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O grito de gol, repetido incansavelmente em sua breve e gloriosa carreira foi dado pela primeira vez num distante domingo de 1956, no velho estádio Roberto Gomes Pedrosa, em Piracicaba (SP).

Nascido no dia 11 de junho de 1943, na cidade de Piracicaba, Antônio Wilson Honório, ou simplesmente Coutinho, cresceu em uma família humilde.

Com apenas doze anos de idade, Coutinho conseguiu ser escalado no infantil do XV de Novembro de Piracicaba, que jogaria contra o Palmeirinha local na preliminar do jogo principal entre o XV e o Santos.

Coutinho já era um menino falado na região e mesmo sem saber, um olheiro acompanhava seus passos, pronto para levá-lo aos clubes de Campinas.

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Mas naquele domingo, Luis Alonso, técnico do Santos e mais conhecido por Lula, decidiu chegar mais cedo para assistir ao encontro preliminar. Com seu olhar clínico, Lula observou que aquele menino, autor do gol da vitória do XV sobre o Palmeirinha, tinha muito mais para oferecer ao mundo do futebol.

Com o jogo terminado, Lula não tirava o franzino Coutinho de sua cabeça. Decidido, foi até o vestiário do XV e no meio da garotada procurou seu alvo. Se aproximou cuidadosamente do menino e colocou o braço de forma paternal em suas costas dizendo:

– Quer ir jogar no Santos menino?

– Meu pai não deixa, respondeu um tanto timidamente o menino Coutinho.

– Isso não tem problema. Eu mesmo falo com ele!

Coutinho marca contra o São Bento de Sorocaba na Vila Belmiro, na época com arquibancadas em obras.

Coutinho marca contra o São Bento de Sorocaba na Vila Belmiro, na época com arquibancadas em obras.

Em partida contra o Corinthians, Coutinho tenta o arremate, enquanto Zito (esquerda), Pepe (ao fundo) e Pelé no chão, acompanham o lance.

Em partida contra o Corinthians, Coutinho tenta o arremate, enquanto Zito (esquerda), Pepe (ao fundo) e Pelé no chão, acompanham o lance.

Depois de uma longa conversa com seu Valdemar Honório, pai de Coutinho, Lula conseguiu levar o garoto para a pensão da dona Georgina, na Rua Euclides da Cunha, em Santos.

O lugar era conhecido como o destino dos garotos que eram trabalhados nas categorias de base do Santos naquela época. O próprio Pelé passou por lá também.

Na pensão de dona Georgina, Coutinho estudava e apenas treinava até o dia em que sentiu saudades da família e queria ir embora.

Novamente, o técnico Lula apareceu em seu caminho. Pacientemente, conversou com o menino e pediu um pouco mais de paciência, explicando que ele ainda não tinha idade nem composição física para jogar.

Pelé e Coutinho. A dupla infernal que atormentou muita gente.

Pelé e Coutinho. A dupla infernal que atormentou muita gente.

Os anos passaram e finalmente em 1959, com apenas 16 anos de idade, Coutinho foi relacionado entre os profissionais.

O centroavante titular era Pagão, e Coutinho, apesar da baixa estatura, já tinha encorpado o suficiente para suportar algumas trombadas e encontrões dos beques.

Nas partidas noturnas ou nas diversas viagens do Santos, Coutinho precisava de uma autorização especial emitida pelo Juizado de Menores.

Confundido com o próprio Pelé, ouvia que era melhor colocar uma pulseira de esparadrapo no pulso para que os dois pudessem ser devidamente diferenciados pelos torcedores e pela imprensa.

Coutinho e Pelé. Crédito: revista do Esporte número 122.

Coutinho e Pelé. Crédito: revista do Esporte número 122.

Pelé e Coutinho. Crédito: revista do Esporte número 200 - Janeiro de 1963.

Pelé e Coutinho. Crédito: revista do Esporte número 200 – Janeiro de 1963.

Em fevereiro de 1960, Coutinho conquistou o campeonato brasileiro de seleções atuando pelo selecionado paulista.

Durante sua carreira, Coutinho escreveu capítulos incríveis ao lado de Pelé. Talvez, uma passagem das mais marcantes tenha acontecido contra o Grêmio em Porto Alegre, no ano de 1964.

Naquela noite, Coutinho e Pelé tabelaram desde o meio de campo até a grande área gremista… Mas, não foi uma tabela qualquer… Foi de cabeça!!!

Isso mesmo, Coutinho e Pelé foram tabelando, de cabeça, do meio de campo até a área do Grêmio, em lance de rara beleza.

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Coutinho, Pelé e Pépe. Crédito: revista do Esporte número 221.

Coutinho, Pelé e Pépe. Crédito: revista do Esporte número 221.

O “Feitiço da Vila”, como Coutinho também ficou conhecido, realizou um total de 457 partidas com o uniforme santista, marcando 370 gols (média de 0,8 gols por partida).

É o terceiro maior artilheiro da história do clube e possuidor de uma lista de conquistas considerável:

– Campeão Paulista (1960, 61, 62, 64, 65 e 67), Taça Brasil (1961, 62, 63, 64 e 65), Torneio Rio-São Paulo (1959, 63, 64 e 66), Torneio Robertão (1968), Libertadores da América (1962 e 63), Mundial Interclubes (1962 e 63), além de vários torneios nacionais e internacionais.

Pela Seleção Brasileira, Coutinho fez parte do elenco que participou da Copa do Mundo de 1962 no Chile, onde era titular durante o período de treinamento até que uma contusão o tirou do time.

A Bola, o número nove e o barbante estufado. Componentes comuns na trajetória de Coutinho.

A Bola, o número nove e o barbante estufado. Componentes comuns na trajetória de Coutinho.

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Coutinho não participou da Copa na Inglaterra em 1966, pois já enfrentava problemas com o seu peso. Mesmo assim, muitos viram como um erro seu nome não ser incluído entre os convocados pelo técnico Vicente Feola.

Pela Seleção Brasileira Coutinho realizou 15 jogos, obtendo 11 vitórias, 1 empate, 3 derrotas e 3 gols marcados. Os números fazem parte do livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Depois de 1966, os problemas físicos se acentuaram e Coutinho participava de poucas partidas pelo Santos. A facilidade para ganhar peso e sua dificuldade em controlar o ponteiro da balança acabaram abreviando sua carreira.

Foi emprestado ao E.C Vitória em 1968 e no ano seguinte foi para a Portuguesa de Desportos, onde o lendário técnico Lula tinha assumido o comando.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

No segundo semestre de 1969 retornou ao Santos, onde permaneceu até agosto de 1970. Após sua saída do time da Vila, Coutinho ainda atuou no futebol mexicano pelo Atlas em 1971 e no Bangu A.C, disputando o campeonato carioca de 1972.

Em 1973 assinou com o Saad Esporte Clube, juntamente com os ex-santistas Joel Camargo e Dorval. No Saad, em sua estréia, jogou contra um time misto do Santos e marcou um gol.

E como por ironia, esse foi o último tento de sua carreira, marcado justamente contra o alvinegro de Vila Belmiro.

Em sua biografia “Coutinho, o gênio da área”, escrita pelo jornalista Carlos Fernando Schinner, o eterno ídolo santista revela um convite que recebeu em 1969, pelo então técnico da Seleção Brasileira, João Saldanha, para integrar o escrete no Mundial de 1970.

Crédito: revista Veja.

Crédito: revista Veja.

Tostão estava em recuperação do acidente acontecido na partida contra o Corinthians, quando sofreu um descolamento da retina em um lance casual com o zagueiro Ditão.

– Preciso de você para compor o ataque na Copa. Não vejo ninguém para substituir o Tostão”, disse João Saldanha.

Mas Coutinho negou o convite por estar mais preocupado em tomar uma gelada com os amigos do que voltar a jogar profissionalmente em alto nível.

“Eu não estava mais a fim de jogar bola (profissionalmente). Meu negócio era jogar na praia e tomar uma cervejinha. E estava tudo certo assim”. Falou Coutinho em entrevista ao UOL Esporte.

É considerado um dos maiores centroavantes da história do futebol. Tinha como principais virtudes sua frieza e uma tranqüilidade incrível nas finalizações.

Raríssima foto de Coutinho quando foi apresentado na Portuguesa de Desportos. Crédito: revista do Esporte número 520 – Fevereiro de 1969.

Raríssima foto de Coutinho quando foi apresentado na Portuguesa de Desportos. Crédito: revista do Esporte número 520 – Fevereiro de 1969.

Crédito: revista Placar - 26 de agosto de 1977.

Crédito: revista Placar – 26 de agosto de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão e Luís Estevam Pereira), revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Ilustrado, revista Veja, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, esporte.uol.com.br, esporte.ig.com.br, placar.abril.com.br, extra.globo.com, topicos.estadao.com.br, esportes.estadao.com.br, site do Milton Neves, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, santosfc.com.br, prof-guilherme.capesp.org, semprepeixe.com.br, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net, museudosesportes.blogspot.com.br.

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