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O Curinga representa os jograis realizados nos antigos castelos. É a única carta remanescente do baralho original de 78 cartas.

No futebol, o termo “Curinga” é mais complexo. É o sonho dourado de todo treinador. Poder contar com um jogador que atue em várias posições é uma raridade difícil de ser encontrada!

Antonio Lima dos Santos nasceu na cidade de São Sebastião do Paraíso (MG), no dia 18 de janeiro de 1942. Começou sua trajetória no futebol em campos de várzea do bairro do Belém, na Zona Leste da capital paulista.

Na vida do garoto Lima, o futebol já era algo intenso. Jogava até duas partidas por dia em equipes diferentes.

Do Juventus ao sucesso como “multifuncional” no famoso esquadrão de estrelas do Santos. Crédito: gazetaesportiva.net.

Pelé e Lima em partida contra o São Paulo no Morumbi. Crédito: gazetaesportiva.net.

Com apenas 16 anos de idade, Lima fazia bastante sucesso pelo Luso Nacional e pelo Leão do Norte Futebol Clube.

Após ser descoberto pelo ex-jogador Osvaldinho, Lima recebeu uma proposta para fazer um teste nas categorias amadoras do Clube Atlético Juventus, onde foi aprovado nas seletivas.

Em 1958 passou ao quadro juvenil e posteriormente foi aproveitado nos Aspirantes do clube.

A grande chance de chegar ao time profissional aconteceu em 1959, quando o técnico José Carlos Bauer descobriu o futebol de Lima no campo do Distrital da Mooca, local onde os times de base do Juventus eram preparados naquela época.

A primeira partida de Lima na equipe principal aconteceu em um momento perigoso para o Juventus. O time disputava uma espécie de “Torneio da Morte” com mais duas equipes pelo direito de permanecer na Primeira Divisão do futebol paulista.

Crédito: revista do Esporte número 205 – 16 de fevereiro de 1963.

Uma vitória em São José do Rio Preto contra o América, um empate em Presidente Prudente com o Corinthians local e uma vitória contra o mesmo Corinthians na Rua Javari, livrou o Juventus do rebaixamento.

Lima esteve em campo no dia em que Pelé marcou o gol mais bonito de sua carreira. A partida aconteceu debaixo de muita chuva em agosto de 1959, na Rua Javari, com vitória do Santos sobre o Juventus por 4×0.

Lima jogou pelo “Moleque Travesso” até 1960, com o chamado “Contrato de Gaveta”, um acordo entre o clube e o jogador que representava garantias para uma futura contratação remunerada.

Com especulações sobre sua convocação para os jogos Olímpicos de Roma em 1960, o Juventus decidiu garantir a permanência do volante e o contrato oficial foi devidamente assinado.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 304 – Junho de 1966.

No início de 1961, o Juventus jogava contra a Ferroviária de Assis e inesperadamente, Lima foi substituído pelo técnico Bauer durante o jogo.

Ao caminhar para o vestiário um repórter da rádio local perguntou como Lima se sentia como o novo reforço do Santos.

A notícia da transferência para o Santos, inesperada para o volante, foi confirmada durante o retorno do Juventus para a cidade de São Paulo.

No Juventus, Lima atuou somente como volante, mesmo que em seu tempo de futebol amador tenha jogado em outras posições. Mas, na Vila Belmiro, Lima teve que aprender jogar em todas.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Coutinho e Lima na guerra contra o ponteiro da balança. Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 21 de agosto de 1970.

Lima jogou nas duas laterais, como zagueiro, como ponteiro direito e em todas as posições do setor de meia cancha. Só não jogou como goleiro. Até hoje seu nome é associado com a palavra “Curinga”.

Jogando pelo Santos, Lima marcou 65 gols em 696 partidas oficiais, marca superada somente por Pelé, Pepe e Zito. Foram muitos os títulos conquistados pelo Santos:

– Paulistão de 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969, Mundial interclubes 1962 e 1963, Libertadores da América 1962 e 1963, Recopa Sul-Americana e Recopa Mundial 1968, Taça Brasil de 1961 até 1965 e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968, além de vários torneios nacionais e internacionais.

Em 1970 Lima enfrentou uma guerra particular contra o ponteiro da balança. Afinal, o que poderia fazer um meio campista com 80 quilos?

Então, Lima encarou o problema ao lado do companheiro Coutinho. Ambos iniciaram um trabalho de recuperação supervisionado pelo Dr. Paulo Azevedo e pelo Preparador Físico Julio Mazzei.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1971.

Vencida a batalha contra o peso, Lima continuou no “Peixe” até 1971. A última partida pelo Santos aconteceu no dia 30 de outubro de 1971, no empate em 1×1 diante do Corinthians no Pacaembu, compromisso válido pelo campeonato brasileiro.

Após o término do contrato com o Santos, Lima acertou suas bases com o Jalisco Guadalajara em novembro de 1971.

No México, Lima permaneceu até 1974, quando retornou ao Brasil para jogar pelo Fluminense. O jogador também teve uma passagem pelo futebol dos Estados Unidos em 1975, antes de encerrar sua carreira na Portuguesa Santista.

Pela Seleção Brasileira Lima disputou o mundial de 1966 na Inglaterra. Ao todo, foram 18 partidas com 12 vitórias, 2 empates, 4 derrotas e 7 gols marcados. Os números fazem parte do livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Depois de encerrar a carreira, Lima continuou no futebol em partidas de exibição com outros grandes craques do passado.

Lima só não jogou de goleiro. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1971.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 20 de outubro de 1972.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Divino Fonseca, Flávio Falcão, Manoel Motta, Michel Laurence, Pio Pinheiro, Sebastião Marinho e Teixeira Heizer), revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, Jornal A Gazeta Esportiva, gazetaesportiva.net, cacellain.com.br, celiopegoraro.blogspot.com.br, fifa.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti e Gustavo Grohmann), juventus.com.br, santosfc.com.br, dnasantastico.wordpress.com, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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