunidade, Zé Sérgio já pagava um alto preço pelo grande sucesso e popularidade, o que o impedia até do esperado passeio com seu cão Scooby.

José Sérgio Presti, um dos mais talentosos ponteiros esquerdos do futebol brasileiro, nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 8 de março de 1957.

Zé Sérgio (camisa 11) e Serginho em partida contra o Santos no Estádio do Morumbi. Crédito: gazetaesportiva.net.

Zé Sérgio na final do campeonato brasileiro de 1977. Crédito: revista Placar.

Ao contrário da grande maioria dos boleiros, Zé Sérgio nasceu em uma família de classe média. Os pais desejavam oferecer ao garoto um futuro promissor amparado em uma boa formação acadêmica.

Mas Zé Sérgio cresceu ouvindo o nome do primo famoso, Roberto Rivellino, um dos gigantes da mágica conquista do tricampeonato no México em 1970.

E Zé Sérgio estava encantado com o futebol. Orgulhosamente carregava nos braços uma bola “Rivelino”, um objeto de desejo fabricado pela antiga empresa de brinquedos Troll.

Na época, Rivellino o indicou para treinar no Corinthians. A habilidade de Zé Sérgio encantou os homens do alvinegro, que logo o convidaram para continuar no clube.

No entanto, Zé Sérgio foi vencido pelo cansaço e pela enorme distância entre o Butantã e a Zona Leste. Definitivamente, o Corinthians não daria certo!

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Então, Zé Sérgio continuou batendo sua bolinha no Futebol de Salão do Esporte Clube Banespa.

Três anos mais tarde, em 1973, o mesmo Rivellino o levou até o São Paulo. E Zé Sérgio foi permanecendo lá pelas bandas do Morumbi.

Era um ponta esquerda diferente. Como era destro, o rapaz confundia os marcadores. Além da grande capacidade de driblar, Zé Sérgio era dono de um arranque espetacular.

Aos 19 anos de idade recebeu sua primeira oportunidade no elenco principal do tricolor. Foi no mês de junho de 1976, contra o América de São José do Rio Preto, compromisso válido pelo campeonato paulista.

Quase um ano depois, o ponteiro esquerdo já era um dos destaques do time que foi campeão brasileiro de 1977.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 17 de agosto de 1979.

Zé Sérgio é marcado por Rosemiro do Palmeiras. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 17 de agosto de 1979.

As ótimas apresentações o levaram ao escrete para disputar o mundial da Argentina em 1978. Ao lado do primo contundido, Zé Sérgio não foi utilizado em nenhum compromisso pelo treinador Cláudio Coutinho.

Em 1980 disputou o Mundialito do Uruguai e foi um dos responsáveis pela conquista do campeonato paulista. 

Bicampeão paulista e vice-campeão brasileiro de 1981, Zé Sérgio era nome certo para disputar o mundial de 1982. No entanto, uma contusão interrompeu o sonho de fazer parte do time de Telê Santana na Espanha.

Mas o destino ainda o reservou outro infortúnio. A inocência ao ingerir um simples comprimido de Naldecon fez com que Zé Sérgio fosse pego em um exame antidoping. Foi um golpe duro!

Foto de J.B. Scalco. Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1980.

Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1980.

A imprensa, impiedosa, não perdeu tempo e tirou proveito da situação. Quando voltou aos gramados, Zé Sérgio ainda estava abalado e um tanto desmotivado.

Entrou em declínio. Seu sistema nervoso deixou os músculos tensos e aí aconteceram as fraturas no braço. Mesmo em processo de recuperação, cobranças e mais cobranças abreviaram sua permanência no Morumbi.

Ao todo, foram 353 compromissos disputados com 166 vitórias, 111 empates, 76 derrotas e 49 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Em seguida o ponteiro foi parar na Vila Belmiro, em uma negociação que envolveu o também tricolor Humberto e o promissor meia santista Pita.

No “Peixe”, revigorado pelo técnico Castilho, Zé Sérgio conquistou o campeonato paulista de 1984, um título inesquecível para os torcedores do time da baixada santista.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 13 de março de 1981.

Zé Sérgio e Rivellino. Destinos familiares no escrete canarinho. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 13 de março de 1981.

Zé Sérgio permaneceu no Santos até 1986, quando foi transferido para o Club de Regatas Vasco da Gama. No clube carioca o ponta-esquerda fez parte do elenco que faturou o título carioca de 1987.

Após o título com o Vasco, Zé Sérgio deixou o Brasil rumo ao Hitachi do Japão, que depois adotou o nome de Kashima Reysol. No time asiático, Zé Sérgio jogou até 1991, iniciando em seguida sua carreira como treinador.

Foi um dos últimos pontas autênticos do futebol brasileiro. Um legítimo integrante do gênero dos grandes dribladores que deixavam o espetáculo com um colorido diferente.

Pagou um alto pelo preço pela habilidade e sofreu pelo descaso e falta de preparo dos dirigentes.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 19 de fevereiro de 1982.

O técnico Castilho abraça Zé Sérgio após a conquista do título paulista de 1984 pelo Santos. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Fábio Rocco Sormani, JB Scalco, José Maria de Aquino, José Pinto, Lemyr Martins, Maurício Cardoso e Sérgio Martins), revista Manchete Esportiva, esporte.ig.com.br, esporte.uol.com.br, globoesporte.globo.com, gazetaesportiva.net, kigol.com.br, lancenet.com.br, noticias.bol.uol.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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