Tags

, , , ,

“Danilo Alvim era dono de uma técnica refinada. Dribles curtos, passes precisos e lançamentos majestosos”. Revista Placar – Os Esquadrões dos Sonhos – Novembro de 1994.

Danilo Faria Alvim nasceu no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), em 3 de dezembro de 1920. 

Nas peladas pelos inúmeros campinhos da época, o menino Danilo sempre se imaginou com a camisa do América, seu time do coração!

Até que um dia, o corretor Alcídio Alvim entrou em casa e anunciou uma mudança de endereço. Era um pequeno apartamento no bairro da Tijuca, na esquina da Praça Afonso Pena com a Rua Campos Sales.

E para felicidade do garoto Danilo, a mudança promovida pelo pai em razão dos negócios o deixou bem em frente ao América.

Danilo realiza seu sonho americano. Crédito: revista Placar – 26 de janeiro de 1979.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 427 – 3 de junho de 1946.

Mas não bastava morar perto para jogar no América. Na esperança de transformar o sonho em realidade, Danilo jogou em muitos times da região, até seu futebol ser descoberto por um olheiro do América em 1939.

Estava tudo dando certo, exatamente como Danilo sempre sonhou!

Habilidoso com a bola nos pés, Danilo sempre foi um otimista de carteirinha. Para ele, qualquer jogo, fosse contra quem fosse, o placar seria sempre o mesmo: “Será fácil… 4×0 pra nós”.

Tudo corria bem até aquele malfadado dia do mês de janeiro de 1941, quando voltava distraído do bairro da Lapa.

Ao descer do ônibus na Praça da Bandeira, Danilo quis aproveitar o embalo para pegar o bonde Malvino Reis, que passava na porta do América. Envolvido pela pressa, seu corpo magro foi atingido por um automóvel em grande velocidade.

Eli do Amparo, Danilo e Noronha. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 575.

Danilo e Ávila. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 610 – 15 de dezembro de 1949.

No boletim de enfermaria do Hospital de Pronto Socorro, que depois mudou o nome para Hospital Souza Aguiar, o resultado era assustador. O paciente Danilo Faria Alvim apresentava 39 fraturas nas duas pernas, inclusive com a tíbia exposta.

Foram 18 meses de gesso. Danilo só voltou aos treinamentos no segundo semestre de 1942. Mesmo apresentando dificuldades em sua recuperação, sua paixão pela bola era tão grande que sua fé o fez correr novamente pelos gramados.

E Danilo voltou exibindo tanta classe e categoria que mais tarde recebeu o apelido de “Príncipe”, uma denominação perfeita para o jovem craque da Tijuca.

Sua grande oportunidade apareceu quando o selecionado carioca foi treinar no campo do América. O centro-médio Rui se machucou e o técnico Flávio Costa solicitou ao treinador do América um jogador para completar o time reserva.

Assistindo o jogo nas arquibancadas, Danilo foi chamado e entrou no meio de todos aqueles “cobrões”. Terminado o treino, Flávio Costa não teve dúvidas e convocou Danilo.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 780.

Mas o sucesso inesperado no selecionado carioca não foi suficiente para continuar no América. Ainda com a perna esquerda apresentando limitações, Danilo foi dispensado pelo técnico Gentil Cardoso.

Emprestado ao Canto do Rio Foot-Ball Club em 1943, Danilo limpou os armários e lágrimas brotaram de seu rosto. Olhando para os companheiros, Danilo murmurou que um dia ainda voltaria ao América.

Jogando pelo Canto do Rio, Danilo novamente foi convocado para o selecionado carioca pelo técnico Flávio Costa. Percebendo o desatino que cometeu, Gentil Cardoso o trouxe de volta para o América em 1944.

Assim, na última rodada do Torneio Relâmpago de 1945, a tabela apontava mais clássico decisivo entre América e Vasco. E naquele dia Danilo sobrou em campo!

Com uma atuação impecável, Danilo foi determinante na virada do América pela contagem de 2×1, com gols marcados por Maneco.

Danilo é consolado após a derrota contra o Uruguai em 1950. Crédito: revista Placar – 26 de janeiro de 1979.

O Brasil na Copa do Mundo de 1950. Em pé: Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer e Bigode. Agachados: O massagista Johnson, Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico e o massagista Mário Américo. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

A diretoria do Vasco não deixou barato e por 90 contos de luvas e 2 contos mensais, Danilo assinou seu primeiro compromisso em São Januário.

Campeão carioca nas temporadas de 1947, 1949, 1950 e 1952, Danilo ainda faturou o importante título Sul-Americano de Clubes em 1948. Mais experiente, Danilo formou ao lado de Eli e Jorge uma das linhas médias mais famosas do cenário carioca.

Convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez em 1945, Danilo foi campeão Sul-Americano de 1949, uma conquista que confirmou seu nome no elenco para disputar o mundial de 1950.

Titular absoluto na Copa do Mundo, Danilo não participou apenas do inesperado empate contra a Suíça por 2×2 no Pacaembu.

Depois, o escrete entrosou e ofereceu grandes espetáculos nas partidas contra a Iugoslávia, Suécia e Espanha no Maracanã. Foi o suficiente para Danilo disparar seu costumeiro palpite para o confronto contra o Uruguai: “Será fácil… 4×0 pra nós”.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 648 – 14 de julho de 1951.

Quando o jogo com o Uruguai terminou, Danilo deixou o gramado aos prantos. Depois, chorou no vestiário, chorou no caminho de volta para São Januário e finalmente chorou quando chegou em casa, um apartamento na Praça João Pessoa. 

Com o rosto vincado e triste, Danilo só voltou ao Maracanã um mês depois para enfrentar o Botafogo. E chorou novamente!

Em 1954, após desentendimentos com os cartolas do Vasco, Danilo foi parar no rival Botafogo. Mas antes, teve que atravessar uma “ponte” chamada Fonseca Atlético Clube.

O regulamento da Federação Metropolitana de Futebol (F.M.F) não permitia jogar na mesma temporada por outro clube.

Então, Danilo fez apenas um jogo “embromação” pelo Fonseca em 9 de outubro de 1954, ocasião em que também assinou o distrato com o Fonseca e seu novo compromisso com o Botafogo de Futebol e Regatas.

Amargas lembranças do Maracanã em 1950. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1971.

Amargas lembranças do Maracanã em 1950. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1971.

Em 16 de outubro, Danilo fez sua primeira partida pelo Botafogo contra o Bangu. Em 1956, com o “Passe Livre” nas mãos, Danilo acertou suas bases com o Uberaba Sport Club (MG), onde acumulou responsabilidades como jogador e treinador.

Sua última partida aconteceu em 1957, contra o Santos do amigo Jair Rosa Pinto. Em seguida iniciou sua caminhada como treinador, inclusive com uma passagem marcante pelo selecionado boliviano na conquista do título Sul Americano em 1963.

Entre tantas equipes, Danilo trabalhou no CRB (AL), Galícia (BA), Uberaba (MG), Uberlândia (MG), Operário (MS), Clube do Remo (PA), Náutico (PE), Londrina (PR), América (RJ), Botafogo (RJ), São Cristóvão (RJ), Figueirense (SC), Itabaiana (SE) e ABC (RN).

Longe da bola, Danilo Alvim passou seus últimos dias com muita dificuldade. Morando em um pequeno apartamento no centro do Rio, o “Príncipe” perdeu tudo o que ganhou no futebol e vivia de uma modesta aposentadoria.

Depois da morte da esposa, uma terrível solidão tomou conta da vida de Danilo, que faleceu no dia 16 de maio de 1996 na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Danilo como treinador do América (RJ). Crédito: revista Manchete Esportiva – 14 de fevereiro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade, Carlos Maranhão, Fausto Neto, Fernando Pimentel, Gilson Rolemberg, Isnard Cordeiro e Luiz Augusto Chabassus), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva (por Glória Silvia), revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, revista Vida do Crack, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves, vasco.com.br.

Anúncios