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Paulinho Valentim viveu uma vida marcada por fortes emoções, dentro e fora dos gramados.

Para quem sempre teve o nome em evidência, os últimos anos foram marcados por um quase anonimato.

Paulo Ângelo Valentim nasceu em Barra do Piraí (RJ), no dia 20 de novembro de 1932. *A revista do Esporte publicou o ano de seu nascimento em 1933 e também em 1934. Os registros conflitantes aparecem em diferentes edições dos anos 60.

Sua trajetória foi iniciada em meados de 1947, pelo Central de Barra do Piraí. Em 1949 foi defender o Guarani Esporte Clube, da cidade de Volta Redonda (RJ).

Na época, Paulinho Valentim já dava um trabalho danado ao pai em razão do vício na bebida, coisa que ainda fazia apenas para embalar suas aventuras pelas casas noturnas da região.

Paulinho Valentim, em destaque, em uma das formações do Atlético Mineiro nos anos 50. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 95 – 14 de setembro de 1957.

O álcool, ainda um hábito inconsequente para o jovem Paulinho Valentim, o deixava apenas alegre.

Cansado de dar conselhos, o pai de Paulinho, o conhecido bicheiro Quim Valentim, mandou o filho para continuar os estudos em Belo Horizonte.

Incrivelmente, na capital mineira, sua fama com a bola nos pés já não era nenhuma novidade. Quando ainda jogava pelo Central de Barra do Piraí, Paulinho Valentim ficou bastante conhecido nos amistosos contra os times de Juiz de Fora e região.

Em 1954 apareceu o interesse do Clube Atlético Mineiro, que ofereceu uma boa proposta em 1954. Em suas duas primeiras temporadas no Atlético, Paulinho Valentim foi bicampeão mineiro de 1954 e 1955.

Permaneceu no “Galo” até o findar de 1956, ano em que também levantou o caneco estadual ao lado do Cruzeiro. Pelo Atlético, o atacante disputou 51 partidas, com 31 gols marcados.

Crédito: globoesporte.globo.com.

Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva número 96 – 1957.

Sob o olhar clínico de João Saldanha, Paulinho Valentim foi recomendado ao Botafogo de Futebol e Regatas, onde foi apresentado durante o primeiro turno do campeonato carioca de 1957.

Naquele ano, time da “Estrela Solitária” precisava retomar o caminho do título, coisa que não acontecia desde 1948.

Mas Paulinho Valentim demorou para entrar nos eixos. Encantado com o movimento da vida noturna do Rio de Janeiro, seus primeiros tempos no Botafogo foram questionados pela torcida e por boa parte da exigente imprensa carioca.

Paulinho só foi mantido no time pelas convicções do próprio Saldanha, que sabia que não estava enganado com o futebol do rapaz:

– Paulinho é um tanque, mas com inteligência. Não é apenas de passar por cima dos zagueiros. Sabe se colocar e está sempre pronto para os rebotes!

Mais um gol do “fantasma” Paulinho Valentim contra o Fluminense em 1957. Crédito: revista Manchete Esportiva – Janeiro de 1958.

Linha de ataque da Seleção Brasileira no campeonato Sul–Americano de 1959. Partindo da esquerda; Garrincha, Pelé, Paulinho Valentim, Didi e Zagallo. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Na partida decisiva do campeonato de 1957 o adversário foi o Fluminense, que também buscava o título desde 1951 e tinha uma equipe bem montada.

E na tarde de 22 de dezembro de 1957, os torcedores que foram ao Maracanã assistiram de forma incrédula o massacre aplicado sem piedade contra o goleiro Castilho.

No final do confronto, o marcador do Maracanã apontava um surpreendente 6×2 em favor do alvinegro. Paulinho Valentim marcou 5 gols e deixou o gramado ovacionado e carregado nos braços do povo.

Foi uma das maiores atuações de um atacante em partidas decisivas do campeonato carioca. Mas o bom momento não era apenas no Botafogo!

A participação pela Seleção Brasileira no campeonato Sul-Americano de 1959 encantou os argentinos. Depois da competição, o Club Atlético Boca Juniors demonstrou grande interesse pelo atacante do clube carioca.

Crédito: revista El Gráfico.

Jogadores brasileiros no Boca Juniors da Argentina. Em pé: Maurinho. Édson e Paulinho Valentim. Agachados: Almir e Orlando. Crédito: revista Manchete Esportiva – Material publicado no site museudosesportes.blogspot.com.br.

Porém, pouco antes de sua transferência para o Boca Juniors, Paulinho decidiu contrair matrimônio com sua companheira “Hilda Furacão”, personalidade bastante popular em Belo Horizonte.

Durante o cerimonial de casamento, o padre pregou que Hilda deveria abandonar os encantos da “vida fácil”.

Transtornado, Paulinho Valentim quis esmurrar o padre e foi prontamente contido pelo padrinho João Saldanha, que acalmou os ânimos e assim o casamento continuou.

Anos mais tarde, a esposa de Paulinho Valentim inspirou a personagem “Hilda Furacão”, série criada em 1991 pelo escritor Roberto Drummond e que foi exibida pela TV Globo em 1998.

Jogando pelo Botafogo Paulinho Valentim marcou 135 gols em 206 compromissos disputados, o que o torna um dos maiores artilheiros da história do clube.

Crédito: revista do Esporte número 326 – 5 de junho de 1965.

Paulinho Valentim chegou ao Boca Juniors em 1960. Ganhou fama principalmente por suas atuações contra o River Plate. Foi o maior artilheiro da história desse confronto com 10 gols marcados.

Porém, a vida de boêmio foi aos poucos comprometendo sua condição física. Pelo Boca Juniors, Paulinho Valentim conquistou o campeonato argentino nas edições de 1962 e 1964. 

Em 1965 voltou ao Brasil e firmou compromisso com o São Paulo Futebol Clube. Foram apenas 10 partidas disputadas e 4 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Conforme publicado pela revista do Esporte número 364, de 26 de fevereiro de 1966, Paulinho Valentim ficou muito decepcionado com sua passagem pelo time do Morumbi:

– Não esperava passar por isso em minha carreira. Fui levado com uma série de promessas e acabei miseravelmente sabotado. Fui até acusado de faltar aos treinos e de fazer corpo mole!

Crédito: revista do Esporte número 335 – 7 de agosto de 1965.

Sem o sucesso esperado na cidade de São Paulo, Paulinho e Hilda decidiram mudar radicalmente de vida. Movidos por planos e sonhos, o casal vendeu o patrimônio acumulado em Barra do Piraí (RJ) e foram para o México.

No entanto, Paulinho não encontrou lugar nos clubes e sem alternativas foi trabalhar no cais do porto.

O preço de tamanha aventura jogou o casal em uma situação de muita dificuldade. O padrão de vida despencou e os suspiros de felicidade foram aos poucos desaparecendo.

Em 1978, graças ao auxílio financeiro de amigos brasileiros, o “casal furacão” voltou ao território argentino. Com esperanças renovadas, Paulinho tentou iniciar na carreira de treinador, mas também não foi bem.

Com o passar dos anos, o fumo e o álcool foram esgotando o estado de saúde do grande artilheiro, que faleceu em Buenos Aires no dia 9 de julho de 1984.

Paulinho Valentim e Hilda embarcando no avião da antiga Panair. Crédito: revista do Esporte número 335 – 7 de agosto de 1965.

“Fui miseravelmente sabotado no São Paulo”. Crédito: revista do Esporte número 364 – 26 de fevereiro de 1966.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão e Marcelo Rezende), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte (por De Santis), revista El Gráfico, revista Esporte Ilustrado, revista Fútbol, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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