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Natural de Santos no litoral paulista, o lendário ponteiro esquerdo do mágico time do Santos, contador de histórias e treinador José Macia, nasceu no dia 25 de fevereiro de 1935.

O pequeno “Pepinho” era para se chamar José Macia Filho, mas por um erro na emissão da certidão ficou com o nome igual ao pai José Macia. Assim, nasceu um dos maiores ídolos da história do time da “Vila Famosa”.

Passou os primeiros anos de vida ao lado de seus dois irmãos mais velhos, Mário e Sílvio, que faleceu precocemente.

Até 1942 o endereço da família Macia era na Rua João Pessoa, no centro da cidade de Santos. Depois, os Macia se mudaram para São Vicente em razão da aquisição de uma mercearia, batizada depois de “Mercearia Central”.

Desde pequeno, Pepe vivia correndo atrás da bola. E assim, nada melhor do que fundar o próprio time, que se chamou Alvinegro.

Pepe com a camisa do selecionado paulista. Crédito: revista Manchete Esportiva número 63.

Um autógrafo de Pepe antes da vitória brasileira por 7×1 sobre o Equador, partida válida pelo campeonato Sul Americano de 1957 disputado no Peru. Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva número 71 – 30 de março de 1957.

As camisas humildes do Alvinegro, de cor branca, receberam o distintivo bordado em forma de um triângulo pelas mãos sempre pacientes da mãe de Pepe, dona Clotilde.

O pai de Pepe, popularmente conhecido como Espanhol, vivia preocupado com aquela obsessão do filho pelo futebol, já que naquela época jogador de futebol era coisa mal vista.

Mesmo assim, o menino Pepe não largou o futebol e conseguiu provar sua habilidade com o couro nos pés.

Com o desaparecimento do Alvinegro em 1947, os dois times rivais da Vila Melo eram o Comercial da Rua General Marcondes Salgado e o Mota Lima. Pepe jogava pelo Mota Lima, enquanto o irmão Mário era zagueiro do Comercial.

Mais tarde, no dia 11 de fevereiro de 1953, surgiu o Clube Recreativo Continental, uma agremiação originada da fusão do Comercial e do Vila Melo, que antes viviam se engalfinhando pelo campos.

Crédito: revista do Esporte número 44 – Janeiro de 1960.

O Continental fez história no futebol de São Vicente. Foi campeão local por diversas vezes, além de contar com feitos brilhantes em algumas disputas em outras cidades do litoral paulista.

E foi jogando pelo Continental que Pepe encerrou sua fase amadora. Em maio de 1951, Pepe foi encaminhado para testes no Santos Futebol Clube.

Dono de um bom futebol e um chute potente, Pepe agradou bastante ao treinador chamado Saul, que logo o aproveitou no clube.

No ano seguinte, Pepe foi promovido ao quadro juvenil justamente na época da chegada do técnico Luis Alonso Peres, o Lula, oriundo da Portuguesa Santista.

Ao lado do atacante Del Vecchio, Pepe formou uma dupla que não parava de fazer gols.

Pelé e Pepe. Crédito: santosfc.com.br.

Partindo da esquerda; Garrincha, Didi, Pelé, Amarildo e Pepe (sentado). Crédito: revista do Esporte número 165 – 5 de maio de 1962.

O “Canhão da Vila”, assim conhecido pela potência de seu chute, fez sua primeira participação no time principal do Santos em 1954.

Pepe já era famoso, não só pelo chute, mas por sua velocidade, habilidade e principalmente pela disciplina tática dentro do campo.

Em 1955 Pepe entrou definitivamente para os livros de história do Santos. O ponteiro marcou o gol do título paulista de 1955.

O Santos enfrentava o Taubaté, na Vila Belmiro, pela última rodada da competição. A partida estava empatada em 1×1 quando um pênalti foi marcado. Pepe bateu com força e marcou o gol que acabou com o jejum de 20 anos sem título.

Depois da chegada de Pelé em 1956, Pepe participou de uma das melhores equipes de todos os tempos.

Arranhando no piano. Crédito: revista do Esporte número 165 – 5 de maio de 1962.

Pepe e Zagallo no gramado do Maracanã. Crédito: revista do Esporte número 248 – Dezembro de 1963.

Com 405 gols marcados em 750 partidas disputadas, o ponteiro esquerdo é o segundo maior artilheiro do Santos, perdendo apenas para Pelé.

Mas, segundo sua própria teoria, o maior artilheiro do Santos é o próprio Pepe, afinal, o Pelé não conta… Ele é de outro mundo!

Como jogador foram 27 títulos conquistados, além de uma quantidade considerável de torneios nacionais e internacionais:

– Campeonato paulista 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969, Taça Brasil 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965, Libertadores 1962 e 1963, Interclubes 1962 e 1963, Torneio Rio-São Paulo 1959, 1963, 1964 e 1966, Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1968, Recopa Sul-Americana e Recopa dos Campeões Mundiais, ambos em 1968.

Pepe também recebeu o Prêmio Belfort Duarte por sua exemplar conduta esportiva ao longo da carreira.

O peso da idade e seguidas contusões não abalaram o ponteiro praiano, que resolveu continuar por mais uma temporada no time da Vila. Crédito: revista do Esporte número 284 – 15 de agosto de 1964.

Pepe gastou 4 milhões de cruzeiros para se casar com Lélia da Silva Serrano na Igreja Coração de Maria, em Santos. Crédito: revista do Esporte número 286 – 29 de agosto de 1964.

Com inúmeras participações na seleção paulista, Pepe também fez muito sucesso com a camisa do escrete canarinho.

Pela Seleção Brasileira o ponteiro esquerdo marcou 22 gols em 40 partidas disputadas. Foram 29 vitórias, 3 empates e 9 derrotas.

No entanto, Pepe manteve sua frustração particular de não jogar nenhuma partida de Copa do Mundo.

Fez parte do grupo campeão mundial nas copas de 1958 e 1962. Era o titular absoluto da ponta esquerda, mas, coincidentemente, se machucou antes do início das duas competições.

Sua última partida pelo Santos foi diante do Palmeiras pelo campeonato paulista, no dia 3 de maio de 1969.

Pepe, ainda com seu topete, no gramado da Vila Belmiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Pepe solta sua “bomba” na barreira do Juventus na Rua Javari. Crédito: revista Placar – 19 de março de 1971.

Após o encerramento da carreira como jogador, Pepe iniciou seu ciclo como treinador do Santos. Inicialmente trabalhou nas equipes amadoras e depois levou o time principal ao título paulista de 1973, ainda com Pelé no elenco.

Suas conquistas mais importantes como treinador foram o campeonato brasileiro de 1986 pelo São Paulo; e o campeonato paulista do mesmo ano pela Internacional de Limeira, conhecida também como “Laranja Cabocla”.

Abaixo, os times em que Pepe trabalhou em sua rica trajetória como treinador:

– Fortaleza (CE), Atlético Mineiro (MG), Náutico (PE), Atlético Paranaense (PR), Coritiba (PR), Criciúma (SC), Guarani (SP), Internacional de Limeira (SP), Paulista de Jundiaí (SP), Ponte Preta (SP), Portuguesa de Desportos (SP), Portuguesa Santista, Santos (SP), São José (SP), São Paulo (SP); além de passagens pelo futebol japonês, peruano, português e pelo futebol do Catar.

Pepe contou suas histórias em um livro de sua autoria, “Bombas de Alegria”. Costumeiramente é convidado para eventos e entrevistas na mídia esportiva.

Crédito: revista Placar – 4 de agosto de 1986.

Fotos de Nelson Coelho. Crédito: revista Placar – 22 de setembro de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alfredo Ogawa, Fábio Sormani e Nelson Coelho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal Mundo Esportivo, Jornal dos Sports, blogs.lancenet.com.br, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, dnasantastico.com, exposicoesvirtuais.arquivonacional.gov.br, gazetaesportiva.net, literaturanaarquibancada.com, memoriafutebol.com.br, museudapessoa.net, placar.abril.com.br, santosfc.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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