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Para compreender melhor a história do grande artilheiro Quarentinha é necessário voltar ao passado.

O pai de Quarentinha, seu Luíz Gonzaga Lebrêgo, era conhecido pelos amiguinhos como “Quarenta”, uma referência ao número de sua matrícula escolar no Instituto Lauro Sodré.

No futebol, o velho Quarenta brilhou com a camisa do Paysandu Sport Club e foi um dos maiores artilheiros da história do clube.

Waldir Cardoso Lebrêgo, o Quarentinha, nasceu em Belém do Pará no dia 15 de setembro de 1933. A família morava na Rua Curuzu 1118, bem ao lado do estádio do Paysandu.

Waldir também estudou no Instituto Lauro Sodré e acompanhou os passos do pai em quase tudo, só não foi Marceneiro, atividade que proporcionou ao velho Quarenta uma vida mais tranquila depois do futebol.

Crédito: Livro O artilheiro que não sorria – Rafael Casé – Editora Mauad.

Mauro Ramos de Oliveira e Quarentinha. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

E foi o próprio pai que encaminhou o filho Waldir ao juvenil do Paysandu em 1949.

Nas arquibancadas do Estádio Leônidas Castro, os torcedores mais antigos do Paysandu logo decidiram como chamariam o filho do velho Quarenta. Foi assim que Waldir virou o famoso “Quarentinha”.

No findar de 1952, o então poderoso Vasco da Gama foi até Belém jogar um amistoso contra o Paysandu. Naquele dia, o time da “Colina” aplicou um retumbante 9×3 no “Papão do Curuzu”.

Quarentinha marcou os três gols do Paysandu e seu futebol interessou demais ao técnico Flávio Costa do Vasco da Gama. Chegando ao Rio de Janeiro, Flávio Costa solicitou o máximo empenho na contratação do atacante Quarentinha.

Rapidamente, os jornais locais adiantaram que o Esporte Clube Bahia formalizou uma proposta de 20 mil cruzeiros ao Paysandu pelos direitos do atacante. Os dirigentes do clube paraense, no entanto, não queriam liberar Quarentinha por menos de 50 mil cruzeiros.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 892.

Todavia, antes mesmo dos cartolas do Bahia ou do Vasco da Gama, um enviado do Esporte Clube Vitória de Salvador bateu o martelo primeiro. Assim, Quarentinha assinou com o Rubro-Negro da “Boa Terra” em abril de 1953.

Conforme publicado no livro “O artilheiro que não sorria”, do autor Rafael Casé, o Vitória pagou os mesmos 20 mil cruzeiros oferecidos pelo Bahia, além de 20 mil cruzeiros de luvas e 2.500 cruzeiros de salário.

No decorrer do campeonato baiano de 1953, Quarentinha precisou fazer uma pequena cirurgia no Hospital Espanhol, um procedimento necessário para raspar um osso do tornozelo mal calcificado.

Em 31 de outubro de 1953, Quarentinha se casou com Olga Carmo, a grande responsável pela mudança na mentalidade e no comportamento do jogador, que sempre reconheceu na esposa o seu grande ponto de equilíbrio.

Com 31 gols marcados, Quarentinha foi o artilheiro da competição vencida pelo Vitória depois de 44 anos de espera. O título e o gols foram suficientes para colocar o Rio de Janeiro novamente em seu caminho.

Crédito: revista do Esporte número 40.

Em junho de 1954 representantes do Botafogo de Futebol e Regatas levaram na bagagem um cheque gordo de 700.000 cruzeiros. Dias depois, Quarentinha já estava no gramado de General Severiano.

Quando chegou ao Rio, Quarentinha foi morar na Rua Álvaro Ramos, bem ao lado do campo do Botafogo. Assustado com o tamanho da cidade, Quarentinha foi aos poucos se acostumando.

Fazia muitos gols ao mesmo tempo em que despertava uma grande curiosidade em todos: Como Quarentinha conseguia permanecer frio e indiferente depois de marcar?

A reação indiferente de Quarentinha nos gols que marcava logo incomodou os cartolas do Botafogo. *Não foram encontrados registros que comprovem se Quarentinha comemorava seus gols na época em jogava pelo Paysandu ou mesmo pelo Vitória.

Depois de várias conversas sobre o assunto, Quarentinha ficou incomodado e adotou um comportamento rebelde. Ficava nos prazeres da noite e acreditava que aquilo não prejudicava seu rendimento nos gramados.

No campeonato de 1956, Quarentinha dribla Chamorro do Flamengo e marca para o Bonsucesso. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Crédito: revista do Esporte número 50 – 20 de fevereiro de 1960.

Quando Gentil Cardoso deixou o Botafogo em 1956, os diretores decidiram aplicar uma lição em Quarentinha. O empréstimo ao Bonsucesso foi uma espécie de castigo por sua vida de boemia.

Como revide, Quarentinha foi o vice-artilheiro do campeonato carioca de 1956, com 21 gols marcados, atrás somente de Waldo do Fluminense com 22.

Quarentinha, que também era conhecido como “Cabeçudo”, voltou ao Botafogo e fez parte do elenco que conquistou o campeonato carioca de 1957.

Seus arremates potentes de perna esquerda resultaram na artilharia do campeonato carioca em 3 edições consecutivas: 1958 (20 gols), 1959 (27 gols) e 1960 (25 gols).

Foto de Domingos Pereira. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 175 – 1961.

Crédito: revista do Esporte número 168 – Março de 1962.

Mas problemas nos meniscos o impediram de realizar o sonho de disputar o mundial de 1962 no Chile. Na convocação final, Quarentinha foi cortado e em seu lugar foi relacionado o centroavante Coutinho, do Santos Futebol Clube.

Mesmo assim, Quarentinha obteve o que é considerado como a melhor média da história da Seleção Brasileira, com 17 jogos e 17 gols marcados.

Bicampeão carioca de 1961 e 1962 e bicampeão do Torneio Rio São Paulo nas edições de 1962 e 1964, Quarentinha permaneceu no Botafogo até 1964, quando voltou para Salvador e foi defender o Vitória novamente.

Em 10 anos jogando pelo Botafogo, Quarentinha marcou 308 gols em 446 partidas disputadas. O maior artilheiro da história do clube!

Bicampeão baiano de 1964 e 1965 pelo Vitória, Quarentinha também teve uma boa passagem pelo futebol colombiano; no Unión Magdalena, Deportivo Cali, Atlético Junior de Barranquilla e América de Cali.

Pelé e Quarentinha. Santos e Botafogo eram fortes demais nos anos 60. Crédito: revista do Esporte número 265 – 4 de abril de 1964.

Um dos grandes amigos de Quarentinha no futebol foi Garrincha. Em um teste psicotécnico, antes da Copa do Mundo de 1958, Garrincha desenhou um boneco de corpo fino e cabeça grande.

Questionado sobre o significado daquele desenho, o lendário ponta-direita afirmou que se tratava do amigo Quarentinha.

Quarentinha deixou os gramados em 1968, pelo Clube Náutico Almirante Barroso de Itajaí (SC).

Sempre reservado, o artilheiro procurava não estender o assunto quando perguntado sobre o motivo pelo qual não comemorava seus gols: “Eu era pago para fazer e não para comemorar”.

Waldir Cardoso Lebrêgo faleceu de insuficiência cardíaca em 11 de fevereiro de 1996, aos 62 anos de idade.

Quarentinha em pé e Garrincha e Coutinho agachados. Crédito: revista Placar – 15 de julho de 1983.

Quarentinha o maior artilheiro da história do Botafogo. Crédito: revista Placar – 15 de julho de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maria Helena Araújo), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Domingos Pereira, Giambenito e Isaac Cherman), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, albumdosesportes.blogspot.com.br (por José Rezende), Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, esporte.uol.com.br, folha.uol.com.br, globoesporte.globo.com, lancenet.com.br, memoriafutebol.com.br, mundobotafogo.blogspot.com, paysandu.com.br, site do Milton Neves, Livro: O artilheiro que não sorria – Rafael Casé – Editora Mauad, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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