Tags

, , ,

O início de sua caminhada foi marcado por constantes escapadas da vigilância do pai. E muita coisa aconteceu antes que o sonho de brilhar no futebol virasse uma realidade.

Seu Jerônimo, pai de Zé Roberto, também teve o passado marcado pelo futebol. Foi jogador do Botafogo de Ribeirão Preto na década de 1940 e conhecia muito bem os perigos do mundo da bola:

– “Viver do futebol é uma verdadeira loteria! Causa sofrimento e quase sempre cobra muito mais do que oferece”.

Nascido no dia 31 de maio de 1945 na capital paulista, José Roberto Marques começou sua trajetória nos quadros amadores do São Paulo Futebol Clube.

Mas antes de chegar ao Morumbi, o rapazola deu muita dor de cabeça aos pais. Um dia, seu Jerônimo descobriu uma perturbadora coincidência. O filho, outro sonhador, faltava na escola para jogar no infantil do mesmo Botafogo de Ribeirão Preto.

Zé Roberto (em destaque) marcou o único gol do clássico “Majestoso” no Torneio Pentagonal de Recife em 1965. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 270 – Janeiro de 1965.

Zé Roberto no Morumbi. Crédito: revista Placar.

Vivendo com os avós em Ribeirão Preto, o garoto deixava os livros de lado. Tirava uma “chuteirinha” surrada da sacola e passava horas sem lembrar de mais nada!

Foi assim que seu Jerônimo decidiu mandar o filho para São Paulo. Quem sabe assim, com os cuidados da mãe, Zé Roberto voltaria aos estudos para ter um futuro melhor.

O emprego como datilógrafo foi arrumado pela mãe em um escritório da Rua São Caetano. Depois dessa primeira ocupação, Zé Roberto também trabalhou como corretor na Bolsa de Valores.

Até o dia em que descobriu o “São Paulinho” do bairro de Santa Terezinha, Zona Norte da cidade de São Paulo. Mais uma vez, o problemático Zé Roberto burlava qualquer compromisso para jogar futebol.

Do “São Paulinho” ele acabou no São Paulo do Morumbi. Desolado, seu Jerônimo nem falava mais nada! Como meia-armador, centroavante ou ainda ponteiro-esquerdo, o que Zé Roberto gostava mesmo era fazer gols.

Quando ainda jogava pela Ponte Preta, o médio-volante Chicão pressiona o árbitro. Zé Roberto aparece ao lado, apenas observando o “bate-boca”. Crédito: revista Placar.

Coritiba e São Paulo no Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Teodoro e Zé Roberto disputam pelo alto. Crédito: revista Placar.

Alto e um tanto desengonçado, o jovem talento não demorou muito tempo para cair nas graças do saudoso Vicente Feola, que sempre arrumava um tempinho para assistir ois treinos das divisões de base.

Também conhecido como “Gazela”, Zé Roberto foi ganhando fama e respeito no Morumbi. Cresceu tanto que foi convocado para os Jogos Olímpicos do Japão em 1964.

Depois da Olimpíada, Zé Roberto passou por empréstimo pelo Guarani de Campinas e depois pela Francana em 1966.

Contudo, a fama de “jogador problema” não demorou para aparecer. Zé Roberto gostava da boemia e não fazia conta para o dinheiro gasto. Seu negócio era o movimento da vida noturna!

Mesmo querido no tricolor, o presidente Laudo Natel não pensou muito para novamente liberar o atacante por empréstimo ao Clube Atlético Paranaense. Para os cartolas do São Paulo, Zé Roberto era mesmo um irrecuperável!

Chega de Zé Roberto! Crédito: revista Placar – 28 de setembro de 1973.

Nunca fui santo! Foto de Sérgio Sade – Crédito: revista Placar – 21 de dezembro de 1973.

Além de Zé Roberto, o presidente Jofre Cabral investiu alto para contar com veteranos consagrados; como Bellini e Djalma Santos.

E nessa primeira temporada no cenário paranaense, Zé Roberto marcou 24 gols e foi o artilheiro da competição.

Com o término do empréstimo, o Atlético Paranaense não dispunha do valor exigido pelo São Paulo. Dessa forma, o atacante voltou ao Morumbi, apesar de todo o esforço dos paranaenses.

Campeão paulista de 1970, Zé Roberto não demorou para regressar ao Paraná. Dessa vez o destino foi o Coritiba Foot Ball Club, quando foi apresentado ao técnico Tim em fevereiro de 1971.

O acerto com o Coritiba foi firmado primeiramente por empréstimo. Somente algum tempo depois o compromisso foi assinado em definitivo.

Um duro danado para entrar em forma. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 9 de agosto de 1974.

Rivellino e Zé Roberto em dia de treinamento no Parque São Jorge. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 9 de agosto de 1974.

Nas fileiras do Coritiba, o centroavante paulista atingiu seu auge. Conquistou o campeonato paranaense nas edições de 1971, 1972, 1973, a “Fita Azul” e a “Bola de Prata” da revista Placar, ambos em 1972, além do Torneio do Povo em 1973. 

Enquanto os torcedores do Coritiba o idolatravam, o corpo diretivo do clube preferia fazer vista grossa para os hábitos boêmios do jogador.

Sem limites, os prazeres da vida noturna cobraram seu preço. A imprensa pegava pesado e os dirigentes mudaram de postura em setembro de 1973.

Cansado de correr atrás das escapadas costumeiras de Zé Roberto, o Coritiba colocou o passe de Zé Roberto no mercado. Então, o forte interesse do Penãrol do Uruguai foi superado pelo Corinthians, que confirmou o negócio no findar do primeiro semestre de 1974.

As primeiras avaliações físicas não foram boas. Todavia, os homens da comissão técnica confiaram nas promessas de recuperação do atacante.

O carinho da garotada. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 9 de agosto de 1974.

Com um gol de Zé Roberto, o Corinthians venceu o São Paulo por 1×0 no Pacaembu e faturou o primeiro turno do campeonato paulista de 1974. Partindo da esquerda; Rivellino (camisa 10), Lance, Zé Roberto (camisa 16), Brito (encoberto) e Baldochi. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 18 de outubro de 1974.

Em seu primeiro clássico contra o Palmeiras no Pacaembu, Zé Roberto marcou os 3 gols da espetacular virada alvinegra por 3×1.

Zé Roberto também foi o autor do gol da vitória contra o São Paulo por 1×0, resultado que deu ao Corinthians o título de campeão do primeiro turno, além da qualificação para disputar a final do campeonato paulista.

Depois da sofrida derrota para o Palmeiras na finalíssima, Zé Roberto continuou no Corinthians até 1975. Em seguida voltou ao seu tradicional “porto seguro”, o Coritiba, equipe onde permaneceu até 1977.

Zé Roberto ainda jogou pelo Atlético Paranaense por mais algum tempo e em seguida encerrou sua passagem pelos gramados.

Em decorrência de uma úlcera, José Roberto Marques faleceu em 7 de maio de 2016,  Ele estava internado na UTI de um hospital em Serra Negra, no interior de São Paulo.

Partida decisiva do campeonato paulista de 1974. Partindo da esquerda; Brito, Leivinha, Zé Roberto, Ademir da Guia e Alfredo Mostarda. Crédito: revista Placar.

Zé Roberto ainda voltou ao Atlético Paranaense. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 20 de outubro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hélio Teixeira, JB Scalco, José Eugênio, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Manoel Motta, Roberto José da Silva e Sérgio Sade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, coritiba.com.br, gazetadopovo.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios