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Colaborou Pedro Luiz Boscato.

Estava difícil segurar o rápido e habilidoso ataque do Corinthians no inflamado estádio do Pacaembu. Luizinho, Baltazar e Carbone bem que tentavam furar o bloqueio do Ypiranga, mas não conseguiam escapar das trombadas do zagueiro Valdemar.

Em um esforço que parecia não ter fim, Valdemar fazia de tudo para manter o jogo em um constante e conveniente “banho maria”, para quem sabe, sair do Pacaembu com pelo menos um empate.

Entretanto, o experiente árbitro Antônio Musitano já estava de olho nas malandragens da dupla Travaglini e Valdemar.

Para qualquer adversário, não era fácil vencer o sistema defensivo do Ypiranga, que além de Travaglini e Carabina, contava também com o sempre regular goleiro Valentino, o jovem lateral Riberto e o ótimo centro médio Gaia.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 542 – Terça Feira, 30 de março de 1954.

O Clube Atlético Ypiranga no estádio do Pacaembu. Partindo da esquerda, em pé, Carabina é o segundo, ao lado do goleiro Valentino e em seguida vemos Mário Travaglini. Crédito: site do Milton Neves.

Valdemar dos Santos Figueira, que ficou conhecido como “Valdemar Carabina”, nasceu no dia 28 de janeiro de 1932, no bairro de Pinheiros, na capital paulista.

Conforme publicado no Jornal Mundo Esportivo, em sua edição de 30 de março de 1954, Valdemar jogava sua bolinha em equipes do futebol amador da região de Pinheiros, como o Paulista e o Brasil.

Em seguida, Valdemar foi convidado para jogar no time do Mappin Stores, onde também arrumou um emprego como balconista.

Pouco depois, no começo dos anos cinquenta, Valdemar foi para a cidade de Ibitinga (SP) jogar pelo quadro do América local.

Um dia, o amigo Juan Raúl Echevarrieta, atacante argentino que defendeu o Palmeiras nos anos quarenta, o encaminhou para treinar nas divisões amadoras do Clube Atlético Ypiranga.

Crédito: Folhapress.

No Ypiranga, Valdemar jogou ao lado de Mário Travaglini até chegarem praticamente juntos ao quadro de Aspirantes.

Posteriormente, Valdemar foi integrado ao elenco de profissionais no ano de 1952, realizando grandes partidas e subindo no conceito dos companheiros de clube.

Zagueiro na mais pura concepção da palavra, Valdemar usava de sua força física e chegava junto nas divididas. Valdemar, que no começo de sua carreira ainda não era conhecido como “Carabina”, não era de brincar no serviço.

Afinal, naqueles anos de ouro do futebol paulista, os times considerados “grandes” não entravam em campo somente para empatar, ou mesmo ganhar de pouco das equipes consideradas pequenas.

Em 1954, Valdemar foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras e o apelido “Carabina” foi definitivamente incorporado, não só no futebol mas também em sua vida pessoal.

Mário Moraes, comentarista da Rádio Panamericana, foi o autor do apelido “Carabina”.

Crédito: revista do Esporte.

A autoria do criativo apelido de “Carabina” pertence ao comentarista da Rádio Panamericana, Mário Moraes.

Após presenciar uma cobrança de falta executada por Valdemar, bem antes da intermediária adversária, Mário Moraes comentou que o potente chute do zagueiro parecia um “tiro de carabina”.

Sem dúvida, esse foi o mais bonito dos nove gols que o zagueiro marcou enquanto envergou a camisa do Palmeiras.

Ao longo dos anos, Carabina criou uma forte identidade com o uniforme do alviverde. Até hoje, seu nome é lembrado como símbolo da raça e dedicação dentro das quatro linhas.

Pinga do Vasco e Valdemar Carabina no estádio do Maracanã. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Fluminense x Palmeiras no estádio das Laranjeiras. Pinheiro e Valdemar Carabina. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

A grande rivalidade existente entre os clubes do eixo Rio-São Paulo não favoreceu sua transferência para vestir outras camisas.

O mesmo não se podia dizer quando o assunto envolvia agremiações de outras nacionalidades.

Sua lealdade, vontade e determinação dentro de campo era admirada pelos adversários e também cruzou fronteiras, fazendo com que o futebol argentino tentasse contar com suas qualidades.

Tal fato aconteceu quando o técnico Brandão treinava o Independiente da Argentina.

Brandão tentou intermediar a contratação do zagueiro junto ao Palmeiras. A negociação não progrediu e Carabina preferiu permanecer no Parque Antártica.

Tupãzinho e Valdemar Carabina observam Pelé no chão. Crédito: espn.estadao.com.br.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 178 – Fevereiro de 1961.

Os duelos entre Carabina e Pelé sempre foram uma grande atração nos clássicos entre Palmeiras e Santos.

Em um dos muitos episódios, lembramos o curioso confronto travado em uma partida pelo campeonato paulista de 1958.

Após um cruzamento na grande área do Palmeiras, Pelé se agarrou nos braços de Valdemar Carabina. Enquanto o zagueiro tentava se soltar, Pelé gritava ao mesmo tempo em que projetava seu corpo junto ao chão.

O árbitro Esteban Marino não teve dúvidas e apontou para a marca fatal, enquanto Carabina, muito revoltado, era contido por seus companheiros.

Em 7 de setembro de 1965, Carabina jogou pela Seleção Brasileira representada pelo Palmeiras. Era o segundo jogo das festividades de inauguração do estádio Magalhães Pinto (Mineirão), com vitória sobre o Uruguai por 3×0.

O Independiente da Argentina, dirigido por Brandão, queria contar com o futebol de Carabina. Crédito: revista do Esporte número 130.

7 de setembro de 1965. Carabina, em destaque, na Seleção Brasileira que foi representada pelo Palmeiras diante do Uruguai no estádio do Mineirão.

O zagueiro jogou pelo Palmeiras até o ano de 1966, estabelecendo assim uma marca considerável de 584 partidas disputadas.

Foram 333 vitórias, 116 empates e 135 derrotas. Os números fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

No Parque Antártica, Carabina conquistou três títulos paulistas em 1959, 1963 e 1966, a Taça Brasil de 1960 e o Torneio Rio-São Paulo de 1965.

Depois do Palmeiras atuou pelo Comercial de Ribeirão Preto, encerrando sua carreira em 1968. Posteriormente, no mesmo Comercial, Carabina iniciou sua jornada como treinador, trabalhando depois em várias equipes do futebol brasileiro.

Valdemar Carabina faleceu na cidade de Salvador (BA), no dia 22 de agosto de 2010.

Crédito: gruponoticia.com.br.

Carabina quando trabalhou como treinador do Atlético Paranaense. Crédito: revista Placar – 13 de fevereiro de 1976.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Lenivaldo Aragão, Carlos Maranhão e Rosaldo Aguiar), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Campeoníssimo, espn.estadao.com.br, Folhapress, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, Jornal Mundo Esportivo (por Antônio Guzman), esportes.r7.com, globoesporte.globo.com, gazetaesportiva.net, lancenet.com.br, kigol.com.br, gruponoticia.com.br, esportes-mlopomo.blogspot.com.br, site do Milton Neves, palestrinos.com.br, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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