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Tudo em volta está quase deserto, salvo por um casal de pássaros Quero-Quero, que insiste em formar um ninho no centro do gramado.

Quando não há jogo ou treino, os frequentadores do enorme estádio do Morumbi podem ser contados nos dedos.

O saguão, corredores, arquibancadas, numeradas, cabines de rádio e TV, depósitos, vestiários, banheiros, áreas de acesso, rampas, refletores, gramado e até os bancos de reservas são de responsabilidade de um único homem.

Os menos avisados, que jogam pontas de cigarro em qualquer canto, percebem o peso do olhar discriminador e disciplinador do Sr. Gino Orlando, um administrador dedicado que ocupa o cargo desde o ano de 1969.

Seu Gino, pulso firme no gigante do Morumbi. Crédito: museudapessoa.net.

Gino Orlando nasceu no dia 3 de setembro do ano de 1929, em São Paulo (SP).

Criado em uma casinha simples na Rua Barão do Bananal, no bairro de Vila Pompéia, iniciou no futebol jogando em times amadores, principalmente pela A.A. Matarazzo, onde conseguiu maior projeção.

Descoberto por olheiros, foi levado para os times de base da Sociedade Esportiva Palmeiras no final de 1947. Depois de aprovado, Gino foi logo aproveitado na equipe de Aspirantes.

Pelo alviverde, o centroavante atuou oficialmente em apenas 4 partidas, com 2 vitórias, 1 empate e 1 derrota, sem anotar nenhum tento. Os números fazem parte do Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

O XV de Jaú e o maior time de sua história: Lourenço, Servílio, Clóvis, Gritta, Gérsio Passadore e Gengo (ex-Palmeiras). Agachados: Américo Murolo, Dino Sani, Gino Orlando, Pinga II e Itamar. Crédito: site do Milton Neves.

O XV de Jaú e o maior time de sua história: Lourenço, Servílio, Clóvis, Gritta, Gérsio Passadore e Gengo (ex-Palmeiras). Agachados: Américo Murolo, Dino Sani, Gino Orlando, Pinga II e Itamar. Crédito: site do Milton Neves.

Comercial da capital. Em pé: Alan, Pian, Paschoal, Elpídio, Lamparina e o goleiro Cavani. Agachados: Tico, Feijão, Gino Orlando, Dino Sani e Esquerdinha.

Comercial da capital. Em pé: Alan, Pian, Paschoal, Elpídio, Lamparina e o goleiro Cavani. Agachados: Tico, Feijão, Gino Orlando, Dino Sani e Esquerdinha.

Sem perspectivas em ser aproveitado na equipe principal do Palmeiras, o jovem atacante permaneceu no Parque Antártica até o começo de 1951, quando surgiu uma oportunidade de jogar pelo Esporte Clube XV de Novembro de Jaú.

Sem pensar muito, Gino limpou seu armário, pegou suas coisas e foi vestir sua segunda camisa verde na carreira.

No XV de Jaú, conseguiu adequar melhor seu futebol. Sem os tradicionais corneteiros sempre presentes em uma equipe grande, Gino jogava mais solto e seu estilo de “valente trombador” já era notado e respeitado pela torcida local.

Gino fez parte de uma das maiores formações que o “Galo da Comarca” montou em toda sua história, ao lado de talentos como Dino Sani, Gérsio Passadore e Américo Murolo.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

O ótimo desempenho na equipe de Jaú despertou o interesse dos diretores do saudoso Comercial Futebol Clube da capital.

Assim, no começo da temporada de 1952, Gino e o meio campista Dino Sani foram contratados e desembarcaram novamente na capital paulista.

O Comercial montou uma boa equipe e o posto de oitavo colocado na tábua final de classificação repercutiu positivamente para sua contratação junto ao São Paulo F.C no findar de 1952.

Era difícil para os torcedores esquecerem um craque como Leônidas da Silva, porém o esforçado centroavante foi conquistando seu espaço.

Com um estilo bem particular, dividia todas sem poupar esforços e assim criava inúmeras oportunidades para suas conclusões ao gol, fossem elas de canela, de sola ou mesmo de bico.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 942.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 942.

Além da voluntariedade e do oportunismo, o centroavante tricolor também apresentava em seu repertório uma capacidade de fazer gols com grande categoria. Gino teve importante participação na conquista do título de campeão paulista de 1953.

Como o próprio Gino Orlando fazia questão de dizer, quem tinha Maurinho na direita e Canhoteiro na esquerda não poderia mesmo desperdiçar tantas chances criadas para marcar.

Gino Orlando foi convocado para o escrete nacional nos anos de 1956 e 1957. Atuou em 8 oportunidades e marcou 3 gols, sendo que um deles foi o “golaço de bicicleta” contra Portugal em 1956.

Nessa partida, realizada no dia 8 de abril de 1956, em Lisboa, os canarinhos venceram pelo apertado placar de 1×0.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada – 28 de abril de 1956.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada – 28 de abril de 1956.

Além da Seleção Brasileira, foram várias convocações para o selecionado paulista, que na época disputava o habitual campeonato brasileiro de seleções.

Depois do título de 1953, o tricolor só voltou a ter chances reais de conquista durante o campeonato paulista de 1957. Na partida válida pelo primeiro turno entre São Paulo e Corinthians, aconteceu um empate tumultuado por 1×1.

O jogo ficou marcado pela infelicidade ocorrida em uma dividida entre o ponta direita Maurinho e o lateral esquerdo Alfredo Ramos, o “Polvo”. Na época, Alfredo era jogador do Corinthians e fraturou a perna na jogada.

Irritado com o lance, o meia alvinegro Luizinho, o “Pequeno Polegar”, bateu boca com Gino ainda no gramado do estádio do Pacaembu.

Gino Orlando, Zizinho e Dino Sani comemoram o título paulista de 1957. Crédito: saopaulofc.net.

A atadura na testa de Gino. A briga com Luizinho, o “Pequeno Polegar”, foi um ato impulsivo de dois amigos.

No dia seguinte, Luizinho e Gino, coincidentemente, foram visitar o lateral Alfredo que se recuperava em casa.

Quando o inevitável estranhamento recomeçou, Luizinho se deu conta que não poderia enfrentar o grandalhão Gino de igual para igual.

Então, afastou-se o suficiente para acertar uma tijolada certeira na testa do avante tricolor. Quem assistiu tudo não sabia se colocava Luizinho para correr ou socorria Gino no chão.

O corte foi profundo e o fato ganhou manchetes nos principais jornais da época. O grande comunicador de televisão Manoel da Nóbrega, que apresentava um programa esportivo, promoveu o reencontro entre os dois e a amizade foi reatada.

Gino Orlando, em destaque, confere mais uma bola no barbante!

Gino Orlando, em destaque, confere mais uma bola no barbante!

Gino Orlando briga praticamente sozinho contra o sistema defensivo da Portuguesa Santista. Crédito: revista Manchete Esportiva número 148 – 20 de setembro de 1958.

Gino Orlando briga praticamente sozinho contra o sistema defensivo da Portuguesa Santista. Crédito: revista Manchete Esportiva número 148 – 20 de setembro de 1958.

No duelo que decidiu o campeonato em dezembro de 1957, o São Paulo venceu por 3×1 e conquistou o campeonato paulista daquele ano.

O jogo, marcado por provocações e desentendimentos, ficou conhecido como “A tarde das Garrafadas”. Era o segundo título paulista na carreira do centroavante e, nas duas oportunidades, ele foi o artilheiro da equipe no certame.

Jogando pelo São Paulo, Gino atuou em 447 oportunidades, obtendo 250 vitórias, 96 empates, 10 derrotas e 237 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Além dos títulos e dos gols, Gino também participou das festividades de inauguração do estádio do Morumbi em outubro de 1960.

Crédito: revista do Esporte número 38. Novembro de 1959.

Permaneceu no São Paulo até o mês de abril de 1963, quando foi negociado com a Portuguesa de Desportos, clube que defendeu até 1964. Em seguida, Gino firmou contrato com o Clube Atlético Juventus.

No time da Rua Javari Gino esteve em campo até 1966, quando decidiu pendurar definitivamente suas chuteiras.

De 1969 em diante ocupou o cargo de administrador do estádio do Morumbi, função que exerceu até o ano de 2003, quando foi afastado por problemas de saúde.

Gino Orlando faleceu vitimado por uma parada cardíaca em 24 de abril de 2003, na cidade de São Paulo, aos 73 anos de idade.

Crédito: revista do Esporte.

Gino Orlando e Canhoteiro aparecem juntos em várias edições da revista do Esporte. Créditos: (Imagem da esquerda) revista do Esporte número 188 - 13 de outubro de 1962. (Imagem da direita) revista do Esporte número 214 – Abril de 1963.

Gino Orlando e Canhoteiro aparecem juntos em várias edições da revista do Esporte. Créditos: (Imagem da esquerda) revista do Esporte número 188 – 13 de outubro de 1962. (Imagem da direita) revista do Esporte número 214 – Abril de 1963.

Créditos de imagens e informações para a criação do textorevista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Tricolor, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, Jornal Mundo Esportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, gazetaesportiva.net, gazetadelimeira.com.br, placar.abril.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, memoriafutebol.com.br, esporte.uol.com.br, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves, tricolormania.com.br, museudapessoa.net, saopaulofc.net, mlopomoblogesporte.zip.net, reliquiasdofutebol.blogspot.com, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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