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Quando o nome de Carbone não foi anunciado entre os titulares, a Fiel Torcida foi tomada de grande surpresa antes de mais um clássico contra o Palmeiras.

Foi assim que o humilde rapazola do time de Aspirantes deixou de ser apenas uma promessa!

Considerado uma das maiores revelações da história do Corinthians, o meia-esquerda Rafael Chiarella era dono de uma visão de jogo diferenciada; um dos jogadores mais elegantes de sua época!

Com nome de arcanjo, Rafael foi uma dessas raras “brisas de sorte”, que ora ou outra aparecem repentinamente para conquistar o coração dos torcedores.

Filho de Giacomo Chiarella e Lúcia Chiarella, Rafael Chiarella Neto nasceu no bairro do Brás, cidade de São Paulo (SP), em 17 de janeiro de 1935.

Rafael na tarde de 19 de dezembro de 1954. O Corinthians venceu o XV de Jaú por 3×0 no Pacaembu, partida válida pelo segundo turno do campeonato paulista do IV Centenário. Crédito: revista do Corinthians.

O goleiro da Portuguesa Lindolfo tenta evitar o cabeceio fatal de Rafael. Crédito: revista do Corinthians – Janeiro de 1955.

O encanto pelo futebol começou bem cedo. Em 1946, ao lado dos amiguinhos, Rafael ajudou na fundação do São Vito Futebol Clube, uma agremiação que ficava nos arredores do Parque D. Pedro II.

No programa “Grandes Momentos do Esporte” da Televisão Cultura, o ídolo Luizinho Trochillo afirmou que Rafael Chiarella também foi um dos grandes valores que passou pelo Clube Atlético e Recreativo Maria Zélia.

Ainda segundo Luizinho Trochillo, o encaminhamento de Rafael para treinar no Corinthians foi feito pelo treinador do Maria Zélia, o lendário Dante Pietrobom.

Contudo, outros registros creditam esse feito ao jogador Leonardo Colella, o famoso Nardo, que primeiramente teria levado o promissor Rafael ao Palmeiras, onde não foi aproveitado.

Posteriormente, o mesmo Nardo acompanhou Rafael aos quadros amadores do Sport Club Corinthians Paulista em 1952.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Rafael e o goleiro Gylmar dos Santos Neves no selecionado paulista. Crédito: reprodução revista do Corinthians número 87 – Janeiro de 1957.

Em pouco tempo, o jovem talento do bairro do Brás foi ganhando fama no Parque São Jorge. A primeira partida no time principal aconteceu diante do Linense, compromisso válido pelo Torneio Início da temporada.

Depois, o habilidoso Rafael continuou por mais algum tempo brilhando nos Aspirantes. Só voltou ao time titular na partida contra o Palmeiras, em 31 de outubro de 1954, confronto válido pelo primeiro turno do campeonato paulista.

E naquele “Derby”, Rafael foi um componente determinante na espetacular virada alvinegra por 3×2; com gols de Luizinho Trochillo (2) e Baltazar.

31 de outubro de 1954 – Campeonato paulista – Primeiro Turno – Estádio do Pacaembu – Corinthians 3×2 Palmeiras – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Humberto aos 18’, Moacir (pênalti) aos 25’ e Luizinho aos 38’ do primeiro tempo; Luizinho aos 3′ e Baltazar aos 28’ do segundo tempo.

Corinthians: Gylmar; Homero e Olavo; Idário, Goiano e Roberto; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Nonô. Técnico: Brandão. Palmeiras: Cavani; Manoelito e Aroldo; Ivan, Fiume e Dema; Ney, Humberto, Liminha, Jair Rosa Pinto e Moacir. Técnico: Aymoré Moreira.

Crédito: revista do Corinthians – Fevereiro de 1959.

Com sua grande atuação na virada convincente sobre o Palmeiras, Rafael conquistou definitivamente a vaga de Carbone, que pouco foi aproveitado no restante da competição.

Conhecido também pelo apelido de “Cisne”, Rafael recebeu o total apoio do técnico Oswaldo Brandão, um grande admirador de seu refinado futebol.

Outro grande momento de Rafael aconteceu em 9 de janeiro de 1955, quando aos 9 minutos da segunda etapa marcou o gol da sofrida vitória diante da Portuguesa de Desportos por 1×0.

Nos 26 jogos da campanha do título de 1954, Rafael esteve em campo em 11 oportunidades, (principalmente no segundo turno) sem conhecer nenhuma derrota.

(*) Nas duas derrotas para o Santos; por 2×0 no primeiro turno (24/10/1954) e por 4×1 no segundo turno (30/01/1955), Rafael não esteve em campo.

Crédito: revista do Esporte.

Ao lado da esposa, Rafael encontrava o apoio necessário para tentar superar o medo de avião. Crédito: revista do Esporte número 52 – 5 de março de 1960.

Após a conquista do título do IV Centenário, o Corinthians esteve perto do bicampeonato em 1955, mas o Santos ficou com o caneco ao vencer o Taubaté na última rodada.

Sobrou ao time do Parque São Jorge o título do Torneio Internacional Charles Miller, além do troféu do clube “Mais Querido do Brasil”.

Novamente em 1957, o alvinegro fez uma boa campanha, não o suficiente para impedir o título do São Paulo. Mais uma vez restou para Rafael comemorar a posse definitiva da Taça dos Invictos.

Em 1961, aos 26 anos de idade, Rafael perdeu o pai e precisou conciliar o futebol com os negócios da família, uma fábrica de formas de sapatos na cidade de Franca (SP).

Amparado pelos conselhos sempre paternais do técnico Oswaldo Brandão, o craque alvinegro foi aos poucos superando o trauma!

Crédito: revista do Esporte número 83 – 8 de outubro de 1960.

Rafael chegava aos treinos em seu automóvel Gordini. Crédito: revista do Esporte número 118 – Junho de 1961.

Em 1964, o Corinthians contratou o carioca Paulo Amaral. Na época, o treinador manifestou o interesse de contar com o futebol de Rafael nas partidas fora de São Paulo.

Rafael, que declaradamente morria de medo de avião, comunicou que em seu contrato existia uma cláusula que o desobrigava de participar de viagens aéreas.

Mas o argumento do meio-campista do Corinthians foi inútil. O mal-estar, antes iniciado com Sylvio Pirillo, ganhou contornos significativos com Paulo Amaral.

O fato é que esse desconforto causou o pronto afastamento de Rafael elenco alvinegro. No mesmo ano de 1964, depois de muitas temporadas no Corinthians, Rafael Chiarella foi transferido para o Clube Atlético Juventus (SP).

Seu histórico no Parque São Jorge aponta 451 participações; com 257 vitórias, 95 empates, 99 derrotas e 111 gols marcados. Os números foram publicados pelo livro “Timão 100 Anos”, do autor Celso Dario Unzelte.

Rafael no Parque São Jorge. Crédito: revista do Esporte número 179 – 11 de agosto de 1962.

Com uma passagem apenas modesta pela Rua Javari, Rafael encerrou sua carreira profissional no Clube Atlético Juventus (SP).

No findar da década de 1970, Rafael apresentou os primeiros sinais de que sua saúde não andava nada bem!

Diziam os amigos, que aos 17 anos de idade Rafael Chiarella teve uma hepatite, que com o passar dos anos foi aos poucos debilitando seu organismo.

Em 1980, o ex-jogador do Corinthians também sofreu com problemas na vesícula; além de uma cirrose hepática, embora nunca tivesse colocado álcool na boca.

Internado no Hospital Albert Einstein, Rafael Chiarella Neto faleceu em 27 de outubro de 1980. Foi um golpe duro para o técnico Oswaldo Brandão, tão duro quanto o falecimento do filho Márcio ocorrido em 1978.

Crédito: revista do Esporte.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão e José Maria de Aquino), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Corinthians, revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), topicos.estadao.com.br, wanderleynogueira.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

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