Tags

, , ,

O Curinga representa os jograis realizados nos castelos da Idade Média, o artista das classes humildes que ganhava o sustento divertindo os nobres das classes mais abastadas.

No futebol, “Curinga” é algo bem mais complexo. Contar com um jogador que jogue com eficiência em várias posições é uma verdadeira raridade. É o sonho dourado de qualquer treinador!

Antônio Lima dos Santos, o Lima que brilhou na Vila Belmiro, nasceu na cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), em 18 de janeiro de 1942.

Começou sua trajetória no futebol varzeano do bairro do Belém e região, na Zona Leste da capital paulista.

E na vida do garoto Lima, o futebol já era algo intenso. Jogava até duas partidas por dia em equipes tradicionais, como o Luso Nacional e o Leão do Norte Futebol Clube.

Crédito: revista do Esporte número 205 – 16 de fevereiro de 1963.

Em 5 de maio de 1963, o Brasil venceu a Alemanha por 2×1 em Hamburgo. Lima em disputa de bola com Schnellinger. Crédito: Livro – Seleção Brasileira 1914-2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Descoberto pelo ex-jogador Osvaldinho, Lima foi encaminhado aos quadros amadores do Clube Atlético Juventus. Em 1958 foi promovido ao Juvenil e posteriormente foi aproveitado no quadro de Aspirantes.

A chance de voar mais alto apareceu em 1959, quando o técnico José Carlos Bauer notou suas habilidades no campo do Distrital da Mooca, local onde os times de base do Juventus eram preparados na época.

A primeira partida no time principal aconteceu em um momento delicado para o Juventus. O time disputava uma espécie de “Torneio da Morte” pelo direito de permanecer na Primeira Divisão do futebol paulista.

Uma vitória em São José do Rio Preto contra o América; um empate em Presidente Prudente com o Corinthians local e uma vitória contra o mesmo Corinthians na Rua Javari, livrou o Juventus do rebaixamento.

Lima também esteve em campo no dia em que Pelé marcou o gol mais bonito de sua carreira. A partida aconteceu na Rua Javari, em 2 de agosto de 1959, com vitória do Santos por 4×0.

Crédito: revista do Esporte número 370 – 9 de abril de 1966.

Crédito: revista do Esporte número 370 – 9 de abril de 1966.

Lima jogou pelo Juventus até 1960 com o “Contrato de Gaveta”, um acordo que representava garantias para uma futura contratação remunerada.

Com especulações sobre sua convocação para os Jogos Olímpicos de Roma em 1960, o Juventus decidiu antecipar a permanência do médio-volante e o contrato foi devidamente assinado.

E foi uma decisão providencial dos cartolas da Rua Javari. Conforme divulgado pela revista do Esporte em 9 de abril de 1966, algum tempo depois o Sport Club Corinthians Paulista ofereceu 7 milhões de cruzeiros pelo jogador.

Lima conheceu essa história anos depois. Só não ficou sabendo como o Juventus tratou do assunto. O que se sabe é que o time da Vila Belmiro atropelou o negócio com o time do Parque São Jorge.

A novela da transferência para o Santos se arrastou até o início de 1961, quando o Juventus enfrentou a Ferroviária de Assis. Naquele dia, Lima foi substituído no decorrer do confronto.

No Santos ou na Seleção Brasileira, Lima era eficiente em várias posições. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Pelé e Lima em partida contra o São Paulo no Morumbi. Crédito: gazetaesportiva.net.

No caminho para o vestiário, um repórter local perguntou como Lima se sentia como o novo reforço do Santos. A notícia da transferência para o time praiano foi devidamente confirmada no retorno do Juventus para São Paulo.

No Juventus, Lima jogou somente como volante, embora nos tempos de amadorismo tenha atuado em outras posições. Mas na Vila Belmiro, sua situação foi bem diferente!

Lima jogou nas duas laterais, como zagueiro, como ponteiro direito e meio campista. Só não jogou como goleiro. Até hoje seu nome é associado como “Curinga”.

Jogando pelo Santos, Lima marcou 65 gols em 696 partidas oficiais, marca superada somente por Pelé, Pepe e Zito. Foram muitos os títulos conquistados pelo Santos:

– Campeonato paulista 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969, Mundial Interclubes 1962 e 1963, Libertadores da América 1962 e 1963, Recopa Sul-Americana e Recopa Mundial 1968, Taça Brasil de 1961 até 1965, Torneio Rio-São Paulo 1963, 1964 e 1966 e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1968, além de vários torneios nacionais e internacionais.

Coutinho e Lima na guerra contra o ponteiro da balança. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1970.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1971.

Em 1970 Lima enfrentou uma guerra contra o ponteiro da balança. Ao lado do companheiro Coutinho, ambos iniciaram um trabalho de recuperação supervisionado pelo Dr. Paulo Azevedo e pelo Preparador Físico Julio Mazzei.

Vencida a batalha contra o peso, Lima continuou no Santos até 1971. A última partida foi em 30 de outubro de 1971, no empate em 1×1 diante do Corinthians no Pacaembu, compromisso válido pelo campeonato brasileiro.

Em seguida assinou com o Jalisco Guadalajara em 1971. Permaneceu no México até 1974, quando voltou ao Brasil para jogar no Fluminense. Passou também pelo futebol dos Estados Unidos em 1975, antes de encerrar a carreira na Portuguesa Santista.

Pela Seleção Brasileira disputou o mundial de 1966 na Inglaterra. Ao todo, foram 18 partidas com 12 vitórias, 2 empates, 4 derrotas e 7 gols marcados. Os números fazem parte do livro “Seleção Brasileira 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Depois de encerrar a carreira, Lima continuou no futebol em partidas de exibição com outros grandes craques do passado.

No Santos, Lima só não jogou como goleiro. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1971.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 20 de outubro de 1972.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Divino Fonseca, Flávio Falcão, Hedyl Valle Júnior, Manoel Motta, Michel Laurence, Pio Pinheiro, Sebastião Marinho e Teixeira Heizer), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, dnasantastico.wordpress.com, gazetaesportiva.net, juventus.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, santosfc.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann e Rogério Micheletti), Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Livro: Seleção Brasileira 1914-2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.