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Bairro do Belenzinho na cidade de São Paulo. No balcão do acanhado barzinho de uma quadra de esportes, um homem me fez lembrar imediatamente de Rodolpho Carbone, grande meia-atacante do Corinthians na década de 1950.

Para tentar conversar um pouco com o provável Carbone, me acomodei e pedi um refrigerante. Pouco depois joguei meu anzol de forma confiante: O senhor é o Carbone que jogou pelo Corinthians e pelo Juventus?

Diante da afirmação positiva, uma tímida prosa foi iniciada. Carbone só parou de falar quando o assunto chegou no título do “Quarto Centenário”. Era como uma ferida aberta e ainda dolorida em sua memória!

Rodolpho Carbone nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 2 de novembro de 1928. (*) Algumas fontes encontradas apontam seu nascimento em 1927.

Sua caminhada esportiva foi iniciada no futebol varzeano do bairro da Mooca e região. Em 1945, depois de uma grande exibição no time da empresa Fulgor, o promissor Carbone foi convidado para treinar no Clube Atlético Juventus.

Carbone, que detestava chuteiras novas, se deu muito bem com a camisa do Corinthians! Crédito: revista do Corinthians número 20 – Junho de 1951.

Valente e dotado de boa habilidade, o meia-atacante logo caiu nas graças da Fiel Torcida, que vibrava com sua enorme facilidade de finalização! Crédito: revista do Corinthians.

Como meia-esquerda ou ponta-esquerda, Carbone realizou grandes partidas no quadro de Aspirantes do Juventus até 1947, ano em que foi promovido ao time principal.

E como todo bom juventino, o habilidoso Carbone também gostava de aprontar das suas quando enfrentava o Corinthians!

Desde o começo de sua trajetória no time da Rua Javari, Carbone já pensava no futuro. Com algumas economias comprou uma “fabriquinha” de fundo de quintal e dois tornos de segunda mão.

Saía apressadamente dos treinos e tomava o rumo de seu estabelecimento para aprender o ofício. A tal fábrica cresceu e logo foi transformada em uma grande empresa de alumínio, com uma centena de funcionários registrados.

No início da temporada de 1951, Carbone foi apresentado no Parque São Jorge, um momento de grande renovação no elenco do alvinegro.

Carbone e Luizinho Trochillo, ídolos da Fiel Torcida! Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

A linha ofensiva do Corinthians que marcou 103 gols no campeonato paulista de 1951. Partindo da esquerda; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário. Crédito: placar.abril.com.br.

E Carbone, que detestava chuteiras novas, se deu muito bem com a camisa do Corinthians. Com um raro faro de gol, o meia-atacante logo caiu nas graças da Fiel Torcida, que vibrava com sua enorme facilidade de finalização.

Em 1951, Carbone foi o artilheiro do campeonato paulista de 1951 com 30 gols. Com um total de 103 tentos marcados, a memorável linha ofensiva que conquistou o título contava com Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário.

Carbone novamente foi um dos grandes destaques do bicampeonato paulista em 1952, mesmo ano em que o Corinthians promoveu sua primeira excursão aos gramados da Europa.

Após uma viagem exaustiva, o cansado Corinthians fez sua primeira partida na Turquia e foi derrotado pelo Besiktas por 1×0. Depois foram 12 vitórias e 3 empates contra equipes da Dinamarca, Finlândia e Suécia.

Também nessa excursão, o quadro paulista venceu o selecionado turco por 1×0; além de inaugurar o Estádio Olímpico de Helsinque, que foi utilizado nos Jogos Olímpicos.

Carbone, ao centro, na primeira excursão do Corinthians aos gramados da Europa. Crédito: revista do Corinthians número 32 – Junho de 1952.

Sempre atento, Carbone acompanha a defesa do goleiro do Juventus em partida disputada no Pacaembu. Crédito: gazetaesportiva.net.

Em grande fase, Carbone continuou faturando títulos: Torneio Rio-São Paulo nas edições de 1953 e 1954 e a conquista da Pequena Taça do Mundo na Venezuela em 1953.

Na épica campanha do título do IV Centenário em 1954, Carbone não era mais o titular da meia-esquerda. Nas primeiras partidas do certame; Cláudio, Luizinho, Paulo, Nonô e Simão reinaram absolutos.

Conhecido como “Cisne”, o bom futebol de Rafael Chiarella brilhou no segundo turno da competição. Na grande virada por 3×2 sobre o Palmeiras em 31 de outubro de 1954, Rafael desencantou e não saiu mais do time!

Pouco aproveitado, Carbone disputou apenas dois compromissos como titular: XV de Jáu 1×1 Corinthians em 12 de setembro de 1954; e Corinthians 2×1 Linense em 21 de novembro de 1954.

E assim, o treinador Oswaldo Brandão continuou movendo suas peças pelo lado esquerdo do tabuleiro, com Carbone sempre colocado em segundo plano!

Desprestigiado, Carbone foi perdendo espaço no Parque São Jorge! Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 706 – Sexta Feira, 14 de outubro de 1955.

Redenção alvinegra? Em 1972, o lateral Zé Maria aparece entre Del Debbio e Carbone, dignos representantes do passado de títulos do Corinthians! Crédito: revista Placar – 24 de março de 1972.

Em 1957 seu passe foi negociado com o Botafogo Futebol Clube da cidade de Ribeirão Preto. Posteriormente, no início da década de 1960, Carbone voltou ao Juventus para encerrar sua brilhante carreira.

Pelo Corinthians foram 231 partidas com 153 vitórias, 37 empates, 41 derrotas e 135 gols marcados. Os números foram publicados no livro “Timão 100 anos”, do autor Celso Dario Unzelte.

O nome de Carbone também foi lembrado na letra da famosa “marchinha” do compositor Alfredo Borba, intitulada “Gol de Baltazar”: … O mosqueteiro ninguém pode derrotar, Carbone é o artilheiro espetacular!

Com dificuldades burocráticas para importar matéria prima, Carbone cansou e decidiu vender o equipamento da fábrica para abrir uma rentável quadra de esportes.

Um dos grandes artilheiros da história do Corinthians, Rodolpho Carbone faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 25 de maio de 2008.

A antiga fábrica de Carbone foi transformada em uma quadra de esportes. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1983.

Carbone foi um dos grandes artilheiros da história do Corinthians. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Pinto e Mário Della Rina), revista do Corinthians (por Téo de Andrade e Adelino Ricciardi), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo, Jornal O Esporte, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.net, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann), Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, albumefigurinhas.no.comunidades.net.