Tags

, , ,

Julio Botelho nasceu no tradicional bairro da Penha, Zona Leste da cidade de São Paulo, em 29 de julho de 1929.

Em matéria especial da revista do Esporte em setembro de 1960, o craque contou um pouco de sua juventude nas praças esportivas da região onde morava.

Estudante do Grupo Escolar Santos Dumont, nas horas de folga Julinho Botelho já era um diferenciado com o couro nos pés. 

Das inocentes peladas aos grandes da várzea, Julinho Botelho tentou ser aprovado nas seletivas do Corinthians. Forte e desenvolvido, o rapazola foi escalado equivocadamente na lateral esquerda e acabou dispensado.

Aos 19 anos de idade sua sorte parecia ter melhorado. Julinho Botelho estava próximo de assinar um compromisso nos Aspirantes do Palmeiras. Mas, ao fazer uma partida pelo Sindicato dos Tecelões no bairro da Mooca, seu destino não foi mais o Parque Antártica!

Crédito: revista O Cruzeiro – 1952.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Tão logo o jogo foi encerrado, Julinho Botelho recebeu um convite para jogar no Clube Atlético Juventus, um local bem mais próximo de sua casa!

Em 1950 recebeu suas primeiras oportunidades no time principal do “Moleque Travesso”. Ao lado de Carbone, Julinho Botelho formou uma ótima dupla de ataque que fez muito sucesso no campeonato paulista.

Depois de alguns meses na Rua Javari, Julinho Botelho foi contratado por 50 mil cruzeiros pela Associação Portuguesa de Desportos.

A primeira participação aconteceu na derrota por 5×2 para o Flamengo no Maracanã. A Portuguesa estava em formação e o dono da camisa 7 era Renato Violani, que depois foi deslocado como meia-direita.

Na temporada de 1951, Julinho Botelho marcou 4 vezes em um mesmo jogo. Foi na memorável vitória da Portuguesa sobre o Corinthians por 7×3, partida disputada em 25 de novembro de 1951, no Pacaembu.

Pelé e Julinho Botelho com a camisa da Seleção Paulista. Crédito: revista do Esporte.

Julinho Botelho e Luizinho Trochillo com a camisa da Seleção Paulista. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada – Abril de 1955.

Na Lusa, jogando ao lado de Brandãozinho, Djalma Santos e Pinga, Julinho Botelho fez parte de uma das maiores formações da história do clube, inclusive conquistando o Torneio Rio-São Paulo de 1952 e 1955.

E o ano de 1952 foi marcante na história do ponteiro direito. Convocado pela primeira vez para servir o escrete canarinho, Julinho Botelho foi peça determinante na conquista do campeonato Pan-Americano.

As ótimas atuações renderam outras convocações no Sul Americano de 1953. No ano seguinte, seu nome estava relacionado pelo técnico Zezé Moreira para disputar o mundial de 1954, na Suíça.

Na Copa do Mundo, o Brasil até que foi bem, mas acabou derrotado por 4×2 pelo mágico futebol da Hungria de Kocsis e Puskas.

No mês de julho de 1955, após 191 partidas disputadas pela Portuguesa de Desportos, Julinho Botelho foi negociado com a Associazione Calcio Firenze Fiorentina.

Pelé e Julinho Botelho em 1959. Crédito: revista do Esporte número 54.

E logo em sua primeira temporada na Itália o brasileiro fez história. A Fiorentina comemorou seu primeiro título na temporada 1955/56, com 11 pontos de vantagem sobre o Milan.

Além disso, a Fiorentina ficou com o vice-campeonato da Copa da Europa ao perder o confronto final para o Real Madrid.

Venerado pela fanática torcida da Fiorentina, o ponteiro direito brasileiro foi o grande responsável pela projeção da equipe no cenário italiano.

Em grande fase, o nome de Julinho Botelho foi lembrado para disputar a Copa do Mundo de 1958. No entanto, o jogador da Fiorentina não achou justa sua inclusão no grupo da Seleção Brasileira.

Respeitando o surpreendente aparecimento de Mané Garrincha, Julinho Botelho remeteu uma carta para os dirigentes da então CBD. No texto, além do agradecimento, os motivos da nobre e surpreendente recusa!

Crédito: revista do Esporte número 78 – Setembro de 1960.

No findar do primeiro semestre de 1958, Julinho Botelho voltou ao Brasil. Com ofertas do Corinthians, Palmeiras e Fluminense, o jogador comunicou aos clubes interessados para colocarem suas propostas em um envelope.

Depois da abertura dos envelopes, a proposta escolhida foi a do Palmeiras, que naquele período vivia uma longa estiagem de títulos paulistas.

Quando o certame de 1959 chegou ao fim, o Palmeiras teria pela frente o Santos de Pelé na disputa do título. Na época, o quadro esmeraldino era o único capaz de fazer frente ao time praiano.

Empatados na classificação geral, o campeão seria conhecido em 2 partidas marcadas para o Estádio do Pacaembu. Com empates em 1×1 e 2×2, a Federação Paulista de Futebol determinou mais um duelo para decidir quem levaria o “caneco”.

E nesse terceiro e derradeiro confronto, o Palmeiras venceu por 2×1 e ficou com o título. Pelé marcou para o Santos; enquanto Julinho Botelho e Romeiro marcaram para o alviverde.

Julinho Botelho na partida decisiva do campeonato Paulista de 1959 contra o Santos. Crédito: revista Mundo Ilustrado número 109 – 23 de janeiro de 1960.

Julinho Botelho marca o gol de empate contra o Santos em 10 de janeiro de 1960. Crédito: revista Placar.

Campeão paulista pela primeira vez, a conquista de 1959 foi sem dúvida a mais emocionante de sua carreira!

E 1959 reservou ainda outros desafios na carreira de Julinho Botelho. No dia 13 de maio, uma verdadeira massa humana de 127.000 torcedores queria assistir Garrincha no amistoso diante da Inglaterra no Maracanã.

Era o primeiro jogo do escrete depois do título mundial de 1958. Vicente Feola deixou Garrincha no banco e os torcedores só souberam da escalação de Julinho Botelho pouco antes do início do jogo.

Foi a maior vaia recebida por um jogador na história do futebol. Com lágrimas nos olhos, Julinho Botelho fez uma promessa ao parceiro Djalma Santos: “Eles vão engolir essas vaias”.

Nos primeiros minutos de jogo, Julinho Botelho fez 1×0. Aos 28 minutos, todo o lance do gol de Henrique foi arquitetado pelo mesmo Julinho, já devidamente reconhecido por um Maracanã sem vaias.

Julinho Botelho e Valdir Joaquim de Moraes. Crédito: revista do Esporte número 154 – Fevereiro de 1962.

Djalma Santos e Julinho Botelho. Crédito: reprodução revista do Esporte número 188 – 13 de outubro de 1962.

Como um grande alquimista, o craque palmeirense transformou vaias em aplausos. E só não fez mais porque se machucou de tanto driblar e apanhar dos ingleses. E assim os jornais do dia seguinte estamparam na primeira página: “O Brasil agora tem dois Garrinchas”. 

Em 1960 Julinho Botelho foi campeão da Taça Brasil com uma vitória elástica por 8×2 sobre o Fortaleza. No mesmo ano participou das festividades de inauguração do Estádio do Morumbi.

A Taça Brasil qualificou o Palmeiras para disputar a Taça Libertadores da América de 1961. Depois de 2 partidas muito disputadas contra o forte Penãrol, o Palmeiras amargou o vice-campeonato.

Com uma distensão agravada por uma fibrose na virilha, Julinho Botelho ficou afastado dos gramados por alguns meses em 1962. Mesmo assim, dirigentes do River Plate da Argentina sondaram o Palmeiras na tentativa de contar com seu futebol.

Ainda em 1962 seu nome foi lembrado para o mundial do Chile. Novamente, Julinho Botelho agradeceu e ofereceu seu lugar para outros jogadores em melhores condições físicas.

Com uma mal curada distensão muscular, Julinho Botelho ficou afastado dos gramados durante alguns meses na temporada de 1962. Crédito: revista do Esporte número 194 – Novembro de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 258 – 15 de fevereiro de 1964.

Enquanto isso, no cenário doméstico, o Palmeiras continuou como uma verdadeira “pedra no sapato” do Santos ao conquistar o campeonato paulista nas edições de 1963 e 1966; além de faturar o Torneio Rio São Paulo de 1965.

Ainda em 1965 participou das festividades de inauguração do Estádio do Mineirão, quando o Palmeiras representou o Brasil e venceu o Uruguai pela contagem de 3×0.

Em 12 de fevereiro de 1967, na vitória por 1×0 sobre o Náutico no Parque Antártica, Julinho Botelho encerrou sua caminhada de conquistas, exemplos e muita dedicação!

Pelo Palmeiras foram 269 partidas com 163 vitórias, 53 empates, 53 derrotas e 81 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Em seguida trabalhou como treinador no próprio Palmeiras, passando em seguida pela Portuguesa de Desportos e pelo Corinthians. O épico ponta-direita faleceu no dia 11 de janeiro de 2003.

O depoimento de Julinho Botelho sobre os momentos dramáticos antes da partida contra a Inglaterra no Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 274.

Julinho Botelho ao lado da esposa Thereza Botelho. Crédito: revista Manchete Esportiva número 186. *Contribuição no ajuste e correção de informações por Carlos Botelho, filho de Julinho Botelho.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Carlos Maranhão, Dagomir Marquezi, Divino Fonseca, José Maria de Aquino, Lenivaldo Aragão e Roberto Avallone), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mundo Ilustrado, revista O Cruzeiro, revista Vida do Crack, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, juliobotelho.blogspot.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, Livro: Julinho Botelho – Um Herói Brasileiro – Luciano Ubirajara Nassar – Editora Expressão e Arte, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios