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Quadra de esportes no bairro do Belenzinho, Zona Leste da cidade de São Paulo. No balcão do acanhado barzinho, um homem me fez lembrar imediatamente de Carbone, grande atacante do Corinthians nos anos 50.

Para me aproximar do suposto Carbone, me acomodei e pedi um refrigerante. Pouco depois joguei meu anzol de forma confiante:

– O senhor é o Carbone que jogou pelo Juventus e pelo Corinthians?

Diante da afirmação positiva, uma tímida prosa foi iniciada com a participação de outros presentes, também curiosos em saber como a famosa fábrica foi transformada em uma quadra de esportes.

O paulistano Rodolfo Carbone, ou ainda Rodolpho Carbone, como encontrado em algumas publicações, nasceu no dia 2 de novembro de 1928.

A fábrica de Carbone foi transformada em uma quadra de esportes. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1983.

Desde que começou sua carreira no Clube Atlético Juventus, Carbone já pensava no futuro. Comprou dois tornos de segunda mão e uma fabriquinha de fundo de quintal. 

Saía apressadamente dos treinos e tomava o rumo de seu estabelecimento para aprender o ofício. A tal fabriquinha cresceu e se transformou em uma grande empresa de alumínio, com uma centena de funcionários registrados.

Com dificuldades para importar matéria prima, Carbone se cansou e decidiu vender o equipamento para abrir uma quadra de esportes. Foi nesse momento que a conversa voltou para o futebol.

Inevitavelmente, quando falei do título do “Quarto Centenário”, percebi uma certa mágoa refletida em sua face.

Por um instante, Carbone parou de falar. Era como se o ano 1954 não fosse bem vindo em sua memória. Passado o mal estar, o breque na conversa causou uma espécie de ruptura.

Crédito: revista do Corinthians número 20 – Junho de 1951.

Na épica campanha do Corinthians em 1954, Carbone já não era mais o titular absoluto da meia esquerda alvinegra.

Nas primeiras partidas do campeonato, Cláudio, Luizinho, Paulo, Nonô e Simão reinaram absolutos. Até que chegou o esperado “Derby” de 31 de outubro de 1954.

Na grande virada por 3×2 sobre o Palmeiras, o jovem Rafael Chiarella desencantou e não saiu mais do time. Conhecido na Fazendinha como “Cisne”, Rafael fez um grande campeonato, principalmente no segundo turno da competição.

Antes do futebol profissional, Carbone jogava em times amadores do bairro da Mooca e região. Em 1945, quando fazia parte de uma equipe chamada Fulgor, Carbone enfrentou o juvenil do Juventus. Agradou e foi convidado para treinar na Rua Javari.

Como meio campista ou ponta esquerda, Carbone realizou grandes partidas no quadro de Aspirantes até 1947, ano em que foi promovido ao time principal.

Crédito: revista do Corinthians.

A linha de ataque que marcou 103 gols no campeonato paulista de 1951. Partindo da esquerda; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário. Crédito: placar.abril.com.br.

E como todo bom juventino, Carbone também gostava de aprontar das suas quando enfrentava o Corinthians.

No final da temporada de 1950, Carbone foi sondado pelos dirigentes do alvinegro. Com o sucesso nas negociações, Carbone chegou ao Parque São Jorge no início de 1951, momento em que o elenco foi renovado para o campeonato paulista.

E Carbone, que detestava chuteiras novas, se deu muito bem com a camisa do Corinthians. Valente e dotado de boa habilidade, o meio campista logo caiu nas graças da Fiel Torcida, que vibrava com sua incrível facilidade para finalizar ao gol.

Em 1951 o Corinthians finalmente foi campeão paulista, após uma aflitiva espera de dez anos.

Carbone foi o artilheiro do campeonato de 1951 com 30 gols marcados. A poderosa linha ofensiva de 103 gols contava com Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário.

Carbone na primeira excursão do Corinthians aos gramados da Europa. Crédito: revista do Corinthians número 32 – Junho de 1952.

Carbone contra o Juventus no Pacaembu. Crédito: gazetaesportiva.net.

Em 1952 Carbone foi novamente um dos grandes destaques do Corinthians, inclusive na primeira excursão do clube aos gramados da Europa, contra equipes da Turquia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.

Após uma viagem exaustiva, o cansado Corinthians fez sua primeira partida na Turquia e foi derrotado pelo Besiktas por 1×0. Depois, foram 12 vitórias e 3 empates.

Também nessa excursão, o alvinegro paulista venceu o selecionado turco por 1×0; além de inaugurar o Estádio Olímpico de Helsinque, usado também nos jogos Olímpicos.

Em grande fase, Carbone continuou faturando títulos: Bicampeonato paulista em 1952, bicampeonato do Torneio Rio-São Paulo em 1953 e 1954, além da conquista da Pequena Taça do Mundo na Venezuela em 1953.

Na temporada de 1954 Carbone perdeu o lugar. Inicialmente para Paulo Carvoeiro, Gatão e Nonô, até que Rafael, o pupilo de Brandão, se apoderasse definitivamente da camisa 10.

Carbone e Luizinho. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Na campanha do campeonato do “Quarto Centenário”, Carbone foi pouco aproveitado. Foram apenas duas partidas como titular:

– 12 de setembro de 1954 – Primeiro turno – Estádio Arthur Simões – XV de Jáu 1×1 Corinthians. Carbone jogou em sua posição original na meia esquerda.

– 21 de novembro de 1954 – Segundo turno – Estádio do Pacaembu – Corinthians 2×1 Linense. Carbone jogou na ponta esquerda.

No entanto, também existia uma forte concorrência na ponta esquerda. Então, nessa briga ferrenha pela pela camisa 11, os companheiros Gatão, Simão e Nonô levaram vantagem.

E Brandão continuava movendo peças pelo lado esquerdo do tabuleiro, com Carbone sempre em segundo plano.

Carbone (camisa 11) comemora ao lado de Baltazar nas redes do Linense. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 706 – Sexta Feira, 14 de outubro de 1955.

Nas temporadas seguintes, com o insucesso na tentativa de retomar o caminho dos títulos, um novo processo de renovação foi inevitável.

Em 1957 seu passe foi negociado com o Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto. Posteriormente, no começo dos anos 60, Carbone retornou ao Juventus para encerrar pouco depois sua brilhante carreira.

Pelo Corinthians, Carbone disputou um total de 231 partidas com 153 vitórias, 37 empates, 41 derrotas e 135 gols marcados. Foi um dos maiores artilheiros da história do clube!

Os números de Carbone foram publicados no livro “Timão 100 anos”, do autor Celso Dario Unzelte. Carbone faleceu no dia 25 de maio de 2008, aos 79 anos de idade.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Pinto e Mário Della Rina), revista do Corinthians (por Adelino Ricciardi), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo, Jornal O Esporte, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, esportes.estadao.com.br, ftt-futeboldetodosostempos.com, gazetaesportiva.net, placar.abril.com.br, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, site do Milton Neves, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

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