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Quem poderia acreditar em um goleiro de apenas 1;72 de altura; um homem castigado por cálculos renais e joelhos comprometidos?

Em matéria publicada pela revista Placar número 42, o conceituado jornalista Michel Laurence era mais um dos que ainda colocavam fé na recuperação total de Cláudio:

“No dia em que ele entrar em campo novamente, os torcedores devem bater palmas com força. Um homem com cheiro de terra depois que a chuva passa”.

Marcante “guarda-metas” do Santos, Cláudio César de Aguiar Mauriz nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 22 de agosto de 1940.

Sua trajetória esportiva foi iniciada nos quadros amadores do Fluminense Football Club (RJ), equipe que defendeu entre 1961 e 1963, um período de grande aprendizado ao lado do lendário Carlos José Castilho.

Em treinamento do Bonsucesso, o goleiro Cláudio e o zagueiro Marcelo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 281 – 1964.

Franz do São Cristóvão e Cláudio do Bonsucesso, goleiros com grande destaque na temporada carioca de 1964. Crédito: revista do Esporte número 307.

Depois, o arrojado e promissor Cláudio passou rapidamente pelas fileiras do Olaria Atlético Clube (RJ).

Em 1964 seu passe foi negociado com o Bonsucesso Futebol Clube (RJ), uma fase de grande reconhecimento por suas atuações espetaculares.

Considerado um profissional culto e esclarecido, o baixinho Cláudio sempre passava muita segurança aos companheiros e torcedores. Abaixo, um dos últimos compromissos com a camisa do Bonsucesso:

21 de novembro de 1964 – Campeonato carioca segundo turno – Botafogo 1×1 Bonsucesso – Estádio do Maracanã – Árbitro: Wilson Lopes de Sousa – Gols: Antoninho aos 7’ e Arlindo aos 30’ do primeiro tempo.

Botafogo: Manga; Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gerson; Jairzinho, Arlindo, Quarentinha e Zagallo. Técnico: Geninho. Bonsucesso: Cláudio; Marcelo, Claudionor, Luis Carlos e Nélson; Jaime e Helinho; João José, Carlinhos, Antoninho e Escurinho. Técnico: Daniel Pinto. 

Cláudio não consegue evitar o gol de Fefeu para o Flamengo. A partida pelo Torneio Rio-São Paulo terminou empatada em 1×1 no Pacaembu. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 274 – Março de 1965.

Crédito: revista do Esporte número 324 – 22 de maio de 1965.

Transferido para o Santos Futebol Clube (SP) no início da temporada de 1965, o jovem goleiro carioca encontrou inicialmente um ambiente de desconfiança em seu futebol.

Descrentes, os torcedores do Santos esperavam por um nome consagrado para fazer sombra ao intocável Gylmar dos Santos Neves.

Conforme divulgado pelo site acervosantosfc.com, sua primeira participação aconteceu em 10 de março de 1965, na vitória por 4×1 diante da Portuguesa de Desportos no Pacaembu, compromisso válido pelo Torneio Rio-São Paulo.

Mas, como veremos, não demorou muito para os incrédulos perceberem que a baixa estatura de Cláudio não representava muita coisa!

Fumante inveterado e um apaixonado pela literatura, Cláudio estava sempre com um livro nas mãos, um hábito pouco comum aos jogadores da época!

Castilho e Cláudio no gramado do Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 339 – 4 de setembro de 1965.

Segurança de sobra na meta santista com Gylmar dos Santos Neves, Cláudio Mauriz e Laércio Milani. Crédito: revista do Esporte número 352 – 4 de dezembro de 1965.

Entre 1965 e 1966, Cláudio não foi aproveitado com maior regularidade pelo técnico Lula. Naqueles tempos, Gylmar ainda era o titular absoluto da posição e na suplência o time praiano contava com os experientes Edevar e Laércio.

Na temporada de 1967, com Gylmar sinalizando sua merecida aposentadoria, Cláudio foi ganhando espaço na preferência do técnico Antoninho Fernandes.

Dedicado nos treinamentos, o sempre seguro Cláudio foi logo transformado em nome certo nas convocações da Seleção Brasileira.

Bem cotado, o goleiro santista pavimentou um caminho sólido entre os mais cotados para disputar o tão esperado mundial do México em 1970.

Contudo, o joelho direito não oferecia tréguas. Inflamações, pomadas anestésicas e toalhas quentes faziam parte de uma dolorosa rotina!

Cláudio, Oberdan Vilain e Rildo no gramado do Pacaembu. Crédito: revista do Esporte número 429 – 27 de maio de 1967.

Crédito: revista Placar.

As infiltrações, que no começo pareciam amenizar seu sofrimento, com o passar do tempo deixaram de ser eficientes. Além disso, o aparecimento de cálculos renais completavam o quadro clínico considerado preocupante.

Assim, disputar a Copa do Mundo virou sonho! Além dos problemas no joelho direito, o joelho esquerdo também pediu passagem no prontuário médico.

Pela Seleção Brasileira, Cláudio disputou 7 partidas com 6 vitórias, 1 derrota e 8 gols sofridos. Os números foram publicados pelo Livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Apresentando uma previsão de 5 meses de afastamento, o tratamento era intensivo. Como desgraça pouca é bobagem, Cláudio também desenvolveu complicações nos ligamentos cruzados, outro desafio para o médico Ítalo Consentino!

Com o contrato terminando em janeiro de 1971, Cláudio decidiu encarar o procedimento cirúrgico nos joelho. Mas o danado do joelho não desinchava!

Crédito: revista Placar.

O prazer pelo futebol não resistiu ao castigo nos joelhos. Crédito: revista Placar.

Depois de uma infinidade de exames para descobrir o motivo da inflamação, os médicos chegaram ao diagnóstico de “Gota”, uma doença causada pelo acúmulo de cristais de ácido úrico nas articulações.

Com a demora na identificação do problema, o Santos contratou o argentino Agustín Mario Cejas. Confiantes e solidários, os dirigentes santistas vibraram quando Cláudio voltou aos treinamentos no início de 1972.

Cláudio continuou no Santos até o findar do campeonato paulista de 1973. Ao todo, foram 223 partidas disputadas e vários títulos conquistados:

– Torneio Rio-São Paulo 1966, campeonato paulista 1967, 1968, 1969 e 1973, Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1968, Recopa Sul-Americana e Recopa dos Campeões Mundiais, ambas em 1968; além de vários torneios nacionais e internacionais.

Triste e longe da bola, Cláudio foi viver nos Estados Unidos, onde faleceu no dia 24 de julho de 1979. O ex-goleiro estava internado travando uma dura batalha contra um câncer.

Crédito: revista Placar.

Foto de Sebastião Marinho. Crédito: revista Placar – 3 de março de 1972.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, José Maria de Aquino, Lemyr Martins, Michel Laurence, Narciso James, Roberto Appel e Sebastião Marinho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte (por Tarlis Batista), revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, dnasantastico.com, fanaticospelocesso.blogspot.com.br (por Jorge Costa), gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com, santosfc.com.br (por André Mendes), site do Milton Neves, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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