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Mais uma vez, o dirigente da CBD Mário Pollo repassa o que ficou acertado para o protocolo de encerramento da Copa do Mundo de 1950.

Primeiramente, entre aplausos, serpentinas e intermináveis baterias de fogos de artifício; os jogadores brasileiros fariam sua tão esperada e merecida festa no gramado do Estádio do Maracanã.

Uma longa maratona de abraços, fotografias, tapinhas nas costas e entrevistas, inclusive aos cabisbaixos e destemidos jogadores do Uruguai.

Depois, uma revoada de pombos brancos seria lançada para saudar o final da Copa do Mundo, uma competição realizada com bastante sucesso nos estádios do Brasil.

Em seguida, os dois selecionados ficariam perfilados no círculo central, enquanto o presidente da FIFA Jules Rimet seguiria até o gramado para entregar a taça de “Campeão do Mundo” ao capitão brasileiro Augusto.

Augusto nos tempos do São Cristóvão. Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo número 249 – 11 de junho de 1943.

No depoimento publicado no livro do autor Geneton Moraes Neto, “Dossiê 50”, Augusto revelou que já tinha em mente como levantaria o troféu, algo parecido com o gesto que Bellini consagrou em 1958.

Mas tudo isso virou pó. A alegria, os fogos de artifício e os pombos e sumiram! Aturdido, Mr. Rimet ficou sem saber o que fazer e o time brasileiro foi dispersado entre lamentações e decepção.

Augusto da Costa nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 22 de outubro de 1920. Iniciou sua jornada em 1935, nos quadros amadores do São Cristóvão, clube onde também assinou seu primeiro compromisso profissional em 1940.

De acordo com reportagem publicada nas páginas da revista Esporte Ilustrado de 20 de setembro de 1951, o jovem e promissor Augusto inicialmente jogava como ponteiro-esquerdo.

Contudo, Augusto era lento e pesado demais, o que forçou seu aproveitamento como lateral-direito e zagueiro, uma providencial alteração que logo apresentou bons resultados!

Augusto e Obdulio Varela antes do confronto que decidiu o mundial de 1950. Crédito: revista O Cruzeiro.

O “guarda-metas” do Uruguai Roque Máspoli foi um gigante, até no momento de consolar o capitão Augusto! Crédito: revista O Cruzeiro.

Durante o certame carioca de 1942, o São Cristóvão foi um adversário indigesto no árduo caminho do Vasco da Gama. Nos confrontos da temporada foram dois empates por 1×1 e uma vitória do São Cristóvão por goleada:

19 de julho de 1942 – Campeonato carioca – São Cristóvão 4×0 Vasco – Estádio Figueira de Melo – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Caxambu (2), Santo Cristo e Papetti (pênalti).

São Cristóvão F.R: Joel; Mundinho e Augusto; Gualter, Papetti e Castanheira; Santo Cristo, Alfredo, Caxambu, Nestor e Magalhães. Vasco da Gama: Roberto; Florindo e Oswaldo; Figliola, Zarzur e Argemiro; Orlando, Ademir, Nino, Ruy e Xavier.

Na boa linha defensiva do São Cristóvão, campeão municipal de 1943, Augusto e Mundinho faziam enorme sucesso. Mas o grande astro era mesmo Mundinho, o que fez o Vasco da Gama sondar o jogador!

Então, no findar de 1943, os “cartolas” acabaram acertando com Augusto, o que causou comentários de que o Vasco tinha comprado o homem errado!

O fraco desempenho no campeonato carioca de 1951 foi um duro golpe no orgulho do “Expresso da Vitória”. Foto de Douglas Alexandre. Crédito: revista O Cruzeiro.

Pouco tempo passou e o badalado Mundinho murchou sozinho no São Cristóvão, enquanto no Vasco Augusto cresceu de produção. Cresceu é verdade, mas não em sua posição de origem!

Nos primeiros meses em São Januário, Augusto jogava apenas como zagueiro, sendo aproveitado também pelo corredor direito, onde rendia muito bem!

Com muita dedicação, o esforçado Augusto superava suas limitações técnicas e raramente comprometia em suas participações, sempre marcadas por uma costumeira regularidade.

Dono de uma liderança natural, Augusto era um verdadeiro mestre na arte de propagar o pronto encorajamento de seus companheiros de clube.

Seu papel foi determinante na fabulosa equipe que ficou imortalizada na história do futebol como “Expresso da Vitória”.

Curiosamente, Augusto iniciou sua caminhada nas fileiras do São Cristóvão como ponteiro-esquerdo. Depois foi aproveitado como lateral e zagueiro! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 702 – 20 de setembro de 1951.

Com enorme popularidade, Augusto sempre voltava para casa carregado de mimos e presentes nos braços! Crédito: revista O Cruzeiro.

O Vasco da Gama era o time do momento naquela segunda metade da década de 1940, e Augusto, que contava com grande popularidade, sempre voltava para casa carregado de mimos e presentes nos braços.

Pelo Vasco, Augusto conquistou o Torneio Início de 1945 e 1948, o campeonato carioca de 1945 (invicto), 1947 (invicto), 1949 (invicto), 1950 e 1952 e o campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões em 1948.

Em 1947 recebeu sua primeira convocação para o escrete nacional. Foi campeão da Copa Rio Branco e da Copa América em 1949.

Homem de confiança do exigente técnico Flávio Costa, Augusto disputou todos os compromissos do mundial de 1950, sempre na condição de capitão.

Como todos os jogadores brasileiros que participaram da partida que decidiu o quadrangular final do mundial de 1950, Augusto custou muito para recobrar os sentidos. Sonhava com o jogo quase que diariamente!

Augusto e Haroldo. Juventude e maturidade em São Januário! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 762 – 13 de novembro de 1952.

A volta por cima no título carioca de 1952. Crédito: revista Manchete número 41 – 31 de janeiro de 1953.

Em depoimento no livro no livro Dossiê 50, Augusto revelou aos leitores: “Nem lembro direito como consegui sair do Maracanã e ir para minha casa na Ilha do Governador. Não sei o que falei e quem estava comigo”.

Depois de quase 300 partidas pelo Vasco da Gama, Augusto encerrou seu ciclo pelos gramados em 1953. Em seguida trabalhou como assistente do técnico Flávio Costa e no ano de 1957 foi treinador do Belenenses de Portugal.

Integrante da Polícia Especial do Exército, o ex-capitão do Vasco e da seleção recebeu um convite para mudar para Brasília, logo no início da construção da capital federal.

Na nova capital, Augusto chegou ao posto de Comandante da “GEB” (Guarda Especial de Brasília). Nesse período foi treinador do Clube de Regatas Guará e mais tarde assumiu o cargo de Presidente da Federação Desportiva de Brasília.

Augusto da Costa faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 29 de fevereiro de 2004, embora algumas fontes apresentem datas conflitantes, como 1 de fevereiro e 1 de março de 2004.

Augusto foi peça importante no esquadrão do “Expresso da Vitória”. Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Augusto aparece ao lado de Gutiérrez antes do amistoso de comemoração do cinquentenário do Racing Club da Argentina. A partida foi disputada no dia 29 de março de 1953 e terminou empatada em 0x0. Crédito: revista El Gráfico número 1756 – 3 de abril de 1953.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Armando Nogueira), revista do Esporte, revista El Gráfico, revista Esporte Ilustrado (por Hugo Ferreira, Jorge Leal, José Santos, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva (por Rodrigues Teles), revista O Cruzeiro (por Douglas Alexandre e Luíz Carlos Barreto), revista O Globo Sportivo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, kikedabola.blogspot.com, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), topicos.estadao.com.br, vasco.com.br, Livro: Dossiê 50 – Geneton Moraes Neto – Editora Objetiva.