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Roberto Monteiro, mais conhecido como “Roberto Batata” em razão do hábito de comer batatinhas fritas, nasceu em Belo Horizonte (MG), no dia 24 de julho de 1949.

Nos anos sessenta a família Monteiro era reconhecida como uma “fábrica de pontas” e Geraldo Monteiro era um ponteiro dos bons.

Geraldo jogou pela seleção mineira que conquistou o título brasileiro de 1963. Foi ele quem levou o irmão Roberto Batata para o América mineiro.

Alguns anos depois, quando o América extinguiu o departamento amador por falta de dinheiro, o sonho de ser um jogador de futebol ficou mais difícil para o jovem Roberto Batata.

Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1971.

O cabelo mudou. O gosto pelas batatinhas fritas não!

Triste, Roberto Batata continuou jogando sua bolinha no time amador do banco Real. Em 1968 foi encaminhado para as categorias de base do Cruzeiro Esporte Clube.

No ano seguinte foi emprestado ao Atlético de Três-Corações, onde ganhou experiência e disputou o campeonato mineiro de 1970. Em seguida retornou para a Toca da Raposa.

No início de 1971 o interesse do Corinthians pelo ponteiro direito Natal era cada vez maior. A oferta pelo passe de Natal era muito boa, mas o Cruzeiro tinha receio em vendê-lo.

O medo de vender Natal foi superado quando o diretor de futebol Carmine Furletti assistiu Roberto Batata jogar pela primeira vez.

Crédito: revista Placar – 18 de janeiro de 1974.

Seleção Brasileira em 1975. Em pé: Nelinho, Piazza, Amaral, Getúlio, Raul e Vanderlei Paiva. Agachados: Roberto Batata, Marcelo, Campos, Danival e Romeu.

Depois de uma conversa com o técnico Hilton Chaves, Furletti aceitou vender Natal ao Corinthians. Foi o próprio Hilton Chaves que comunicou ao jovem Roberto Batata que ele seria o titular na disputa do Torneio internacional de Montevidéu.

A estreia foi contra o temido Penãrol. Mas Roberto Batata não tomou conhecimento da marcação exercida pelo lateral Caetano.

No final da partida o jovem ponteiro recebeu o reconhecimento do craque Tostão.

Além da conquista do tetra-campeonato mineiro entre os anos de 1972 e 1975, Roberto Batata foi vice-campeão brasileiro nas edições de 1974 e 1975, ano em que também integrou o combinado mineiro que representou o Brasil na Copa América.

Com o vice-campeonato brasileiro o Cruzeiro iniciou sua jornada na Taça Libertadores de 1976. Na primeira fase o quadro mineiro conseguiu sua classificação em um grupo difícil com Internacional, Olímpia do Paraguai e Sportivo Luqueño.

Crédito: cruzeiro.com.br.

Em 12 de maio de 1976, já pela segunda fase da competição, os rapazes do técnico Zezé Moreira foram até o Peru e venceram o Club Alianza Lima pelo placar de 4×0, com Roberto Batata marcando o gol que fechou o resultado.

A delegação cruzeirense voltou para o Brasil logo após a partida. Desembarcou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, pouco antes das 6 horas da manhã e esperou a conexão para Belo Horizonte até as 11horas.

Em Belo Horizonte Roberto Batata sentiu saudades da família e como sempre fazia se preparou para ir até a cidade de Três Corações.

Foi alertado pelos companheiros sobre os riscos de dirigir depois da maratona enfrentada de Lima até Belo Horizonte.

Mesmo assim, Roberto disse que estava bem e tomou o volante de seu Chevette em direção da Rodovia Fernão Dias.

O cabelo “Black Power”, comum no começo dos anos setenta, marcou a imagem do inesquecível Roberto Batata. Crédito: esporte.uol.com.br.

O ataque que balançou a Taça Libertadores de 1976. Partindo da esquerda: Roberto Batata, Eduardo, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Crédito: folha.uol.com.br.

Durante o trajeto, o peito estava repleto de saudades da esposa Denise e do filho Leonardo que só tinha 11 meses.

No entanto, os “três corações” da família foram separados para sempre no Km 182, quando uma batida frontal em um caminhão tirou a vida de Roberto Batata.

O mundo do futebol estava chocado! O corpo do jogador foi velado por uma multidão na sede do Cruzeiro. A Federação Mineira de Futebol decretou luto oficial de uma semana e suspendeu o campeonato estadual.

Na semana seguinte, no dia 20 de maio, o Cruzeiro enfrentou o Alianza no estádio do Mineirão. Uma camisa número 7 foi colocada ao lado do gramado.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 21 de maio de 1976.

Momentos antes da bola rolar, a banda da Polícia Militar de Belo Horizonte tocou “Silêncio”.

Em campo, os jogadores prestaram uma linda homenagem ao ex-companheiro, vencendo o time peruano pelo placar de 7×1.

Na final do torneio, contra o River Plate, os companheiros se ajoelharam no centro do gramado e rezaram por Roberto Batata. Ele também foi campeão da América!

Pelo Cruzeiro Roberto Batata esteve em campo em 281 compromissos e marcou 110 gols. Os números fazem parte do Almanaque do Cruzeiro, de autoria de Henrique Ribeiro.

A homenagem dos jogadores do Cruzeiro ao companheiro Roberto Batata.

O cortejo para levar o corpo de Roberto Batata para sua última morada. Crédito: atleticoxcruzeiroraridades.blogspot.com.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio A. Carvalho e Arthur Ferreira), revista Manchete, arogeraldes.blogspot.com, lancenet.com.br, folha.uol.com.br, esporte.uol.com.br, gazetaesportiva.net, cruzeiro.com.br, paixaocruzeirense.com.br, atleticoxcruzeiroraridades.blogspot.com, almanaquedocruzeiro.blogspot.com.br, Almanaque do Cruzeiro – Henrique Ribeiro, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, campeoesdofutebol.com.br.

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