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Naqueles tempos do futebol romântico, o grande desafio de qualquer lateral-esquerdo era descobrir os segredos da fórmula para conter o sobrenatural Mané Garrincha.

Caso esse segredo fosse descoberto, nenhum outro ponta-direita do mundo causaria maiores problemas!

Se no terreiro do Maracanã, Garrincha tinha pela frente o valente Coronel do Vasco da Gama e o incansável Jordan do Flamengo; em São Paulo o principal duelo era contra o carrapato Geraldo Scotto.

Em suas entrevistas, Geraldo Scotto revelou que quando enfrentava Garrincha mantinha os olhos fixos na bola. Só partia para tentar o desarme quando a redonda finalmente saia do lugar.

Filho de Frederico Scotto e Sofia Scotto, Geraldo Scotto nasceu na capital paulista, em 11 de setembro de 1934.

Crédito: folha.uol.com.br.

O Santos no gramado do Pacaembu. Em pé: Ramiro, Aírton Pavilhão, Veludo, Geraldo Scotto, Dalmo e Zito. Agachados: Dorval, Jair, Pelé, Pagão e Pepe. Crédito: site do Milton Neves.

Geraldo Scotto começou sua trajetória em meados de 1951, nos quadros amadores do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba (SP).

O primeiro compromisso profissional foi assinado em 1952, temporada em que também foi efetivado como titular no time principal do “Nhô Quim”.

Em 1955 foi cedido por empréstimo ao São Paulo Futebol Clube, uma passagem apenas discreta com 4 partidas disputadas.

Também por empréstimo, Geraldo Scotto defendeu o Santos Futebol Clube em 1956. Na época, os dirigentes santistas julgaram elevado o valor do investimento para ficar com seu passe em definitivo.

Dessa forma, Geraldo Scotto voltou para Piracicaba. Em seguida firmou sua primeira e rápida passagem pelo Nacional Atlético Clube da capital paulista.

Crédito: folha.uol.com.br.

Geraldo Scotto, camisa 4, em disputa com o meia Lorico do Vasco da Gama. Crédito: site do Milton Neves.

No mês de maio de 1958, Geraldo Scotto foi negociado com a Sociedade Esportiva Palmeiras. Excelente marcador, o apelido de “carrapato” representava bem o seu empenho nas tarefas de marcação!

De acordo com o site palmeiras.com.br, Geraldo Scotto realizou sua primeira partida pelo alviverde em 29 de maio de 1958, na vitória por 2×1 diante do Nacional Atlético Clube.

Em uma época onde os laterais não costumavam abusar do papel ofensivo, Geraldo Scotto apoiava o ataque sem oferecer maiores riscos ao sistema defensivo.

Reconhecido pela crítica, Geraldo Scotto defendeu a Seleção Brasileira em 2 partidas na disputa da Copa Roca em maio de 1960. Os registros foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 1914-2006”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Conforme artigo publicado pela revista do Esporte número 197, uma fratura na perna esquerda liquidou com suas pretensões de participar do mundial do Chile.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Triste pela oportunidade perdida de disputar uma Copa do Mundo, Geraldo Scotto foi reconhecido publicamente pela diretoria do Palmeiras, que ofereceu ao jogador um diploma e uma medalha com os seguintes dizeres:

– “A Geraldo Scotto, digno campeão mundial de 1962, o reconhecimento da Sociedade Esportiva Palmeiras”.

Enquanto Geraldo Scotto estava em tratamento, o Palmeiras foi buscar Gilberto José Ferrari no Guarani de Campinas. Posteriormente, o alviverde contratou também Vicente Arenari.

De volta aos gramados, Geraldo Scotto não apresentou mais o mesmo rendimento. Além da falta de ritmo de jogo, outra sequência de graves contusões o impediram de recuperar sua posição.

No Palmeiras, Geraldo Scotto também ficou conhecido como “Geraldo I”. Foi campeão paulista nas edições de 1959, 1963 e 1966; do Torneio Rio-São Paulo de 1965; da Taça Brasil de 1960 e 1967 e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, também em 1967.

Crédito: revista do Esporte número 197 – 15 de dezembro de 1962.

Ao todo, foram 352 partidas disputadas com 215 vitórias, 72 empates, 65 derrotas 3 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Em 1966 Geraldo Scotto foi emprestado para a Associação Atlética Ponte Preta até voltar ao Palmeiras, onde continuou até dezembro de 1967.

Antes do encerramento da carreira, Geraldo Scotto passou novamente pelo Nacional Atlético Clube da capital e pelo Clube Atlético Juventus, em 1968.

Longe do futebol trabalhou como representante comercial de chapas de aço até conseguir sua aposentadoria.

Considerado um dos melhores laterais da história do Palmeiras, Geraldo Scotto faleceu de parada cardíaca em 27 de julho de 2011.

Crédito: revista do Esporte número 286 – 29 de agosto de 1964.

Crédito: revista do Esporte número 324 – 22 de maio de 1965.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Dagomir Marquezi e Teixeira Heizer), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Ludovico da Silva e Sílvio Lopes Alarcon), revista do Esporte, revista do Palmeiras, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, folha.uol.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, xvpiracicaba.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Seleção Brasileira 1914-2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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