Tags

, , ,

O mais velho de uma família numerosa, Roberto Pinto sempre fez questão de mandar uma boa parte de seu salário para ajudar nas despesas da casa.

Nascido em Mendes (RJ), no dia 24 de setembro de 1937, Roberto Rosa Pinto era sobrinho do lendário Jair Rosa Pinto, craque que jogou pelo Vasco da Gama, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Ponte Preta e Seleção Brasileira.

Conforme publicado pela revista do Esporte em 3 de novembro de 1962, a carreira foi iniciada nas divisões amadoras do Club de Regatas Vasco da Gama.

E por falar em família, Roberto Pinto revelou um fato curioso na matéria publicada pela revista Placar, em 23 de novembro de 1973.

Antes de chegar ao Vasco, o tio Jair Rosa Pinto ficou impressionado ao ver o sobrinho fazendo embaixadas com uma laranja. Foi o suficiente pata levar o garoto para treinar no Palmeiras.

Roberto Pinto e Lorico. Crédito: revista do Esporte número 155 – Fevereiro de 1962.

Depois de quatro meses sem conseguir se firmar no alviverde, um sócio do clube o encaminhou para São Januário.

Garoto habilidoso, Roberto Pinto passou por todas categorias de base até chegar ao quadro de Aspirantes. Logo em seguida, recebeu suas primeiras oportunidades no time principal em 1957.

Com apenas 1;65 de altura e 55 quilos, Roberto Pinto entrou na vaga deixada pelo consagrado artilheiro Vavá, negociado com o futebol espanhol.

Com um futebol bem diferente de Vavá, um homem de luta e que foi apelidado de “Leão da Copa” em 1958, Roberto Pinto tinha um estilo de jogo macio, “picotado” e malicioso.

A aceitação foi difícil para os torcedores e para os próprios companheiros, que não se acostumaram facilmente com tamanha diferença.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

Crédito: revista do Esporte número 191 – 3 de novembro de 1962.

Com meias sempre arriadas, Roberto Pinto nunca foi um jogador de correr com a bola nos pés, muito menos de correr atrás dela. Suas primeiras conquistas aconteceram em 1958, no “Super-Campeonato Carioca” e no Torneio Rio-São Paulo.

Com o passar do tempo, seu futebol foi aproveitado pela meia cancha, tanto pela direita como pela esquerda.

Rotulado como “prendedor de bola” e acusado de não se empenhar na disputa das jogadas, Roberto Pinto voltou ao quadro de Aspirantes em 1961, lá permanecendo até 1962, quando conquistou o bicampeonato da categoria.

E naquele mesmo ano de 1962, os dirigentes do Vasco aceitaram uma proposta do Bangu Atlético Clube. Naquela ocasião, Roberto Pinto foi trocado por um ponta-esquerda de nome incomum: Tiriça.

Definitivamente, não foi um grande negócio para o time de São Januário.

Crédito: revista do Esporte número 274 – 6 de junho de 1964.

Crédito: revista do Esporte número 274 – 6 de junho de 1964.

Enquanto Tiriça não jogou nem dois meses pelo Vasco, Roberto Pinto foi transformado em um dos grandes nomes do Bangu nos anos 60.

Grande lançador, Roberto Pinto alimentava os pontas Paulo Borges e Mateus no esquema armado pelo técnico Tim em 1963. Além de municiar o ataque alvirrubro, Roberto Pinto era o cobrador oficial de penalidades.

Acusado de fazer “corpo mole” contra o Fluminense, na partida que acabou com o sonho do título na penúltima rodada do campeonato de 1963, Roberto Pinto caiu em desgraça e o Flamengo ficou com o caneco.

Afastado do time, o talentoso meio campista não excursionou pela América do Sul no início de 1964. Só foi reintegrado ao elenco principal do Bangu durante o Torneio Rio-São Paulo.

Dicá, Manfrini e Roberto Pinto na Ponte Preta em 1970. Crédito: revista Manchete.

Voltou muito bem e foi um dos destaques no campeonato carioca, Mas, lamentavelmente, o Bangu novamente perdeu o título para o Fluminense e ficou com o vice-campeonato carioca.

Depois de ser vice outra vez em 1965, Roberto Pinto disputou apenas o Torneio Rio-São Paulo de 1966 pelo clube de “Moça Bonita”.

Seu passe foi vendido justamente para o Fluminense, deixando assim de fazer parte do quadro alvirrubro que foi campeão carioca em 1966.

Mas Roberto Pinto não permaneceu por muito tempo nas Laranjeiras. Deixou o Fluminense queimado e com quase trinta anos nas costas em 1967.

Com o passe negociado com o Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto (SP), Roberto Pinto deixou o cenário dos grandes clubes do futebol carioca.

Roberto Pinto, o maestro da Ponte. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Forte formação da Ponte Preta. Em pé: Teodoro, Wilson, Samuel, Araújo, Nelsinho e Santos. Agachados: Alan, Dicá, Manfrini, Roberto Pinto e Ézio. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

No Botafogo de Ribeirão Preto, Roberto Pinto encontrou um grande desafio pela frente, já que o time estava seriamente ameaçado pelo rebaixamento. Mas o Botafogo escapou e permaneceu na Divisão Especial.

Depois de duas temporadas muito boas em Ribeirão Preto, Roberto Pinto foi contratado pela Associação Atlética Ponte Preta em 1969. E foi em Campinas que o craque carioca viveu a sua fase mais produtiva.

Quando a “Macaca” voltou para o grupo de elite do futebol paulista, o técnico Cilinho tratou de promover vários talentos das equipes de base.

No entanto, Cilinho não abriu mão da maturidade e da alta qualidade do futebol de Roberto Pinto. Ao lado de Teodoro, Dicá e Manfrini, Roberto Pinto era um verdadeiro orientador do jovem time da Ponte.

No saldo positivo do trabalho desenvolvido em Campinas, Roberto Pinto foi determinante para que o quadro campineiro pudesse garantir uma vaga no Torneio “Robertão”.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 4 de setembro de 1970.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 4 de setembro de 1970.

Em 1971 voltou aos gramados cariocas para defender o Olaria Atlético Clube. A imprensa, que já questionava o fator idade, não foi a única que duvidou de sua condição física.

Quando chegou ao Olaria, Roberto Pinto teve que ouvir de um torcedor que o clube tinha contratado um aposentado fora de forma. Mas certamente, esse desconhecido torcedor precisou reparar o que disse!

Jogando pelo Olaria, Roberto Pinto continuou praticando seu belo futebol até 1974, quando decidiu encerrar a carreira. Algumas fontes registram ainda uma passagem pelo Marília (SP).

Ao deixar os gramados trabalhou como treinador em quase todos os clubes por onde passou como jogador (Olaria, Vasco, Fluminense). Roberto Pinto faleceu vitimado por um atropelamento no Rio de Janeiro, em 1994.

Roberto Pinto no Olaria. Fotos de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 23 de novembro de 1973.

Roberto Pinto é acompanhado de perto por Carbone do Botafogo. Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 23 de novembro de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fernando Pimentel, Hedyl Valle Junior, José Trajano, Lemyr Martins, Raul Quadros, Sebastião Marinho e Zeka Araújo), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, esporte.uol.com.br, gazeta esportiva.net, netvasco.com.br, site do Milton Neves.

Anúncios