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Era o mês de outubro de 1988. Abandonado pelos amigos, esquecido pelos jornalistas e pelas torcidas que um dia gritaram seu nome nas arquibancadas dos estádios do Brasil.

A traiçoeira diabetes havia levado suas duas pernas. Outrora, eram pernas fortes capazes de desferir chutes violentos e quase sempre certeiros. No entanto, o pior era mesmo a tristeza !

Rodrigues solitário  em um bar no bairro da Moóca. Crédito: revista Placar.

Rodrigues solitário em um bar no bairro da Moóca. Crédito: revista Placar.

Ataque do Fluminense: Santo Cristo. Carlayle. Silas. Orlando e Rodrigues. Foto do excelente blog museudosesportes.blogspot.com.br.

Ataque do Fluminense: Santo Cristo. Carlayle. Silas. Orlando e Rodrigues. Foto do excelente blog museudosesportes.blogspot.com.br.

Essa história começa em 27 de junho de 1925. Nessa data, nascia na cidade de São Paulo um menino batizado como Francisco Rodrigues, que mais tarde ficou conhecido no mundo do futebol como Rodrigues Tatu.

Rodrigues começou a jogar futebol em equipes amadoras do bairro da Mooca. Em 1941, o “Tatu” jogava por uma equipe chamada Niterói F.C e foi nessa época que sua excelente canhota foi descoberta por olheiros do C.A Ypiranga.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Orlando e Rodrigues. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Orlando e Rodrigues. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

O apelido “Tatu” veio da várzea das rodinhas de gozação, quando os amigos do Niterói F.C o apelidaram assim por sua semelhança com o simpático bichinho.

Além disso, Rodrigues parecia se esconder dos marcadores como se ficasse em uma toca e de repente aparecia para fazer cruzamentos perfeitos ou ainda estufar as redes adversárias com sua canhota mortal e violenta.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Sua estréia no time profissional do C.A Ypiranga ocorreu em 27 de Março de 1943, quando o simpático “time do vovô” venceu o São Paulo pelo placar de 2×1. Além do futebol, desenvolveu a paixão pelas corridas de cavalo e pelos encantos da madrugada paulista.

Permaneceu jogando pelo C.A Ypiranga até 1945, quando seu futebol despertou o interesse do Fluminense. Iniciou-se assim um ciclo que marcaria sua carreira: as constantes idas e vindas entre as equipes do futebol paulista e carioca.

A partir da esquerda: Ponce de Leon, Rodrigues Tatu e um repórter. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

A partir da esquerda: Ponce de Leon, Rodrigues Tatu e um repórter. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Crédito: revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro.

Crédito: revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro.

Naquela época “pré-Maracanã”, Rodrigues começou a escrever suas páginas de glória com a camisa do tricolor das Laranjeiras. Tímido, não gostava muito de aparecer num ataque onde brilhavam Pedro Amorim, Orlando Pingo de Ouro e, por algum tempo, Ademir Menezes.

Chutava forte, cruzava bonito, fazia gols, mas gostava mais de ficar na sombra, como um autêntico “Tatu” a espera de uma oportunidade de ouro para sair de sua toca e abocanhar sua presa. Seu primeiro título foi o campeonato carioca de 1946.

Palmeiras x Bangu no Pacaembu: Zizinho e Rodrigues. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Palmeiras x Bangu no Pacaembu: Zizinho e Rodrigues. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Rodrigues e Carlyle. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Rodrigues e Carlyle. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

No final de 1949, Rodrigues foi negociado com o Palmeiras por indicação de Jair Rosa Pinto. Novamente, ele estava no futebol paulista e com a transferência, Rodrigues ganhou um bom dinheiro.

O salário não valia nada – para não onerar o clube com o cumprimento das leis trabalhistas, o que contava mesmo era o “bicho”. Bicho era um prêmio pago aos jogadores por vitória ou ainda um empate que fosse conveniente.

O “bicho”, em dinheiro vivo, era pago ainda no vestiário, geralmente dentro de um envelope pardo. Rodrigues enfiava no bolso e só ia contar o montante cercado por lindas mulheres nos bares do bairro da Moóca. Esse tal “bicho” é que fazia a fama de “homem rico” dos jogadores de futebol.

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Rodrigues Tatu formou um ataque famoso no Palmeiras com Achiles, Jair Rosa Pinto, Liminha e Canhotinho.

Desde 1949, Rodrigues já vestia a camisa da Seleção Brasileira e no ano de 1950 foi convocado para a disputa da Copa do Mundo como suplente do ponta esquerda Chico do Vasco da Gama.

Os bons tempos de Rodrigues na seleção. Crédito: revista Esporte Ilustrado Nº 840.

Os bons tempos de Rodrigues na seleção. Crédito: revista Esporte Ilustrado Nº 840.

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Depois da tristeza pela derrota para o Uruguai, Rodrigues seguiu a vida e foi campeão paulista de 1950 no conhecido jogo da lama, que só foi disputado no domingo de 28 de janeiro de 1951, contra o São Paulo no Estádio do Pacaembu.

Fez parte da campanha inesquecível do time palmeirense que foi ao Rio de Janeiro para a disputa da primeira Copa Rio em 1951.

Rodrigues e seus companheiros, comemoram a conquista do campeonato de 1950, no famoso jogo da lama contra o São Paulo no Pacaembu.

Rodrigues e seus companheiros, comemoram a conquista do campeonato de 1950, no famoso jogo da lama contra o São Paulo no Pacaembu.

O gol de Rodrigues contra a Juventus na Copa Rio de 1951.

Rodrigues foi o autor do primeiro gol, no empate em 2 x 2 contra a Juventus, que foi o suficiente para dar ao clube o título do torneio. Ainda no mesmo ano, Rodrigues foi campeão do Torneio Rio-São Paulo.

Titular da ponta-esquerda da Seleção Brasileira que disputou a Copa da Suíça, em 1954. O ataque fortíssimo era formado por Julinho Botelho, Didi, Índio (ou Humberto Tozzi), Pinga e Rodrigues Tatu.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Pela Seleção Brasileira o ponteiro atuou em 21 jogos, sendo 16 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Marcou 7 gols. Fonte: Seleção Brasileira – 90 Anos – 1014-2004. Autores: Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Permaneceu no Palmeiras até 1955 e com a camisa palestrina atuou em 221 jogos, sendo 133 vitórias, 36 empates e 52 derrotas. Marcou 125 gols. Fonte: Almanaque do Palmeiras, de Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Rodrigues, com a jaqueta onze do Botafogo. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Rodrigues, com a jaqueta onze do Botafogo. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Para não perder o costume, voltou ao Rio de Janeiro para vestir a camisa do Botafogo, onde permaneceu até o ano de 1958. Depois, teve uma breve passagem pelo futebol Argentino, no ano de 1960 e 1961, defendendo as cores do Rosário Central.

Em seguida retornou ao futebol de São Paulo, no seu querido bairro da Mooca, onde tudo começou, para jogar pelo C.A Juventus onde pendurou suas chuteiras.

Francisco Rodrigues, o Rodrigues Tatu, ex-ponta-esquerda do Palmeiras nos anos 1950, morreu em São Paulo (SP), no dia 30 de outubro de 1988.

Rodrigues no Rosário Central em 1960.

Rodrigues no Rosário Central em 1960.

C.A Juventus: Em pé: zagueiro não identificado, Mão de Onça, Clóvis, Homero, Lima e Pando. Agachados: Lanzoninho, Zeola, Buzzone, Cássio e Rodrigues Tatu. Crédito: site do Milton Neves.

C.A Juventus: Em pé: zagueiro não identificado, Mão de Onça, Clóvis, Homero, Lima e Pando. Agachados: Lanzoninho, Zeola, Buzzone, Cássio e Rodrigues Tatu. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista El Gráfico, revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Ilustrado, revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro, gazeta esportiva.net, site do Milton Neves, esporte.uol.com.br, memoriafutebol.com.br, Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora, museudosesportes.blogspot.com.br.