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Pretendido pelo futebol russo, andarilho do interior paulista e dispensado com um estranho diagnóstico da Seleção Brasileira, Tardes de Pacaembu lembra hoje de Benê, marcante meia-armador do futebol paulista.

Benedito Leopoldo da Silva, o Benê, nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 28 de fevereiro de 1935.

Também conhecido como “Pata Choca”, em razão do chute mascado, Benê viveu sua fase mais produtiva como jogador do São Paulo.

Sua trajetória foi iniciada nos quadros amadores do Paulista Futebol Clube da cidade de Jundiaí (SP), embora também tenha passado pelo juvenil do Sport Club Corinthians Paulista, onde não permaneceu por muito tempo.

Em 1959 foi contratado pelo Guarani Futebol Clube da cidade de Campinas (SP), uma fase muito importante em sua afirmação.

Benê aparece em destaque nessa formação do Guarani no Pacaembu. Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Jogador de grande mobilidade e habilidade, seu futebol despertou o interesse do São Paulo Futebol Clube, que por 7 milhões de cruzeiros apresentou o jogador aos torcedores em fevereiro de 1961.

Com o Morumbi parcialmente inaugurado, os dirigentes tricolores da época trabalhavam duro na tão sonhada conclusão do estádio. Para isso, o Departamento de Futebol apostava suas fichas em soluções promissoras do interior paulista.

E Benê foi uma dessas apostas que deu certo, inclusive chegando com brilho ao escrete canarinho.

Poucos meses antes da Copa do Mundo do Chile em 1962, Benê foi reprovado nos exames médicos com um surpreendente diagnóstico de “sopro no coração”.

Logo Benê, que esbanjava saúde com uma vitalidade acima da média!

Crédito: reprodução revista do Esporte número 119 – Junho de 1961.

Com o resultado dos exames em mãos, o técnico Aymoré Moreira precisou convocar Mengálvio, jogador do Santos, para completar o grupo na Copa do Mundo do Chile.

Os médicos do São Paulo repetiram o exame em pelo menos duas oportunidades e nada encontraram. Porém, o estrago na cabeça de Benê já estava feito!

Em razão do caso “Benê”, Aymoré Moreira ficou marcado no São Paulo. Nem mesmo o título no mundial de 1962 poupou o treinador de uma demissão pautada por ressentimentos.

Quanto ao “soprado” Benê, o destino logo tratou de provar ele ainda poderia ter muitas alegrias com o futebol.

Em dezembro de 1962, uma notícia bombástica tomou conta do ambiente no Morumbi. Representantes do F.K Dínamo de Moscou desembarcaram na cidade de São Paulo e ofereceram cerca de 500 milhões de cruzeiros pelo passe de Benê.

Benê e Bellini. A dupla “BB” do São Paulo. Crédito: revista do Esporte número 191 – 3 de novembro de 1962.

O planejamento dos russos era levar Benê como uma espécie de “professor” na Academia de Futebol que seria montada pelo clube.

Entretanto, o jogador optou em permanecer no Morumbi.

Em grande fase, seu nome era presença constante nas reportagens da revista do Esporte, que em novembro de 1962 intitulou Bellini e Benê como a dupla “BB” do Morumbi.

Um dos momentos marcantes de sua carreira aconteceu em 15 de agosto de 1963, quando o São Paulo aplicou uma goleada de 4×1 sobre o Santos no Pacaembu.

O confronto é lembrado como o jogo do “Cai-Cai”, em razão das expulsões e “contusões” dos jogadores do Santos, o que impediu o prosseguimento da partida.

Crédito: revista do Esporte número 199 – Dezembro de 1962.

Benê e Oreco do Corinthians. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 202 – 1962.

Na segunda etapa, após o quarto gol marcado por Pagão, o árbitro Armando Marques precisou encerrar o jogo, pois o time da Vila Belmiro não contava mais com o número mínimo de jogadores.

Abaixo, os registros do histórico jogo do “Cai-Cai”:

15 de agosto de 1963 – Campeonato Paulista – São Paulo 4×1 Santos – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Armando Marques – Gols: Faustino aos 5’, Pelé aos 20’, Benê aos 37’ e Sabino aos 40 do primeiro tempo; Pagão aos 7’ do segundo tempo – Expulsões: Pelé e Coutinho.

Observações: Por motivo de contusão, o lateral-direito Aparecido não voltou para a segunda etapa. No decorrer da partida, Pepe e Dorval também deixaram o gramado alegando contusão.

São Paulo: Suly; Deleu, Bellini, e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Brandão. Santos: Gylmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Crédito: revista do Esporte número 271 – Maio de 1964.

Durante uma excursão pela Europa em 1964, Benê sofreu uma séria contusão na partida contra o Nîmes Olympique da França. No Hospital local, o diagnóstico revelou uma fratura do perônio na perna direita, o que o fez voltar prontamente ao Brasil.

Em 1965 foi defender o Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, inclusive participando da partida inaugural do Estádio Barão de Serra Negra, em 4 de setembro de 1965, quando XV de Piracicaba e Palmeiras empataram em 0x0.

Em 1968 recebeu o Prêmio Belfort Duarte e no ano seguinte retornou ao São Paulo. Participou da campanha no campeonato paulista de 1970, sem no entanto apresentar o mesmo brilho. Novamente no Paulista de Jundiaí, Benê só voltou ao time do Morumbi em 1971.  

Pelo tricolor foram 264 partidas com 143 vitórias, 54 empates, 67 derrotas e 78 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Benedito Leopoldo da Silva faleceu no dia 6 de janeiro de 2001. O ex-jogador estava internado em uma clínica de repouso na Zona Rural de Campinas (SP), onde tentava se recuperar do vício do alcoolismo.

Partindo da esquerda; o árbitro Armando Marques, Pagão e Benê. Crédito: revista do Esporte número 276 – 1964.

Crédito: revista do Esporte número 489 – 20 de julho de 1968.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, esporte.uol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com, saopaulofc.net, site do Milton Neves, topicos.estadao.com.br, xvpiracicaba.com.br, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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